Genocídio armênio

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Genocídio armênio
Armenian woman and her children from Geghi, 1899.jpg
Armênios deportados em marcha.
Local: Império Otomano Império Otomano
Contexto: Primeira Guerra Mundial
Guerra de independência turca
Período: 1915-1923
Vítimas: Armênios
Tipo de agressão: Deportação, Assassinato em massa
Número de vítimas: 600.000 - 1.800.000[1] [2] [3]
Agressor: Governo dos Jovens Turcos

Genocídio armênio, (em armênio: Հայոց Ցեղասպանութիւն, transl. Hayots tseghaspanut'iun), holocausto armênio ou ainda o massacre dos armênios é como é chamada a matança e deportação forçada de centenas de milhares ou até mais de um milhão de pessoas de origem armênia que viviam no Império Otomano, com a intenção de exterminar sua presença cultural, sua vida econômica e seu ambiente familiar, durante o governo dos chamados Jovens Turcos, de 1915 a 1917.[4]

Caracterizou-se pela sua brutalidade nos massacres e pela utilização de marchas forçadas com deportações, que geralmente levava a morte a muitos dos deportados. Outros grupos étnicos também foram massacrados pelo Império Otomano durante esse período, entre eles os assírios e os gregos de Ponto. Alguns historiadores consideram que esses atos são parte da mesma política de extermínio.[5]

Está firmemente estabelecido que foi um genocídio, e há evidências do plano organizado e intentado de eliminar sistematicamente os armênios. É o segundo mais estudado evento desse tipo, depois do Holocausto dos judeus na Segunda Guerra Mundial. Vários estudiosos afirmam que, em 1939 nas vésperas da invasão da Polônia, Hitler teria pronunciado a seguinte frase:[6]

Adota-se a data de 24 de abril de 1915 como início do massacre, por ter sido o dia em que dezenas de lideranças armênias foram presas e massacradas em Istambul.

O governo turco rejeita o termo genocídio organizado e nega que as mortes tenham sido intencionais. Quase cem anos depois, ainda persiste a polêmica.[7]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Desde o século XV, os armênios estavam sob o domínio do Império Otomano. Durante o domínio do Império Otomano, a ideia de independência começou a ganhar força entre os armênios. Com isso, o Império começou, em 1909, com um massacre que matou 20 mil armênios.[8] Além disso, durante a Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano estava recrutando soldados para a guerra. Muitas minorias étnicas eram contra o recrutamento, inclusive os próprios armênios. Com isso, em abril de 1915, o governo turco reuniu 250 líderes da comunidade armênia no império, sendo que alguns foram deportados e outros executados.[9] Depois de privar o povo de seus dirigentes, começou a deportação e o massacre dos armênios que habitavam os territórios asiáticos do Império.

...aqui descrito como o carniceiro dos armênios.
Mulher armênia exposta para venda como escrava.

Cenário[editar | editar código-fonte]

Embora as reformas de 8 de fevereiro de 1914[necessário esclarecer] não satisfizessem as exigências do povo armênio, pelo menos abriam o caminho para realizar o ideal pelo que havia lutado durante gerações, com sacrifício de inúmeros mártires. "Uma Armênia autônoma dentro das fronteiras do Império Otomano", era o anseio do povo armênio. Um mês mais tarde, em 28 de julho, começava a Primeira Guerra Mundial. Esse conflito resultou trágico, pois deu oportunidade ao movimento político dos Jovens Turcos de realizar seu premeditado projeto de aniquilação do povo armênio.

Mewlazada Rifar, membro do Comitê de União e Progresso, em seu livro Bastidores obscuros da Revolução Turca, disse:

Cquote1.svg Em princípios de 1915 o Comitê de União e Progresso, em sessão secreta presidida por Talat, decide o extermínio dos armênios. Participaram da reunião Talat, Enver, o Dr. Behaeddin Shakir, Kara Kemal, o Dr. Nazim Shavid, Hassan Fehmi e Agha Oghlu Amed. Designou-se uma comissão executora do programa de extermínio integrada pelo Dr. Nazim, o Ministro da Educação Shukri e o Dr. Behaeddin Shakir. Esta comissão resolveu libertar da prisão os 12 000 criminosos que cumpriam diversas condenações e aos quais se encarregava o massacre dos armênios. Cquote2.svg
Mewlazada Rifar

O Dr. Nazim Bei escreveu:

Cquote1.svg Se não existissem os armênios, com uma só indicação do Comitê de União e Progresso poderíamos colocar a Turquia no caminho requerido. O Comitê decidiu liberar a pátria desta raça maldita e assumir ante a história otomana a responsabilidade que este fato implica. Resolver exterminar todos os armênios residentes na Turquia, sem deixar um só deles vivo; nesse sentido, foram outorgados amplos poderes ao governo. Cquote2.svg
Nazim Bei

Batalha de Sarikamish[editar | editar código-fonte]

Em 24 de dezembro de 1914 o Ministro da Guerra Enver Pasha desenvolveu um plano para cercar e destruir o exército Russo do Cáucaso em Sarikamish , para recuperar territórios perdidos para a Império Russo após a guerra russo-turca de 1877-1878. Forças de Enver Pasha foram encaminhados à Batalha de Sarikamish, e quase completamente destruídas.

No verão de 1914, unidades voluntárias armênias foram estabelecidos nas forças armadas russas. Como os recrutas armênios-russos já haviam sido enviados para a frente europeia, esta força foi unicamente estabelecida a partir de armênios que não eram russos ou que não foram obrigados a servir. Um representante Otomano, Karekin Bastermadjian (Armen Karo), também foi trazido a esta força. Inicialmente, contava com 20.000 homens, mas foi informado que o seu número aumentou posteriormente. Voltando para Constantinopla, Enver culpou publicamente sua derrota aos armênios da região por terem lutado ao lado dos russos.[10]

Batalhões de trabalho[editar | editar código-fonte]

Em 25 de fevereiro de 1915, Enver Pasha enviou uma ordem para que todas as unidades militares armênias nas forças otomanas fossem desmobilizadas, desarmadas e transferidas aos batalhões de trabalho (turco: Amele taburlari). Enver explicou esta decisão como "por medo de que eles iriam colaborar com os russos". Como tradição, o exército regular otomano, quando composto por não muçulmanos, reunia homens com idade de 20 a 45 anos. Os soldados não muçulmanos mais jovens (15-20) e mais velhos (45-60) sempre atuavam no apoio logístico através dos batalhões de trabalho. Antes de Fevereiro, alguns dos recrutas armênios foram utilizados como trabalhadores (hamals) sendo, por fim, executados. [11]

Transferindo recrutas armênios do serviço ativo para o setor de logística era um aspecto importante do genocídio subseqüente. Conforme relatado em "As Memórias de Naim Bey", o extermínio dos armênios nesses batalhões era parte de uma estratégia premeditada em nome do Comitê para a União e o Progresso. Muitos desses recrutas armênios foram executados por grupos turcos locais. [10]

Eventos em Van, abril 1915[editar | editar código-fonte]

Resistência armênia na cidade de Van. A Resistência de Van foi um dos raros casos em que os armênios conseguiram defender-se das forças turcas.

Em 19 de abril de 1915, Jevdet Bey exigiu que a cidade de Van entregasse de imediato 4.000 soldados sob o pretexto de recrutamento. No entanto, ficou claro para a população armênia que seu objetivo era massacrar os homens capazes de Van, de modo que não deixar-lhe defensores. Jevdet Bey já tinha usado uma ordem oficial por escrito em aldeias próximas, ostensivamente para procurar armas, mas de fato para iniciar massacres. Para ganharem tempo, os armênios ofereceram 500 soldados e dinheiro para isentar o restante do serviço. Jevdet acusou armênios de rebelião e afirmou sua determinação de esmagá-los a qualquer custo declarando:

Em 20 de abril de 1915, o conflito começou quando uma mulher armênia foi perseguida e dois homens armênios que vieram em seu auxílio foram mortos por soldados otomanos. Os defensores armênios protegeram 30.000 residentes e 15.000 refugiados em uma área de cerca de um quilômetro quadrado do bairro armênio e subúrbio de Aigestan com 1.500 fuzileiros armados com 300 fuzis, pistolas e 1.000 armas antigas. O conflito durou até que o general russo Nikolai Yudenich viesse resgatá-los.[13]

De Alepo e Van relatos semelhantes chegaram ao embaixador estadunidense Henry Morgenthau, levando-o a levantar a questão pessoalmente com Talaat e Enver. Ao citar os testemunhos de funcionários seu consulado, eles justificaram as deportações como necessárias para a condução da guerra, sugerindo que a cumplicidade dos armênios de Van com as forças russas que haviam tomado a cidade justificou a perseguição de todos os armênios.

Detenção e deportação dos armênios notáveis[editar | editar código-fonte]

Na noite de 24 de abril de 1915 (o Domingo vermelho)[14] [15] foram aprisionados em Constantinopla mais de seiscentos intelectuais,[16] políticos, escritores, religiosos e profissionais armênios, que foram levados a força ao interior do país e selvagemente assassinados.

Em 24 de abril de 1915, o Domingo vermelho (armênio: Կարմիր Կիրակի), foi a noite em que os líderes dos armênios da capital otomana e depois outros centros foram presos e enviados para dois centros de detenção perto de Ancara pelo então Ministro do Interior Mehmed Talat Bey com sua ordem em 24 de abril de 1915. Estes armênios foram posteriormente deportados com a aprovação da Lei Tehcir (sobre confisco e deportação) em 29 de maio de 1915. A data de 24 de Abril, Dia da Memória do Genocídio, relembra a deportação dos notáveis armênios da capital otomana, em 1915, como a precursora para os eventos que se seguiram.

Em sua ordem, ordem sobre 24 de abril de 1915 , Talat alegou que os comitês armênios "há muito tempo perseguem autonomia administrativa e este desejo é exibido uma vez mais, em termos inequívocos, com a inclusão dos armênios russos que assumiram uma posição contra nós, com o Comitê Daschnak e nas regiões de Zeitun, Bitlis, Sivas e Van, de acordo com as decisões já tomadas no Congresso armênio em Erzurum". Em 1914, as autoridades otomanas já tinha começado a propaganda (desinformação) para mostrar os armênios que viviam no Império Otomano como uma ameaça à segurança. Um oficial naval do Ministério da Guerra descreveu o planejamento:

Na noite de 24 de abril de 1915, o governo otomano prendeu cerca de 250 intelectuais armênios e líderes comunitários.[10] Esta data coincidiu com desembarques de tropas aliadas em Gallipoli, após as infrutíferas tentativas aliadas de romper o cerco aos Dardanelos para Constantinopla, em Fevereiro e Março de 1915.

...e a ordem assinada por ele para deportar os armênios notáveis de Constantinopla em Abril de 1915, iniciando o genocídio.
Intelectuais [16] armênios assassinados em 24 de Abril de 1915. [nota 1]

O genocídio[editar | editar código-fonte]

O extermínio da população armênia foi executado de várias formas:

Incêndios[editar | editar código-fonte]

O membro do Nili, Eitan Belkind, infiltrou-se no exército otomano como um oficial e foi designado para o quartel general de Kamal Pasha. Ele alega ter testemunhado a queima de 5.000 armênios. [18]

O tenente Hasan Maruf, do exército otomano, descreve como os habitantes de uma aldeia foram reunidos e depois queimados.[19] O depoimento de 12 páginas de Wehib Pasha, comandante do Terceiro Exército, datado de 5 de dezembro de 1918, foi apresentado nos julgamentos de Trebizonda (29 de março de 1919) incluiu na acusação,[20] relatando a queima em massa da população inteira de uma aldeia perto Muş.[21] Em Bitlis, Muş e Sason, "o método mais rápido para a eliminação das mulheres e crianças que concentravam-se nos vários campos foi o de queimá-las". E também que "prisioneiros turcos que aparentemente tinham presenciado algumas dessas cenas ficaram horrorizados e enlouquecidos com a lembrança desta visão. Russos afirmaram que, vários dias depois, o odor da carne humana queimada ainda impregnava o ar".

Afogamentos[editar | editar código-fonte]

Oscar S. Heizer, o cônsul estadunidense em Trebizonda, relatou: "Muitas crianças foram colocadas em barcos, levadas e jogadas ao mar". [22] O cônsul italiano de Trebizonda, em 1915, Giacomo Gorrini, escreve: "Vi milhares de mulheres e crianças inocentes colocadas em barcos emborcados no Mar Negro".[23] Os julgamentos de Trebizonda relataram que armênios podem ter sido afogado no mar Negro.[24]

Hoffman Filipe, encarregado de negócios estadunidense em Constantinopla, escreve: "barcos de carga enviados de Zar descendo o rio (Eufrates) chegavam a Anah (Iraque), a 30 milhas de distância, com três quintos dos passageiros desaparecidos".[25]

Uso de agentes químicos e biológicos[editar | editar código-fonte]

O psiquiatra Robert Jay Lifton escreve em um parêntese ao introduzir os crimes de médicos nazistas: "talvez os médicos turcos, em sua participação no genocídio contra os armênios, foram os que mais se aproximam disto, como vou sugerir mais tarde".[26]

Durante os julgamentos na corte marcial em Trebizonda, a partir das sessões realizadas entre 26 de março e 17 de maio de 1919, o inspetor dos serviços de saúde Dr. Fuad Ziya escreveu em um relatório que o Dr. Saib causou a morte de crianças com injeções de morfina. A informação teria sido fornecida por dois médicos (Drs. Ragib e Vehib), colegas de Saib no hospital Crescente Vermelho de Trebizonda, onde essas atrocidades alegadamente teriam sido cometidas. [27] [28]

  • Gás tóxico:

Dr. Ziya Fuad e Dr. Adnan, diretores de serviços da saúde pública de Trebizonda, apresentaram relatos de casos em que dois prédios escolares foram usados para organizar crianças e enviá-los para o mezanino e matá-las com equipamentos de gás tóxico. [29] [30]

  • Inoculação de tifo:

O cirurgião Otomano, Dr. Haydar Cemal escreveu: "na ordem do escritório central de saneamento do Terceiro Exército, em janeiro de 1916, quando a propagação do tifo era um problema agudo, armênios inocentes previstos para deportação em Erzincan foram inoculados com sangue de pacientes com febre tifóide sem que este sangue fosse tornado inativo. [31] [32] Jeremy Hugh Baron escrevu: "Os médicos foram diretamente envolvidos nos massacres, envenenado bebês e fornecendo atestados de óbito falsos indicando morte por causas naturais para crianças. Nazim, irmão adotivo do Dr. Tevfik Rüştü Aras, inspetor geral dos serviços de saúde, organizou a disposição de cadáveres armênios com milhares de quilos de cal durante mais de seis meses;. ele tornou-se secretário de Relações Exteriores de 1925 a 1938" [33]

Deportações[editar | editar código-fonte]

Em Maio de 1915, Mehmed Talat pediu ao gabinete e ao grão-vizir Said Halim Pasha a implementação de medidas para a remoção (e liquidação) de armênios para outros lugares devido a declarações de Mehmed Talat: "motins armênios e massacres, que tinham surgido em inúmeros lugares do país". No entanto, Talat referia-se especificamente ao evento da resistência de Van e extendendo a implementação para regiões em que alegados "motins e massacres" afetariam a segurança da zona de guerra da campanha do Cáucaso. Mais tarde, o âmbito da imigração foi alargado de modo a incluir os armênios de outras vilaietes (províncias).

Em 29 de maio de 1915, o Comitê para a União e o Progresso aprovou a Lei temporária de deportação (Lei Tehcir), dando ao governo e militares otomanos autorização para deportar aqueles vistos como uma ameaça à segurança nacional.[10] A Lei Tehcir trouxe algumas medidas relativas à propriedade dos deportados, mas em setembro uma nova lei foi proposta. Por meio da "Lei sobre propriedades e bens abandonados por deportados" (também conhecida como a "lei temporária sobre expropriação e confisco"), o governo otomano tomou posse de todos as propriedades e bens armênios "abandonados".

O parlamentar otomano Ahmed Riza protestou contra essa legislação:

Em 13 de Setembro de 1915, o parlamento otomano aprovou a "Lei temporária de expropriação e confisco", afirmando que todos os bens, incluindo terras, gado e casas pertencentes aos armênios, seriam confiscados pelas autoridades.[17] Com a implementação da Lei Tehcir, o confisco de bens e o massacre de armênios que se seguiu após a promulgação da lei indignaram grande parte do mundo ocidental. Enquanto os aliados do Império Otomano na guerra ofereceram pouca resistência, uma riqueza de documentos históricos alemães e austríacos, atestam o horror das testemunhas nos assassinatos e fome em massa de armênios.[35] [36] [37]

Nos Estados Unidos, o jornal The New York Times relatou quase diariamente sobre o assassinato em massa do povo armênio, descrevendo o processo como "sistemático", "autorizado" e "organizado pelo governo". Mais tarde, Theodore Roosevelt caracterizou este como "o maior crime da guerra".[38]

O historiador Hans-Lukas Kieser afirma que, a partir das declarações de Talat Pasha,[39] é claro que os funcionários estavam cientes de que a ordem de deportação foi genocida.[40] Outro historiador, Taner Akcam, afirma que telegramas mostram que a coordenação geral do genocídio foi tomada por Mehmed Talat.[41]

Mapa representando as deportações.

Marchas da morte[editar | editar código-fonte]

Os armênios foram levados para o cidade síria de Deir ez-Zor e para o deserto em redor. Evidências sugerem que o governo otomano não forneceu quaisquer instalações ou suprimentos para sustentar os armênios durante a sua deportação, nem quando eles chegaram.[42] Em agosto de 1915, o New York Times repetiu um relatório em que "nas estradas e no Eufrates estão espalhados os cadáveres dos exilados, e os que sobrevivem estão condenadas a uma morte certa. É um plano para exterminar todo o povo armênio ".[43]

Tropas otomanas escoltando os armênios não só permitiram roubos, estupros e assassinatos de armênios, como muitas vezes participaram elas próprias destes atos.[42] Privados de seus pertences e marchando para o deserto, centenas de milhares de armênios morreram.

Da mesma forma, o major-general Friedrich Kreß von Kressenstein observou que "A política turca de causar a fome é uma prova muito óbvia... de que a Turquia está decidida a destruir os armênios".[17]

Engenheiros alemães e trabalhadores envolvidos na construção da estrada de ferro também testemunharam armênios sendo amontoados em vagões de gado e enviados ao longo da linha férrea. Franz Gunther, um representante do Deutsche Bank, que financiou a construção da ferrovia de Bagdá, enviou fotografias para seus diretores e expressou sua frustração por ter de permanecer em silêncio em meio a "crueldade bestial".[10] O major-general Otto von Lossow, atuando como adido militar e plenipotenciário militar alemão no Império Otomano, falou com intenções otomanos numa conferência realizada em Batumi em 1918:

Abril de 1915: armênios escoltados por soldados turcos marchando da cidade de Mamüret-Ul Aziz (Kharberd - Kharpert para os armênios, atual Elazığ) para um campo de prisioneiros.

Campos de extermínio[editar | editar código-fonte]

Acredita-se que 25 grandes campos de extermínio existiram, sob o comando de Şükrü Kaya, um dos maiores colaboradores de Mehmed Talat. A maioria dos campos situavam-se perto das modernas fronteiras entre Turquia, Síria e Iraque. Alguns foram apenas campos de trânsito temporários. Outros, como Radjo, Katma, e Azaz, podem ter sido usados apenas temporariamente, para valas comuns; estes sítios foram revogados por volta do outono de 1915. Alguns autores também afirmam que os campos de Lale, Tefridje, Dipsi, Del-El, e al-'Ayn Ra foram construídos especificamente para aqueles que tinham uma expectativa de vida de alguns dias.[44]

Reações[editar | editar código-fonte]

Buchenwald-bei-Weimar-am-24-April-1945.jpg

Corpos de prisioneiros do campo de concentração de
Buchenwald após o fim da Segunda Guerra Mundial

Principais genocídios
 •De armênios no Império Otomano (1915)
Estimativa de mortos: 1,5 milhão
 •De assírios no Império Otomano (1915)
Estimativa de mortos: 500 a 750 mil
 •De ucranianos na Ucrânia (1932-1933)
Estimativa de mortos: 2,6 a 10 milhões
 •De judeus na Europa (1939-1945)
Estimativa de mortos: 6 milhões
 •De minorias no Camboja (1975-1979)
Estimativa de mortos: 2 milhões
(25% da população à época)
 •De minorias em Kosovo (1997-1999)
Estimativa de mortos: 300 mil
 •De tutsis em Ruanda (1994)
Estimativa de mortos: 800 mil
 •De minorias em Dahfur (2003-atual)
Estimativa de mortos: 400 mil

Reações otomanas[editar | editar código-fonte]

Em 1919, o sultão Mehmed VI ordenou que as cortes marciais julgassem membros do Comitê de União e Progresso por sua responsabilidade em envolver o Império Otomano na Primeira Guerra Mundial. A questão armênia foi usado como uma ferramenta para punir os líderes do Comitê. Mais tarde, a maior parte dos documentos gerados nesses tribunais foram usados para estudos internacionais.

Em janeiro de 1919, um relatório ao sultão Mehmed VI acusou mais de 130 suspeitos, a maioria dos quais eram altos funcionários. O tribunal militar descobriu que o desejo do Comitê de União e Progresso era eliminar os armênios fisicamente, através da chamada organização especial. O pronunciamento 1919:

O termo Três Paxás refere-se ao triunvirato que fugiu do Império Otomano no final da Primeira Guerra Mundial (Mehmed Talat, İsmail Enver e Ahmed Djemal). Nos Julgamentos de Constantinopla, em 1919, eles foram condenados à revelia, recebendo sentenças de morte. A Corte Marcial da Turquia de 1919-1920 desmantelou oficialmente o Comitê de União e Progresso, confiscou seus bens, e os bens das pessoas consideradas culpadas. Pelo menos dois dos três foram posteriormente assassinados por armênios durante a punitiva Operação Nêmesis.

De acordo com o ex-governador da província de Alepo Mehmet Celal Bey, o então governador de Konya, explicou-lhe a situação e disse:

Halil Kut, tio de İsmail Enver escreveu em em suas memórias:

Em 1919, Ahmet Refik escreveu: "os unionistas (Comitê de União e Progresso) queriam remover o problema das seis vilaietes (províncias armênias)[nota 2] com a aniquilação armênia", em sua obra intitulada Iki Iki Komite Kıtal.[47]

Em uma sessão secreta da Assembléia Nacional, realizada em 17 de outubro de 1920, Hasan Fehmi Bey, deputado de Bursa, no momento, disse:

Pérsia[editar | editar código-fonte]

Devido ao fraco governo central e incapacidade de Teerã para proteger seu território, nenhuma resistência foi oferecida por seus soldados, em sua maioria islâmicos. Após a retirada dos russos do extremo noroeste da Pérsia, tropas turcas invadiram a cidade de Salmas, torturam e massacraram os habitantes armênios cristãos da forma mais cruel possível.[49]

Tríplice Aliança[editar | editar código-fonte]

Integrantes da Tríplice Aliança também testemunharam o genocídio. A missão diplomática alemã no início de 1915 foi liderada Hans Freiherr von Wangenheim (após a sua morte em 1915, sucedido por Paul Wolff Metternich). Como Henry Morgenthau, von Wangenheim começou a receber muitas mensagens perturbadoras de funcionários consulares de todo o Império Otomano que detalhavam o massacre de armênios. Da província de Adana, o cônsul Eugene Buge informou que o chefe Comitê de União e Progresso havia jurado matar qualquer armênio que sobrevivesse as marchas de deportação.[10] Em junho de 1915, von Wangenheim enviou um telegrama a Berlim informando que Talat tinha admitido que as deportações não "eram realizadas apenas por considerações militares". Um mês depois, ele chegou à conclusão de que há "já não havia dúvida de que a Sublime Porta (governo Otomano) estava tentando exterminar a raça armênia no Império Turco".[35]

Quando Wolff-Metternich sucedeu von Wangenheim, continuou enviando mensagens semelhantes: "O Comitê exige a extirpação dos últimos remanescentes dos armênios e o governo deve ceder... Um representante Comitê é designado para cada uma das administrações provinciais ... turquificação significa licença para expulsar, matar ou destruir tudo o que não é turco".[10]

Max Erwin von Scheubner-Richter, documentou vários massacres de armênios. Ele enviou 15 relatórios sobre "deportações e assassinatos em massa" para a chancelaria alemã. Seu relatório final observou que menos de 100.000 armênios foram deixados vivos no Império Otomano: o resto tendo sido exterminados (alemão]]: ausgerottet).[35] Scheubner-Richter também detalhou os métodos do governo otomano, observando seu uso da Organização Especial e outros instrumentos burocratizados de genocídio.

Os alemães também testemunharam a forma como armênios foram queimados. Segundo o historiador israelense, Bat Ye'or:

Oficiais alemães estacionados no leste da Turquia contestaram a afirmação do governo de que os armênios iniciaram revoltas, sugerindo que as áreas foram "tranquilas até o início das deportações".[36]

Outros apoiaram abertamente a política otomana contra os armênios. Como Hans Humann, o adido naval alemão em Constantinopla disse ao embaixador dos EUA, Henry Morgenthau:

Em uma conferência de genocídio realizado em 2001, o professor Wolfgang Wippermann da Universidade Livre de Berlim apresentou documentos que comprovam que o alto comando alemão estava ciente dos assassinatos em massa na época, mas preferiu não interferir ou falar.[35] Fotografias sugerem que alemães participaram do assassinato em massa[51] e algumas das testemunhas alemãs do holocausto armênio desempenhariam papel no regime nazista. Konstantin von Neurath, por exemplo, foi designado ao IV Exército turco em 1915, com instruções para monitorar "operações" contra os armênios, que mais tarde tornou-se ministro das Relações Exteriores de Hitler e "Protetor da Boêmia e Morávia" durante o regime de terror de Reinhard Heydrich na Tchecoslováquia.

Tríplice Entente[editar | editar código-fonte]

Em 24 de maio de 1915, a Tríplice Entente advertiu o Império Otomano que:

A cidade de Alepo caiu nas mãos dos britânicos e foram encontrados muitos documentos que confirmavam que o extermínio dos armênios teria sido organizado pelos turcos. Um destes documentos é um telegrama circular dirigido a todos os governadores:

Cquote1.svg À Prefeitura de Alepo: Já foi comunicado que o governo decidiu exterminar totalmente os armênios habitantes da Turquia. Os que se opuserem a esta ordem não poderão pertencer então à administração. Sem considerações pelas mulheres, as crianças e os enfermos, por mais trágicos que possam ser os meios de extermínio, sem executar os sentimentos da consequência, é necessário por fim à sua existência. 13 de setembro de 1915. Cquote2.svg
O ministro do Interior, Mehmed Talat.

Ajuda humanitária[editar | editar código-fonte]

Cartaz do Comitê de Socorro para o Oriente Médio. A contribuição dos Estados Unidos aos armênios, durante o genocídio, foi significativa

A Fundação Oriente Médio foi criada em 1915, logo após as deportações, cujo principal objetivo era o de aliviar o sofrimento do povo armênio. Henry Morgenthau foi essencial para reunir apoio para a organização. Entre 1915 e 1930, a ajuda humanitária foi distribuída através de amplas áreas geográficas.

Eventualmente, a fundação, ultrapassou mais de 10 vezes a estimativa de ajuda inicial, e auxiliou aproximadamente 2 milhões de refugiados.[53] Em seu primeiro ano, a fundação cuidou de 132.000 crianças órfãs armênias de Tiflis, Erevan, Constantinopla, Sivas, Beirute, Damasco e Jerusalém. A organização de ajuda para os refugiados no Oriente Médio angariou mais de 102 milhões de dólares em doações para armênios durante e depois da guerra.[54] [55]

Em 1905, a enfermeira e missionária norueguesa Bodil Biørn foi enviada para a Armênia. Primeiro com sede na cidade de Mezereh (atual Elazığ) e mais tarde em Muş, ela trabalhou para auxiliar as viúvas e crianças órfãs, em cooperação com missionários alemães. Ela testemunhou os massacres de 1915 em Muş e viu a maioria das crianças sob seus cuidados assassinadas juntamente com sacerdotes armênios, professores e assistentes.

Ela escapou por pouco depois de 9 dias a cavalo, mas permaneceu na região por mais 2 anos, sob condições de trabalho cada vez mais difíceis. Depois de um período em casa, retornou para a Armênia até aposentar-se em 1935. Trabalhou para refugiados armênios na Síria e no Líbano. Bodil Biørn foi também fotógrafa e suas fotografias estão preservadas no Arquivo Nacional da Noruega. Seus álbuns fotográficos com comentários escritos, são um testemunho forte das atrocidades que viu.[56]

E também outros apoios atuais como os da banda estadunidense System Of A Down. Seus integrantes, que são de ascendência armênia, buscam conscientizar e sensibilizar a opinião pública, fazendo referências ao genocídio nas letras de suas músicas.[57] Em 2006, a banda participou do documentário sobre genocídios, entitulado Screamers, da diretora Carla Garapedian.[58]

Julgamentos internacionais[editar | editar código-fonte]

Após o armistício de Mudros, a conferência de paz preliminar em Paris estabeleceu a " Comissão de responsabilidades e sanções", (janeiro de 1919) que foi presidida pelo secretário de Estado dos Estados Unidos. Baseado no trabalho da comissão, vários artigos foram adicionados ao Tratado de Sèvres, e que o governo interino do Império Otomano, o sultão Mehmed VI e Damat Ferid Paşa, fossem convocados ao julgamento. O Tratado de Sèvres (agosto de 1920) planejou um julgamento para determinar os responsáveis pelos "métodos bárbaros e ilegítimos de guerra...(incluindo) crimes contra as leis e costumes da guerra e os princípios da humanidade".[59] O artigo 230 do Tratado de Sèvres requeria que o Império Otomano "entregasse para as Forças Aliadas as pessoas cuja entrega pode ser exigido por este último como responsável pelos massacres cometidos durante a vigência do estado de guerra em território que formava parte do Império Otomano em 1 de Agosto de 1914".

Vários políticos, generais, e intelectuais otomanos foram transferidos para Malta, onde foram mantidos por cerca de três anos, enquanto pesquisas eram feitas nos arquivos de Constantinopla, Londres, Paris e Washington para investigar suas ações. No entanto, as tentativas do tribunal de Malta para cumprir as exigências do Tratado de Sèvres nunca concretzaram-se e os detidos foram finalmente devolvidos em troca de cidadãos britânicos detidos pela Turquia kemalista.

Julgamento de Soghomon Tehlirian[editar | editar código-fonte]

Em 15 de Março de 1921, Mehmed Talat foi assassinado em Charlottenburg (Berlim, Alemanha), em plena luz do dia e na presença de muitas testemunhas. A morte de Talat era parte da Operação Nêmesis, codinome da Federação Revolucionária Armênia para a operação secreta na década de 1920 para matar os mentores do genocídio armênio.

A julgamento do assassino, Soghomon Tehlirian, teve uma influência importante sobre Raphael Lemkin, um advogado de descendência judaica-polonesa que fez campanha na Liga das Nações para proibir o que ele chamou de "barbárie" e "vandalismo". O termo "genocídio", criado em 1943, foi cunhado por Lemkin, que foi diretamente influenciado pelos massacres de armênios durante a Primeira Guerra Mundial.[60]

Testemunhos[editar | editar código-fonte]

Cquote1.svg Em geral, as caravanas de armênios deportados não chegavam muito longe. À medida que avançavam, seu número diminuía com consequência da ação dos fuzis, dos sabres, da fome e do esgotamento... Os mais repulsivos instintos animais eram despertados nos soldados por essas desgraçadas criaturas. Torturavam e matavam. Se alguns chegavam a Mesopotâmia, eram abandonados sem defesa, sem víveres, em lugares pantanosos do deserto: o calor, a umidade e as enfermidades acabavam, sem dúvida, com a vida deles. Cquote2.svg
René Pineau

Uma viajante alemã escutou o seguinte de uma armênia, em uma das estações do padecimento de um grupo de montanheses armênios:

O governo cometeria ainda outra vileza: a maioria dos jovens armênios mobilizados ao começar a guerra não foram enviados à frente, mas integraram brigadas para construção de caminhos. Ao terminar o trabalho todos eles foram fuzilados por soldados turcos.

Jacques de Morgan assim se refere às deportações, aos massacres e aos sofrimento padecidos pelos armênios:

Cquote1.svg Não há no mundo um idioma tão rico, tão colorido, que possa descrever os horrores armênios, para expressar os padecimentos físicos e morais de tão inocentes mártires. Os sobreviventes dos terríveis massacres, todos testemunhas da morte seus entes queridos, foram concentrados em determinados lugares e submetidos a torturas indescritíveis e a humilhações que os faziam preferir a morte. Cquote2.svg
Jacques de Morgan

A diplomata Gertrude Bell, apresentou o seguinte relatório após ouvir o relato de um soldado otomano capturado:

O povo armênio não desapareceu quando estava nos desertos da Mesopotâmia: as mães armênias ensinavam a ler aos seus filhos desenhando as letras do alfabeto armênio na areia.

Massacre em cidades do Cáucaso, noticiado pelo jornal New York Times em 23 de fevereiro de 1915.
Refugiados armênios em Bitlis (1916), durante o período da Administração da Armênia Ocidental.
Rafael de Nogales Méndez (1879-1936), oficial venezuelano que serviu no exército otomano, escreveu um relato detalhado dos massacres em seu livro Cuatro años bajo la media luna

Consequências[editar | editar código-fonte]

Perdas culturais[editar | editar código-fonte]

A destruição premeditada de objetos do patrimônio cultural, religioso, histórico e comunitário armênio foi mais um objetivo genocídio em si e da campanha de negação pós-genocídio. Igrejas armênias e mosteiros foram destruídos ou transformados em mesquitas, cemitérios armênios foram destruídos, e, em várias cidades (como Van), bairros armênios foram demolidos.[61]

Além das mortes, os armênios perderam suas propriedade e bens, sem compensação.[62] empresas e fazendas foram perdidas, e todas as escolas, igrejas, hospitais, orfanatos, conventos, e cemitérios tornaram-se propriedade do Estado turco.[62] Em Janeiro de 1916, o Ministro Otomano do Comércio e Agricultura emitiu um decreto ordenando a todas as instituições financeiras que operavam dentro das fronteiras do império para entregar os ativos armênios ao governo.[63] Há registros de que, tanto quanto £ 6.000.000 de ouro turco foi apreendidos junto com bens imóveis, dinheiro, depósitos bancários e jóias.[63] Os ativos foram então canalizados para os bancos europeus, incluindo Deutsche Bank e Dresdner Bank. [63]

Após o fim da Primeira Guerra Mundial, os sobreviventes do genocídio tentaram retornar e recuperar seus antigos lares e bens, mas foram expulsos pelo governo de Ancara.[62] Em 1914, o patriarca Armênio de Constantinopla apresentou uma lista dos locais sagrados armênios sob sua supervisão. A lista continha 2.549 lugares religiosos, dos quais 200 eram mosteiros, enquanto 1.600 foram igrejas. Em 1974, a UNESCO declarou que, após 1923, de 913 monumentos históricos deixados armênios na Turquia oriental, 464 desapareceram completamente, 252 estão em ruínas, e 197 estão em necessidade de restauração . [64] [65]

Perdas humanas[editar | editar código-fonte]

Acredita-se que cerca de 1,5 milhão de armênios foram mortos durante o genocídio.[66] Dentre eles, vários morreram assassinados por tropas turcas, em campos de concentração, queimados, enforcados e até mesmo jogados amarrados ao Rio Eufrates, mas a maior parte dos armênios morreu por inanição, ou seja, falta de água e alimento.[67]

Os sobreviventes do genocídio saíram do Império Otomano e instalaram-se em diversos países. Esse fato é chamado de diáspora armênia. É estimado que a diáspora armênia contou com mais de oito milhões de armênios.[68] O número de armênios no Brasil, conforme estimativas, chega a 25 mil, sendo em sua maioria em São Paulo.[69]

Jovem armênia morta no deserto de Alepo.
Ossadas de vítimas em Erzingan na Turquia.

Negação e revisionismo[editar | editar código-fonte]

A Turquia atualmente não reconhece o genocídio armênio. Ela diz que os armênios passaram por uma terrível mortalidade e que na verdade agiu para defender a soberania nacional. A Turquia também alega que o número de mortes é exagerado. Ela diz que estudos demográficos dizem que antes da Primeira Guerra Mundial, viviam menos de 1,5 milhão de armênios em todo o Império Otomano. Conforme os historiadores, mais de 1,5 milhão de armênios foram mortos na Armênia Oriental. Por isso a Turquia acredita ser exagerado o número de armênios mortos.[66]

População armênia no Império Otomano em 1914: 1.219.323 pessoas (estatística otomana).


Reconhecimento do genocídio[editar | editar código-fonte]

  Países que reconhecem oficialmente os eventos como genocídio.
  Países onde certos partidos políticos, províncias e/ou municípios reconheceram os eventos como genocídio, independentemente do governo como um todo.

Diversos países e organizações reconhecem o genocídio armênio. Os países que atualmente reconhecem o genocídio armênio são: Alemanha, Argentina, Arménia, Bélgica, Chile, Chipre, Canadá, Eslováquia, França, Grécia, Holanda, Itália, Líbano, Lituânia, Polónia, Rússia, Suíça, Suécia, Uruguai, Vaticano e a Venezuela.

Existem também organizações internacionais que reconhecem o genocídio armênio, como o Conselho Mundial das Igrejas, Conselho da Europa, Parlamento do Mercosul, Sub-Comissão das Nações Unidas para a Prevenção da Discriminação e Proteção das Minorias, Associação Internacional dos Estudiosos do Genocídio, Tribunal Permanente dos Povos, Parlamento Curdo no Exílio e o Parlamento Europeu.[70]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

Referências

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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