Geografia da cidade do Rio de Janeiro

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A Geografia da cidade do Rio de Janeiro é constituída de acidentes geográficos variados como maciços, baías, ilhas, restingas, lagoas, serras, rios e morros. Localizada à margem da baía de Guanabara e ocupando a Ilha do Governador e Ilha de Paquetá, a cidade se estende até a Restinga de Marambaia próxima ao bairro de Campo Grande com a Serra de Madureira. Ao norte, é limitada geograficamente pelo rio Pavuna que faz a divisa com os municípios de Nilópolis, São João de Meriti e Duque de Caxias. O Rio de Janeiro está assentado sobre três grandes maciços: Pedra Branca, Gericinó, e o da Tijuca ou da Carioca, sobre o qual irrompem morros e picos de interesse turístico como por exemplo o pico da Tijuca, Bico do Papagaio, Andaraí, Pedra da Gávea, Corcovado e o Pão de Açúcar.

O litoral é extenso e inclui mais de 100 ilhas e desdobra-se na baía de Guanabara, oceano Atlântico e na baía de Sepetiba que a abrange a Restinga da Marambaia. O litoral da baía de Guanabara é recortado e em suas margens, situam-se o centro comercial e subúrbios industriais. A parte atlântica expressa alternâncias da geografia entre o maciço da Tijuca, incluindo a pedra da Gávea, e as praias da Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes. As principais lagoas da cidade são Marapendi, Jacarepaguá e Rodrigo de Freitas.

O clima tropical atlântico, classificado como Aw segundo o modelo de Köppen, sofre efeito perceptível da maritimidade traduzindo-se em amplitudes térmicas relativamente baixas. Os verões são quentes e úmidos, enquanto os invernos apresentam-se amenos e com regime de chuvas mais restrito. Devido à concentração de edifícios nas regiões urbanas centrais, mais afastadas do litoral, é comum o surgimento de ilhas de calor, com termômetros superando a marca dos 40°C.

A cidade conta com parques e reservas ecológicas, como o Parque Nacional da Tijuca, considerado "Patrimônio Ambiental e Reserva da Biosfera" pela UNESCO, o Parque Estadual da Pedra Branca, o Complexo da Quinta da Boa Vista e o Jardim Botânico, o Jardim Zoológico do Rio, o Parque Estadual da Pedra Branca.

Relevo[editar | editar código-fonte]

A Pedra da Gávea, uma das maiores elevações rochosas da cidade, é o maior bloco de pedra à beira-mar do planeta,[1] com 842 metros de altitude.[1]

A cidade do Rio de Janeiro ocupa a margem ocidental da baía de Guanabara e algumas de suas respectivas ilhas (como Governador e Paquetá)[2] , e desenvolveu-se sobre estreitas planícies aluviais comprimidas entre montanhas e morros.[livro 1] A serra do Mar, rebordo do planalto Atlântico, ergue-se a noroeste, distando cerca de 40 quilômetros do litoral, e divisa a metrópole do interior.[livro 1]

O Rio de Janeiro está assentado sobre três grandes maciços:[livro 1] o da Pedra Branca, que atravessa a cidade no sentido leste-oeste (onde se encontra o ponto culminante do município, o pico da Pedra Branca, de 1 024 metros[3] ); o de Gericinó, ao norte (com o pico do Guandu, de 900 metros); e o da Tijuca ou da Carioca, sobre o qual irrompem morros e picos, alguns cobertos por exuberante vegetação, de grande interesse turístico: o pico da Tijuca (1.022 m),[4] o Bico do Papagaio (975 m), o Andaraí (900 m), a Pedra da Gávea (842 m),[1] o Corcovado (704 m), o Dois Irmãos (533 m) e o Pão de Açúcar (395 m), que se encontra à entrada da baía[2] .

Seu litoral tem 197 quilômetros de extensão, inclui mais de 100 ilhas que ocupam 37 km², e desdobra-se em três partes, voltadas à baía de Sepetiba, ao oceano Atlântico e à baía de Guanabara.[livro 1] O litoral da baía de Sepetiba tem como único acidente geográfico de expressão a Restinga da Marambaia e é arenoso, baixo e pouco recortado.[livro 1] O litoral da baía de Guanabara é recortado, baixo, abarca muitas ilhas (como a do Governador, de 29 km², local do Aeroporto Internacional do Galeão) e, em suas margens, situam-se o centro comercial e os subúrbios industriais.[livro 1] O litoral Atlântico expressa alternâncias consideráveis, apresentando-se ora alto, quando em contato com as ramificações costeiras dos maciços da Pedra Branca e da Tijuca, ora baixo, trecho pelo qual se estendem as praias de Copacabana, Ipanema, Leblon, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, todas integradas à paisagem urbana.[livro 1]

Diversas lagoas, como as da Tijuca, Marapendi, Jacarepaguá e Rodrigo de Freitas formaram-se nas baixadas, muitas de terreno pantanoso a ainda não completamente drenado.[livro 1]

Panorama da cidade vista do Corcovado, com destaque para a Lagoa Rodrigo de Freitas.

Clima[editar | editar código-fonte]

Nuvens sobre a estátua do Cristo Redentor: uma das imagens brasileiras mais conhecidas no mundo.

O clima é tropical atlântico, classificado como Aw segundo o modelo de Köppen, e a média anual das temperaturas é de 23,1 °C.[5]

Por se tratar de uma cidade litorânea, o efeito da maritimidade é bastante perceptível, traduzindo-se em amplitudes térmicas relativamente baixas. A média anual das temperaturas médias máximas mensais é 26,1 °C, e das médias mínimas mensais, 20 °C.[5] Já as médias anuais das temperaturas máximas e mínimas absolutas aferidas em cada mês ficam, respectivamente, em 36,2 °C e 13,8 °C.[5] Julho é o mês mais frio, com médias máxima e mínima de 24 °C e 17 °C, e janeiro, o mais quente (29 °C e 23 °C).[5]

Os verões são marcados por dias quentes e úmidos, eventualmente suplantando a barreira dos 40 °C em pontos isolados, enquanto os invernos apresentam-se amenos e com regime de chuvas mais restrito, com mínimas raramente inferiores a 10 °C. De modo geral, o ano pode ser dividido em duas estações: uma quente e relativamente chuvosa, e outra de temperaturas amenas; desta forma, primavera e outono agregam-se às características das demais, tratando-se mais de intervalos de transição do que estações propriamente definidas. Até hoje, o recorde oficial de menor temperatura já registrada deu-se no Campo dos Afonsos (4,8 °C), em 31 de julho de 1928, e o de maior, em Bangu (43,2 °C), em 26 de dezembro de 2012.[5]

Devido à altíssima concentração de edifícios nas regiões urbanas centrais, mais afastadas do litoral, é comum o surgimento de ilhas de calor, com termômetros superando a marca dos 40 °C nos meses mais quentes do ano. Nessas áreas e em outras, é possível verificar disparidades de alguns graus Celsius com relação às zonas costeiras, em razão das brisas marítimas.

Dados climatológicos para Rio de Janeiro
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima registrada (°C) 42 42 40 40 38 37 38 42 42 42 43 41 43
Temperatura máxima média (°C) 29,4 30,2 29,4 27,8 26,4 25,2 25,3 25,6 25,0 26,0 27,4 28,6 27,2
Temperatura mínima média (°C) 23,3 23,5 23,3 21,9 20,4 18,7 18,4 18,9 19,2 20,2 21,4 22,4 21,0
Temperatura mínima registrada (°C) 17 17 17 15 10 7 11 10 13 12 13 17 7
Precipitação (mm) 114,1 105,3 103,3 137,4 85,6 80,4 56,4 50,5 87,1 88,2 95,6 169,0 1 172,9
Dias de chuva 12 9 9 10 8 6 6 6 9 10 11 13 109
Fonte: World Meteorological Organization[6] 4 de janeiro de 2012
Fonte #2: Weatherbase - World Weather Information Service[7] 4 de janeiro de 2012

O volume pluviométrico acumulado anual é de 1 086 mm.[5] As chuvas concentram-se nos meses de dezembro, janeiro, fevereiro e março, tornando-se mais esparsas no período de junho a agosto.[5] Abril e novembro apresentam números razoáveis, ainda que menores que os dos meses de maior pluviosidade. Em cerca de um terço dos dias (128), chove.[5] Os meses de outubro, novembro e janeiro têm, em média, 13 dias nos quais se verifica a ocorrência de precipitações; dezembro, 14; fevereiro e setembro, 11; e junho, julho e agosto, 7.[5] Todavia, o maior volume é observado em dezembro (137 mm), janeiro (125 mm), fevereiro (122 mm) e março (130 mm).[5] Temporais não são incomuns no verão, os quais invariavelmente ocasionam vítimas, fatais ou não, sendo o motivo maior os deslizamentos nas encostas da cidade.

A umidade relativa do ar denota índices aceitáveis durante todo o ano. A média no período que antecede o meio-dia fica em 84,6% e, após às doze horas, 70,8%.[5] Junho, julho e agosto apresentam os menores percentuais no período vespertino: 69, 68 e 66%, respectivamente.[5]

Parques e espaços públicos[editar | editar código-fonte]

Palmeiras Imperiais da Aleia Barbosa Rodrigues, no Jardim Botânico.

A cidade conta com importantes parques e reservas ecológicas, como o Parque Nacional da Tijuca, considerado "Patrimônio Ambiental e Reserva da Biosfera" pela UNESCO, o Parque Estadual da Pedra Branca, o Complexo da Quinta da Boa Vista e o Jardim Botânico, o mais antigo do Brasil,[8] ), o Jardim Zoológico do Rio, o primeiro Jardim zoológico nacional,[9] o Parque Estadual da Pedra Branca, que abriga o ponto culminante do Rio de Janeiro: o pico da Pedra Branca,[3] o Passeio Público.

Problemas ambientais[editar | editar código-fonte]

Em razão da alta concentração de indústrias na região metropolitana, o Rio de Janeiro, como a maioria das grandes metrópoles brasileiras, tem enfrentado sérios problemas de poluição ambiental. A baía de Guanabara, vitimizada pela perda secular das áreas de mangue, agoniza com resíduos provenientes de esgotos domiciliares e industriais, além dos derrames de óleo e da crescente presença de metais pesados. Não obstante suas águas se renovem ao confluírem para o mar, a baía é receptora final de todos os afluentes gerados nas suas margens e nas bacias dos muitos rios e riachos que nela deságuam. Mais de 14 mil estabelecimentos industriais e quatorze terminais marítimos de carga e descarga de produtos oleosos estão entre os principais causadores da poluição. Os níveis de material particulado no ar também se encontram duas vezes acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde, em parte devido à numerosa frota de veículos em circulação. Em uma pesquisa divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo, o Rio de Janeiro foi apontado como a quinta capital mais poluída do Brasil, atrás apenas de São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Curitiba.[10] [11]

Lagoa Rodrigo de Freitas, atualmente em processo de despoluição.

As águas da baía de Sepetiba seguem lentamente o caminho traçado pela baía de Guanabara, embora com características de degradação distintas.[12] Esgotos domiciliares produzidos por uma população da ordem de 1,29 milhão de habitantes degradam diretamente a qualidade sanitária das águas quando lançados sem tratamento em valões, córregos ou rios.[12] Com relação à poluição industrial, rejeitos de grande toxicidade, dotados de altas concentrações de metais pesados - principalmente zinco e cádmio -, já foram despejados ao longo dos anos por fábricas dos distritos industriais de Santa Cruz, Itaguaí e Nova Iguaçu, implantados sob orientação de políticas estaduais voltadas, sobretudo, à polarização da expansão fabril em áreas menos congestionadas.[12]

A lagoa de Marapendi e a lagoa Rodrigo de Freitas têm sofrido com a leniência das autoridades e o avanço dos condomínios no local. O despejo de esgoto por ligações clandestinas e a consequente proliferação de algas diminuem a oxigenação das águas, ocasionando a mortandade de peixes.[13] [14] Estima-se que, a contar do início do século passado até os dias atuais, o espelho d'água da lagoa tenha perdido 40% de sua cobertura original.[13]

Algumas praias da orla carioca, na maior parte do ano, encontram-se impróprias para o banho. É comum após um grande temporal a formação de "línguas negras" nas areias das praias, originadas de detritos trazidos dos morros pelas chuvas.[15]

Segundo boletim da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, parte de Ipanema, Arpoador e Praia Vermelha, além de Bica, Guanabara e Central (Urca), são consideradas impróprias para o banho, haja vista que suas areias têm alta concentração de coliformes e da bactéria Escherichia coli, que indica a presença de lixo e fezes.[16]

Há, por outro lado, sinais de despoluição na lagoa Rodrigo de Freitas, um dos principais cartões-postais do Rio de Janeiro. Uma parceria público-privada estabelecida em 2008 visa garantir que, até 2011, as águas da lagoa estejam próprias para o banho. As ações de despoluição envolvem a planificação do Leito aquático, com transferência de lodo para grandes crateras presentes na própria lagoa, e a criação de uma nova ligação direta e subterrânea com o mar, que contribuirá no sentido de aumentar a troca diária de água entre os dois ambientes.[17]

Panorama de Ipanema, Leblon e do Morro Dois Irmãos, no Rio de Janeiro

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Portal da cidade do Rio de Janeiro.

Referências

  1. a b c Informações sobre a Pedra da Gávea. Terra Brasil. Página visitada em 10 de setembro de 2008.
  2. a b PÃO DE AÇUCAR (em português). Portal da Baía de Guanabara. Página visitada em 23 de julho de 2012.
  3. a b O Parque Estadual e a Área de Proteção Ambiental da Pedra Branca. Parque Estadual da Pedra Branca. Página visitada em 10 de setembro de 2008.
  4. Informações sobre o pico da Tijuca. Terra Brasil. Página visitada em 10 de setembro de 2008.
  5. a b c d e f g h i j k l Average conditions - Rio de Janeiro. BBC Weather Centre. Página visitada em 10 de setembro de 2008.
  6. World Weather Information Service - Rio de Janeiro. (em inglês). World Meteorological Organization.
  7. Historical Weather for Rio de Janeiro (em inglês). Weatherbase.
  8. "Cochicho da Mata" recria floresta dentro da floresta. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (7 de outubro de 2005). Página visitada em 10 de setembro de 2008.
  9. Histórico. Jardim Zoológico do Rio de Janeiro. Página visitada em 10 de setembro de 2008.
  10. Délcio Rocha (24 de setembro de 2007). Porto Alegre é a segunda capital mais poluída do Brasil. RBS / Folha de S. Paulo / Ambiente em Foco. Página visitada em 26 de outubro de 2008.
  11. Afra Balazina (21 de setembro de 2007). Estudo revela poluição elevada em seis capitais. Folha Online. Página visitada em 26 de outubro de 2008.
  12. a b c Contexto ambiental da Baía de Sepetiba. Observatório Quilombola (OQ) (2001). Página visitada em 26 de outubro de 2008.
  13. a b RJTV - Série de Reportagens (24 de agosto de 2005). A agonia da Lagoa. Globo.com. Página visitada em 26 de outubro de 2008.
  14. RJTV - Série de Reportagens (23 de agosto de 2005). A poluição das águas da Barra. Globo.com. Página visitada em 26 de outubro de 2008.
  15. RJTV - Série de Reportagens (27 de agosto de 2005). A limpeza da orla carioca. Globo.com. Página visitada em 26 de outubro de 2008.
  16. Bruno Boghossian (23 de fevereiro de 2010). Rio tem 6 praias com areia poluída. O Estado de S. Paulo. Página visitada em 23 de fevereiro de 2010.
  17. Lagoa Rodrigo de Freitas ganha novo catamarã para limpeza de suas águas. O Globo Rio (17 de novembro de 2008). Página visitada em 25 de julho de 2009.

Referências citadas[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e f g h Grande Enciclopédia Larousse Cultural (em Português). 2 ed. São Paulo: Nova Cultural Ltda., 1998. 6.112 p. 24 vol. vol. 21. ISBN 85-13-00755-2