Gerardo Melo Mourão

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Gerardo Majella Mello Mourão (Ipueiras, 8 de janeiro de 1917Rio de Janeiro, 9 de março de 2007) foi um poeta, ficcionista, jornalista, tradutor, ensaísta e biógrafo. Era membro da Academia Brasileira de Filosofia, da Academia Brasileira de Hagiologia e do Conselho Nacional de Política Cultural do Ministério da Cultura do Brasil. Cofundador da Associação Nacional de Escritores. Era um dos mais respeitados escritores brasileiros no exterior.

Aos 11 anos ingressou no Seminário dos Redentoristas holandeses, em Congonhas do Campo (MG), e, aos 17 anos, tomou o hábito de Santo Afonso de Ligório (fundador daquela Ordem), no Convento da Glória, em Juiz de Fora (MG). Poliglota, aprendeu línguas vivas e deu vida a línguas mortas. Além do Latim e do Grego, o Holandês, o Alemão, o Francês, o Italiano, o Inglês e o Espanhol. Deixou o convento e ingressou em curso de Direito (não concluído).

Influenciado por Tristão de Athayde, filiou-se à Ação Integralista Brasileira, e passou a dedicar-se ao jornalismo e a dar aulas em colégios. O envolvimento com o integralismo o fez ser inúmeras vezes entre 1938 e 1945, ano do fim do Estado Novo. Em 1942, acusado de colaborar com nazistas, foi condenado à morte, pena reduzida a 30 anos de prisão, dos quais cumpriu menos de seis. Tudo não passou de manobra política.

Duas vezes deputado federal, eleito por Alagoas, teve seus direitos políticos cassados em 1969 pelo Regime Militar. Tendo estado no total dezoito vezes preso durante as ditaduras de Getúlio Vargas e de 1964-1985. Numa delas, ficou no cárcere cinco anos e dez meses (19421948). No documentário "Soldado de Deus" (2004)[1] , dirigido por Sérgio Sanz, Gerardo Mello Mourão declara que saiu do integralismo no período em que esteve preso pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, e afirma, contundentemente, que "foi" integralista e não o era mais desde então. Em 1968 é novamente preso, acusado dessa vez de comunismo pelo AI-5 no período da ditadura militar; nessa ocasião divide cela com nomes como Zuenir Ventura, Ziraldo, Hélio Pellegrino e Osvaldo Peralva.[2]

Na década de 1980, foi presidente da Rio Arte e secretário de Cultura do Estado do Rio, além de correspondente da Folha de S. Paulo em Pequim entre 1980 e 1982 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 10 mar. 2007, p. C13).

Em alguns dos últimos anos de sua vida, lecionou o Latim no Seminário Maior da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Recebeu o Prêmio Mário de Andrade, da Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1972. Já na maturidade, foi candidato a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras e foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura em 1979. Em 1999 ganhou o Prêmio Jabuti pelo épico Invenção do Mar.

Foi distinguido em 1993 com o título de "Doutor Honoris Causa" pela Universidade Federal do Ceará. Em 1996 laureado com a "Sereia de Ouro", do Sistema Verdes Mares. Foi eleito em 1997 "O Poeta do Século XX" pela Guilda Órfica, uma muito antiga irmandade secular de poetas.

Hélio Pellegrino chamava-o de “o nosso Dante". Dele disseram Drummond: "É um poeta que não se pode medir a palmo e conseguiu o máximo de expressão usando recursos artísticos que nenhum outro empregou em nossa língua (...). Algumas pessoas pensam que sou o grande poeta do Brasil, mas o grande poeta do Brasil é o Gerardo Mello Mourão". Ezra Pound: "Em toda minha obra, o que tentei foi escrever a epopéia da América. Creio que não consegui. Quem conseguiu foi o poeta de O país dos Mourões". Tristão de Athayde: "Creio que jamais, em nossa história literária, se colocou a poesia em tão alto pódio".

Gerardo Mello Mourão é pai do artista plástico Tunga, que tem sua obra reconhecida internacionalmente.

Viagens[editar | editar código-fonte]

Viajou por toda a América e Europa. O Chile foi o país estrangeiro onde permanaceu por mais tempo, dando aulas de História e Cultura da América na Facultad de Arquitectura y Diseño de la Pontificia Universidad Católica de Valparaíso (de 1964 a 1967). Entre 1980 e 1982 morou em Pequim, na China, onde foi correspondente do jornal "Folha de S. Paulo". Foi o primeiro correspondente brasileiro e sul-americano na China.

Diversos[editar | editar código-fonte]

Doença e morte[editar | editar código-fonte]

Mello Mourão estava internado na Casa de Saúde São José, em Humaitá, Zona Sul do Rio de Janeiro, desde Janeiro de 2007. Tinha problemas respiratórios e faleceu no dia 9 de Março de 2007, aos 90 anos, vítima de falência múltipla de órgãos. O velório decorreu na capela do próprio hospital, ocorrendo o enterro no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Poesia do homem só (Rio de Janeiro: Ariel Editora, 1938)
  • Mustafá Kemel (1938)
  • Do Destino do Espírito (1941)
  • Argentina (1942)
  • Cabo das Tormentas (Edic̜ões do Atril, 1950)
  • Três Pavanas (São Paulo: GRD, 1961)
  • O país dos Mourões (São Paulo: GRD, 1963)
  • Dossiê da destruição (São Paulo: GRD, 1966)
  • Frei e Chile num continente ocupado (Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1966)
  • Peripécia de Gerardo (São Paulo: Paz e Terra, 1972) [Prêmio Mário de Andrade de 1972]
  • Rastro de Apolo (São Paulo: GRD, 1977)
  • O Canto de Amor e Morte do Porta-estandarte Cristóvão Rilke [tradução] (1977)
  • Pierro della Francesca ou as Vizinhas Chilenas: Contos (São Paulo: GRD, 1979)
  • Os Peãs (Rio de Janeiro: Record, 1982)
  • A invenção do saber (São Paulo: Paz e Terra, 1983)
  • O Valete de espadas (Rio de Janeiro: Guanabara, 1986)
  • O Poema, de Parmênides [tradução] (in Caderno Lilás, Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio de Janeiro: Caderno Rio-Arte. Ano 2, nr. 5, 1986)
  • Suzana-3 - Elegia e inventário (São Paulo: GRD, 1994)
  • Invenção do Mar: Carmen sæculare (Rio de Janeiro: Record, 1997) [Prêmio Jabuti de 1999]
  • Cânon & fuga (Rio de Janeiro: Record, 1999)
  • Um Senador de Pernambuco: Breve Memória de Antônio de Barros Carvalho (Rio de Janeiro: Topbooks, 1999)
  • O Bêbado de Deus (São Paulo: Green Forest do Brasil, 2000)
  • Os Olhos do Gato & O Retoque Inacabado (2002)
  • O sagrado e o profano (Florianópolis: Museu/Arquivo da Poesia Manuscrita, 2002)
  • Algumas Partituras (Rio de Janeiro: Topbooks, 2002)
  • O Nome de Deus [Obra póstuma] (in: Confraria 2 anos, 2007)


É biografado no livro "A Saga de Gerardo: um Mello Mourão", de José Luís Lira, Edições Universidade Estadual Vale do Acaraú, Sobral (CE), 2007.

Sua fortuna crítica foi recolhida por Gumercindo Rocha Dorea, em "Breve Memória Crítica da obra de Gerardo Mello Mourão" (São Paulo: GRD 1996).

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]