Germano (primo de Justiniano I)

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Germano
Nacionalidade Império Bizantino
Ocupação General
Principais trabalhos
Título
Detalhe de um dos mosaicos da Basílica de São Vital representando o imperador Justiniano (r. 527-565).

Germano (em grego: Γερμανός; 550) foi um general bizantino, primo do imperador Justiniano I (r. 527-565). Comandou efetivos na Trácia, Norte da África e Oriente contra a Pérsia, e foi escalado para comandar a expedição final contra os ostrogodos. Devido a seu ingresso na dinastia Amali, através de seu segundo casamento com a princesa gótica Matasunta, e por possuir um distinto registro de serviço, no tempo de sua morte repentina, foi considerado o provável herdeiro do imperador Justiniano.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Origem e começo da carreira[editar | editar código-fonte]

Germano nasceu antes de 505, o sobrinho do imperador Justino I (r. 518-527) e então primo do imperador Justiniano I (r. 527-565), e não seu sobrinho, como muitas vezes se afirma erroneamente.[1] [2] De acordo com a afirmação na Getica de Jordanes, Germano foi um descendente do gens Anícia. A natureza exata desta conexão, contudo, se não for nada mais que um artifício literário para indicar sua descendência nobre, é incerta. Theodor Mommsen sugere que sua mãe podia ter sido filha de Anícia Juliana.[3]

Durante o reinado do imperador Justino I, foi elevado a um alto posto (ele é registando como um vir illustris em uma carta de 519 endereçada para ele pelo papa Hormisdas), eventualmente sendo apontado como magister militum per Thraciae. Nesta capacidade, ele obteve uma vitória esmagadora sobre uma invasão dos antes.[4]

Por 536, foi elevado ao consulado honorário e aos postos de patrício e magister militum praesentalis. Naquele ano, foi enviado para o Norte da África para suceder Salomão como comandante militar, com a tarefa de suprimir um motim em grande escala das tropas bizantinas lideradas por Estotzas.[2] [4] Seu mandato lá, descrito por Procópio, foi um sucesso completo.[5] Sua política conciliatória e o pagamento dos honorários atrasados fez com que ele conquistasse grande parte do exército amotinado. Ele então derrotou os rebeldes restantes sob Estotzas na batalha de Scalas Veteras na primavera de 537 e estabilizou a situação suprimindo outra conspiração contra suas tropas e restaurando a disciplina.[4] [6]

Germano foi chamado pelo imperador Justiniano em 539 e em 540 foi enviado para Antioquia com a eclosão da guerra Lázica contra o Império Sassânida. Pesadamente em desvantagem numérica, Germano retirou-se para a Cilícia e foi incapaz de prevenir o saque de Antioquia no mesmo ano. No ano seguinte, como Belisário assumiu o comando no Oriente, Germano retornou para Constantinopla.[4] [7]

Conspiração de Artabanes[editar | editar código-fonte]

Por 548, foi reconhecido como o parente mais influente do imperador Justiniano e seu herdeiro aparente, embora isto nunca foi formalmente reconhecido.[8] [9] Naquele ano, sua posição foi reforçada ainda mais pela morte da imperatriz Teodora, que desgostava-o intensamente. Sua estatura na corte foi tamanha que foi motivo de uma conspiração deflagada pelo general Artabanes e seu parente Ársaces, que planejavam assassinar Justiniano e substituí-lo por Germano. Os conspiradores pensaram que Germano seria amigável com os planos deles, desde que havia fiado insatisfeito com a intromissão de Justiniano no acerto da vontade de seu recém-falecido irmão Boraides.[10]

Os conspiradores primeiro contaram para Justino, filho mais velho de Germano, suas intensões. Ele, por sua vez, informou seu pai, que então delatou ao conde dos excubitores Marcelo. A fim de saber mais das intenções deles, Germano encontrou-se em pessoal com os conspiradores, enquanto um assessor de confiança de Marcelo estava escondido nas proximidades para escutar.[11] Marcelo então informou Justiniano, e os conspiradores foram presos, mas tratados com notável clemência. No início, Germano e seus filhos também foram suspeitos, porém o testemunho de Marcelo os limpou.[12]

Alto comando e morte[editar | editar código-fonte]

Nesse meio tempo, a Guerra Gótica na península Itálica contra os ostrogodos estava indo mal para o Império Bizantino, com o rei gótico Totila arrancando a maior parte da península de volta das tropas bizantinas. Em 549, o imperador Justiniano decidiu enviar uma grande força expedicionária com Germano como sua cabeça. Logo, contudo, ele mudou de ideia e apontou o patrício Libério, antes de cancelar a expedição completamente.[13]

Em 550, contudo, o imperador Justiniano finalmente apontou Germano como comandante-em-chefe de uma expedição italiana. Instalando sua base em Sérdica, ele começou a montar um exército. De acordo com Procópio, sua fama foi tamanho que os soldados, tanto bizantinos como bárbaros, reuniram-se a sua bandeira. Até mesmo uma invasão eslava que dirigia-se para Tessalônica alegadamente desviou para a Dalmácia com a notícia de que ele havia assumido comando na Trácia.[13] Germano também deu um passo no qual esperava diminuir significativamente a resistência que enfrentaria dos ostrogodos: tomou como sua segunda esposa Matasunta, a antiga rainha dos godos, bisneta de Teodorico, o Grande e última herdeira sobrevivente da dinastia Amali. Registros contemporâneas sugerem que este movimento, combinado com as notícias dos preparativos maciços, produziu efeito entre os godos na península, bem como em numerosos desertores bizantinos, alguns dos quais enviaram mensagens prometendo retornar a fidelidade bizantina com sua chegada.[14]

Além disso, esta mensagem, que foi endossa pelo próprio imperador Justiniano, marcou Germano como herdeiro dos reinos gótico e romano oriental.[2] Não era para ser, contudo: apenas dois dias antes do exército partir, no começo do outono de 550, ele adoeceu e morreu.[14] Sua morte frustrou todas as esperanças para a reconciliação dos godos e romanos na Itália, e levou a mais anos de derramamento de sangue, até a península ser definitivamente conquistada pelos bizantinos.[3] A Germano é dado um tratamento muito favorável no trabalho de Procópio, sendo enaltecido por sua virtude, justiça e generosidade, bem como sua energia e habilidade como soldado e administrador.[2]

Família[editar | editar código-fonte]

Germano tinha um irmão chamado Boraides e talvez também outro chamado Justo. De seu primeiro casamento com uma dama chamada Passara, teve dois filhos e uma filha:[1] [15]

  • Justino, nascido provavelmente cerca 525/530, tornou-se cônsul em 540 e general no final do reinado de Justiniano.
  • Justiniano, general
  • Justina, nascida cerca 527, casou-se em 545 com o general João, sobrinho do general e rebelde Vitaliano.

De seu casamento posterior com Matasunta, teve um filho, também chamado Germano, que nasceu postumamente (final de 550/começo de 551). Nada concreto se sabe sobre ele, embora ele possa possivelmente ser identificado com o patrício Germano, um senador líder no reinado do imperador Maurício (r. 582-602), cuja filha casou-se com o filho mais velho de Maurício, Teodósio.[16] [17] Michael Whitby identifica o jovem Germano com Germano, o genro de Tibério II (r. 574-582) e Ino Anastácia.[18]

Referências

  1. a b Martindale 1980, p. 505
  2. a b c d Kazhdan 1991, p. 846
  3. a b Bury 1958, p. 255
  4. a b c d Martindale 1980, p. 506
  5. Procópio de Cesareia século VI, p. II.XVI–XIX
  6. Bury 1958, p. 144-145
  7. Bury 1958, p. 96-97
  8. Martindale 1980, p. 506-507
  9. Bury 1958, p. 70-71
  10. Bury 1958, p. 67
  11. Bury 1958, p. 67-68
  12. Bury 1958, p. 68
  13. a b Martindale 1980, p. 507
  14. a b Bury 1958, p. 254
  15. Bury 1958, p. 20
  16. Martindale 1980, p. 505-506
  17. Martindale 1992, p. 528; 531–532
  18. Whitby 1988, p. 7

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bury, John Begnell. History of the Later Roman Empire: From the Death of Theodosius I to the Death of Justinian, Volume 2. Nova Iorque e Londres: Dover Publications, 1958. ISBN 0-486-20399-9
  • Kazhdan, Alexander Petrovich. The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press, 1991. ISBN 0-19-504652-8