Germano II de Constantinopla

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Germano II de Constantinopla (em grego: Γερμανός Β΄ Ναύπλιος), dito Náuplio (em latim: Nauplius), foi o patriarca grego ortodoxo de Constantinopla, exilado no Império de Niceia, entre 1223 e a sua morte em junho de 1240.[1] .

Biografia[editar | editar código-fonte]

Germano nasceu em Anaplos na segunda metade do século XII e, durante a Quarta Cruzada de 1204, ele servia como diácono na Igreja de Santa Sofia. Logo depois do saque de Constantinopla, ele se retirou para um mosteiro em Achiraos[1] .

Em 1223, ele foi selecionado pelo imperador de Niceia, João III Vatatzes, para preencher o posto de patriarca ecumênico, que tinha sido realocado para lá após a conquista de Constantinopla pelos venezianos e a criação do Patriarcado Latino de Constantinopla. Germano assumiu o trono em 4 de janeiro de 1223 e rapidamente se mostrou um valioso aliado de Vatatzes[1] . Durante todo o seu patriarcado, Germano lutou para re-estabelecer a sua autoridade como líder do então espatifado mundo ortodoxo, ao mesmo tempo em que apoiava Vatatzes em sua luta para reconquistar a sua herança imperial perdida. Assim, Germano se chocou com os prelados do Despotado de Épiro por conta da da defesa deles aos governantes de Épiro e, especialmente, com o arcebispo de Ácrida, Demetrios Chomatenos, que tinha presidido a coroação de Teodoro Comneno Ducas como imperador em Tessalônica, em direto confronto com a posição de Niceia. Após a derrota de Épiro na Batalha de Klokotnitsa em 1230, porém, os bispos dali foram gradualmente conquistados pelo grupo de Germano. Em 1232, o cisma estava superado, com a Igreja de Épiro reconhecendo sua autoridade, ao que se seguiu uma viagem pela região por Germano em 1238[1] [2] .

Por outro lado, Germano estava propenso a se curvar às realidades políticas na questão da Igreja da Bulgária, reconhecendo-a como um patriarcado júnior em 1235 d.C. Isso foi, em parte, o resultado de uma necessidade política, como condição para a aliança entre Vatatzes e o Segundo Império Búlgaro, do tsar João Asen II, mas era também um movimento necessário para afastar a Igreja Búlgara de sua submissão pós-1204 à Igreja Católica. Movimento similar está por trás do reconhecimento por ele do status autocéfalo da Igreja Sérvia[3] .

Mesmo sendo um feroz crítico dos "erros" que ele percebia na Igreja Católica e o autor de diversos tratados anti-católicos[1] , Germano foi, inicialmente, favorável a uma reaproximação com Roma. Em 1232, ele enviou um grupo de franciscanos, cuja postura e o desejo de reconciliação o haviam impressionado, como enviados ao papa. Germano propôs convocar um concílio ecumênico pleno para tentar a reconciliação das Igrejas[4] . Como resposta, uma delegação de franciscanos e dominicanos chegou em Niceia em 1234, mas com alçada limitada: eles não tinham autoridade para conduzir nenhum tipo de negociação, mas apenas para sondar o imperador e o patriarca. A delegação latina compareceu ao concílio realizado em Ninfeu, mas ele acabou se desfazendo em uma disputa entre os latinos e os gregos. Os enviados papais fugiram para Roma enquanto que os nicenos se juntaram ao ataque a Constantinopla em 1235[5] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Germano II de Constantinopla
(No exílio em Niceia)

(1223 - 1240)
Precedido por: Cruz ortodoxa.png
Lista dos patriarcas grego ortodoxos de Constantinopla
Sucedido por:
Manuel I 129.º Metódio II


Referências

  1. a b c d e Kazhdan (1991), p. 847
  2. Angold (1999), pp. 551–552
  3. Angold (1999), p. 552
  4. Angold (1999), p. 553
  5. Angold (1999), pp. 553–554

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Angold, Michael. The New Cambridge Medieval History: Volume V, c. 1198–c. 1300 (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press, 1999. 543–568 pp. ISBN 0-521-36289-X
  • Oxford Dictionary of Byzantium (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press, 1991. ISBN 978-0-19-504652-6

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Germano II (em grego). Site oficial do Ecumenical Patriarchate of Constantinople. Página visitada em 04/09/2011.