Giardiose

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Giardiose
Giárdia aderida ao intestino
Classificação e recursos externos
CID-10 A07.1
CID-9 007.1
DiseasesDB 5213
MedlinePlus 000288
MeSH D005873
Star of life caution.svg Aviso médico

Giardíase ou giardiose é a doença provocada pela infecção do intestino delgado pelo protozoário Giardia lamblia, popularmente conhecido como giárdia. A giardíase costuma ser assintomática, mas pode causar diarreia e má absorção intestinal de gorduras. A giardíase está presente em praticamente todo o mundo, mas afeta principalmente crianças em populações de baixo nível econômico e em regiões de clima tropical ou subtropical.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

As principais manifestações da giardíase são diarreia, cólica intestinal, e perda de peso ou, no caso de crianças, falha em ganhar peso. Tipicamente, a diarreia é caracterizada por um excesso de gorduras nas fezes, o que recebe o nome de esteatorreia.

Por outro lado, a maior parte das infecções são assintomáticas, ou seja, não apresentam sintomas. Por exemplo, durante uma série de surtos de giardíase nos Estados Unidos, cerca de 500 mil pessoas foram contaminadas, mas apenas 4 mil apresentaram algum sintoma.

Em crianças, o crescimento só é prejudicado nas crianças com diarreia. Crianças infectadas mas sem diarreia apresentam velocidade de crescimento normal.

Em adultos eles o provocam síndrome do panico e hidrofobia.

Causa/Etiologia[editar | editar código-fonte]

A giardíase é causada principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes contendo pelo menos 10 a 100 cistos de Giardia lamblia. A exposição deste protozoário ao suco gástrico não causa sua eliminação, porém o ph alcalino do duodeno ocasiona a transformação dos cistos em trofozoítas, que aderem à parede do intestino delgado (daí os nomes alternativos Giardia intestinalis e Giardia duodenalis). Cerca de 9 dias (de 6 a 15) após a infecção, a pessoa começa a eliminar cistos pelas fezes, que podem então contaminar outras pessoas.

Discute-se ainda a importância da transmissão por contato próximo entre duas pessoas (por exemplo, em creches), ou com animais domésticos, ou ainda através de relações sexuais anais.

O cisto da Giardia lamblia pode durar até 2 meses fora de um organismo, e pode ser encontrado sob a unha de algumas pessoas.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

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Não existe um padrão-ouro para o diagnóstico de giardíase, ou seja, nenhum método diagnóstico é capaz de dar certeza absoluta se a pessoa tem ou não a doença. O exame das fezes detecta o protozoário em cerca de 73% dos casos com uma única amostra, e 85% com três amostras. Apesar da sensibilidade limitada, o exame parasitológico das fezes tem uma especificidade de 100%, ou seja, ele nunca detecta giardíase em pessoas que não têm a doença. Além disso, o exame parasitológico das fezes também é capaz de detectar outros parasitas capazes de causas sintomas semelhantes aos da giardíase.

Outro exame é a pesquisa de anticorpos nas fezes. A técnica ELISA é capaz de confirmar a giardíase em 95% dos casos, mas por outro lado 2% das pessoas sem giardíase têm um resultado falso positivo, ou seja, são confundidas como tendo a doença. A principal limitação deste exame é que ele só avalia uma suspeita de giardíase, e não de outras parasitoses intestinais.

Em alguns casos o médico pode solicitar ainda um aspirado ou uma biópsia do intestino delgado. A biópsia tem a vantagem de também permitir o diagnóstico de outras doenças intestinais com manifestações semelhantes, como a doença celíaca.

Patofisiologia[editar | editar código-fonte]

A giardíase causa uma má absorção intestinal de gorduras, daí a esteatorreia, mas o mecanismo exato ainda não é bem conhecido.

Uma das hipóteses é o consumo de bile da pessoa infectada pela giárdia, que é incapaz de produzir os lipídios que compõem sua membrana celular. A bile tem a função de facilitar a digestão e consequente absorção dos lipídios.

Outras hipóteses incluem o atapetamento da parede intestinal por uma infecção massiva; o crescimento excessivo da microbiota ("flora") intestinal associado a parte dos casos de giardíase; e a resposta imunde à giárdia, que causaria alterações nos enterócitos (as células do intestino responsáveis pela absorção dos nutrientes).

Além das gorduras, a giardíase também parece ser responsável por má absorção de vitamina B12, vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), ferro, lactose e xilose.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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O medicamento mais utilizado para a giardíase é o metronidazol, na dose de 250mg, três vezes ao dia, por 5 a 7 dias, com 70% a 100% de cura. Outras opções, com eficácia similar, incluem uma dose única de 2g de metronidazol, secnidazol ou tinidazol; ou então uma dose diária de 400mg de albendazol por 3 a 5 dias. Este último medicamento tem ainda a vantagem de também combater outros parasitas intestinais. Furazolidona, nitazoxanida e quinacrina são raramente utilizadas.

Prognóstico[editar | editar código-fonte]

A giardíase é tipicamente uma doença autolimitada. Sem medicação, cerca de 85% das pessoas param de eliminar cistos nas fezes e de apresentar sintomas, geralmente em menos de um mês.

Algumas pessoas podem desenvolver uma infecção crônica, ou seja, por mais de um mês, ou mesmo por tempo indeterminado, com ou sem sintomas.

Prevenção/Rastreio[editar | editar código-fonte]

Como a giardíase é uma doença de transmissão fecal-oral, sua prevenção inclui medidas padrão de higiene, como o consumo de água filtrada ou fervida, o hábito de se lavarem as mãos, e a proteção dos alimentos. A Giardia lamblia é resistente à cloração da água.

A giardíase pode ser detectada em pessoas assintomáticas através de exames de fezes, como parte de exames de rotina ou inquérito populacional. A utilidade dessa medida, no entanto, é controversa, já que a infecção assintomática não parece causar prejuízos à pessoa, e não existem evidências de progressão de um estado de portador crônico para doente.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

A giardíase é encontrada em todo o mundo; as crianças de até 10 a 12 anos constituem a faixa etária mais acometida. Tanto o clima (tropical ou subtropical) quanto as condições econômicas da população parecem estar envolvidas na proporção de pessoas infectadas. Levantamentos realizados em países desenvolvidos têm encontrado a infecção em 2% a 5% das pessoas, enquanto a taxa em países em desenvolvimento e subdesenvolvidos é de 20% a 30%.

No Brasil, estudos indicam a infecção em 4% a 30% das pessoas.

Em países desenvolvidos, parecem haver três grupos de risco para o desenvolvimento de giardíase. O primeiro são as pessoas que viajam para locais com maior prevalência da infecção; como a giardíase demora cerca de 9 dias para se manifestar, esses viajantes frequentemente apresentam os sintomas já no país de origem. Outros grupos de risco são as crianças que frequentam creches, e os casais que praticam sexo anal.

História[editar | editar código-fonte]

A Giardia lamblia foi descrita pela primeira vez por em 1681, por Anton van Leeuwenhoek. O pesquisador neerlandês encontrou o protozoário em suas próprias fezes, em meio a estudos que revelaram uma série de outros micro-organismos.

Impactos sociais[editar | editar código-fonte]

É difícil estimar o impacto isolado da giardíase. De uma forma geral, as doenças diarreicas são a quinta principal causa de morte no mundo (3,7% do total). Quando são levados em consideração os anos de vida perdidos por morte precoce e o grau de incapacidade dos sobreviventes, as doenças diarreicas chegam a ser consideradas a segunda maior causa de adoecimento do mundo, com 4,8% da carga de morbidade. Nos países de baixa renda, as doenças diarreicas são responsáveis por 6,9% de todas das mortes, e 7,2% da carga de doença.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Abdolrasouli, A.; McMillan, A.; Ackers, J. P. (2009). Sexual transmission of intestinal parasites in men who have sex with men. Sexual Health 6(3), 185-94.
  • Keystone, Jay S.; Keystone, Donna L.; Proctor, Eileen M. (1980). Intestinal parasitic infections in homosexual men: prevalence, symptoms and factors in transmission. Canadian Medical Association Journal 123(6), 512-4.
  • Neves, Davi Pereira. Parasitologia Humana. 9ª edição. São Paulo: Atheneu, 1998.
  • Solaymani-Mohammadi, S.; Genkinger, J.M.; Loffredo, C.A.; Singer, S.M. (2010). A meta-analysis of the effectiveness of albendazole compared with metronidazole as treatments for infections with Giardia duodenalis. PLoS Neglected Tropical Diseases 4(5), e682.
  • Vesy, C.J.; Peterson, W.L. (1999). Review article: the management of Giardiasis. Alimentary Pharmacology & Therapeutics. 13(7), 843-50.
  • Organização Mundial da Saúde. The global burden of disease: 2004 update. Genebra: OMS, 2008. ISBN 978-92-4-156371-0.

Ver também[editar | editar código-fonte]


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