Gilbert Elliot Murray-Kynynmond

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Sir Gilbert Elliot Murray-Kynynmond, 1.º marquês de Minto.

Gilbert Elliot Murray-Kynynmond (Edimburgo, Escócia, 23 de Abril de 1751Stevenage, Inglaterra, 21 de Junho de 1814), 1.º marquês de Minto, foi um político, diplomata e administrador colonial britânico de origem escocesa. Dotado de uma esmerada educação, orientada por David Hume, que incluiu estudos feitos em Paris sob Joseph-Louis de Lagrange e uma passagem pela Universidade de Oxford, foi simultaneamente um intelectual de grande craveira. Exerceu, entre outros cargos, o de vice-rei da Córsega durante o efémero Reino Anglo-Corso fundado por Pasquale Paoli e o de governador-geral da Índia Britânica durante o período crítico das Guerras Napoleónicas.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Gilbert Elliot nasceu em Edimburgo, Escócia, a 23 de Abril de 1751, filho de Agnes Murray Kynynmond, da casa de Melgund e Kynynmond, e de seu marido, Sir Gilbert Elliot (1722-1777), poeta de mérito e membro da Câmara dos Comuns. Era sobrinho de John Elliott, governador da Terra Nova e de Jean Elliot (1727-1805), autora de um celebrado poema lírico intitulado The Flowers of the Forest. A família possuía, desde há algumas gerações, uma larga propriedade rural e um solar em Minto, no Roxburghshire, Escócia.

Os anos formativos (1751-1776)[editar | editar código-fonte]

Nascido numa família privilegiada de proprietários rurais, neto de um estudioso da cultura italiana e filho e sobrinho de poetas e políticos, Gilbert Elliot estava destinado a seguir estudos na área do direito.

Educados sob a supervisão do filósofo escocês David Hume, depois de estudos preparatórios, e como forma de melhorar os seu conhecimentos linguísticos e culturais, em 1763 Gilbert Elliot e o seu irmão Hugh Elliot foram enviados para Paris, onde estudaram como pensionistas de um colégio interno. Aí foram companheiros e amigos íntimos de Honoré Gabriel Riqueti de Mirabeau e estudaram sob a orientação do célebre matemático Joseph-Louis de Lagrange.

Depois de três anos em Paris, regressaram ao Reino Unido para prosseguirem estudos. Passaram os Invernos de 1766 e de 1767 a frequentar a Universidade de Edimburgo. Gilbert entrou no ano seguinte para o colégio de Christ Church, frequentando a Universidade de Oxford, onde estudou Direito. Ao deixar a universidade, em 1772, iniciou a sua carreira como advogado.

A presença parlamentar (1774-1793)[editar | editar código-fonte]

Em 1776, beneficiando da experiência política do pai, Gilbert Elliot foi eleito para o parlamento britânico como independente associado ao Partido Whig. Tornou-se amigo de Edmund Burke, a quem ajudou na sua disputa com Warren Hastings e Sir Elijah Impey, e por duas vezes foi candidato derrotado ao lugar de ‘’Speaker’’, isto é presidente da Câmara dos Comuns.

Quando o seu partido assumiu o governo, em 1793 foi nomeado membro do ‘’Privy Council’’, o conselho privado do monarca britânico, um conselho de Estado cujos membros gozavam de grande influência política.

O cargo de vice-rei da Córsega (1794-1796)[editar | editar código-fonte]

Pouco tempo depois foi nomeado enviado à Córsega, então um Reino independente sob o governo de Pasquale Paoli, mas sob ataque francês. Com a sua ajuda e conselho, em Junho de 1794 a Córsega é transformada em protectorado britânico, o Reino Anglo-Corso, tendo como rei Jorge III do Reino Unido.

Nessa ocasião, apesar da oposição de Pasquale Paoli, o líder corso, que pretendia ser nomeado para o cargo, é feito vice-rei da Córsega. Pouco depois entra em ruptura com Paoli, que é forçado a exilar-se para Londres.

Esta posição foi contuso efémera, pois teve de retirar da ilha após o desembarque de uma força francesa em finais de 1796. A partir dessa data a ilha ficou integrada na França.

Da Córsega transferiu-se para Nápoles, onde passou a exercer as funções de enviado britânico junto da corte de Fernando I das Duas Sicílias.

A carreira diplomática (1796-1801)[editar | editar código-fonte]

Iniciando-se na diplomacia com a sua passagem pela corte de Nápoles, Gilbert Elliot, ganhou reputação de bom diplomata, passando a ser visto em Londres como um potencial enviado, até porque o seu domínio perfeito do francês, a língua franca da diplomacia da época, o faziam particularmente habilitado para tais missões.

Em 1797 adicionou ao seu nome os apelidos Murray-Kynynmond, da família de sua mãe, e em Outubro de 1797 foi elevado à dignidade de barão de Minto, passando com isso a ter assento na Câmara dos Pares.

Entre 1799 e 1801, ano da saída de William Pitt das funções de Primeiro-Ministro, foi enviado extraordinário do Reino Unido à corte de Viena, então um dos principais postos diplomáticos da Europa.

A comissão como Governador-Geral da Índia (1806-1813)[editar | editar código-fonte]

Depois de alguns meses como membro da administração colonial britânica na Índia, em finais de 1806 foi nomeado Governador-Geral da Índia Britânica, sucedendo no cargo a Sir George Hilario Barlow.

Ocupou então, com o acordo do governo de Portugal, o Estado da Índia, estacionando tropas britânicas em Goa.

Pouco depois ocupou a pequena colónia dinamarquesa de Trankebar e anexou os restantes centros coloniais dinamarqueses na Índia.

No Verão de 1809, no âmbito das Guerras Napoleónicas, organizou uma expedição que conquistou e ocupou as ilhas Bourbon e de France, as actuais ilhas da Reunião e Maurícia, então territórios insulares franceses do Oceano Índico. A ilha da Reunião foi devolvida à França, mas a ilha Maurícia permaneceu sob soberania britânica até à sua independência em 1968.

No mesmo contexto, no ano de 1810 tomou os estabelecimentos neerlandeses das Molucas, Celebes e Ceilão, em 1811 a ilha de Java e em 1812 as colónias de Samatra e Bornéu. Governou também estes novos territórios sob administração britânica, partir de 1811, sendo interinamente também governador-geral das antigas Índias Orientais Neerlandesas, a actual Indonésia. Foi sido sucedido nesse posto por Thomas Stamford Raffles, o fundador de Singapura.

Governou a Índia com grande sucesso até 1813, quando problemas de saúde o obrigaram a regressar a Inglaterra. Foi-lhe então concedido o título de visconde de Melgund e de marquês de Minto.

Os anos finais (1813-1814)[editar | editar código-fonte]

Faleceu em Stevenage a 21 de Junho de 1814 e foi sepultado na abadia de Westminster.

O segundo filho de George Elliot, foi o almirante Sir George Elliot (1784-1863), que na sua juventude participou na batalha do Cabo de São Vicente e na batalha do Nilo. Este seu filho foi mais tarde um destacado político, chegando a Secretário do Almirantado britânico entre 1830 e 1834.

Um seu sobrinho foi o almirante Sir Charles Elliot (1801-1875), que teve um importante papel na guerra contra a China em 1840. Foi depois governador da Bermuda, de Trinidad e da ilha de Santa Helena.

A sua irmã Eleanor Elliot, falecida em 1818, foi casada com William Eden, um dos mais proeminentes políticos britânicos da época.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Emma Eleanor Elizabeth Hislop, Life and Letters of Sir Gilbert Elliot, first Earl of Minto
  • Emma Eleanor Elizabeth Hislop, Lord Minto in India

Ligações externas[editar | editar código-fonte]