Gilgamesh (banda)

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Gilgamesh
Informação geral
Origem Inglaterra
País  Reino Unido
Gênero(s) jazz-rock
jazz
Período em atividade 1972-1975
1977-1978
Gravadora(s) Caroline Records
Charly Records
Cuneiform
Spalax
Virgin
Ex-integrantes Alan Gowen, teclados
Alan Wakeman, saxofone
Hugh Hopper, baixo
Jamie Muir, bateria
Jeff Clyne, baixo
Mike Travis, baixo
Mont Campbell, baixo
Neil Murray, baixo
Phil Lee, guitarra
Richard Sinclair, baixo
Rick Morcombe, guitarra
Steve Cook, baixo
Trevor Tomkins, bateria

Gilgamesh foi um grupo de jazz-rock oriundo do Reino Unido, liderado pelo teclista Alan Gowen e pertencente à cena musical da Cantuária. Apesar de uma curta e intermitente existência, o grupo lançou dois discos e deu, em parte, origem aos National Health.

Árvore familiar[editar | editar código-fonte]

Alan Gowen tocava num grupo chamado Sunship quando, em Julho de 1972, o baterista Jamie Muir saiu para se juntar aos King Crimson (com quem gravaria, em 1973, o álbum Larks' tongues in aspic). Isto levou a que o teclista iniciasse um novo projecto com o guitarrista Rick Morcombe e o baixista Mike Travis, que lhe havia sido recomendado por Muir e que tinha já um certo nome na cena jazzística de Londres. Contactos posteriores, agora facilitados pela entrada nessa cena londrina, trouxeram para o grupo o saxofonista Alan Wakeman (irmão de Rick Wakeman) e o baixista Jeff Clyne. Quando Morcombe saiu, Travis recomendou Phil Lee; e depois de Travis ter deixado o seu lugar vago, Gowen convidou Neil Murray que pouco depois seria substituído por Steve Cook, antigo integrante dos CMU, por onde também havia andado um velho amigo seu, Roger Odell, que mais tarde se tornaria baterista dos Shakatak.
Trevor Tomkins, o baterista do segundo álbum da banda, Another fine tune you've got me into, era um antigo colaborador de Phil Lee; e Hugh Hopper, dos Soft Machine, ficou apenas o tempo suficiente para a gravação desse registo.[1]

Carreira[editar | editar código-fonte]

A formação dos Gilgamesh foi sempre algo instável. Os concertos eram escassos e muitos integrantes, após algum tempo, acabavam por ter de partir para outros grupos de forma a conseguirem ganhar o suficiente para subsistirem, ao passo que outros, caso de Richard Sinclair (Wilde Flowers, Caravan, Hatfield and the North, Camel, Caravan of Dreams) e Hugh Hopper (Soft Machine), apenas fizeram parte do grupo por amizade a Gowen e com objectivos específicos: Sinclair foi o baixista provisório até à entrada de Mike Travis, nunca tendo tocado ao vivo com o grupo; e Hopper entrou apenas para assegurar o baixo no segundo álbum, Another fine tune you've got me into.
Apenas em 1973 os Gilgamesh pareceram possuir uma agenda minimamente preenchida, sendo as últimas duas datas desse ano partilhadas com os Hatfield and the North que, com o grupo de Gowen, deram origem ao conceito do duplo quarteto que mais tarde iria dar origem à primeira versão dos National Health. Ainda nesse ano, os Gilgamesh foram convidados para gravar alguns temas para a BBC e, algum tempo depois, com a ajuda de Dave Stewart (Arzachel, Bill Bruford, Egg, Gong, Hatfield and the North, Khan, National Health, Uriel), gravariam o seu álbum epónimo.
Gowen e Stewart tornaram-se então amigos e o primeiro começou a ponderar a hipótese de uma colaboração do segundo, mas Stewart mostrou-se reticente em relação a estar em dois grupos ao mesmo tempo. As suas reservas ver-se-iam, no entanto, dissipadas quando os Hatfield and the North acabaram em 1975. Os planos para o projecto do quarteto duplo começaram a materializar-se e, em 1977, os National Health lançaram o seu álbum de estreia.
Os Gilgamesh seriam reactivados durante um curto período após a saída de Gowen dos National Health, e editariam, em 1978, o seu segundo álbum. Com a morte de Gowen em 1981, os Gilgamesh fechavam as portas de vez. O álbum dos National Health D.S. Al Coda, composto integralmente de composições de Gowen, ser-lhe-ia dedicado.

Música[editar | editar código-fonte]

A inserção dos Gilgamesh na marca Canterbury acontece sobretudo por associação. Ainda que o género fosse conhecido por uma certa aproximação ao jazz, amplamente desenvolvido pelos Soft Machine e pelos Gong, também o era por se fazer de um humor que contrastava directamente com a grandiosidade do rock sinfónico praticado por grupos como os Yes ou os Emerson, Lake & Palmer. Assim, projectos de jazz como os Gilgamesh, mas também músicos como Keith Tippett (tocou com elementos dos Soft Machine e com os King Crimson) ou Ian Carr (cujo grupo que o acompanhava, os Nucleus, se desmembrou aos poucos em prol dos Soft Machine), foram, pela sua associação a agrupamentos de Canterbury e rock progressivo, classificados de Canterbury.

Discografia[editar | editar código-fonte]

  • Gilgamesh (1975)
  • Another fine tune you've got me into (1978)
  • Arriving twice (2000; Gravações efectuadas entre 1973 e 1975)

Concertos[editar | editar código-fonte]

Os Gilgamesh deram apenas alguns concertos durante o seu tempo de existência. Sendo um grupo errático no que a formações diz respeito, o jazz-rock que praticavam, herdeiro directo do jazz modal com o cuidado na escrita de um Gil Evans, também não apelava especialmente aos promotores.

Datas de todos os concertos conhecidos:

Presente[editar | editar código-fonte]

  • Jeff Clyne formou, em 1976, os Turning Point com o seu ex-colega dos Isotope Brian Miller. Após várias digressões de sucesso e dois álbuns de originais, o grupo cessou funções em 1980. Clyne continua a ser um membro activo da comunidade jazzística britânica.
  • Em 1979, Mike Travis mudou-se para Edimburgo após ter tocado com os East Wind de Stomu Yamash'ta e em vários projectos de Hugh Hopper. Lá estabelecido, formou, com Maggie Reilly, os Cado Belle e, desde então, tem tocado ao vivo um pouco por toda a Escócia.
  • Phil Lee e Trevor Tomkins mantiveram-se no jazz e continuam a tocar, juntos ou com outros músicos, em clubes londrinos.

Referências

  1. Calyx, the Canterbury music website
  2. Time-Out London, 1974
  3. COOK, Steve. Diário
  4. STEWART, Dave