Ginga (middleware)

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Ginga é o middleware opensource1 que gerenciará as funções de interatividade na televisão digital do Brasil e em quase toda a América Latina.

História[editar | editar código-fonte]

O Ginga é resultado de vários anos de pesquisa e desenvolvimento realizados pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro PUC-Rio e pela Universidade Federal da Paraíba UFPB. Inicialmente desenvolvido para suporte ao desenvolvimento de aplicações hipermídia, um novo perfil do sistema foi particularizado tendo como foco a TV digital terrestre, durante o esforço feito por várias instituições de pesquisa do Brasil, na concepção do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD).

Variações[editar | editar código-fonte]

Ginga2 é o middleware de especificação aberta adotado pelo Sistema Nipo-Brasileiro de TV Digital Terrestre (ISDB-T) a ser instalado em conversores (set-top boxes), em televisores e em dispositivos portáteis, como, por exemplo, telefones celulares. Ginga é uma camada de software intermediária, entre o sistema operacional e as aplicações. Ela tem duas funções principais: uma é tornar as aplicações independentes do sistema operacional da plataforma de hardware utilizados. A outra é oferecer um melhor suporte ao desenvolvimento de aplicações. Ou seja, o Ginga é o responsável por dar suporte à interatividade.

Em outras palavras, um middleware para aplicações de TV digital consiste de máquinas de execução das linguagens oferecidas e bibliotecas de funções, que permitem o desenvolvimento rápido e fácil de aplicações interativas para TV digital. Essas aplicações vão possibilitar, por exemplo, acesso à internet, operações bancárias, envio de mensagens para o canal de TV ao qual se está assistindo, entre outros.

O Ginga é constituído por um conjunto de tecnologias padronizadas e inovações brasileiras, que o tornam a especificação de middleware mais avançada do mundo atualmente, e a melhor solução para os requisitos do país.

O sistema Ginga foi a primeira contribuição brasileira, na área de tecnologia da informação e comunicação (TIC), a se tornar, na íntegra, um padrão mundial, reconhecido pela União Internacional de Telecomunicações (ITU-T). Por definição da Recomendação ITU-T, e como marca registrada da PUC-Rio e UFPB, o sistema Ginga é subdividido em dois subsistemas principais interligados: o núcleo comum (Ginga-CC) e o ambiente de execução das aplicações. O ambiente de execução de aplicações é composto pelo ambiente de execução de aplicações NCL (Ginga-NCL) integrado ao ambiente de execução de aplicações Java (Ginga-J). Ambos os ambientes são obrigatórios no Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre para terminais fixos, enquanto o ambiente Ginga-J é opcional no caso de terminais portáteis. Também para sistemas de TV digital IPTV, segundo Recomendação ITU-T apenas o ambiente Ginga-NCL é obrigatório.

Ginga-NCL e Ginga-J permitem o desenvolvimento de aplicações seguindo dois paradigmas de programação diferentes. Dependendo das funcionalidades requeridas no projeto de cada aplicação, um paradigma será mais adequado do que o outro.

Ginga-CC[editar | editar código-fonte]

O Ginga-CC (Ginga Common-Core) oferece o suporte básico para os ambientes declarativos (Ginga-NCL) e imperativo (Ginga-J). Entre suas principais funções estão aquelas para tratar da exibição dos vários objetos de mídia que compõem uma aplicação, como JPEG, MPEG-4, MP3, GIF, entre outros formatos. O Ginga-CC fornece também o controle do plano gráfico, o controle para obtenção dos dados transmitidos por difusão (broadcast) e pelo Canal de Interatividade (ou canal de retorno), para obtenção e transmissão de dados sob demanda.

Ginga-NCL[editar | editar código-fonte]

O Ginga-NCL3 foi desenvolvido pela PUC-Rio com o objetivo de prover uma infra-estrutura de apresentação para aplicações declarativas escritas na linguagem NCL (Nested Context Language), que é uma aplicação XML com facilidades para a especificação declarativa de aspectos de interatividade, sincronismo espaço-temporal entre objetos de mídia, adaptabilidade, suporte a múltiplos dispositivos e suporte à produção ao vivo de programas interativos não-lineares. Para tarefas que requerem uma programação algorítmica, NCL tem Lua como sua linguagem de script. Para facilitar o desenvolvimento de aplicações Ginga-NCL, a PUC-Rio criou também a ferramenta Composer, um ambiente de autoria voltado para a criação de programas NCL para TV digital interativa. Nessa ferramenta, as abstrações são definidas em diversos tipos de visões que permitem simular um tipo específico de edição (estrutural, temporal, layout e textual). Essas visões funcionam de maneira sincronizada, a fim de oferecer um ambiente integrado de autoria.

Ginga-J[editar | editar código-fonte]

O Ginga-J foi inicialmente desenvolvido pela UFPB para prover uma infra-estrutura de execução de aplicações baseadas na linguagem Java, com facilidades especificamente voltadas para o ambiente de TV digital, fornecidas pelas especificações Globally Executable MHP (GEM), que foram a posterior substituídas pela especificação aberta Java DTV desenvolvida pela SUN Microsystems, hoje Oracle Corporation.


Dessa maneira, pode-se afirmar que o Ginga é uma tecnologia que leva ao cidadão todos os meios para que ele obtenha acesso à informação, educação a distância e serviços sociais, utilizando apenas sua TV. O Ginga é uma especificação aberta e de fácil aprendizagem. É também livre de royalties para qualquer programador que produza conteúdo interativo. A arquitetura do ambiente de execução de aplicações NCL (Ginga-CC e Ginga-NCL) oferece também uma implementação de referência, reconhecida pelo ITU-T, de código aberto e livre de royalties, impulsionando a programação de TVs comunitárias, por exemplo. Com o desenvolvimento do Ginga, o Brasil se tornou o primeiro país a oferecer um conjunto de soluções em software livre para TV digital.

Especificações[editar | editar código-fonte]

As normas técnicas da estrutura do software já são Normas ABNT. Walter Duran, diretor de Tecnologia da Philips, afirma que com o software o set-top box será o melhor conversor do mundo.4

Na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) podem ser encontradas todas as Normas referentes ao Ginga, referentes à codificação de dados e especificações de transmissão para radiodifusão digital.

As transmissões digitais no Brasil iniciaram em dezembro de 2007. Porém, a interatividade ainda não chegou em larga escala aos telespectadores. No entanto, vários fabricantes já oferecem produtos com o Ginga no Brasil, como os televisores da Samsung, Sony, Panasonic, Semp-Toshiba e LG, e celulares da Samsung (Galaxy S), LG (GM600) e Nokia.

DTVi[editar | editar código-fonte]

Os televisores e conversores digitais preparados para a interatividade com o Ginga recebem o selo DTVi.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências