Ginseng-brasileiro

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Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Caryophyllales
Família: Amaranthaceae
Género: Pfaffia
Espécie: P. glomerata
Nome binomial
Pfaffia glomerata
(Kunth) Spreng

O chamado Ginseng brasileiro geralmente designa três espécies do gênero Pfaffia (Pfaffia iresinoides (Kunth) Spreng; Pfaffia glomerata (Spreng.) Pedersen.[1] e Pfaffia paniculata (Mart.) Kuntze[2] da família Amaranthaceae) é uma planta de pequeno porte, característica que permite o seu cultivo em vasos ou canteiros.

Na medicina popular é prescrito em chás como um tônico estimulante, dando uma nova vitalidade ao organismo. Também é conhecido como "paratudo" e "suma". Por algumas de suas características bioquímicas (os ginsenosídeos) tem sido comparado ao ginseng é uma das plantas que têm seu uso consagrado pela tradição milenar na medicina tradicional chinesa, sendo que estas nada tem em comum com o gênero Panax, do ginseng chinês ou coreano.

De acordo com revisão feita por Mattos e Salis [3] no Brasil, são encontradas 21 espécies de ginseng do gênero Pfaffia que ocorrem em florestas e campos onde se incluem as espécies Pfaffia paniculata, utilizada como tônica, afrodisíaca e até antidiabética pela medicina popular a Pfaffia jubata é citada para cólicas e enterites e a Pfaffia glomerata, o ginseng-do-pantanal, tem indicação popular para melhora da visão e memória. Segundo referencias encontradas por esses autores essas espécies já têm suas propriedades medicinais confirmadas com o isolamento de principio ativo de suas raízes.

Uma das notáveis e aparentes semelhanças entre a Pfaffia e as espéciés conhecidas com as plantas do gênero Panax.sp são o formato das raízes que na planta Ginseng ou Jen Sheng, a raiz celestial cujo nome significa literalmente erva-humana, tem forma semelhante à de uma figura humana, o que às vezes também ocorre nas Pfaffias. É nas raízes, contudo que concentram-se minerais, oligoelementos e os componente bioativos de ambos os gêneros.

Gosmann et al., 2003 [4] realizaram descrições morfológicas e micrográfica das principais características P. glomerata e P. paniculata. necessárias ao reconhecimento inequívoco destas principais espécies utilizadas.

Composição fitoquímica e indicações clínicas[editar | editar código-fonte]

Para Rates e Gosmann [5] as diferenças e o atual desconhecimento sobre o gênero Pfaffia.spp não permitem a substituição segura do ginseng (Panax.sp), bem como o uso indiscriminado das diversas espécies de Pfaffia como equivalentes. Seus estudos e outros [6] mostram a presença de compostos ecdisteróides em especial nas espécies mais estudadas (com avaliações pré clínicas) a P. paniculata e P. glomerata. Um dos efeitos comuns nessa duas espécies é a ação depressora (P. glomerta) / analgésica e anti-inflamatória (P. paniculata) sobre o sistema nervoso além dos efeitos adaptógenos, tônicos associados pelos que se sabe aos compostos ecdisteróides. Contudo a atividade anti-inflamatória potencial da P. glomerata como evidenciam outros experimentos [7] não pode ser descartada, tal como esperado e confirmado por seu uso tradicional onde já foi comparada e denominada como "dipirona".

Quanto constituintes químicos de raízes das espécies de Pfaffia já foram identificados: alantoína os já vistos ecdisteróides, ácido pfáffico e os seus glicósidos (saponinas nortriterpeno), estigmasterol e sitosterol. Gosmann et al., 2003 (o.c.). Ainda segundo esses autores o extrato etanólico das raízes de P. glomerata não apresentou atividade antiviral, antiproliferativa, antifúngica ou atividade inibitória de monoaminoxidases. Contudo é conhecido o estudo de Nishimoto et al ., 1984 [8] que mostrou que triterpenos e saponinas de P. paniculata possuem atividade antitumoral.

Pfaffias[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ginseng Brasileiro - PlantaMed Jan. 2011
  2. Pfaffia paniculata at Tropical Plant Database
  3. Mattos, Patrícia Póvoa; Salis, Suzana Maria Resultados Preliminares do Plantio do Ginseng-do-Pantanal (Pfaffia glomerata) no Pantanal. Corumbá, MS, Comunicado Técnico, 49. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Dez. 2005. em pdf Jan. 2011
  4. Gosmann, Grace et al. Botanical (morphological, micrographic), chemical and pharmacological characteristics of Pfaffia species (Amaranthaceae) native to South Brazil. Rev. Bras. Cienc. Farm. [online]. 2003, vol.39, n.2, pp. 141-147
  5. Rates, S.M.K.; Gosmann, G.Gênero Pfaffia: aspectos químicos, farmacológicos e implicações para o seu emprego terapêutico. Rev. bras. farmacogn. vol.12 no.2 Maringá jul./dez. 2002. PDF, Nov. 2012
  6. Flores, Rejane; Nicoloso, Fernando T.;Brondani, Daniela;Maldaner, Joseila; Cezarotto, Verciane; Giacomelli, Sandro R. Extração de ecdisterona em raízes de ginseng brasileiro. Ciência Rural, Santa Maria, v.39, n.4, p.1223-1226, jul, 2009 PDF Nov. 2012
  7. Neto A.G.; Costa, J.M.L.C.; Belati, C.C.; Vinholis, A.H.C.; Possebomc, L.S.; Da Silva Filho, A.A.; Cunha, W.R.; Carvalho, J.C.T.; Bastos J.K.;Silva, M.L.A. Analgesic and anti-inflammatory activity of a crude root extract of Pfaffia glomerata (Spreng) Pedersen. Journal of Ethnopharmacology 96 (2005) 87–91 PDF Nov. 2012
  8. Nishimoto, N.; Nakai, S.; TAKAGI, N.; HAYASHI, S.; Takemoto, T.; Odashima, S.; Kizu, H.; AMA, Y. Pfaffosides e saponinas nortriterpenoid de Pfaffia paniculata . Fitoquímica , v . 23, p. 139-142, 1984.