Giovanni Battista Libero Badarò

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O jornalista Libero Badarò.

Giovanni Battista Libero Badarò[1] (Laigueglia, 1798São Paulo, 21 de novembro de 1830) foi jornalista, político e médico italiano radicado no Brasil.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Líbero Badaró nasceu na Itália e mudou-se para o Brasil, no ano de 1826. No Brasil, naturalizou-se, radicou-se e veio a tornar-se um liberal, um liberalista, ou seja, um homem de princípios políticos em busca da liberdade dos cidadãos. Na Itália, ele havia frequentado as universidades de Turim e Pavia, onde formou-se em medicina. Ainda na Europa, publicou algumas obras técnicas, versando sobre fisiologia, zoologia e botânica.

Junto a outros médicos italianos, dentre os quais Cesare Zama de Faenza (pai do futuro tribuno César Zama, e que também teve um fim trágico), veio para o Brasil, em 1826. Em 1828 se radicou na cidade de São Paulo, onde clinicava e dava aulas gratuitas de matemática.

Defensor do liberalismo, fundou e redigia o jornal O Observador Constitucional, surgido em 1829, impresso na tipografia do O Farol Paulistano, a princípio sob a direção de Badarò e Luís Monteiro d'Ornelas e, depois de meados de 1830, sob a direção exclusiva do primeiro. O jornal liberal tinha feição moderada, como a que Evaristo da Veiga imprimia no Rio de Janeiro à Aurora Fluminense. Como esse, granjeara em pouco tempo grande divulgação, que lhe garantia a malquerença dos absolutistas.

Comentou os acontecimentos da revolução de 1830, em Paris, notícia chegada ao Rio de Janeiro em 14 de setembro; a Revolução dos Três Dias - em que Carlos X fora destronado em julho passado - exortando os brasileiros a seguirem o exemplo dos franceses. Em sua obra, Armitage diz: O choque foi elétrico. Muitos indivíduos no Rio, Bahia, Pernambuco e São Paulo iluminaram suas casas por esse motivo. Excitaram-se as esperanças dos liberais e o temor dos corcundas, e estas sensações se espalharam por todo o Império por meio dos periódicos.

Em São Paulo, os estudantes do Curso Jurídico tomaram a iniciativa. «Luminárias, bandas de música e mais demonstrações de alegria praticadas pelos habitantes de São Paulo pelo derrubamento do governo tirano e anticonstitucional da França», conforme parecer da Comissão de Constituição da Câmara (como consta de seus Anais, 1830, tomo II), assumiram para o ouvidor Cândido Ladislau Japiaçu feição de atos criminosos e o levaram a processar alguns manifestantes, de preferência jovens estudantes. O O Observador Constitucional abriu campanha em favor dos acusados e atacou Japiaçu, chamando-o Caligulazinho. A linguagem era viva e enérgica, mas não justificaria o desfecho violento.

Em 20 de novembro de 1830, às 10 horas da noite, quando voltava para sua casa, na rua de São José (mais tarde rua Líbero Badaró), sem perceber que era uma cilada, o jornalista foi interpelado por quatro alemães, a pretexto de lhe entregarem uma correspondência contra o ouvidor Japiaçu, porém recebeu deles, traiçoeiramente, uma carga de bacamarte, caindo mortalmente ferido.

Ao morrer pronunciou uma frase que celebrizou-se como símbolo da defesa da liberdade de imprensa:

O jornalista Libero Badarò no seu leito de morte, aquarela de Hércules Florence.
"Morro defendendo a liberdade", ou ainda: "Morre um liberal, mas não morre a liberdade".

O O Observador Constitucional dedicou o seu número de 26 de novembro à morte de seu criador: Morro defendendo a liberdade, disse ele em seus minutos finais. A repercussão em São Paulo foi imediata. A seu enterro compareceram 5 mil pessoas e mais de 800 tochas foram acesas, na sua tumba foram gravadas suas últimas palavras.

O principal responsável pelo ataque fora Henrique (ou Simão) Stock, alemão que se escondeu na casa do ouvidor. O povo, que queria justiça sumária, exigia a prisão de ambos. O alemão Stock foi preso, Japiaçu continuou ameaçado e pediu asilo a um coronel, entraram autoridades a concertar providências. A exaltação do povo continuou e o Conselho de Governo da Província mandou para o Rio o ouvidor que fora denunciado, sob escolta. O padre Diogo Antônio Feijó, como membro do Conselho, teve parte ativa nas deliberações e de sua iniciativa foram as principais medidas para a busca de punição para os culpados. O alemão Stock foi condenado pelo assassinato, mas Japiaçu, o Caligulazinho, foi inocentado.

D. Pedro I perdia prestígio com fatos como esse, que demonstravam sua postura autoritária, uma vez que a burguesia que o apoiou no processo de indepedência ansiava por se livrar do controle de Portugal.

No ano seguinte de 1831, com seu poder já fragilizado, Dom Pedro I abdicou da coroa, abandonando-a sobre a cama de seu filho e legítimo herdeiro, Dom Pedro II, e retornou para Portugal na companhia da madrasta do futuro imperador, que assumiu a coroa e se tornou o segundo imperador do Brasil, com apenas 14 anos de idade.

Sucederam-se os gabinetes, impopulares, muito embora com homens de valor por vezes; o príncipe, desde a dissolução do Ministério em 4 de dezembro de 1829, quando demitira o marquês de Barbacena, parecia incompatibilizado com o sistema constitucional. O assassinato de Libero Badarò tornou o ambiente mais propício aos liberais mais exaltados.[2] Homenageado em São Paulo com logradouro que leva seu nome, rua Líbero Badaró.

Nota[editar | editar código-fonte]

  1. É muito comum a versão aportuguesada Líbero Badaró.
  2. SECCO, Lincoln; DEAECTO, Marisa M, “A São Paulo de Libero Badaró”. Notícia Bibliográfica e Histórica. Campinas, abril-junho de 2003

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • SILVA, Joaquim. PENNA, J. B. Damasco, 1967, "História do Brasil", Cia. Editora Nacional, São Paulo.
  • AMARAL, Tancredo do, 1895, A História de São Paulo ensinada pela biographia dos seus vultos mais notáveis, Alves & Cia. Editores, 353 pp.

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