Giulio Alberoni

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Giulio Alberoni
Cardeal da Santa Igreja Romana
Bispo de Málaga,  Espanha

Título

Cardeal-presbítero de São Lourenço em Lucina
Ordenação e nomeação
Ordenação episcopal 18 de novembro de 1725, pelo Papa Bento XIII
Cardinalato
Criação 12 de julho de 1717, pelo Papa Clemente XI.
Brasão
Kardinalcoa.png
Dados pessoais
Nascimento Itália Fiorenzuola d'Arda, 30 de maio de 1664
Morte Piacenza, 26 de junho de 1752 (88 anos)
dados em catholic-hierarchy.org
Cardeais
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Giulio Alberoni (Fiorenzuola d'Arda, 30 de maio de 1664 - Piacenza, 26 de junho de 1752) foi um cardeal italiano e estadista a serviço de Filipe V da Espanha.

Juventude[editar | editar código-fonte]

Nasceu perto de Piacenza, provavelmente na vila de Fiorenzuola d'Arda, no Ducado de Parma.

Seu pai era um jardineiro, e Alberoni se tornou o primeiro membro da família a se relacionar com a Igreja na humilde posição de tocador de sinos e auxiliar na ordenação dos serviços religiosos, na Catedral de Piacenza. Tinha vinte e um anos, quando o juiz Ignazio Gardini, de Ravena, foi banido, e ele acompanhou Gardini até Ravena, onde se encontrou com o vice-legado Giorgio Barni, que se tornou bispo de Piacenza em 1688, e nomeou Alberoni camareiro para trabalhar em sua residência. Alberoni tomou as ordens sacerdotais, e depois acompanhou o filho de seu benfeitor até Roma.

Durante a Guerra da Sucessão Espanhola, o Duque de Parma enviou Alberoni para servir como secretário de Louis Joseph, duque de Vendôme, comandante das forças francesas na Itália. Quando essas forças retornaram em 1706, Alberoni acompanhou o duque até Paris, onde foi bem recebido por Luís XIV. Aquele padre, sem nenhum título eclesiástico, chegou a este cargo político devido às maneiras rudes do duque: o enviado anterior, o bispo de Parma, tinha se demitido porque o Duque limpou suas nádegas na frente dele. Saint-Simon, nas suas memórias, relata que Alberoni ganhou a simpatia de Vendôme, quando esta atitude se repetiu, porém, Alberoni reagiu habilmente ao beijar as nádegas do duque e gritar: "O culo di angelo!". O duque se divertiu, e esta brincadeira deu início à brilhante carreira de Alberoni.

Idade adulta[editar | editar código-fonte]

Em 1711 Alberoni acompanhou Vendôme até a Espanha como seu secretário. Foi muito atuante em promover a ascensão do candidato francês ao trono da Espanha, Filipe V. Dois anos depois, Vendôme morreu subitamente em Vinaròs, e Alberoni foi nomeado agente consular por Parma na corte de Filipe, onde era o favorito do rei, recebendo, ao mesmo tempo, o título de conde. Em sua chegada a Madri, conheceu a princesse des Ursins (Orsini, nascida de La Trémoille), uma das personalidades mais influentes da política espanhola do momento, e por um tempo, julgou oportuno usar sua influência para a realização de seus planos. Após a morte da rainha Maria Luísa de Saboia, Alberoni juntamente com La Trémoille, arranjou um casamento em 1714, entre o rei viúvo e Isabel Farnésio, filha do duque de Parma.

A influência da nova rainha foi totalmente exercida em prol de Alberoni (a princesse des Ursins foi expulsa da Espanha pela nova rainha), em menos de um ano recebeu o título de duque e grandeza da Espanha, um membro do conselho do rei, consagrado bispo de Málaga, e em 1715, primeiro-ministro, e foi proclamado cardeal pelo Papa Clemente XI, sob pressão da corte da Espanha, em julho de 1717. Sua vigorosa política interna mesclou as reformas econômicas de Colbert para Luís XIV, com alguns aspectos conservadores espanhóis: foi instituído um serviço regular de correio para as Américas, mas a escola de navegação que ele fundou era reservada para os filhos da nobreza. Através de uma série de decretos em 1717, Alberoni reduziu os poderes dos grandezas nos conselhos reais. Sua finalidade principal era produzir um renascimento econômico na Espanha, abolindo as alfândegas internas, abrindo o comércio das Índias e reorganizando as finanças ao longo das metas pré-estabelecidas pelo economista francês Jean Orry.

Com os recursos deste modo adquiridos, se comprometeu a capacitar Filipe V a realizar uma política externa ambiciosa para invalidar o Tratado de Utrecht, com o objetivo de contrariar os Habsburgos e recuperar as possessões espanholas na Itália, onde foi responsável pela invasão injustificada da Sardenha (novembro de 1717) e da Sicília (julho de 1718), apesar das promessas feitas ao Papa, enquanto pressionava as causas espanholas na França, com a Conspiração de Cellamare. Outro esquema extravagante de Alberoni foi a traçada restauração dos Stuarts ao trono britânico em duas expedições jacobitas à Escócia, na primavera de 1719. Ao provocar a Grã-Bretanha, a França, os Países Baixos e o Sacro Império para formar a Quádrupla Aliança, seu planos apressados e ambiciosos trouxeram uma enxurrada de desastres para a Espanha, pelos quais Alberoni foi responsabilizado. A França realizou uma invasão ao leste da Espanha, enquanto os britânicos tomavam com sucesso Vigo. Em 5 de dezembro de 1719, com Filipe V, tornando-se rapidamente o inimigo comum de toda a Europa, Alberoni foi condenado a deixar a Espanha, a própria Isabel tomou parte ativa na confecção do decreto de banimento.

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Alberoni foi para a Itália, escapou da prisão em Gênova, e teve de refugiar-se nos Apeninos, após o Papa Clemente XI, que era seu grande inimigo, ter dado ordens estritas para sua prisão. Com a morte de Clemente, em 1721, Alberoni corajosamente apareceu no conclave, e participou da eleição do Papa Inocêncio XIII, após o qual, foi por um curto período aprisionado pelo novo pontífice, por exigência da Espanha, mas foi inocentado de todas as acusações feitas por uma comissão de cardeais. Na eleição seguinte (1724) ele próprio foi proposto para a cadeira papal, e garantiu dez votos no conclave que elegeu o Papa Bento XIII.

O sucessor de Bento, o Papa Clemente XII (eleito em 1730), nomeou-o legado papal em Ravena, onde ergueu a Porta Alberoni (1739), um magnífico portal, que anteriormente dava acesso aos estaleiros da cidade, e que foi transferido para a entrada do Teatro Rasi. Naquele mesmo ano, as fortes e injustificáveis medidas adotadas para submeter a grã-república de San Marino aos Estados Pontifícios, ocasionaram a desaprovação do papa, e deixaram uma cicatriz na memória histórica daquele lugar.[1] Foi logo substituído por outro legado em 1740, e aposentou-se em Piacenza, onde em 1730, Clemente XII nomeou-o administrador do hospital de San Lazzaro, uma fundação medieval para o tratamento de leprosos. Uma vez que a lepra tinha quase que desaparecido da Itália, Alberoni obteve o consentimento do papa para desativar o hospital, que estava em grande desordem, e substituí-lo por um seminário para a formação sacerdotal de setenta meninos pobres, sob o nome do Collegio Alberoni, que existe até hoje. As coleções de arte reunidas pelo cardeal em Roma e Piacenza, abrigadas em seus apartamentos privados ricamente decorados, foram aumentadas pelo Collegio. Há suítes notáveis de tapeçarias flamengas e pinturas, entre as quais a mais famosa é a Ecce Homo por Antonello da Messina (1473), mas que também incluem painéis de Jan Provoost e outros artistas flamengos, pinturas a óleo de Domenico Maria Viani e Francesco Solimena.

Alberoni foi um gourmet. Intercalados em sua correspondência oficial com Parma estão pedidos de iguarias locais: triffole (trufas), salame, queijos robiola, e agnolini (tipo de massa). O prato de carne de porco, "Coppa del Cardinale", uma especialidade de Piacenza, recebe este nome em sua homenagem. Um "Timballo Alberoni" combina macarrão, molho de camarão, cogumelos, manteiga e queijo.

Morte e legado[editar | editar código-fonte]

Morreu deixando uma quantia em dinheiro de 600.000 ducados para serem doados ao seminário que fundou, e o restante da imensa riqueza que adquiriu na Espanha, a seu sobrinho. Alberoni deixou uma grande quantidade de manuscritos. A autenticidade do Testamento Político, publicado em seu nome, em Lausane em 1753, tem sido questionada.

Notas e referências

Wikisource  "Alberoni, Giulio". Encyclopædia Britannica (11th). (1911). Ed. Chisholm, Hugh. Cambridge University Press. 

  • Cardinal of Spain: the Life and Strange Career of Giulio Alberoni. Nova Iorque: Knopf, 1955.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]