Giuseppe Meazza

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Giuseppe Meazza
Giuseppe Meazza 1935.jpg
Meazza em 1935
Informações pessoais
Nome completo Giuseppe Meazza
Data de nasc. 23 de agosto de 1910
Local de nasc. Milão, Flag of Italy (1861-1946).svg Reino de Itália
Falecido em 21 de agosto de 1979 (68 anos)
Local da morte Rapallo,  Itália
Informações profissionais
Período em atividade Como Jogador: 1927-1947 (20 anos)
Como Treinador: 1946-1958 (14 anos)
Posição Treinador, meia e atacante
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos)
19271940
19401942
19421943
1944
19451946
19461947
Total
Flag of Italy (1861-1946).svg Internazionale
Flag of Italy (1861-1946).svg Milan
Flag of Italy (1861-1946).svg Juventus
Flag of Italy (1861-1946).svg Varese
Itália Atalanta
Itália Internazionale
00391 00(282)
00042 000(11)
00027 000(10)
00020 0000(7)
00014 0000(2)
00017 0000(2)
00511 00(314)
Seleção nacional
19301939 Flag of Italy (1861-1946).svg Itália 00053 000(33)
Times que treinou
1946
19461948
19481949
19491951
19521953
19551956
1958
Itália Atalanta
Itália Internazionale
Turquia Beşiktaş
Itália Pro Patria
Flag of Italy.svg Itália
Itália Internazionale
Itália Internazionale

Giuseppe Meazza (Milão, 23 de agosto de 1910 - Rapallo, 21 de Agosto de 1979) foi um futebolista italiano, considerado um dos melhores daquele país.

Com a Seleção Italiana foi campeão mundial em 1934 e 1938.

Meazza jogou nos três maiores clubes italianos, o que inclui os dois de sua cidade-natal, Internazionale e Milan, além da Juventus, de Turim. Mesmo tendo passado por estes dois últimos times, os maiores rivais da Inter, tem sua imagem clubística mais apegada à equipe azul e preta. O estádio da cidade de Milão leva oficialmente o seu nome.

Marcou época também por suas fintas; sua jogada característica era provocar os goleiros adversários quando ficava sozinho de frente para eles, chamando-os em sua direção, para driblá-los e completar para o gol vazio.[1] O tempo em que jogou costuma ser referido como "os anos Meazza" pelos italianos.[1]

Carreira em clubes[editar | editar código-fonte]

Um símbolo na Inter[editar | editar código-fonte]

Aos dezessete anos, começou a carreira, na Internazionale. Logo o centroavante firmou-se como titular,[1] e ficaria na equipe nerazzurra até 1940. No período, ganhou três campeonatos italianos, os três primeiros da Inter, que desde 1929 tivera de chamar-se Ambrosiana: por pressão fascista, que via no nome do clube uma possível referência à Internacional Comunista, alterou-se o nome.

A partir de 1931, uma nova mudança fez o clube chamar-se Ambrosiana-Inter. Os gols do baixinho Meazza (media 1,69 m [1] ) foram fundamentais especialmente nas duas primeiras conquistas, em que ele foi o artilheiro da Serie A. Faturou também a Copa da Itália em 1939.

Após a conquista do terceiro título italiano, em 1940, Meazza deixou a Ambrosiana-Inter. Lesões lhe tiravam o espaço da equipe desde a temporada anterior.

Em outras equipes[editar | editar código-fonte]

Deixou a equipe, mas não saiu de Milão, uma vez que se transferiu para o arquirrival Milan, então chamado Milano também por orientação fascista, que pregava o nacionalismo da língua italiana. Meazza foi rossonero por duas temporadas, mas não conseguiu títulos: no máximo, um vice na Copa da Itália de 1942, perdida contra um antigo rival dos tempos de Inter, a Juventus.

Para a própria Juventus iria em seguida, ficando a temporada de 1942/43 na equipe bianconera, conseguindo razoáveis 10 gols em 27 partidas do campeonato italiano, mas sem conquistá-lo. No ano de 1944, jogou por uma equipe dos arredores de Milão, o Varese, onde manteve a média de gols. A temporada 1945/46 o viu novamente vestir um uniforme nerazzurro, mas o da Atalanta, onde já demonstrou sinais de decadência. Atuou simultaneamente como jogador e técnico da equipe de Bérgamo.

A temporada seguinte, a de 1946/47, foi a sua última, jogando novamente pela sua querida Internazionale, que recuperara o nome original após a queda do fascismo na Segunda Guerra Mundial. Também atuou como técnico, permanecendo exclusivamente na nova função até a temporada seguinte.

Seleção Italiana[editar | editar código-fonte]

Meazza estreou pela Itália em 1930, logo marcando dois gols, na partida contra a Suíça.[1] Eles seriam essenciais em sua afirmação, pois o técnico Vittorio Pozzo o escalara no lugar de Attila Sallustro, ídolo do Napoli, fazendo com que três mil napolitanos indignados se prestassem a ir a Roma ver a partida apenas para vaiar o novato toda vez que ele tocasse na bola.[2] Após sair perdendo por 0 x 2, os italianos viraram a partida com Meazza marcando os dois últimos gols.[2]

Em 1933, o até então centroavante Meazza foi recuado por Pozzo para a posição de meia,[1] ideia que se mostrou produtiva: na Copa do Mundo de 1934, a primeira jogada pela Azzurra, que também foi a anfitriã, o país foi campeão com Meazza no meio e o artilheiro Angelo Schiavio na frente.[1]

Mesmo recuado, anotou duas vezes na Copa: na estreia, em que os italianos massacraram por 7 x 1 os Estados Unidos; e no jogo-desempate das quartas-de-final, contra a forte Espanha. A partida extra era a regra prevista na época para decidir jogos empatados após prorrogação: no primeiro jogo contra os espanhóis, o resultado em 1 x 1 prolongou-se até o fim dos 120 minutos, sendo bastante extenuante para Meazza, que desmaiou após a partida.[3]

Mesmo saído carregado, voltou a campo no dia seguinte, quando realizou-se o jogo-desempate. E foi dele o gol salvador, em cabeçada indefensável para o goleiro Joan Josep Nogués,[4] em lance de muita malandragem: embora não lhe faltasse impulsão apesar da baixa estatura, apoiou-se nas costas de um colega para conseguir cabecear.[1] O gol foi o único da nova partida, permitindo aos italianos avançar no torneio.

Naquele mesmo ano, os italianos foram convidados pela Seleção Inglesa para um embate. Isto fazia parte da mentalidade inglesa: a seleção recusava-se a jogar mundiais, proclamando-se a melhor do mundo e convidando adversários que se declarassem os melhores. Os britânicos abriram 3 x 0 no primeiro tempo. No segundo, Meazza, mesmo em um gramado lamaçento ocasionado pela chuva no estádio de Highbury, diminuiu a contagem para 3 x 2, só não empatando por causa da trave.[1]

Quatro anos depois, participava da segunda Copa da Seleção Italiana, agora como capitão do elenco. No mundial de 1938, Meazza marcou um único gol, de pênalti: foi nas semifinais, contra o Brasil, convertendo a famosa penalidade ocasionada pela falta de Domingos da Guia em Silvio Piola mesmo com um curioso contratempo: quando estava pronto para chutar, o cordão que segurava sua calça rompeu-se. Como não havia tempo para trocá-lo, Meazza cobrou o pênalti segurando o calção com a mão direita, desejaitado, para os risos da plateia.[5]

Posteriormente, na vitoriosa final contra os húngaros, era, ao lado de seu colega de Ambrosiana-Inter Giovanni Ferrari, um dos dois únicos remanescentes dos jogadores que participaram da final de 1934. Teve participação decisiva no segundo gol italiano: recebeu a bola do próprio Ferrari na grande área, fintou seu marcador e serviu para Silvio Piola, da marca do pênalti, marcar.[6]

A atuação acabaria manchada para o público, após o fim do jogo: antes e depois de receber a Taça Jules Rimet do então presidente da França, Albert Lebrun, Meazza fez a saudação fascista, não se intimidando com as vaias do estádio. Até hoje, é o único capitão da equipe campeã de uma Copa que foi vaiado ao receber o troféu.[7] A Azzurra já havia escandalizado os franceses quando enfrentou a própria Seleção Francesa, nas quartas-de-final: como a anfitriã França também usa azul, a Itália jogou com seu uniforme secundário, utilizando vestimentas pretas, a cor-símbolo do fascismo. Na ocasião, Meazza e os demais jogadores ainda cumprimentaram as tribunas com a saudação fascista antes da partida, também recebendo assobios da torcida.[8]

Meazza fez sua última partida pela Itália no ano seguinte. Despediu-se como o maior artilheiro da Azzurra, com 33 gols, só tendo sido superado posteriormente por Luigi Riva.[1]

Túmulo de Meazza.

Após parar[editar | editar código-fonte]

Ele, que tivera experiências como treinador no final da carreira de futebolista, seguiu por um tempo na nova função, chegando a treinar a Seleção Italiana e a equipe turca do Beşiktaş. Foi um dos primeiros italianos a treinar equipes estrangeiras.

Meazza faleceu em 1979, a dois dias de completar 69 anos. O Estádio San Siro, de Milão, foi imediatamente rebatizado Stadio Giuseppe Meazza, em homenagem justa a um dos maiores jogadores italianos da primeira metade do século XX e um dos mais célebres a ter jogado nas duas grandes equipes da cidade, onde ele também nasceu. Ainda assim, por ter se destacado mais na Inter, é pela torcida interista que o estádio é mais comumente chamado pelo nome oficial. Os milanistas em geral ainda preferem usar o nome "San Siro" para referir-se ao estádio.[9]

Estatísticas[editar | editar código-fonte]

Abaixo estão as estatísticas do Giuseppe Meazza ao longo de toda a sua carreira.

Clubes[editar | editar código-fonte]

[10] [11] [12]

Clube Temporada Campeonato
italiano
Copa
da itália
Competições
europeias¹
Total
Jogos Gols Jogos Gols Jogos Gols Jogos Gols
Itália Internazionale 192728 33 12 32 12
192829 29 33 29 33
192930 33 31 33 31
193031 34 24 6 7 40 31
193132 28 21 28 21
193233 32 20 32 20
193334 32 21 6 5 38 26
193435 30 19 2 3 32 22
193536 29 25 2 1 2 2 33 28
193637 26 11 4 3 6 10 36 24
193738 26 20 4 8 30 28
193839 16 4 6 0 4 2 26 6
193940 1 0 1 0
Total 348 241 16 12 27 29 391 282
Itália Milan 194041 14 6 1 0 15 6
194142 23 3 4 2 27 5
Total 37 9 5 2 42 11
Itália Juventus 194243 27 10 27 10
Total 27 10 27 10
Itália Varese 1944 20 7 20 7
Total 20 7 20 7
Itália Atalanta 194546 14 2 14 2
Total 14 2 14 2
Itália Internazionale 194647 17 2 17 2
Total 17 2 17 2
Total na Carreira 463 271 21 14 27 29 511 314

¹Na categoria Competições europeias estão incluidos jogos da Copa Mitropa

Seleção Italiana[editar | editar código-fonte]

Ano
Jogos Gols
1930 5 6
1931 6 5
1932 4 2
1933 5 5
1934 9 7
1935 3 2
1936 4 2
1937 5 1
1938 6 3
1939 6 0
Total 53 33

Títulos[editar | editar código-fonte]

Internazionale
Seleção Italiana

Artilharias[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j "O baixinho italiano", Especial Placar - Os Craques do Século, novembro de 1999, Editora Abril, pág. 99
  2. a b Leonardo Bertozzi (23/08/2010). Meazza 100 Anos Trivela. Página visitada em 23/08/2010.
  3. "Equilíbrio total", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 2 - 1934 Itália, outubro de 2005, Editora Abril, pág. 35
  4. "Escalação estranha", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 2 - 1934 Itália, outubro de 2005, Editora Abril, pág. 35
  5. "Derrota amarga", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 3 - 1938 França, novembro de 2005, Editora Abril, pág. 38
  6. "Os gols da final", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 3 - 1938 França, novembro de 2005, Editora Abril, pág. 41
  7. "Vaias para o capitão", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 3 - 1938 França, novembro de 2005, Editora Abril, pág. 43
  8. "Fascistas", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 3 - 1938 França, novembro de 2005, Editora Abril, pág. 36
  9. "Nome composto", Fernanda C. Massarotto, Placar número 1324, novembro de 2009, Editora Abril, pág. 103
  10. Estatísticas do Giuseppe Meazza - Inter.it.
  11. http://www.enciclopediadelcalcio.it/Meazza.html
  12. http://www.myjuve.it/giocatori-juventus/giuseppe-meazza-258.aspx