Goa

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Goa
Goa in India (disputed hatched).svg
Localização do estado de Goa na Índia
Capital Pangim
15° 29′ 35″ N, 73° 49′ 05″ E
Cidade principal Vasco da Gama
Idioma oficial concani [1] [2]
Governador Bharat Vir Wanchoo
Ministro Chefe Manohar Parrikar
Poder legislativo:
 • Tipo
 • Membros

Unicameral
40
Formado em 30 de maio de 1987
Área 3.702 km²
População (2011) 1.457.723
Densidade demográfica 394 hab./km²
Total de distritos 2
Fuso horário UTC +5:30
ISO 3166-2 IN-GA
Website goa.gov.in

Goa (concani गोंय, Goem) é um estado da Índia. Situa-se entre Maharashtra a norte e Karnataka a leste e sul, na costa do Mar da Arábia, a cerca de 400 km a sul de Bombaim. É o menor dos estados indianos em território e quarto menor em população, e o mais rico em PIB per capita da Índia.

A sua língua oficial é o concani[1] [2] , mas ainda existem pessoas neste estado que falam português, devido ao domínio de Portugal na região por mais de 400 anos. As suas principais cidades são Vasco da Gama, Pangim, Margão e Mapuçá. Goa, a partir de 1510, foi a capital do Estado Português da Índia, tendo sido integrada à Índia após ser tomada pelo exército indiano em 1961 derrotando as exíguas forças militares portuguesas presentes.

As suas igrejas e conventos encontram-se classificadas como Património da Humanidade pela UNESCO.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A primeira referência a Goa data de cerca de 2200 a.C., em escrita cuneiforme da Suméria, onde é chamada Gubio. Formada por povos de diferentes etnias da Índia, a influência dos sumérios aparece no primeiro sistema de medidas da região.

Por volta de 1775 a.C. os fenícios estabeleceram-se em Goa.

No período védico tardio (1000-500 a.C.) é chamada, em sânscrito, Gomantak, que significa "terra semelhante ao paraíso, fértil e com águas boas". O Mahabharata conta que os primeiros arianos que chegaram a Goa eram fugitivos da extinção, pela seca, do rio Saraswati, noventa e seis famílias que chegaram por volta de 1000 a.C. A eles se uniram os Kundbis vindos do sul, para, durante 250 anos, resgatar solo do mar, aumentando o espaço fértil entre este e as montanhas.

Cerca de 200 a.C. Goa tornou-se a fronteira sul do império de Ashoka: os dravidianos tinham sido empurrados para o sul pelos arianos, como refere a Geografia de Estrabão. Por volta de 530-550, Goa é citada como um dos melhores portos do Industão, sendo chamada de Sindabur, Chandrapur ou Buvah-Sindabur pelos árabes e turcos.

Depois do Império Máuria (321-185 a.C.) Goa foi disputada por vários impérios em batalhas sangrentas. Por volta do século X Goa, então concentrada em torno do rio Zuari, prosperou pelo comércio com os árabes. Em 1347 caiu sob domínio islâmico do Sultanato de Déli, e muitos templos a deuses hindus foram destruídos. Em 1370 o território foi conquistado pelo Reino de Bisnaga, que dominou a região até 1469, quando foi conquistada pelo Sultanato de Bahmani, do qual se separou em 1489 o Sultanato de Bijapur, que pôs a zona na suas mãos, e estabeleceu como sua capital auxiliar a Velha Goa.

Presença portuguesa[editar | editar código-fonte]

Vista de Goa em 1509, in Braun e Hogenberg, 1600
Capela de Santa Catarina, erguida durante a ocupação portuguesa. Não confundir com a Sé de Santa Catarina, de maiores dimensões, também em Goa Velha.

Goa foi cobiçada por ser o melhor porto comercial da região. A primeira investida portuguesa deu-se em 1510, de 4 de Março a 20 de Maio. Nesse mesmo ano, em uma segunda expedição, a 25 de Novembro, Afonso de Albuquerque, auxiliado pelo corsário hindu Timoja, tomou Goa aos árabes, que se renderam sem combate, por o sultão se achar em guerra com o Decão. Nesse período, um cronista português descreve Goa, no período de 1512-1515:

Mapa de Goa, in Histoire générale des Voyages, de la Harpe, 1750
"Os gentios do reino de Goa são mais válidos que os do reino de Cambaia. Têm formosos templos seus neste reino, têm sacerdotes ou brâmanes de muitas maneiras. Há entre estes brâmanes gerações muito honradas deles, não comem coisa que tivesse sangue nem coisa feita por mão de outrem (…). As gentes do reino de Goa por nenhum tormento não confessarão coisa que façam. Sofrem grandemente e soem ser atormentados de diversos tormentos. Antes morrem que confessar o que determinaram calar. E as mulheres de Goa são jeitosas no vestir, as que dançam e volteiam o fazem com melhor maneira que todas as destas partes. (…) E costuma-se grandemente neste reino de Goa, toda mulher de gentio queimar-se por morte de seu marido. Entre si têm todos isto em apreço e os parentes dela ficam desonrados quando se não querem queimar e eles com admoestações as fazem queimar. As que de má mente recebem o sacrifício e as que de todo ponto não se queimam ficam públicas fornicárias e ganham para as despesas e fábricas dos templos donde são freguesas. Este gentios têm cada um uma mulher por ordenança, e muitos brâmanes prometem castidade e sustêm-na sempre. Nos outros portos de Goa se carrega muito arroz, sal, bétele, areca." (A 'Suma Oriental' de Tomé Pires. Ed. Armando Cortesão, 1978. p. 212-218.)

Uma outra descrição coeva fornece maiores detalhes:

"[Goa] é habitada de muitos mouros honrados, muitos deles estrangeiros de muitas partidas. Eram homens brancos, entre os quais, além de muito ricos mercadores que aí havia, eram outros lavradores. A terra por ser muito bom porto, era de grade trato, onde vinham muitas naus de Meca e da cidade de Adem, Ormuz, de Cambaia e do Malabar (…). É a cidade mui grande, de boas casas, bem cercada de fortes muros, torres e cubelos; ao redor dela muitas hortas e pomares, com muitas formosas árvores e tanques de boa água com mesquitas e casas de oração de gentios. A terra é toda arredor muito aproveitada (…). Neste porto de Goa há grande trato de muitas mercadorias de todo o Malabar, Chaul e Dabul, do grande reino de Cambaia, que se gastam para a terra firme. Do reino de Ormuz vem aqui cada ano muitas naus carregadas de cavalos, os quais vêm aqui comprar muitas mercadorias do grande reino de Narsinga e Daquem, e compram cada um a duzentos e trezentos cruzados e segundo é, e vão-nos a vender aos reis e senhores aqui das suas terras, e, todos, uns e outros, ganham nisso muito e assim el-rei nosso senhor, que de cada cavalo tem quarenta cruzados de direitos." (Livro que dá relação do que viu e ouviu no Oriente Duarte Barbosa. Lisboa: Ed. Augusto Reis Machado, 1946. p. 89-91.)

Com a derrota dos muçulmanos da região, em 1553 um quinto dela estava sob domínio português, recebendo o nome de «Velhas Conquistas». Os governadores portugueses da cidade pretendiam que fosse uma extensão de Lisboa no Oriente e para tal criaram algumas instituições e construíram-se várias Igrejas para expandir o cristianismo e fortificações para a defender de ataques externos.

Armas de Goa (1675)

A partir de meados do século XVIII verifica-se um alargamento dos territórios de Goa, que passam a integrar as «Novas Conquistas».

Apesar de, com a chegada da Inquisição (15601812), muitos dos residentes locais terem sido convertidos violentamente ao Cristianismo ameaçados com castigos ou confisco de terra, títulos ou propriedades, a maior parte das conversões foram voluntárias tendo muitos dos missionários que aí pregaram alcançado fama. Entre estes conta-se São Francisco Xavier, que ficou conhecido como o "Apóstolo das Índias" por ter exercido a sua missionação não só em Goa, mas também noutros pontos da Índia, como Uvari que não se encontravam sob domínio Português.

A decadência do porto no século XVII foi consequência das derrotas militares dos portugueses para a Companhia Neerlandesa das Índias Orientais dos Países Baixos no Oriente, tornando o Brasil e, mais tarde, no século XIX, as colónias africanas, o centro econômico de Portugal. Houve dois curtos períodos de dominação britânica (1797-1798 e 1802-1813) e poucas outras ameaças externas após este período.

Durante o domínio britânico na Índia, muitos habitantes de Goa emigraram para Mumbai, Calcutá, Puna, Karachi e outras cidades. O isolamento de Goa diminuiu com a construção das vias férreas a partir de 1881, mas a emigração em busca de melhores oportunidades económicas aumentou.

Em 1842 foi fundada a Escola Médico-Cirúrgica de Goa que formou médicos que viriam a exercer em todo o Império Português.

Em 1900 Goa teve seu primeiro jornal bilingue gujarati-português.

A independência da Índia[editar | editar código-fonte]

Câmara Municipal de Margão, segunda maior cidade da região.
Arquitetura residencial tradicional de Goa, visivelmente influenciada pela presença portuguesa por mais de quatrocentos anos.

No contexto da descolonização, após os Ingleses terem deixado a Índia (1947) e os Franceses Pondicherry (1954), o governo português, liderado por António de Oliveira Salazar, recusou-se a negociar com a Índia. Por essa razão, de 18 para 19 de dezembro de 1961 uma força indiana de 40.000 soldados conquistou Goa, encontrando pouca resistência. À época, o Conselho de Segurança das Nações Unidas considerou uma resolução que condenava a invasão, o que foi vetado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. A maioria das nações reconheceram a ação da Índia, mas Portugal apenas a reconheceu após a Revolução dos Cravos, em 1974.

A ação missionária em Goa[editar | editar código-fonte]

Goa destacou-se por ter sido sede de duas grandes ações civilizadoras portuguesas no Oriente: a religiosa e a educacional. Foi considerada a "Roma do Oriente", erigida em Sé Metropolitana das dioceses de Moçambique, Ormuz, Cochim, Meliapor, Malaca, Nanquim e Pequim na China, e Funay no Japão, a partir de 4 de Fevereiro de 1557. Dali partiram para o apostolado os grandes vultos do catolicismo português no Oriente, como São Francisco Xavier e São João de Brito.

No que tange à ação educacional, em Goa foram erguidas inúmeras escolas e liceus, uma escola médica e institutos profissionais e técnicos. Vultos das letras portuguesas como o poeta Luís Vaz de Camões ("Os Lusíadas"), Garcia de Orta ("Colóquios dos Simples e Drogas da India") e Manuel Maria Barbosa du Bocage, ali redigiram parte das suas obras.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

Damão e Diu desde o início, e muito mais tarde também Dadrá e Nagar-Aveli, ficaram ligados a Goa, sob o nome de Estado da Índia Portuguesa, ligados não só pela Administração, com centro em Goa, mas também por outros sentimentos, porém separados por cerca de 700 e 1500 km. Logo após a integração na Índia estiveram ainda ligados a Goa, porém, quando esta se tornou um Estado dentro da República da Índia, Damão e Diu passaram a ser administrados directamente pelo Governo Central da Índia, sob o nome de Território da União de Damão e Diu (Union Territory Of Daman & Diu). Dadrá e Nagar-Aveli, integrados alguns anos antes na Índia (1954), formam um território à parte.

Clima e geografia[editar | editar código-fonte]

Talukas de Goa. Talukas em verde pertencem ao distrito do Norte de Goa, e os de laranja ao distrito do Sul de Goa.

Com uma área de 3702 quilómetros quadrados, seu território se estende pelo Concão (a costa oeste indiana) por 101 quilômetros de litoral, e, mais ao interior, encontram-se as montanhas chamadas Gates Ocidentais, cuja maior elevação é o monte Songosor, de 1167 metros. O Mandovi, o Zuari, o Terekhol, o Rio Chapora e o Rio Sal são os principais rios de Goa. Goa tem mais que quarenta ilhas estuarinas, oito ilhas marinhas e dezenove ilhas de rio.

Goa, estando na zona tropical e na costa do Mar Arábico, tem um clima quente e húmido em quase todo o ano. O mês de maio é o mais quente, com temperaturas de aproximadamente 35 °C, aliadas a altas humidades. As chuvas de monção chegam no começo de junho e representam um alívio no calor forte do período. Essas chuvas duram até setembro. Goa tem, ainda, uma pequena estação fresca entre o meio de dezembro e fevereiro. Estes meses têm noites com temperaturas de 20 °C e dias quentes com 29 °C aproximadamente, com moderadas rajadas de chuva.

Subdivisões de Goa[editar | editar código-fonte]

O estado é atualmente dividido em dois distritos:

Pangim (ou Panaji) é, simultaneamente, a capital do estado e do distrito de Goa Norte, enquanto que Margão é a capital do distrito de Goa Sul. Ambos os distritos são governados por um governador nomeado pelo governo indiano.

Os distritos ainda são divididos em concelhos ou talukas (ou tehsil).

Património edificado[editar | editar código-fonte]

A Sé Catedral de Santa Catarina, na velha Goa, exemplo da arquitectura portuguesa.
Igreja da Nossa Senhora da Imaculada Conceição.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

VARELA GOMES, Paulo, «Whitewash, Red Stone. A History of Church Architecture in Goa», YODA PRESS, New Delhi, 2011.

Idiomas[editar | editar código-fonte]

O idioma oficial de Goa é a língua concani.[1] [2] Depois de Portugal ter perdido o controlo sobre Goa, o concani e a língua marata passaram a ser os idiomas mais falados no estado. O concani, no estado, é o idioma primordial; depois, vêm a língua marata[1] [2] e a língua inglesa[1] [2] que são usadas para propósitos educacionais, oficiais e literários. Outras línguas incluem a língua hindi, a língua portuguesa e a língua canaresa.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Um templo hindu em Goa.

O gentílico de Goa é o goês ou a goesa na língua portuguesa, Goenkar em concani e Govekar na língua marata. Goa tem uma população de 1,344 milhões de habitantes, o que o torna o quarto menor estado indiano em relação à habitação (depois somente dos estados de Siquim, Mizoram e Arunachal Pradesh). A população tem crescido 14,9% por década e há 363 pessoas para cada quilômetro quadrado de sua superfície total. 49,77% de sua população vive em áreas urbanas. O sex ratio do estado é de 960 mulheres para 1000 homens.

O hinduísmo (65,8%), o cristianismo (26,7%) e o Islamismo (6,8%) são as três maiores religiões goesas. O Catolicismo Romano atingiu Goa quando Portugal controlava o estado, sendo que a Inquisição fez com que muitos se tornassem católicos. Há ainda uma pequena comunidade judaica em Goa.

As maiores cidades do estado são Vasco da Gama (Goa), Margão, Pangim, Mormugão e Mapuçá.

Personalidades nascidas em Goa[editar | editar código-fonte]

Cultura pop[editar | editar código-fonte]

Goa é considerada o berço do "psy trance" (abreviação de "psychedelic progressive trance"), em especial, a variedade "Goa trance"[carece de fontes?].

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Imagem: Igrejas e Conventos de Goa O Estado de Goa inclui o sítio Igrejas e Conventos de Goa, Património Mundial da UNESCO. Welterbe.svg
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