Godos da Escandinávia

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Os GötasGeatas, Gautas ou Godos da Escandinávia, é o nome de uma tribo germânica que habitou a região histórica da Götaland, tendo como base territorial as províncias históricas da Västergötland e da Östergötland, unidas pelo Lago Vänern.1

O nome sueco deste povo é Götar ou Göter, derivado do Nórdico Antigo Gautar. Apesar da semelhança das palavras, não há motivos históricos conhecidos para associar os Götas da Suécia aos Godos da Europa Continental. 2

Todavia há um mito cultivado desde a Idade Média até ao séc. XIX, segundo o qual os Godos seriam originários da região histórica da Götaland e da Ilha da Gotland. 3 Igualmente, foi objeto de mito a biografia fantasiosa do lendário rei Beowulf, protagonista do poema anglo-saxão homônimo, apresentado como membro da tribo dos Geats. 4

Suécia no séc XII, antes da incorporação da Finlândia durante o  séc XIII
  Godos da Escandinávia
  Suiones 
  A ilha de Gotlândia
  A cultura Wielbark, no início do  séc III 
  A cultura Chernyakhov, no início do  séc IV 
A Suécia após o Tratado de Roskilde, 1658.
  Domínios alemães

Índice

[editar] História

[editar] Era Viking

No Heimskringla, Snorri Sturluson descreve diversas batalhas ocorridas durante o século IX entre os noruegueses, comandada pelo rei Haraldo I da Noruega, e os Geats, que tiveram que lutar sem a ajuda do rei sueco Erik IV Anundsson. nota 1 Ele também escreveu sobre a expedição em Götaland de Haakon I da Noruega, na batalha de Haroldo I da Dinamarca contra Jarl Ottar nota 2 de Östergötland nota 3 e as batalhas de o Olavo II da Noruega, o Santo, contra os Geats durante a guerra contra Olavo III (995-1022). nota 4

[editar] Idade Média

Os Geats eram, tradicionalmente, divididos em pequenos reinos sem importância, que tinham suas próprias assembléias populares independentes e suas leis. O maior desses distritos era Västergötland, e que era onde deu-se o maior dos redutos ou centros de reuniões dos Geats, que tinha seu corpo de decisão, formado dentre os cidadãos, renovado a cada ano em Skara.

Ao contrário Suiones, que se organizaram em centenas, os Geats se dividiam, a exemplo dos noruegueses e dinamarqueses, em pequenos grupos. Surpreendentemente, ele seria (o nome "Geat") que se tornaria comum no reino sueco. Esta possibilidade é relacionada com o fato de que vários reis suecos na idade média, provinha, dos Geats e que viviam, por vezes, principalmente em Götaland.

No século XI, a dinastia sueca Casa de Munsö foi extinta com Edmundo, o Velho. Surgiu a Casa de Stenkil com a eleição de Stenkil, um Geat, Rei da Suécia, os Geats tornam-se então um grupo ainda mais influente no reino nascente da Suécia, agora como um reino cristão. No entanto, esta eleição mergulhou o reino em conflitos entre cristãos e pagãos, entre Geats e Suiones. Os Geats tendiam cada vez mais para o cristianismo, e os suiones pendiam para o retorno ao paganismo, isto se dava porque o rei cristão Ingo I da Suécia fugiu para Västergötland, quando ele foi derrubado e substituído no trono por Blot-Sven, um rei mais favorável o paganismo nórdico, no início de 1080. Inge I retornou para retomar o trono e reinou até à sua morte por volta de 1100.

Os Geats não foram tratados como iguais pelos Suiones. Em seu Gesta Danorum (livro 13), do século XII, o cronista dinamarquês Saxo Grammaticus relata que eles não foram levados em conta ao escolher um rei, apenas os Suiones foram quemo escolheram. Quando a lei Gauta Ocidental ou Västgötalagen foi transcrita para o papel no século XIII, fora recordado que os Geats haviam aceitado a eleição dos Suiones conforme mencionado na Pedra de Mora. nota 5

A distinção entre Geats e Suiones foi mantida durante Idade Média, mas os Geats passaram a ter uma crescente importância nas reivindicações de grandeza nacional no Reino Sueco, motivada, supostamente, pela antiga conexão dos Geats com os godos. Acredita-se, historicamente, que godos e Geats tinham uma mesma tribo originária, e os Geats faziam parte do Reino da Suécia, isto significa que os suecos tinham derrotado o Império Romano. A primeira menção desta avaliação surgiu no Concílio de Basiléia, em 1434, durante o qual, a delegação sueca discutiu com os espanhóis sobre quem, entre eles eram os autênticos godos. Os espanhóis argumentaram que era melhor ser descendente dos visigodos que de seus parentes que permaneceram na Escandinávia.

[editar] Idade Moderna

Após o século XV e a União de Kalmar, os Geats e Suiones começaram a se ver [em conjunto] como uma nação, o que se refletiu no uso de "svensk" como um topônimo comum e que tornou-se, originalmente, um adjetivo usado para se referir àqueles pertencentes às tribos suecas, que se autodenominavam swear. nota 6 . Desde o início de seu emprego no século IX, o termo "swear” (jurar) era impreciso já que era usado quando em referência às tribos suecas originais e às vezes era empregado como um termo coletivo com o qual se incluia também os Geats, e neste último caso, no trabalho de Adão de Bremen, os Geats aparecem comouma nação própria, a qual fazia parte do reino sueco.

No entanto, a assimilação das duas nações levou um longo tempo. No início do século XX, a enciclopédia “Nordisk familjebok” mencionava que a palavra "svensk" havia quase substituido a palavra "Svear" usada para nomear o povo sueco.

[editar] Informações contíguas

Sobre a tradução do poema épico Beowulf, os Geats foram confundidos, em vários momentos, com os jutos da Dinamarca. Embora o mesmo poema faz uma distinção entre os jutos aos quais Beowulf ia acudir, na primeira parte [do poema] e os Geats. Destes últimos [os Geats] era originário o herói épico e a eles se encontra ele governando, na segunda parte do poema, quando enfrenta um dragão.

O parofonia entre Geats, godos (guter, Gotar, göttar) e jutos (juther, Jyl (lander).) e a contigüidade dos primeiros territórios que estes grupos étnicos habitaram na Escandinávia, assim como a filologia de suas respectivas línguas, assinalam uma clara proximidade e uma provável origem comum, antes das invasões bárbaras que ocorreram entre os séculos III e V. 

[editar] Ver também

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Cultura germânica primitiva
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Notas

  1. Erik Eymundsson ou Érico IV Anundsson (Érico Emundsson ou Érico Väderhatt?) (fins de 800, Possivelmente morto em 882). Filho de Emund Eriksson, neto de Erik Raefillsson, bisneto de Refill Bjornsson, trineto de Bjorn "Ironside" Ragnarsson.
  2. Jarl Ottar ou Ottar Jarl (-? 970) foi um jarl (conde) de Götaland que aparece no Heimskringla (a Saga de Olaf Tryggvasson) e na Jomsviking saga, nesta última é dito que Ottar foi o avô materno do Jomsviking, Palnetoke. No Heimskringla, Snorri Sturluson relata que Haakon I da Noruega Haakon Sigurdsson, durante um ataque a Götaland, a mando de Haroldo I da Dinamarca Harald Bluetooth, matou Jarl Ottar.
  3. Östergötland é uma província histórica (sueco: landskap) da Suécia localizada na antiga nação de Götaland.
  4. Também conhecido como Olaf Skötkonung ou Olavo, o Tesoureiro
  5. “Sveær egho em taka ok sva konong vrækæ”", o que significa dizer "“São os Suiones os que têm o direito de eleger e depor o rei.”"
  6. Que significa jurar em sueco

Referências

  1. MELIN, Jan; JOHANSSON, Alf; HEDENBORG, Susanna. Sveriges historia: koncentrerad uppslagsbok - fakta, årtal, kartor, tabeller (em sueco). Estocolmo: Prisma, 2006. Capítulo: Järnålder, Äldre Medeltiden, 28, 55 p. ISBN ISBN 91-518-4666-7
  2. Goter (em sueco). Enciclopédia Nacional Sueca. Página visitada em 14 de julho de 2012.
  3. Anna Larsdotter e Lars Hermodsson. Gamla gåter kring gamla goter (em sueco). Populär Historia. Página visitada em 14 de julho de 2012.
  4. Vilka var Beowulfs geater? (em sueco). Tacitus.nu.

 

[editar] Bibliografia

  • MELIN, Jan; JOHANSSON, Alf; HEDENBORG, Susanna. Sveriges historia: koncentrerad uppslagsbok - fakta, årtal, kartor, tabeller (em sueco). Estocolmo: Prisma, 2006. Capítulo: Järnålder, 38, 54 p. ISBN ISBN 91-518-4666-7
  •  Larsson, Mats G (2002). Götarnas Riken: Upptäcktsfärder Till Sveriges Enande. Bokförlaget Atlantis AB ISBN 978-91-7486-641-4 (em alemão)
  •  Jordanes, De origem actibusque Getarum (em latim)
  •  PT Setälä: Sampo Mistério (1932)
  •  SKS: origem finlandesa de palavras (2000)