Godos da Escandinávia

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GötasGeatas, Gautas ou Godos da Escandinávia, é o nome de uma tribo germânica que habitou a região histórica da Götaland, tendo como base territorial as províncias históricas da Västergötland e da Östergötland, unidas pelo Lago Vänern.[1]

O nome sueco deste povo é Götar ou Göter, derivado do Nórdico Antigo Gautar. Apesar da semelhança das palavras, não há motivos históricos comprovados para associar os Götas da Suécia aos Godos da Europa Continental. [2] [3]

Todavia há um mito cultivado desde a Idade Média até ao séc. XIX, segundo o qual os Godos seriam originários da região histórica da Götaland e da Ilha da Gotland. [4]
Igualmente, foi objeto de mito a biografia fantasiosa do lendário rei Beowulf, protagonista do poema anglo-saxão homônimo, apresentado como membro da tribo dos Godos. [5]

Suécia no séc XII, antes da incorporação da Finlândia durante o  séc XIII
  Godos da Escandinávia
  Suíones 
  Gutas 
  A ilha de Gotlândia
  A cultura Wielbark, no início do  séc III 
  A cultura Chernyakhov, no início do  séc IV 
A Suécia após o Tratado de Roskilde, 1658.
  Domínios alemães

História[editar | editar código-fonte]

Era Viking[editar | editar código-fonte]

No Heimskringla, Snorri Sturluson descreve diversas batalhas ocorridas durante o século IX entre os noruegueses, comandada pelo rei Haroldo I da Noruega, e os Godos, que tiveram que lutar sem a ajuda do rei sueco Érico IV Anundsson. [nota 1] Ele também escreveu sobre a expedição em Götaland de Haquino, o Bom, na batalha de Haroldo I da Dinamarca contra Jarl Ottar [nota 2] de Östergötland [nota 3] e as batalhas de o Olavo II da Noruega, o Santo, contra os Godos durante a guerra contra Olavo III (995-1022). [nota 4]

Idade Média[editar | editar código-fonte]

Os Godos eram, tradicionalmente, divididos em pequenos reinos sem importância, que tinham suas próprias assembléias populares independentes e suas leis. O maior desses distritos era Västergötland, e que era onde deu-se o maior dos redutos ou centros de reuniões dos Godos, que tinha seu corpo de decisão, formado dentre os cidadãos, renovado a cada ano em Skara.

Ao contrário dos Suíones, que se organizaram em centenas, os Godos se dividiam, a exemplo dos noruegueses e dinamarqueses, em pequenos grupos. Surpreendentemente, ele seria (o nome "Geat") que se tornaria comum no reino sueco. Esta possibilidade é relacionada com o fato de que vários reis suecos na idade média, provinha, dos Godos e que viviam, por vezes, principalmente em Gotlândia.

No século XI, a dinastia sueca Casa de Munsö foi extinta com Edmundo, o Velho. Surgiu a Casa de Stenkil com a eleição de Stenkil, um Geat, Rei da Suécia, os Godos tornam-se então um grupo ainda mais influente no reino nascente da Suécia, agora como um reino cristão. No entanto, esta eleição mergulhou o reino em conflitos entre cristãos e pagãos, entre Godos e Suíones. Os Godos tendiam cada vez mais para o cristianismo, e os suíones pendiam para o retorno ao paganismo, isto se dava porque o rei cristão Ingo I da Suécia fugiu para Västergötland, quando ele foi derrubado e substituído no trono por Sueno I, um rei mais favorável o paganismo nórdico, no início de 1080. Inge I retornou para retomar o trono e reinou até à sua morte por volta de 1100.

Os Godos não foram tratados como iguais pelos Suíones. Em seu Gesta Danorum (livro 13), do século XII, o cronista dinamarquês Saxo Grammaticus relata que eles não foram levados em conta ao escolher um rei, apenas os Suíones foram quemo escolheram. Quando a lei Gauta Ocidental ou Västgötalagen foi transcrita para o papel no século XIII, fora recordado que os Godos haviam aceitado a eleição dos Suíones conforme mencionado na Pedra de Mora. [nota 5]

A distinção entre Godos e Suíones foi mantida durante Idade Média, mas os Godos passaram a ter uma crescente importância nas reivindicações de grandeza nacional no Reino Sueco, motivada, supostamente, pela antiga conexão dos Godos da Escandinávia com os godos. Acredita-se, historicamente, que godos e os godos da Escandinávia tinham uma mesma tribo originária, e os godos da Escandinávia faziam parte do Reino da Suécia, isto significa que os suecos tinham derrotado o Império Romano. A primeira menção desta avaliação surgiu no Concílio de Basileia, em 1434, durante o qual, a delegação sueca discutiu com os espanhóis sobre quem, entre eles eram os autênticos godos. Os espanhóis argumentaram que era melhor ser descendente dos visigodos que de seus parentes que permaneceram na Escandinávia.

Idade Moderna[editar | editar código-fonte]

Após o século XV e a União de Kalmar, os Godos e Suíones começaram a se ver [em conjunto] como uma nação, o que se refletiu no uso de "svensk" como um topônimo comum e que tornou-se, originalmente, um adjetivo usado para se referir àqueles pertencentes às tribos suecas, que se autodenominavam swear. [nota 6] . Desde o início de seu emprego no século IX, o termo "swear” (jurar) era impreciso já que era usado quando em referência às tribos suecas originais e às vezes era empregado como um termo coletivo com o qual se incluía também os Godos, e neste último caso, no trabalho de Adão de Bremen, os Godos aparecem como uma nação própria, a qual fazia parte do reino sueco.

No entanto, a assimilação das duas nações levou um longo tempo. No início do século XX, a enciclopédia “Nordisk familjebok” mencionava que a palavra "svensk" havia quase substituido a palavra "Svear" usada para nomear o povo sueco.

Informações contíguas[editar | editar código-fonte]

Sobre a tradução do poema épico Beowulf, os Godos foram confundidos, em vários momentos, com os jutos da Dinamarca. Embora o mesmo poema faz uma distinção entre os jutos aos quais Beowulf ia acudir, na primeira parte [do poema] e os Godos. Destes últimos [os Godos] era originário o herói épico e a eles se encontra ele governando, na segunda parte do poema, quando enfrenta um dragão.

O parofonia entre Godos, godos (guter, Gotar, göttar) e jutos (juther, Jyl (lander).) e a contigüidade dos primeiros territórios que estes grupos étnicos habitaram na Escandinávia, assim como a filologia de suas respectivas línguas, assinalam uma clara proximidade e uma provável origem comum, antes das invasões bárbaras que ocorreram entre os séculos III e V. 

Vínculo entre Götas, Gutas e Godos[editar | editar código-fonte]

Diferentes opiniões imperam entre historiadores, arqueólogos e linguistas sobre se há ou não um vínculo entre os Gutas, os Götas e os Godos. [6] [7]

O historiador bizantino Jordanes afirma na sua obra Gética, datada do séc. VI, que os Godos eram originários da Scandza, uma ilha do Mar Báltico ao norte do rio Vístula na Polónia. [8]

O documento medieval gotlandês Gutasagan – a Saga dos Gutas – redigido no séc. XIII, conta que um terço da população da Gotlândia migrou para o sul numa época distante e remota. [9]

Num documento medieval islandês - SÖGUBROT AF NOKKRUM FORNKONUNGUM Í DANA OK SVÍAVELDI - são designados de Gotar os habitanntes da Gotlândia, e igualmente de Gotar os Godos da Europa Continental. [10]

O historiador sueco contemporâneo Dick Harrison afirma na História da Suécia – Sveriges Historia Medeltiden - publicada em 2009, que não há nenhuma conexão historicamente comprovada entre os Godos e os suecos antigos, sendo "este mito impossível de verificar". [11] [12]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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  • Cultura germânica primitiva

Notas

  1. Erik Eymundsson, Erik Anundsson, Erik Emundsson ou Erik Väderhatt?) (fins de 800, Possivelmente morto em 882). Filho de Emund Eriksson, neto de Erik Raefillsson, bisneto de Refill Bjornsson, trineto de Bjorn "Ironside" Ragnarsson e pai de Björn III da Suécia.
  2. Jarl Ottar ou Ottar Jarl (-? 970) foi um jarl (conde) de Götaland que aparece no Heimskringla (a Saga de Olaf Tryggvasson) e na Jomsviking saga, nesta última é dito que Ottar foi o avô materno do Jomsviking, Palnetoke. No Heimskringla, Snorri Sturluson relata que Haquino Sigurdsson, durante um ataque a Götaland, a mando de Haroldo Dente-Azul, matou o Jarl Otar.
  3. Östergötland é uma província histórica (sueco: landskap) da Suécia localizada na antiga nação de Götaland.
  4. Também conhecido como Olaf Skötkonung ou Olavo, o Tesoureiro
  5. “Sveær egho em taka ok sva konong vrækæ”", o que significa dizer "“São os Suíones os que têm o direito de eleger e depor o rei.”"
  6. Que significa jurar em sueco

Referências

  1. MELIN, Jan; JOHANSSON, Alf; HEDENBORG, Susanna. Sveriges historia: koncentrerad uppslagsbok - fakta, årtal, kartor, tabeller (em sueco). Estocolmo: Prisma, 2006. Capítulo: Järnålder, Äldre Medeltiden. , 28, 55 p. ISBN ISBN 91-518-4666-7
  2. Goter (em sueco). Enciclopédia Nacional Sueca. Página visitada em 14 de julho de 2012.
  3. Lars Hermodsson. Goterna: Ett krigarfolk och dess Bibel (em sueco). Estocolmo: Atlantis, 1993. Capítulo: Om goternas urhem. , 23-26 p. ISBN 91-7486-060-7
  4. Anna Larsdotter e Lars Hermodsson. Gamla gåter kring gamla goter (em sueco). Populär Historia. Página visitada em 14 de julho de 2012.
  5. Vilka var Beowulfs geater? (em sueco). Tacitus.nu.
  6. Lars Hermodsson. Goterna: Ett krigarfolk och dess Bibel (em sueco). Estocolmo: Atlantis, 1993. Capítulo: Om goternas urhem. , 23-26 p. ISBN 91-7486-060-7
  7. Dick Harrison. Sveriges historia Medeltiden (em sueco). Estocolmo: Liber AB, 2002. 25 p. ISBN 91-47-05115-9
  8. IORDANIS DE ORIGINE ACTIBUSQUE GETARUM (em latim). The Latin Library. Página visitada em 3 de março de 2014.
  9. Tore Gannholm. Guta lagh med gutasagan (em sueco). Stånga: Ganne Burs, 1994. 98-99 p. ISBN 91-972306-1-8
  10. SÖGUBROT AF NOKKRUM FORNKONUNGUM Í DANA OK SVÍAVELDI (em islandês). Página visitada em 3 de março de 2014.
  11. Sveriges historia: 600-1350 (em sueco). Libris. Página visitada em 3 de março de 2014.
  12. Dick Harrison. Sveriges historia Medeltiden (em sueco). Estocolmo: Liber AB, 2002. ISBN 91-47-05115-9

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • MELIN, Jan; JOHANSSON, Alf; HEDENBORG, Susanna. Sveriges historia: koncentrerad uppslagsbok - fakta, årtal, kartor, tabeller (em sueco). Estocolmo: Prisma, 2006. Capítulo: Järnålder. , 38, 54 p. ISBN ISBN 91-518-4666-7
  •  Larsson, Mats G (2002). Götarnas Riken: Upptäcktsfärder Till Sveriges Enande. Bokförlaget Atlantis AB ISBN 978-91-7486-641-4 (em alemão)
  •  Jordanes, De origem actibusque Getarum (em latim)
  •  PT Setälä: Sampo Mistério (1932)
  •  SKS: origem finlandesa de palavras (2000)