Goiás (município)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Goiás (Goiás))
Ir para: navegação, pesquisa
Município de Goiás
""Goiás Velho"

"Cidade de Goiás"

Casario na Cidade de Goiás

Casario na Cidade de Goiás
Bandeira desconhecida
Brasão desconhecido
Bandeira desconhecida Brasão desconhecido
Hino
Aniversário 25 de julho
Fundação 26 de julho de 1727.

Oficialmente 25 de julho de 1732

Gentílico vila-boense ou goiano[1]
CEP 76600-000
Prefeito(a) Professora Selma Bastos (PT)
(2013–2016)
Localização
Localização de Goiás
Localização de Goiás em Goiás
Goiás está localizado em: Brasil
Goiás
Localização de Goiás no Brasil
15° 56' 02" S 50° 08' 24" W15° 56' 02" S 50° 08' 24" W
Unidade federativa  Goiás
Mesorregião Noroeste Goiano IBGE/2008 [2]
Microrregião Rio Vermelho IBGE/2008 [2]
Municípios limítrofes Faina, Mossâmedes, Itaberaí, Itapirapuã, Matrinchã, Heitoraí, Itapuranga, Buriti de Goiás, Novo Brasil e Guaraíta
Distância até a capital 148 km
Características geográficas
Área 3 108,018 km² [3]
População 24 727 hab. Censo IBGE/2010[4]
Densidade 7,96 hab./km²
Altitude 496 m
Clima Tropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,736 alto PNUD/2000 [5]
PIB R$ 214 036,310 mil IBGE/2008[6]
PIB per capita R$ 8 610,01 IBGE/2008[6]
Página oficial

Goiás (também conhecida como Cidade de Goiás ou Goiás Velho) é um município brasileiro do estado de Goiás. Sua população estimada em 2010 era de 24.727 habitantes de acordo com o IBGE. O município foi reconhecido em 2001 pela UNESCO como sendo Patrimônio Histórico e Cultural Mundial por sua arquitetura barroca peculiar, por suas tradições culturais seculares e pela natureza exuberante que a circunda.

História[editar | editar código-fonte]

Líder caiapó

Antes da chegada dos europeus ao continente americano, a porção central do Brasil era ocupada por indígenas do tronco linguístico macro-jê, como os acroás, os xacriabás, os xavantes, os caiapós, os javaés etc.[7]

Descobertas as Minas Gerais de um lado e as minas de Cuiabá, de outro, no século XVII, uma ideia renascentista (a de que os filões de metais preciosos se dispunham de forma paralela em relação ao equador) iria alimentar a hipótese de que, entre esses dois pontos, também haveria do mesmo ouro. Assim, foram intensificadas as investidas bandeirantes, principalmente paulistas, em território goiano, que culminariam tanto com a descoberta quanto com a apropriação das minas de ouro dos índios goiases, que seriam extintos dali mais rapidamente que o próprio metal. Ali, onde habitava a nação Goiá, Bartolomeu Bueno da Silva fundaria, em 1727, o Arraial de Sant'Anna.

Pouco mais de uma década depois, em 1736, o local seria elevado à condição de vila administrativa, com o nome de Vila Boa de Goyaz (ortografia arcaica). Nesta época, ainda pertencia à Capitania de São Paulo. Em 1748, foi criada a Capitania de Goiás, mas o primeiro governador, dom Marcos de Noronha, o Conde dos Arcos, só chegaria ali cinco anos depois.

Com ele, instalou-se um "Estado mínimo" e, logo, a vila transforma-se em capital da comarca. Noronha manda construir, então, entre outros prédios, a Casa de Fundição, em 1750, e o Palácio que levaria seu nome (Conde dos Arcos), em 1751. Décadas depois, outro governador - Luís da Cunha Meneses, que ficou no cargo de 1778 a 1783-, cria importantes marcos, fazendo a arborização da vila, o alinhamento de ruas e estabelecendo o primeiro plano de ordenamento urbano, que delineou a estrutura mantida até hoje.

Com o esgotamento do ouro, em fins do século XVIII, Vila Boa teve sua população reduzida e precisou reorientar suas atividades econômicas para a agropecuária, mas ainda assim cultural e socialmente sempre esteve sintonizada com as modas do Rio de Janeiro, então capital do Império. Daí até o início do século XX, as principais manifestações seriam de arte e cultura, com sarais, jograis, artes plásticas, literatura, arte culinária e cerâmica - além de um ritual único no Brasil, a Procissão do Fogaréu, realizada na Semana Santa.

Entretanto, a grande mudança, que já vinha sendo ventilada há muito tempo, foi a transferência da capital estadual para Goiânia, nos anos trinta e quarenta, coordenada pelo então interventor do Estado, Pedro Ludovico Teixeira. De certa forma, foi essa decisão que preservou a singular e exclusiva arquitetura colonial da Cidade de Goiás.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Goiás se localiza em terreno bastante acidentado onde se destacam a Serra Dourada e os Morros de São Francisco, Canta Galo e das Lages.

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima é caracterizado por dois períodos distintos: um seco, com ausência quase que total de chuvas no inverno, que vai de maio a setembro e outro chuvoso, com abundância de águas, no verão que vai de outubro a abril. A temperatura média anual é de aproximadamente 23 graus, sendo os meses de setembro e outubro os mais quentes e junho e julho os mais frios.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1961 a menor temperatura registrada em Goiás foi de 1,9 °C em 19 de fevereiro de 2013, seguido pelos 5,4 ºC em 18 de julho de 1975, e a maior atingiu 41,6 °C em 28 de outubro de 2012. O maior acumulado de chuva em 24 horas foi de 169,7 mm em 21 de abril de 1992.[8] Em janeiro de 1964 foi registrado o maior volume total de chuva acumulado em um mês, de 922,6 mm.[9]

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A vegetação típica de Goiás é a mesma do Cerrado, ou seja, a vegetação da cidade em sua maior parte é semelhante à de savana, com gramíneas, arbustos e árvores esparsas. As árvores têm caules retorcidos e raízes longas, que permitem a absorção da água -disponível nos solos do cerrado abaixo de 2 metros de profundidade mesmo durante a estação seca e umida do inverno.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

O município de Goiás é cortado pelo Rio Vermelho (afluente do rio Araguaia) e está situado na bacia do Tocantins-Araguaia, que compartilha a foz com o Rio Amazonas. Ele passa do lado da casa da poetiza Cora Coralina. Há também os rios Urú, do Peixe, Ferreira e Índio.

Ecologia[editar | editar código-fonte]

O município possui diversas áreas a serem preservadas com cachoeiras e riachos. Parque da Carioca - APA da Serra Dourada - APA da Cidade de Goiás ARIE Águas de São João - Reserva Biológica da UFG.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Movimentos culturais[editar | editar código-fonte]

O Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental(FICA) é um festival realizado anualmente na Cidade de Goiás desde 1999. Atualmente é o maior festival cinematográfico sobre o meio ambiente. Sua realização está a cargo da Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira (Agepel). Em seu primeiro ano de realização, 1999 o FICA aconteceu entre 2 e 6 de junho. Teve 154 obras inscritos, de 17 países. Dessas, foram selecionadas 37 produções (4 Longa-metragens, 12 Média-metragens e 21 Curta-metragens), de 12 países: Argentina, Áustria, Brasil, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Inglaterra, Moçambique, Portugal e Venezuela. Na participação Brasileira, foram selecionadas 17 obras de 8 Estados: Brasília, Goiás, Maranhão, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo

Procissão do Fogaréu: Uma das manifestações religiosas mais belas que acontecem na Cidade de Goiás anualmente é a Procissão do Fogaréu, que começa à meia noite da quarta-feira da semana santa. Neste dia, as encenações sobre a Paixão de Cristo movimentam a localidade, que acompanha tudo com devoção e certa curiosidade. A celebração, que dá continuidade a uma tradição de pouco mais de 200 anos, consiste em encenar as principais passagens bíblicas que antecedem à crucificação de Jesus pelas ruas de Goiás, da qual a Procissão do Fogaréu faz parte. Nela, os farricosos, homens encapuzados com vestes coloridas, carregam tochas acesas entre as ruas escuras, representando o caminho dos romanos até o momento da prisão de Cristo. Na quinta e na sexta-feira são representados o Lava-Pés e a Paixão de Cristo, respectivamente.

Carnaval: Festa popular realizada na Praça de Eventos Rio Vermelho. Existem três Escolas de Samba na cidade: Leão de Ouro, União Goiana e Mocidade Independente do João Francisco. Abrindo o carnaval na cidades, o tradicional Bloco do Zé Perera, que sai do Bar Casa de Pedra, no bairro Rio Vermelho, passando pela Praça Jornalista Goiás do Couto, mais conhecida como Praça do João Francisco, onde a população espera para ver o bloco, e vai em direção ao centro histórico da cidade.

A Cidade de Goiás tem em sua história e formação uma relação muito ligada as culturas Africanas e indigenas, essa relação fica ainda hoje explicita em diversas manifestações culturais por toda a cidade um exemplo são duas escolas "Espaço Cultural Vila Esperança" e "Quilombinho". Além desses exemplos temos também O Grupo de Capoeira Angola Meninos de Angola sob a coordenação do professor Chuluca.

Museus[editar | editar código-fonte]

  • Museu das Bandeiras: funcionando na antiga Casa de Câmara e Cadeia, tem acervo com peças e mobiliário do século XVIII.
  • Palácio Conde dos Arcos: tem acervo com obras do século XVIII, utensílios domésticos, pertences, artes decorativas e mobiliário dos antigos governantes.
  • Museu de Arte Sacra da Igreja da Boa Morte: tem o maior acervo do escultor barroco Veiga Vale, nascido em Pirenópolis, reunindo mais de 100 peças, e também coleções de prataria. A igreja foi construída em 1779.
  • Casa de Cora Coralina: museu permanente com objetos pessoais da poetisa de mesmo nome.

Monumentos[editar | editar código-fonte]

Igreja da Boa Morte
  • Casa de Bartolomeu Bueno: residência histórica do Anhangüera, a sua fachada conserva as características do estilo colonial
  • Chafariz de Cauda: localizado no Largo do Chafariz, é uma construção com padrões do século XVIII (1778).
  • Igreja de Nossa Senhora do Rosário: conhecida como antiga igreja dos pretos, foi demolida e reconstruída em estilo neogótico em 1934 pelos frades dominicanos oriundos da França. No seu interior, encontram-se afrescos realizados por Nazareno Confaloni na segunda metade do século XX, Precursor do Modernismo no estado de Goiás e fundador da Escola de Belas Artes da Universidade Católica de Goiás.
  • Catedral de Santana: localizada na Praça do Coreto, é um edifício feito de adobe e recém-restaurado.
  • Igreja Nossa Senhora da Abadia: capela do século XVIII, tem afrescos no teto.
  • Igreja de Santa Bárbara: apresenta retratos de compositores goianos do século XIX feitos pelo artista Amaury Meneses.
  • Igreja Nossa Senhora do Carmo: edifício que é sede da Irmandade Senhor Jesus dos Passos
  • Mosteiro da Anunciação: edifício religioso, no qual os frades produzem artesanato de barro.
  • Convento dos Padres Dominicanos: edifício do século XIX que guarda uma imagem de Nossa Senhora do Rosário, trazida por religiosos franceses. Foi o segundo convento da Ordem no Brasil, fazendo parte do plano que integraria os religiosos dominicanos ao norte do Brasil, passando por Uberaba, Goiás, Porto Nacional e chegando enfim à Conceição do Araguáia no estado do Pará
  • Quartel do Vigésimo Batalhão de Infantaria: De onde saíram soldados para a Guerra do Paraguai. Até o final da década de 1990 abrigou o 11-010 Tiro de Guerra do Exército Brasileiro.

Religião[editar | editar código-fonte]

Predomina na população de Goiás, a religião Católica, com 16 Igrejas, seguida pelos evangélicos com 10 templos e os espíritas, com 3 centros.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Município Histórico, mais conhecido como Goiás Velho, foi capital do Estado, conserva mais de 90% de sua arquitetura barroco-colonial original, graça ao tombamento, desde os anos 50, desse patrimônio arquitetônico do Século XVIII. A Cidade de Goiás é um magnifico mostruário do Brasil oitocentista. E além disso situa-se dentro de um cenário topográfico, singularmente bonito, dentro de um vale envolvido pelos morros verdes e ao sopé da lendária Serra Dourada. Goiás chamou-se originalmente Vila Boa. Os turistas encontram riquíssima arte sacra nas seculares igrejas e nos museus.

O município tornou-se um centro turístico e permite praticamente uma viagem no tempo do Brasil colonial. Em 2001 o Centro Histórico de Goiás foi declarado Patrimônio Mundial. Na cidade todos os anos ocorre o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental que tem a participação de países da África, Europa, América e Ásia.

Pontos turísticos[editar | editar código-fonte]

Cruz do Anhanguera

Os principais pontos turísticos são:

  • Becos da Cidade de Goiás
  • Rio Vermelho
  • Prédio das Antigas Cadeia e Câmara Municipal
  • Casa de Fundição
  • Balneário Cachoeira Grande
  • Balneário Santo Antônio
  • Cachoeira das Andorinhas
  • Furna da Bandeirinha
  • Cruz do Anhanguera
  • Igrejas
  • Museus

Eventos[editar | editar código-fonte]

Mês Data Evento
Janeiro 1 a 6 Folia de Reis
Janeiro 18 Evento da Solidariedade
Fevereiro Data móvel Carnaval
Março 15 Projeto Memória
Março 1 a 26 Procissões Religiosas
Março 27 Procissão do Fogaréu
Março 29 Encenação da descida da cruz
Março 29 Canto do Perdão
Maio 10 a 19 Festa de Santa Rita
Maio Seletiva da caminhada ecológica
Junho FICA - Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental
Junho Projeto Memória
Julho Exposição Agropecuária
Julho 25 Transferência da capital
Julho 26 Festa de Santana
Agosto 1 a 7 Semana do Folclore
Agosto 20 Festa do vizinho
Agosto Encontro estadual de motociclistas
Setembro 2 Festa da Pedreira de São Sebastião
Setembro 8 Festa de Nossa Senhora Dabadia e Nossa Senhora da Guia
Setembro Projeto Memória
Outubro 7 Festa do Rosário
Outubro Festival de Artes da Cidade de Goiás
Outubro Festa da Nossa Senhora Aparecida
Novembro 8 a 10 Festival do Cerrado
Dezembro 4 Festa de Santa Bárbara
Dezembro 8 Festa de Nossa Senhora da Conceição
Dezembro 20 Serenata de Natal do Coral Solo pelas ruas e becos da cidade

Rodovias[editar | editar código-fonte]

De Goiânia, chega-se à cidade pela GO-070.

Referências

  1. História da cidade de Goiás - Go Prefeitura de Goiás. Visitado em 5/9/2014. "Gentílico: vilaboense ou goiano"
  2. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  3. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  4. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  5. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  6. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 dez. 2010.
  7. CHAIM, M. M. Aldeamentos Indígenas (Goiás 1749-1811). Segunda edição. São Paulo: Nobel, 1983. p. 48
  8. BDMEP - Série Histórica - Dados Diários - Temperatura Máxima (ºC), Temperatura Mínima (ºC) e Precipitação (mm) - Goiás Instituto Nacional de Meteorologia. Visitado em 21 de agosto de 2014.
  9. BDMEP - Série Histórica - Dados Mensais - Precipitação Total (mm) - Goiás Instituto Nacional de Meteorologia. Visitado em 21 de agosto de 2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Goiás (município)


Imagem: Centro Histórico de Goiás A cidade de Goiás (município) inclui o sítio Centro Histórico de Goiás, Património Mundial da UNESCO. Welterbe.svg