Golpe de Estado

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Nota: Para outros significados de Golpe de Estado, ver Golpe de Estado (desambiguação).

Golpe de Estado, também conhecido internacionalmente como coup d'État (em francês) e Putsch ou Staatsstreich (em alemão), designa uma mudança de governo súbita, imposta por uma minoria que age com o elemento surpresa.

Tem este nome de golpe porque se caracteriza por uma ruptura institucional violenta, contrariando a normalidade da lei e da ordem e submetendo o controle do Estado (poder político institucionalizado) a pessoas que não haviam sido legalmente designadas (fosse por eleição, hereditariedade ou outro processo de transição legalista).

Na teoria política, o conceito de golpe de Estado surge apenas com a modernidade, após a quebra de paradigmas causada pela Revolução Francesa e pela doutrina iluminista. Antes, as rupturas bruscas da ordem institucional eram chamadas genericamente de revolução, como as tomadas de poder em 1648 e 1688 na Inglaterra. Após a tomada da Bastilha, no entanto, o termo revolução passou a ser reservado para as mudanças profundas provocadas por intensa participação popular, da sociedade ou das massas.

Assim, a expressão Golpe de Estado foi criada para designar a tomada de poder por vias excepcionais, à força, geralmente com apoio militar ou de forças de segurança.

Considera-se que o primeiro golpe de Estado no modelo moderno foi o Golpe do 18 Brumário dado por Napoleão Bonaparte para se consolidar sozinho no governo da França.

Um Golpe de Estado costuma acontecer quando um grupo político renega as vias institucionais para chegar ao poder e apela para métodos de coação, coerção, chantagem, pressão ou mesmo emprego direto da violência para desalojar um governo. No modelo mais comum de golpes (principalmente em países do Terceiro Mundo), as forças rebeladas (civis ou militares) cercam ou tomam de assalto a sede do governo (que pode ser um palácio presidencial ou real, o prédio dos ministérios ou o parlamento), às vezes expulsando, prendendo ou até mesmo executando os membros do governo deposto.

Em casos extremos como o do Chile, em 11 de setembro de 1973, o palácio presidencial foi bombardeado diretamente por aviões da força aérea, na expectativa de destruí-lo e matar todos os ministros do governo Allende.

Golpes de Estado podem ainda ser dados tanto por forças de oposição (como no Brasil em 1930 e 1964 e na Argentina em 1976) quanto pelos líderes do próprio governo instituído, na esperança de aumentar os poderes de facto que possam exercer (como no Brasil, em 1937, e no Peru em 1992).

O golpe do Estado Novo no Brasil, em 1937, foi simbolicamento estabelecido com um pronunciamento em rede de rádio por Getúlio Vargas declarando implantar um novo regime.

Outros aspectos comuns que acompanham (antecedendo ou sucedendo) um Golpe de Estado são:

Ao longo da história de vários países da América Latina, como a Bolívia e o Haiti, o Golpe de Estado tem sido um processo de transição política mais comum até mesmo que as eleições e outros modos normais de transferência de poder.O caso boliviano pode mesmo ser considerado o extremo, pois, desde sua independência em 1825, aconteceram 189 Golpes de Estado, em uma média de mais de um por ano.

Nem todo processo de deposição de um governo ou regime é necessariamente um golpe de Estado: há, por exemplo, os referendos de revogação de mandato (callback, em inglês) e as votações parlamentares de impedimento de um governante (impeachment), previstas constitucionalmente em vários países.

São raros os países do mundo que nunca sofreram um golpe de Estado nem uma tentativa desde sua independência. Entre eles, encontram-se a Austrália, a Nova Zelândia, a África do Sul, os Estados Unidos, a Noruega, a Suécia, Israel, Cabo Verde e o Canadá.

O golpe de Estado mais recente foi o de 2009, em Honduras.


Índice

[editar] Diferenças e semelhanças com outros conceitos relacionados

O conceito de "golpe de Estado" está relacionado com outros convulsões sociais relacionados com conceitos de poder político, como revolta, motim, rebelião, revolução ou guerra civil. Normalmente, esses termos são utilizados com pouca propriedade ou com a intenção de propaganda ou desinformação. No decorrer dos processos históricos, estes fenômenos não costumam aparecer na forma pura, mas combinadas entre si.

  • Golpe de Estado e revolução.Uma revolução, na Ciência Política, é uma troca social profunda e relativamente veloz, que usualmente não implica necessariamente nos confrontos violentos entre os setores . Uma revolução pode ser combinada, e acontece geralmente com um ou mais golpes, quando as autoridades legais são deslocados por meios ilegais, se manifesta ou manter uma aparência de legalidade.
  • Golpe de Estado e guerra civil. A guerra civil é um confronto generalizado militarmente e prolongado no tempo, entre dois lados de uma mesma sociedade. Diferencia-se do golpe, em especial a sua duração, como o golpe é súbito e de curta duração (em horas, às vezes dentro de dias).
  • Golpe de Estado, rebelião e motim. Muitas vezes os golpes tenham tomado a forma de levantes militares ou rebeliões. Nestes casos, devem ser distinguidas a partir disso, pois é uma desobediência coletiva de um grupo de soldados contra seus controles naturais, que visa derrubar o governo, ou estabelecer determinadas políticas ou mudanças institucionais.
  • Golpe de Estado e revoltas.São frequentemente acompanhadas de distúrbios, causados, em parte, intencionalmente e, em parte espontânea, por multidões que preenchem os espaços públicos, desafiando a autoridade, por vezes violentamente. Os motins podem conduzir a situações de caos social, que pode ser explorado tanto por aqueles que promovem golpes de estado, e por aqueles que procuram defender o poder estabelecido.
  • Golpe de Estado e putsch . O termo alemão "putsch" (literalmente, "empurrão") tem um significado muito semelhante ao "golpe", mas geralmente é refere-se à tentativas que falham de golpe de Estado.[1]

[editar] Cronologias dos golpes de estado

[editar] No século XX

[editar] No século XXI

[editar] Chefes de Estado no poder

Segue-se uma lista de chefes de Estados que assumiram o poder mediante um golpe de Estado:

Mandatário País No poder desde
Muammar al-Gaddafi Flag of Libya.svg Líbia 1969
Teodoro Obiang Nguema Mbasogo Flag of Equatorial Guinea.svg Guiné Equatorial 1979–
Lansana Conté Flag of Guinea.svg Guiné 1984
Blaise Compaoré Flag of Burkina Faso.svg Burkina Faso 1987
Zine El Abidine Ben Ali Flag of Tunisia.svg Tunísia 1987
Than Shwe Flag of Myanmar.svg Mianmar 1988
Omar Hassan Ahmad al-Bashir Flag of Sudan.svg Sudão 1989
Yahya Jammeh* Gâmbia Gâmbia 1994
Hamad bin Khalifa Flag of Qatar.svg Catar 1995
François Bozizé* Flag of the Central African Republic.svg República Centro-Africana 2003
Josaia Voreqe Bainimarama Flag of Fiji.svg Fiji 2006

*Yahya Jammeh e François Bozizé foram posteriormente confirmados no cargo por eleições aparentemente livres e limpas[2][3]

[editar] Referências

[editar] Ver também