Gone with the Wind

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Gone with the Wind
E Tudo o Vento Levou (PT)
...E o Vento Levou (BR)
Poster - Gone With the Wind 01.jpg
 Estados Unidos
1939 • cor • 238 min 
Direção Victor Fleming
B. Reeves Eason (2ª unidade)[1]
Produção David O. Selznick
Roteiro Sidney Howard, baseado no livro de Margaret Mitchell
Elenco Vivien Leigh
Clark Gable
Olivia de Havilland
Leslie Howard
Hattie McDaniel
Género drama
épico
Idioma inglês
Música Max Steiner
Cinematografia Ernerst Haller
Lee Garmes
Edição Hal C. Kern
James E. Newcom
Estúdio Selznick International Pictures
Distribuição Metro-Goldwyn-Mayer
Lançamento Estados Unidos 15 de dezembro de 1939
(Premiere em Atlanta)
Brasil 1º de janeiro de 1940
Portugal 20 de setembro de 1943
Cronologia
Último
Último
Scarlett
Próximo
Próximo
Página no IMDb (em inglês)

Gone with the Wind, E Tudo o Vento Levou (título em Portugal) ou ...E o Vento Levou (título no Brasil), é um filme norte-americano lançado em 1939, estrelado por Vivien Leigh, Clark Gable, Olivia de Havilland e Leslie Howard. Trata-se de um romance dramático dirigido por Victor Fleming e com roteiro de Sidney Howard, adaptado do livro homónimo de autoria de Margaret Mitchell. Entre os colaboradores do roteiro estiveram também os escritores F. Scott Fitzgerald e William Faulkner. É o filme com maior faturamento da história, considerada a inflação. É também o filme mais assistido de todos os tempos, tendo sido visto por mais de 400 milhões de pessoas em todo o mundo.

Apesar de a direção ter sido creditada exclusivamente a Victor Fleming, ele dirigiu apenas 45% do filme, com o restante cabendo a George Cukor, Sam Wood, William Cameron Menzies e Sidney Franklin, todos não-creditados.

O filme foi produzido por David O. Selznick, a trilha sonora é de Max Steiner, a fotografia de Ernest Haller e Ray Rennahan, o desenho de produção de William Cameron Menzies, a direção de arte de Lyle R. Wheeler, os figurinos de Walter Plunkett e a montagem de Hal C. Kern.

A produção de Gone with the Wind custou pouco mais de cinco milhões de dólares aos cofres da MGM e, quatro anos depois de seu lançamento, a renda obtida pelo filme nas bilheterias já superava a marca dos 32 milhões de dólares.

O filme, na sua primeira parte, mostra uma visão idealizada da sociedade branca do velho sul dos Estados Unidos da América. Os senhores de escravos são mostrados como protetores benevolentes, e a causa confederada como nobre defesa da terra natal e de um modo de vida.

Essa civilização que o vento levou é definida, na abertura do filme, da seguinte forma:

Cquote1.svg Havia uma terra de cavaleiros e campos de algodão chamada "O Velho Sul". Neste mundo bonito, a Galanteria fez sua última mesura. Lá puderam ser vistos, pela última vez, cavalheiros e suas belas damas, senhores e escravos. Procure-a apenas em livros, pois hoje não é mais que um sonho a ser lembrado. Uma civilização que o vento levou... Cquote2.svg

Na segunda parte do filme, após a derrota do Sul na Guerra Civil, é mostrado os ex-escravos, juntos com os nortistas, (os ianques), explorando os endividados fazendeiros sulistas. Com isso, o filme apresenta um alinhamento tardio com o movimento chamado Lost Cause, como Jezebel, The Undefeated, Santa Fe Trail, The General e The Birth of a Nation, os quais também apresentam uma visão positiva sobre a sociedade sulista e apresentam a visão sulista sobre a Guerra Civil.

Gone with the Wind foi um dos primeiros filmes a cores, usando a tecnologia technicolor, a ganhar o Oscar de melhor filme. Este também é o segundo filme mais longo da história a entrar nos circuitos dos cinemas, com 3 horas e 53 minutos de duração, sendo superado apenas por Cleópatra, e provavelmente o quarto filme mais longo de todos os tempos, segundo estimativas perde apenas para A Cura da Insônia e Cleópatra já citado.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Vivien Leigh e Clark Gable em ...E o vento levou

O filme conta a história da voluntariosa Scarlett O'Hara, filha de um imigrante irlandês que se tornou um rico fazendeiro do sul dos Estados Unidos, pouco antes da Guerra Civil Americana.

Scarlett começa o filme como uma bela e mimada jovem, que vive na fazenda de seus pais. Ela é apaixonada por Ashley Wilkes, filho do fazendeiro vizinho, mas este fica noivo da doce Melanie Hamilton. Em meio a esta descoberta, Scarlett conhece Rhett Butler, um cavalheiro de má reputação e que não toma partido na disputa entre Sul e Norte do país. Butler se apaixona instantaneamente por Scarlett, que não o retribui. Para fazer ciúmes em Ashley, logo em seguida, Scarlett casa-se com Charles Hamilton, irmão de Melanie. Após os casamentos, Ashley e Charles partem para a Guerra Civil, recém-declarada. Contudo, Charles morre pouco tempo depois disso. Após ficar viúva, Scarlett vai para a cidade de Atlanta para viver com Melanie e aguardar a volta de Ashley, e acaba por servir ao Sul, como enfermeira, ajudando a cuidar dos feridos da chamada Guerra de Secessão. Durante esse tempo fora de casa ela começa a sentir na pele o sofrimento, fome e pobreza. Ao voltar para a fazenda dos pais, Scarlett encontra sua mãe morta, seu pai louco e toda a fortuna destruída. Diante dessa situação desesperadora ela toma as devidas providências para não deixar que tomem a sua querida fazenda Tara. Para tanto, ela casa-se com o noivo de sua irmã por este estar prosperando, mesmo ainda amando Ashley. Todavia, Scarlett torna-se viúva novamente.

Durante esse processo, Scarlett precisa da ajuda de Rhett diversas vezes, chegando até a se casar com ele após a perda de seu segundo marido, por interesse. O casamento é conturbado e o casal têm uma filha, Bonnie, que morre tragicamente. Pouco depois, Melanie adoece e morre. Ao ver a desolação de Ashley pela morte da esposa e Rhett indo embora, Scarlett faz uma importante descoberta; contribuindo assim para o desfecho surpreendente.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Vivien Leigh as Scarlett OHara in Gone With the Wind trailer.jpg Clark Gable as Rhett Butler in Gone With the Wind trailer.jpg
Vivien Leigh Clark Gable
Olivia de Havilland as Melanie Hamilton in Gone With the Wind trailer.jpg Leslie Howard as Ashley Wilkes in Gone With the Wind trailer.jpg
Olivia de Havilland Leslie Howard

Oscar 1940[2] [editar | editar código-fonte]

Com 13 indicações ao Oscar, ...E o vento levou tornou-se o segundo filme com o maior número de indicações ao prêmio, ficando atrás apenas dos empatados A malvada, de 1950, e Titanic, de 1997, que foram indicados a 14 categorias do Oscar. O filme conseguiu levar oito estatuetas, recebendo outras duas em categorias especiais (uma honorária e outra técnica), somando-se um total de 10 prêmios, façanha que foi superada apenas por Ben-Hur, de 1959, vencedor de 11 Oscars (embora com menos indicações que ...E o vento levou, 12).

Atualmente, ao lado de Amor, sublime amor, de 1961, …E o vento levou também é o segundo filme com o maior número de Oscars ganhos, ficando atrás dos empatados Titanic (11 prêmios em 14 indicações), Ben-Hur, de 1959 (11 prêmios em 12 indicações) e O Senhor dos Anéis: Retorno do Rei, de 2003 (11 prêmios em 11 indicações).

Hattie McDaniel (1895 - 1952) tornou-se a primeira artista negra a ser indicada e a receber um prêmio Oscar, tendo este sido o de melhor atriz coadjuvante.
Ano Categoria Notas Resultado
1940 Melhor Filme Selznick International Pictures Venceu
Melhor Diretor Victor Fleming Venceu
Melhor Ator Clark Gable Indicado
Melhor Atriz Vivien Leigh Venceu
Melhor Atriz Coadjuvante Olivia de Havilland Indicado
Hattie McDaniel Venceu
Melhor Roteiro Adaptado Sidney Howard Venceu
Melhor Edição Hal C. Kern Venceu
Melhor Fotografia Ernest Haller e Ray Rennahan Venceu
Melhor Direção de Arte Lyle R. Wheeler Venceu
Melhores Efeitos Visuais Jack Cosgrove, Fred Albin e Arthur Johns Indicado
Melhor Mixagem de Som Thomas T. Moulton Indicado
Melhor Trilha Sonora Max Steiner Indicado
Technical Achievement Award (Oscar Técnico/Científico)
Oscar Honorário

Um fato curioso é que o produtor David O. Selznick havia prometido à Olivia de Havilland que a inscreveria na competição ao Oscar na categoria de melhor atriz, graças a sua brilhante performance como a bondosa Melanie; De Havilland, que à época das filmagens tinha apenas 22 anos de idade, conseguiu impressionar a todos ao interpretar de forma madura a personagem que acabaria por marcar para sempre a sua carreira. No fim das contas, Selznick inscreveu Olivia na categoria de melhor atriz coadjuvante, temendo que ela pudesse deter parte dos votos que iriam para Vivien Leigh. Leigh venceria o Oscar de melhor atriz, mas De Havilland acabaria perdendo o prêmio para o qual fora indicada para Hattie McDaniel, uma vez que a Mammie interpretada por McDaniel no filme era quem mais fazia o perfil coadjuvante. Anos mais tarde De Havilland conseguiu se tornar uma das poucas atrizes a ganharem dois Oscars de melhor atriz, assim como Vivien Leigh, que receberia outra estatueta em 1952 pela atuação num papel que foi recusado por De Havilland, o de Blanche DuBois em Uma rua chamada pecado ("A Streetcar Named Desire", 1951); a performance de Leigh neste filme tem sido apontada por alguns críticos como a maior atuação cinematográfica feminina de todos os tempos.

Bastidores das filmagens[editar | editar código-fonte]

Cena do beijo entre Rhett (Clark Gable) e Scarlett (Vivien Leigh), após a proposta de casamento

Ficou famosa em Hollywood a disputa das atrizes pelo papel de Scarlett. Mais de 1400 atrizes foram entrevistadas para o papel, sendo que mais de 400 chegaram a fazer leitura do roteiro. Vivien Leigh, que era inglesa (apesar de nascida na Índia), foi escolhida pelo produtor David O. Selznick quando já haviam iniciado as filmagens. Durante as filmagens do incêndio de Atlanta, ele a viu ao lado de seu marido, o ator Laurence Olivier, e logo lhe ofereceu o papel da heroína sulista.

Vivien Leigh trabalhou nos sets de filmagem por 125 dias e recebeu por isso a quantia de 25 mil dólares; já Clark Gable trabalhou por 71 dias e ganhou 120 mil dólares.

Durante as filmagens, ninguém na produção acreditava que Vivien Leigh fosse resistir ao charme de Clark Gable. Mas, na verdade, eles não se entendiam, pois ela considerava pouco profissional que ele deixasse o estúdio sempre às seis da tarde, todos os dias. Ele achava um abuso oferecer um papel essencialmente norte americano a uma atriz britânica.

Vivien se entendia bem com o diretor George Cukor. Gable preferia Victor Fleming. Vivien odiava o hálito de Gable - ele comia cebolas de propósito, poucas horas antes de gravar - e o cheiro de licor, que a deixava com náuseas. Ele revelou que, quando a beijava, pensava em um bife. Na verdade, na pele de Rhett Butler ou Scarlett O'Hara ou na de Clark Gable e Vivien Leigh, eles jamais se entenderam.

Hattie McDaniel tornou-se a primeira artista de origem africana a ser indicada e a receber um prêmio Oscar (o de melhor atriz coadjuvante). Porém, ela não pôde comparecer à première de ...E o vento levou, em Atlanta, por causa das leis racistas.

Atores ainda vivos[editar | editar código-fonte]

Olivia de Havilland, que interpretou Melanie em E o vento levou, é a única atriz do elenco principal do filme ainda viva nos dias de hoje. Ironicamente, sua personagem é a única, dentre os quatro protagonistas, que vem a morrer na história. Nascida no Japão no ano de 1916, a inglesa De Havilland - que mais tarde adotaria também a cidadania americana - consolidou-se como uma das melhores intérpretes dramáticas em Hollywood, vencendo em duas ocasiões o Oscar de melhor atriz. Ela vive, há muitos anos, em Paris, na França.

Dentre os atores que foram creditados no filme, encontram-se vivos a intérprete de Melanie, Olivia de Havilland, nascida em 1 de julho de 1916 (98 anos), e Mickey Kuhn, que fez Beau Wilkes, filho da personagem de De Havilland no filme; Kuhn nasceu em 21 de setembro de 1932 (82 anos).

Embora não tenha recebido créditos no longa, Greg Giese, nascido a 24 de setembro de 1939 (75 anos), aparecera no filme quando recém-nascido, como o bebê de Melanie (Olivia de Havilland), sendo também reaproveitado para aparecer como o bebê de Scarlett (Vivien Leigh).[3]

Sequência[editar | editar código-fonte]

Durante muitas décadas especulou-se em Hollywood se uma sequência para o filme seria produzida. A escritora original de Gone with the Wind faleceu, em 1949, sem nunca ter escrito uma continuação para a obra, como fãs gostariam.[4] No entanto, em 1991, os herdeiros do espólio de Mitchell autorizaram a romancista Alexandra Ripley a publicar uma sequência para o romance, intitulada Scarlett.[5] O livro foi adaptado como uma minissérie televisiva homônima em 1994 pela CBS, estrelada por Timothy Dalton como Rhett Butler e Joanne Whalley como Scarlett O'Hara, sendo a única sequência oficial do filme.[6]

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

  • O produtor David O. Selznick comprou os direitos de adaptação do livro de Margaret Mitchell apenas um mês após sua publicação. A autora recebeu US$ 50 mil pela negociação, a quantia mais alta paga até então pela adaptação do livro de estreia de um autor.[7]
  • A primeira transmissão do filme na Televisão Brasileira só veio acontecer depois de 43 anos do seu lançamento nos cinemas, na Rede Globo, em 1983.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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