Gore Vidal

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Gore Vidal
Em Nova Iorque para discutir seu livro de 2009, Gore Vidal: Snapshots in History's Glare
Nacionalidade  Estados Unidos
Data de nascimento 3 de outubro de 1925
Local de nascimento West Point, Nova Iorque
Data de falecimento 31 de julho de 2012 (86 anos)
Local de falecimento Hollywood Hills, Los Angeles
Gênero(s) Drama, a prosa de ficção, ensaio, crítica literária
Pseudónimo(s) Edgar Box
Cameron Kay
Katherine Everard
Ocupação Romancista, ensaísta, jornalista, dramaturgo
Período de atividade 1944 - 2012
Movimento literatura pós-moderna
Influências Petronius, Apuleio, Thomas Mann, Henry James, Mark Twain, Montaigne, Carson McCullers
Influenciados William Kennedy, Clive James, Christopher Hitchens, Truman Capote, Bill Maher

Gore Vidal (Condado de Orange, 3 de outubro de 1925Hollywood Hills, 31 de julho de 2012) foi um autor, dramaturgo, ensaísta, roteirista e ativista político dos Estados Unidos. O seu terceiro romance, A Cidade e o Pilar (1948), causou enorme escândalo entre a crítica e o público por ser um dos primeiros romances que retrataram, sem ambiguidade, a homossexualidade. Foi candidato a cargos políticos duas vezes e teve uma longa carreira como observador e crítico da vida política dos Estados Unidos.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Gore Vidal nasceu na Academia Militar de West Point.[1] Era filho de um pioneiro da aviação norte-americana.[1] Foi criado em Washington, D.C. onde seu pai trabalhou para o governo Roosevelt e seu avô foi o senador T. P. Gore.[1] Estudou na Universidade de Nova Hampshire.

Ingressou na literatura quando adolescente, escrevendo contos e poemas. Publicou seu primeiro romance, Williwaw, aos 21 anos quando servia nas Forças Armadas durante a Segunda Guerra Mundial[1] , mas nos anos 50 passou a sofrer perseguições por parte dos conservadores liderados pelo senador McCarthy. Foi um crítico cáustico das posturas belicistas adotadas pelos dirigentes norte-americanos.

Gore Vidal foi romancista e ensaísta e residiu muitos anos em Ravello, Itália, tendo retornado para Los Angeles, Estados Unidos, quando da enfermidade e posterior morte de seu companheiro Howard Austen, em 2003. Continuou a escrever livros e artigos para periódicos do mundo inteiro.

Morreu no dia 31 de Julho de 2012 de pneumonia, em Hollywood.[2]

Carreira literária[editar | editar código-fonte]

Ficção[editar | editar código-fonte]

Vidal, a quem um crítico da Newsweek chamou "o maior homem de letras americano desde Edmund Wilson," [3] começou sua carreira como escritor aos 19 anos de idade, com a publicação do romance de guerra Williwaw , baseado no tempo em que esteve no serviço militar em Alaskan Harbor Detachment. O romance foi o primeiro a ser escrito sobre a Segunda Guerra Mundial e foi um grande sucesso para Vidal. [4] Alguns anos mais tarde, em 1948, A Cidade e o Pilar causou escândalo pela sua representação desapaixonada da homossexualidade. O romance foi dedicado a "J. T." Décadas mais tarde, depois de algumas revistas terem publicado rumores acerca da identidade de J. T., Vidal confirmou que eram as iniciais do seu apaixonado dos tempos de St. Albans, James "Jimmy" Trimble III, morto em combate na batalha de Iwo Jima no dia 1 de março de 1945; [5] Vidal disse mais tarde que Trimble foi a única pessoa que ele tinha verdadeiramente amado. [6]

Gore Vidal fotografado por Carl van Vechten (1948).

Orville Prescott, o crítico literário do New York Times, achou que A Cidade e o Pilar era tão desagradável que se recusou a escrever uma crítica e impediu o Times de rever os próximos cinco livros de Vidal. [7] Em resposta, Vidal escreveu vários romances de mistério no início dos anos 1950 sob o pseudónimo de Edgar Box, sobre o relações públicas Peter Cutler Sargeant II, {0/} cujo sucesso financiou Vidal por mais de uma década. {1/} Gore Vidal escreveu peças de teatro, filmes e séries de televisão. Duas peças, The Best Man (1960) e Visit to a Small Planet (1955), foram sucessos da Broadway e do cinema.

Em 1956, Vidal foi contratado como guionista pela Metro Goldwyn Mayer. Em 1959, o diretor William Wyler precisou de script doctors para reescrever o guião de Ben-Hur, que havia sido originalmente escrito por Karl Tunberg. Vidal trabalhou com Christopher Fry, para reescrever o guião na condição de que a MGM o liberasse dos dois últimos anos do seu contrato. A morte do produtor Sam Zimbalist veio complicar a questão da autoria do guião. A Screen Writers Guild resolveu a questão, indicando Tunberg como guionista exclusivo e negando qualquer crédito a Vidal e Fry. Esta decisão foi baseada nas linhas de orientação para atribuição de autoria de guiões da WGA que privilegia os autores originais. Vidal afirmou mais tarde no documentário The Celluloid Closet que, para explicar a animosidade entre Ben-Hur e Messala, ele tinha inserido um subtexto gay, sugerindo que os dois tinham tido um relacionamento anterior, mas que o ator Charlton Heston não sabia de nada sobre este assunto. [8] Heston negou que Vidal tivesse contribuído significativamente para o script. [9]

Na década de 1960, Vidal escreveu três romances. O primeiro, Julian (1964) tratou do imperador romano apóstata, enquanto o segundo, Washington, DC (1967) se centrou numa família política da era de Franklin D. Roosevelt. O terceiro foi uma comédia satírica transexual Myra Breckinridge (1968), uma variação sobre os temas familiares a Vidal, sexo, género e cultura popular. Neste romance, Vidal revelou o seu amor pelo cinema norte-americano dos anos 1930 e 1940, e ressuscitou o interesse pelas carreiras de atores esquecidos, incluindo, por exemplo, o falecido Richard Cromwell, que, segundo Vidal, " foi tão satisfatoriamente torturado em The Lives of a Bengal Lancer ".

Após a encenação das peças Weekend (1968) e An Evening With Richard Nixon (1972), e a publicação dos romances Two Sisters: A Novel in the Form of a Memoir (1970), Vidal dedicou-se ao ensaio e a dois temas específico em ficção. A primeira linha temática inclui os romances que tratam de história dos Estados Unidos, especificamente sobre a natureza da política interna. [10] O crítico Harold Bloom escreveu: "a imaginação de Vidal sobre a política americana ... é tão poderosa que induz reverência." Entre os títulos desta série, as Narrativas do Império, incluem-se Burr (1973), 1876 (1976), Lincoln (1984), Empire (1987), Hollywood (1990), The Golden Age (2000). Em 1981, surgiu outro título, dedicado à antiguidade, Creation, que foi reeditado com novos textos em 2002.

A segunda linha temática consiste nas "invenções satíricas": Myron (1974, uma sequela a Myra Breckinridge), Kalki (1978), Duluth (1983), Live from Golgotha: The Gospel according to Gore Vidal (1992), e The Smithsonian Institution (1998).

Vidal voltou a escrever ocasionalmente para cinema e televisão, incluindo filme para televisão Gore Vidal's Billy the Kid com Val Kilmer e a minissérie Lincoln. Também foi autor da versão original do controverso filme Calígula,, mas posteriormente obrigou a que o seu nome fosse retirado dos créditos depois do diretor Tinto Brass e do ator Malcolm McDowell terem reescrito o guião, alterando de forma significativa o tom e os temas. Os produtores, mais tarde, fizeram uma tentativa de salvar parte do conceito de Vidal para filme na fase de pós-produção. [11]


Ensaios e memórias[editar | editar código-fonte]

Vidal é - pelo menos para os EUA - mais respeitado como ensaísta do que como romancista [12] O crítico John Keats elogiou-o como "o melhor ensaísta do século [XX]." Mesmo um crítico ocasionalmente hostil como Martin Amis, admite que "É nos ensaios que ele é bom... é culto, divertido e extremamente perspicaz. Mesmo as suas omissões são esclarecedoras".

Gore Vidal em 2008, no Los Angeles Times Festival of Books.

Durante seis décadas, Gore Vidal dedicou-se a uma grande variedade de temas sociopolíticos e sexuais, históricos e literários. Em 1987, Vidal escreveu os ensaios intitulados Armageddon?, explorando os meandros do poder dos Estados Unidos no mundo contemporâneo. Ridicularizou o presidente Ronald Reagan como "um triunfo da arte de embalsamar". Em 1993, ganhou o National Book Award para não-ficção pela coletânea United States: Essays 1952-1992 [13] "Qualquer que seja o tema, ele trata-o com alma de artista, sabedoria de erudito e poderes de persuasão de um grande ensaísta". [carece de fontes?]

Uma subsequente recolha de ensaios, publicados em 2000, foi The Last Empire. Posteriormente publicou o que ele mesmo denominou de "panfletos", como Perpetual War for Perpetual Peace, Dreaming War: Blood for Oil and the Cheney-Bush Junta, e Imperial America, críticas ao expansionismo americano, ao complexo militar-industrial, ao estado da segurança nacional e ao governo de George W. Bush. Vidal também escreveu um ensaio histórico sobre os pais fundadores dos Estados Unidos, Inventing a Nation. Em 1995, publicou um livro de memórias Palimpsest, e em 2006 o volume seguinte, Point to Point Navigation. No início desse ano, Vidal também publicou Clouds and Eclipses: The Collected Short Stories.Clouds and Eclipses: The Collected Short Stories .

Devido ao seu tratamento frontal de relações homossexuais em livros como A Cidade e o Pilar, Vidal é frequentemente visto como um defensor precoce dos movimentos de libertação sexual. [14] na edição de setembro de 1969 da revista Esquire, por exemplo, Vidal escreveu: "para começar, todos somos bissexuais. Trata-se de um facto da nossa natureza. E todos somos sensíveis a estímulos sexuais do nosso próprio sexo bem como do sexo oposto. Certas sociedades, em certas ocasiões, sobretudo pelo interesse em manter o abastecimento de bebés, têm desencorajado a homossexualidade. Outras sociedades, especialmente as militaristas, têm-na exaltado. Mas, independentemente de tabus tribais, a homossexualidade é uma constante da condição humana e não é doença, nem pecado, nem crime ... apesar dos melhores esforços das nossas tribos de puritanos para que o seja. A homossexualidade é tão natural como a heterossexualidade. Reparem que eu utilizo "natural" e não normal ". [15]

Em 2005, Jay Parini foi designado executor literário de Vidal. [16]

Em 2009, Vidal foi agraciado com a medalha de anual da National Book Foundation, pela sua contribuição para a literatura norte-americana, como um "proeminente crítico social de política, história, literatura e cultura". [17]

Obras publicadas em português[editar | editar código-fonte]

  • Williwaw
  • 1876,
  • À Procura do Rei
  • Burr
  • Era Dourada: Narrativas do Império
  • Palimpsesto
  • Fundação Smithsonian
  • Kalki
  • Messias
  • Sonhando a Guerra
  • Myra Breckinridge
  • Myron
  • Duluth
  • Criação
  • O Julgamento de Paris
  • A Cidade e o Pilar
  • Juliano
  • Em directo do Calvário
  • Washington D.C.
  • Império
  • Navegação Ponto Por Ponto

Referências

  1. a b c d Biografia na página do UOL Educação.
  2. Notícia da morte de Gore Vidal
  3. Perpetual War for Perpetual Peace. Web.archive.org (February 7, 2008). Arquivado do original em 2008-02-07. Página visitada em November 7, 2011.
  4. Vidal, Gore. A Cidade eo Pilar e sete primeiras histórias (Nova Iorque: Random House), xiii
  5. Roberts, James " O legado de Jimmy Trimble ", ESPN, 14 de março de 2002.
  6. Chalmers, Robert, " Gore Vidal: rixas literárias, sua mãe 'vicioso' e rumores de uma criança amor secreto ", The Independent, 25 de maio de 2008.
  7. Gore Vidal, Point to Point Navigation (New York: Doubleday, 2006), 245
  8. Ned Rorem. "Gore Vidal, aloof in art and in life", Chicago Sun-Times, December 12, 1999, p. 18S.
  9. Mick LaSalle. "A Commanding Presence: Actor Charlton Heston sets his epic career in stone -- or at least on paper", The San Francisco Chronicle, October 2, 1995, p. E1.
  10. John Leonard. "Not Enough Blood, Not Enough Gore", The New York Times, 7 July 1970. Página visitada em 2008-10-30.
  11. " Show Business: Será que o Caligula real Stand Up? ", Time, 3 de janeiro de 1977.
  12. Solomon, Deborah. "Literary Lion", The New York Times Magazine, 2008–06–15. Página visitada em 2008–06–29.
  13. "Prémios Nacionais do Livro - 1993" . Fundação Nacional do Livro. Retirado 2012/03/12.
    (Com discurso de aceitação por Vidal, lido por Harry Evans.)
  14. Décoration de l'Ecrivain Gore Vidal .
  15. Gore Vidal. "A Distasteful Encounter with William F. Buckley Jr.", Esquire, September, 1969, p. 140.
  16. Sundance Resort — Create, Creative Happenings, Films, Literary. Sundanceresort.com. Página visitada em 2008-10-20.
  17. "Contribuição às letras americanas" . Fundação Nacional do Livro. Retirado 2012/03/11.
    (Com discurso de aceitação por sinopse Vidal e oficial).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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