Gortina

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Leis de herança, fragmento da 11ª primeira coluna do Código Legal de Gortina, Louvre

Gortina (em grego: Γόρτυνα, Górtyna; Γόρτυς, Górtys; ou Γόρτυν, Górtyn) é um município e um sítio arqueológico na ilha mediterrânea de Creta, a 45 km da atual capital, Heraclião na unidade regional de Heraclião. Antiga capital romana de Creta, foi habitada pela primeira vez por volta de 3 200 a.C. e era uma florescente cidade minoica entre 1 600 e 1 100 a.C. Localizada na planície de Messara ao norte da montanha de Psiloritis onde hoje estão os vilarejos de Metropolis e Agioi Deka (ou Hagioi Deka; "Dez Santos"), perto do mar Líbio.

História de Gortina[editar | editar código-fonte]

Há evidências da ocupação humana em Gortina desde pelo menos o Neolítico, em 7 000 a.C. Muitos artefatos foram encontrados lá que remontam à era minoica, assim como alguns dos dóricos (ca. 1 100 a.C.). Embora não seja consenso que a cidade tenha se desenvolvido durante o período minoico, é fato que ela já existia nos tempos heroicos, uma vez que ela foi citada por Homero[1] , entre as cidades gregas de Creta cujo crescimento já era destacado. A cidade também foi elogiada por Platão[2] e muitas outras. A cidade de Gortina ultrapassou em proeminência a cidade de Festo, até então a mais importante cidade da Creta minóica, durante o primeiro milênio a.C.[3] . O período de maior posteridade, porém, foi durante a era helenística. Gortina excedeu o poderio de todas as outras cidades cretenses e chegou a dominar todo o vale, de Messara até Levina e, depois da destruição de Festo no séc a.C., estendeu o seu poder até Matala.

Gortina tinha excelentes relações com Ptolomeu IV do Egito e prosperou também durante o período romano. E sendo aliada dos romanos, evitou o desastre que se abateu sobre outras cidades da ilha de Creta quando foi invadida por Quinto Cecílio Metelo Crético em 68 a.C.

Gortina continuou a crescer sob o domínio romano e se tornou a capital de Creta e da província romana da África. A cidade foi destruída em 828 a.C. pelos invasores árabes. Um dos primeiros templos cristãos foi construído na cidade e os restos da catedral ainda podem ser vistos na cidade. Esta catedral, dedicada a São Tito, o primeiro bispo de Creta, foi erguida no século VI [4] .

Monumentos em Gortina[editar | editar código-fonte]

Código Legal de Gortina, em Gortina

O coração da Gortina romana é o pretório, a sede do governador romano em Creta. Foi construído no século I a.C. e alterado significativamente durante os oito séculos seguintes. Na mesma área, entre a ágora e o templo de Apolo estão as ruínas dos banhos romanos (thermae), o próprio templo, um arco do triunfo e um templo de divindadas egípcias, com estátuas de culto de Ísis, Serápis e Anúbis.

O código legal da cidade de Gortina[editar | editar código-fonte]

Entre os arqueólogos, historiadores e classicistas, Gortina é conhecida hoje em dia principalmente pela descoberta em 1884 do chamado "Código de Gortina", que é o mais antigo e o mais completo código legal grego conhecido.[5] [6]

O código foi descoberto perto de uma estrutura construída pelo imperador romano Trajano, o odeão, que reutilizou blocos de rocha de uma parede contendo inscrições que também já tinha sido incorporada às fundações de uma estrutura helênica ainda mais antiga. Embora porções da inscrição tenham sido levadas para museus (como o Louvre), um edifício moderno atualmente localizado onde estava o hoje semi-destruído odeão abriga as pedras com o famoso código.

O mito de Europa e Zeus[editar | editar código-fonte]

Na mitologia grega clássica, Gortina foi o local de um dos muitos relacionamentos amorosos de Zeus, com a princesa Europa, cujo nome foi aplicado também ao continente. De acordo com o livro III da Odisseia de Homero, Menelau e sua frota, retornando para casa após a guerra de Troia, foi desviado do seu curso e acabou na costa de Gortina. Homero descreve que uma tempestade então lançou as embarcações contra os rochedos, acabando por destruir muitas delas.

Referências

  1. Homero. Ilíada. [S.l.: s.n.]. Capítulo: B 646. ; Homero. Odisseia. [S.l.: s.n.]. Capítulo: C 294.
  2. Leis platõnicas, A 708
  3. C.Michael Hogan (2007). Phaistos fieldnotes (em inglês).
  4. Butler, Alban. In: J. Duffy. The Lives of the Fathers, Martyrs, and Other Principal Saints (em inglês). [S.l.]: J. Duffy, 1866.
  5. Ι.Α. Typaldos - Interpretation of the Gortyn inscription discovered at 1884 (Athens 1887)
  6. Marg. Guarducci, Gortyniarum legum titulus maximus (page 123, 4th book - Inscriptiones creticae)
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