Granbio

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GranBio
GranBio Investimentos S.A.
Logomarca GranBio
Tipo Sociedade Anônima
Fundação 13 de junho de 2011 (3 anos)
Sede Brasil, São Paulo, SP
Produtos Biocombustíveis, Bioquímicos
Página oficial www.granbio.com.br

A GranBio Investimentos S.A. é uma empresa brasileira dedicada à fabricação de biocombustíveis e bioquímicos de segunda geração (2G).

História[editar | editar código-fonte]

A GranBio é uma companhia de biotecnologia industrial 100% brasileira. Criada em junho de 2011 com o nome de GraalBio (que adotou até março de 2013), a companhia foi a primeira a anunciar uma planta comercial de etanol de segunda geração no Hemisfério Sul. Prevista para entrar em operação no início de 2014, a unidade, localizada no município de São Miguel dos Campos-AL, vai produzir 82 milhões de litros do biocombustível por ano.

A empresa tem sede em São Paulo (capital). Possui ainda um Centro de Pesquisas em Biolotecnologia, em Campinas-SP, e uma Estação Experimetal para desenvolvimento de novas variedades de biomassa, em Barra de São Miguel-AL.

Em janeiro de 2013, o BNDESPAR, braço de participações do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), tornou-se acionista minoritário da GranBio, com 15% do capital total da companhia.

Em abril, a empresa começou o seu processo de internacionalização, adquirindo 25% da American Process Inc., nos Estados Unidos. No mesmo mês, abriu escritório na Califórnia.

Em agosto do mesmo ano, a GranBio anunciou parceria com a Rhodia - do grupo Solvay - para a construção, no Brasil, da primeira planta mundial de bio n-butanol. O produto é usado no processo de fabricação de tintas e solventes.

Também em 2013, a empresa foi listada pela revista americana Fast Company como uma das 10 companhias mais inovadoras da América do Sul.

A GranBio é controlada pela GranInvestimentos S.A., holding da família Gradin.

Obras da primeira usina em São Miguel dos Campos, AL.

Etanol de segunda geração (2G) ou etanol celulósico[editar | editar código-fonte]

A principal diferença entre o etanol de primeira e segunda geração é a matéria-prima. Enquanto o primeiro é produzido a partir do caldo de cana, o segundo pode ser feito a partir da celulose da planta, presente - por exemplo - na palha da cana. O etanol 2G se tornou viável graças à modernização do processo de extração e à sofisticação tecnológica das unidades de produção. Havia uma demanda do mercado para otimizar a conversão de recurso renovável (biomassa) em combustível, superando limitações do modelo atual. A aposta dos cientistas era o desenvolvimento de enzimas que atuassem na quebra da celulose da planta, liberando mais açúcar - e portanto mais energia. Em relação às propriedades físico-químicas, o etanol 2G é igual ao etanol tradicional. O que muda é o seu processo de fabricação.

Foram necessárias três frentes de trabalho simultâneas para que se chegasse ao etanol de segunda geração:

Pré-tratamento[editar | editar código-fonte]

Etapa que prepara a biomassa para ser decomposta nas suas moléculas constituintes. A matéria-prima passa por um processo de explosão e tem sua estrutura celular rompida, dando acesso às fibras de celulose e hemicelulose.

Hidrólise enzimática[editar | editar código-fonte]

Enzimas (proteínas) rompem as fibras da celulose, liberando açúcares mais simples de serem fermentados.

Fermentação[editar | editar código-fonte]

Na produção do etanol 1G, as leveduras convertem a glicose em etanol. No 2G, o processo é mais sofisticado. Por meio de biotecnologia foi desenvolvida uma levedura que também consome a xilose.

A GranBio e o etanol 2G[editar | editar código-fonte]

Primeira empresa a anunciar uma planta de biocombustíveis de segunda geração no Brasil, a GranBio passará a produzir etanol a partir da celulose em 2014. O projeto tem como sócio estratégico a usina Caeté, que pertence ao grupo Carlos Lyra, tradicional produtor de etanol no país. A fábrica de São Miguel dos Campos, em Alagoas, terá capacidade de produção de 82 milhões de litros por ano. Até 2020, a GranBio pretende ter capacidade instalada para produção de 1 bilhão de litros por ano de etanol 2G no Brasil.

Tecnologias[editar | editar código-fonte]

As seguintes tecnologias permitem a produção de etanol e bioquímicos de segunda geração:

PROESA: A GranBio licencia no Brasil a tecnologia italiana PROESA para produção do etanol de segunda geração. Diferentemente do produto convencional, o etanol de segunda geração não é extraído diretamente do açúcar retirado da cana. Ele é fabricado a partir da celulose e hemicelulose existentes nas fibras vegetais. Essas moléculas são expostas e quebradas em açúcares menores graças à ação de enzimas especializadas. Esses açúcares, por sua vez, são bombeados para fermentadores, onde leveduras os convertem em etanol.

AVAP: É uma tecnologia desenvolvida pela American Process Inc. (API), empresa americana da qual a GranBio é sócia minoritária. A solução de pré-tratamento desenvolvida pela API permite a produção de açúcar de celulose de baixo custo e em larga escala. Ela também atende às especificações exigidas para a fabricação de bioquímicos. O sistema converte a celulose e a hemicelulose (açúcares de seis e cinco carbonos, respectivamente) da biomassa por meio de um processo que combina a utilização de produtos químicos e enzimas. A API possui uma planta de demonstração integrada em Thomaston, Geórgia (EUA), para testar uma variedade de matérias-primas e formar parcerias com empresas químicas e conversoras de combustíveis para desenvolvimento de açúcares. A planta já está operando pela AVAPCO, filial da API, desde o final de março de 2013.

GreenPower+ (GP+): A tecnologia GreenPower+ (lê-se Green Power Plus) também foi desenvolvida pela American Process Inc. (API). Ela pode ser utilizada em plantas de etanol de primeira geração já existentes e tem a vantagem de não exigir larga escala, altos investimentos e nem mesmo enzimas, o que reduz o custo final de produção. A tecnologia de baixo custo produz açúcar de celulose, extraindo somente as hemiceluloses (acúcares de cinco carbonos) da biomassa. O restante do material pode ser aproveitado para geração de energia eléctrica. A GP+ está sendo usada em escala comercial na Biorefinaria da API em Alpena, Michigan (EUA).

Cana-energia[editar | editar código-fonte]

Estação Experimental, em Alagoas.

A GranBio desenvolve uma nova variedade de cana para produzir etanol e bioquímicos de segunda geração. Batizada comercialmente de Cana Vertix®, essa variedade de cana-energia está sendo obtida a partir do cruzamento genético de híbridos comerciais com tipos ancestrais da cana-de-açúcar, de milhares de anos atrás. O resultado será uma cana mais robusta, mais resistente a pragas e doenças e mais longeva, com teor de fibra e produtividade maiores que a planta convencional. Até o fim de 2013, a GranBio terá plantado 200 mil mudas, com sementes vindas de bancos de germoplasmas do Brasil e do mundo. O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e a Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa) são parceiros da GranBio nesse projeto. O primeiro plantio comercial da Cana Vertix® está previsto para 2015. A cana-energia é 200% mais produtiva do que a cana tradicional. Por ter 50% menos açúcar e produzir 4 vezes mais biomassa, ela é a matéria-prima ideal para usinas de segunda geração. Além disso, pode ser plantada e colhida em qualquer época do ano e proporciona três vezes mais vida útil ao canavial do que a cana-de-açúcar.


Ligações externas[editar | editar código-fonte]