Grand Tour

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Interior do Panteão de Roma, durante o século XVIII, pintado por Giovanni Paolo Panini.

Grand Tour era o nome dado a uma tradicional viagem pela Europa, feita principalmente por jovens de classe-média alta. O costume floresceu desde cerca de 1600 até o surgimento do tráfego ferroviário em grande escala, na década de 1840, e costumava estar sempre associado a um determinado itinerário. A tradição ainda continuou depois que as viagens por trem e navio a vapor facilitaram os deslocamentos, e jovens americanos e de outros locais do mundo também a realizaram.

Descrição[editar | editar código-fonte]

A Grand Tour servia como um rito de passagem educacional. Associado primordialmente com a Grã-Bretanha, especialmente com a gentry e a nobreza britânica, viagens semelhantes foram feitas por jovens endinheirados de nações protestantes do Norte da Europa por todo o Continente. O jornal americano The New York Times descreveu assim a Grand Tour:

Há trezentos anos, ingleses jovens e ricos começaram a realizar uma viagem pós-Oxbridge através da França e da Itália, em busca de arte, cultura, e das raízes da civilização ocidental. Com fundos quase ilimitados, ligações aristocráticas e meses (ou anos) disponíveis, eles comissionavam pinturas, aperfeiçoavam seus dotes linguísticos e se misturavam com a nobreza local.[1]


O valor primário da Grand Tour, acreditava-se, estava na exposição tanto ao legado cultural da Antiguidade Clássica e do Renascimento, quanto à sociedade aristocrática e chique do continente europeu. Além disso, era a única oportunidade existente de se ver certas obras de arte, e, possivelmente, a única chance de se ouvir certas peças musicais. Um grand tour podia durar de alguns meses até alguns anos. Era comumente realizada em companhia de algum guia conhecedor, ou de um tutor. A Grand Tour teve mais do que uma importância cultural superficial; nas palavras do historiador inglês E.P. Thompson, "o controle da classe dominante, no século XVII, localizava-se antes de tudo numa hegemonia cultural, e, somente depois, numa expressão de poder econômico ou físico (militar)".[2]

Referências

  1. Gross, Matt. "Lessons From the Frugal Grand Tour." The New York Times 5 de setembro de 2008.
  2. Thompson, The Making of the English Working Class 1991:43.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bohls, Elizabeth e Duncan, Ian. ed. (2005). Travel Writing 1700-1830 : An Anthology. Oxford University Press. ISBN 0-19-284051-7
  • Buzard, James (2002), "The Grand Tour and after (1660-1840)", in The Cambridge Companion to Travel Writing. ISBN 0-521-78140-X
  • Chaney, Edward. (1985), The Grand Tour and the Great Rebellion: Richard Lassels and 'The Voyage of Italy' in the seventeenth century(CIRVI, Geneva-Turin, 1985.
  • Chaney, Edward. (2004), "Richard Lassels": entry in the Oxford Dictionary of National Biography.
  • Chaney, Edward. The Evolution of the Grand Tour: Anglo-Italian Cultural Relations since the Renaissance (Frank Cass, London and Portland OR, 1998; revised edition, Routledge 2000). ISBN 0-7146-4474-9.
  • Chaney, Edward. ed. (2003), The Evolution of English Collecting (Yale University Press, New Haven and London, 2003).
  • Fussell, Paul (1987), "The Eighteenth Century and the Grand Tour", in The Norton Book of Travel, ISBN 0-393-02481-4
  • Trease, Geoffrey. The Grand Tour (Yale University Prewss) 1991.
  • Witon, Andrew e Bignamini, Maria. Grand Tour: The Lure of Italy in the Eighteenth-Century.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]