Grande ópera
A Grande Ópera é um gênero de ópera do século XIX, geralmente de quatro ou cinco atos, caracterizados pelos grandes elencos e orquestras e (em suas produções originais) com luxuosos e espetaculares designs e efeitos especiais, normalmente com base em acontecimentos históricos dramáticos. O termo é particularmente aplicado a certas produções da Ópera de Paris do fim da década de 1820 até 1850 e as vzes usada para designar a ópera Óperá de Paris, mas também é usado para as obras contemporâneas ou os últimos trabalhos de proporções monumentais da França, Alemanha, Itália ou de outros países europeus1 .
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Origens [editar]
Paris, na virada para o século XX, atraiu muitos compositores, tanto da França como do exterior e especialmente compositores de ópera. Inúmeros trabalhos italanos desse período, inclusive de Luigi Cherubini, demonstram que o uso do recitativo era adequato para os dramas poderosos que estavam sendo escritos. Outros, como Gaspare Spontini, escreveram trabalhos para glorificar Napoleão Bonaparte. Essas óperas foram compostas em grande escala para o Imperador. Outros fatores que conduziram os parisienses à supremacia no espetáculo operístico foi a habilidade da grande Ópera de Paris em produzir consideráveis trabalhos e recrutar pintores, designers e técnicos, e por ter sua longa tradição no balé francês. A primeira performance teatral iluminada por gás, por exemplo, foi Aladino na Ópera, em 1823.
Inúmeras óperas de Gaspare Spontini, Luigi Cherubini e Gioachino Rossini, podem ser consideradas como precursoas da grande ópera francesa. Essas incluem: La vestale (1807) e Fernand Cortez (1809, revisada em 1817) de Spontini, Les Abencérages de Cherubini (1813) e Le siège de Corinthe (1827) e Moïse et Pharaon (1828) de Rossini. Todas essas óperas tiveram características de tamanho e espetáculo que são normalmente associadas as Grandes Óperas francesas. Outro precursos importante foi Il crocciato in Egitto de Giacomo Meyerbeer, que eventulamente tornou-se o mais reconhecido do gênero da grande ópera. Em Il crociato, que foi produzido por Rossini em Paris, em 1825, após o sucesso em Veneza, Florença e Londres. Meyerbeer conseguiu misturar o estilo italiano com um estilo orquestral derivado de sua formação alemã, introduzindo uma gama muito maior de efeitos musicais da tradicional ópera alemã. Além disso, Il crociato com seu exótico cenário histórico, bandas no palco, fantasias espetaculares e temas com choques culturais, exibiu muitas das características nas quais a Grande Ópera iria se basear
Balé [editar]
Um notável feito da Grande Ópera, como desenvolvimento em Paris, através da década de 1830, foi a presença de um pródigo balé, para aparecer no, ou perto do, início do segundo ato. Ele não foi criado por rasões estéticas, mas para satisfazer a demanda dos ricos da Ópera e dos patronos aristocratasm que tinham mais interesse em dançarinas do que na ópera em si e não queriam seus horários de refeições perturbados. O balé tornou-se um importante elemento no prestigio social da Ópera2 . Compositores que não seguiram essa tradição acabaram sofrendo as consequências, como Richard Wagner, que teve que revisar Tannhäuser para a Grande Ópera em Paris, em 1861, e teve que ser retirado após três performances, parte porque tinha o balé no primeiro ato.
França [editar]
As Primeiras Grandes Óperas (1828 - 1929) [editar]
A primeira ópera do catálogo das Grandes Óperas, com um consentimento comum, é La muette de Portici (1828) de Daniel François Auber. Essa história da revolução em Nápoles em 1647 (e termina com uma eupção fo Vesúsio), encarna o sensacionalismo musical e cênico, que tornaram-se marca registrada da Grande Ópera. O libreto de La muette é de Eugène Scribe, uma força dominante no teatro francês, que se especializou em versões melodramáticas (muitas vezes envolvendo extremos da coincidência) de tópicos históricos, que foram adaptador para o gosto do público da época.Esse foi o primeiro libretto da Ópera, ele foi escrito e associado com muitos dos librettos de maiores sucessos da Grande Ópera.
Em 1829, La muette foi seguida pela ópera Guillaume Tell de Gioachino Rossini. O compositor reconheceu o potencial de novas tecnologias, grandes teatros e orquestras e instrumentos modernos e mostrou em seu trabalho que poderia usá-los, como fez na indubitável obra da grande ópera. Mas sua confortável posição financeira e a mudança no clima político após a Revolução de Julho, persuadiram-no a sair desse campo, e essa foi sua última composição pública.
A Era de Ouro (1830 - 1850) [editar]
Após a Revolução de Julho, um nove regime determinou a privatização da Ópera de Paris, e o vencedor do contrato foi um homem de negócios que reconheceu que não sabia nada de música, Veron. No entanto, ele logo mostrou-se extremamente perspicaz no gosto do público exigente, investindo pesadamente na fórmula da Grande Ópera. Sua primeira produção foi um trabalho logo, contratado de Meyerbeer, cuja estreia foi adiada por conta da Revolução. Foi uma sorte para ambos, Veron e Meyerbeer - como Hector Berlioz comentou: "Meyerveer não tinha apenas a sorte de ser talentoso, mas o talento para ser feliz"3 . Sua nova opera Robert le diable soou bem com os sentimentos liberais da década de 1830 na França. Além disso, sua potente mistura de melodrama, espetáculo, lubricidade (incluindo um balé de fantasmas de freiras devassas) e árias e coros dramáticos, caíram bem aos novos líderes. O sucesso de Robert foi tão espetacular quando sua produção.
Nos anos seguintes, Veron trouxe Gustave III de Daniel François Auber (1833, libretto de Scribe, posteriormente adaptado para Un ballo in maschera de Giuseppe Verdi) e La juive de Fromental Halévy (1835, libretto de Scribe) e pediu a próxima ópera a Giacomo Meyerbeer: Les Huguenots (1836, libretto de Scribe e Deschamps), cujo sucesso foi o mais duradouro de todas as óperas do século XIX.
Fazendo fortuna em sua direção na Ópera, Veron entregou sua concessão a Duponchel, que continuou a fórmula vencedora. Entre 1838 e 1850, a Ópera de Paris apresentou inúmeras obras de Grande Ópera, sendo as mais notáveis: La reine de Chypre (1841) e Charles VI (1843) de Fromental Halévy; La favorite (1840) e Dom Sébastien (1843) de Gaetano Donizetti e Le prophète de Giacomo Meyerbeer (1849). Em 1847, a Ópera viu a première da primeira ópera de Giuseppe Verdi para Paris: Jérusalem, uma adaptação de I Lombardi alla prima crociata (opera).
1850 - 1870 [editar]
O desenvolvimento mais significante da Grande Ópera, após a década de 1850 foi feita pelas mãos de Giuseppe Verdi, cuja Les vêpres siciliennes (1855), provou ser mais amplamente aceita na Itália e outras casas de ópera de linguagem italiana, do que na França. O gosto pelo luxo e extravagância nos teatros franceses declinou após a revolução de 1848 e as novas produções de grande escala não eram mais viáveis, comercialmente. A popular Faust (1859) de Charles Gounod, começou como uma ópera cômica e não tornou-se uma grande ópera, até ser reescrita na década de 1860. Les Troyens de Hector Berlioz (composta entre 1856 e 1858, posteriormente revisada) não teve uma performance cheia até um século depois da morte do compositor.
Na década de 1860, o gosto pelo grande estilo voltou a cena. La reine de Saba de Charles Gounod, foi raramente encenada, entretanto, a grande ária para tenor, "Inspirez-moi, race divine", tornou-se conhecida com um gravação do tenor Enrico Caruso. Giacomo Meyerbeer morreu em 2 de maio de 1864, sua L'Africaine foi apresentada pela primeira vez, postumamente, em 1865. Giuseppe Verdi retornou a Paris, com uma obra que muitos consideram a maior, da Grande Ópera Francesa, Don Carlos (1867). Ambroise Thomas contrubuiu com Hamlet em 1868, e finalmente, no final da década, a revisão de Faust foi apresentada na Ópera de Paris.
Últimas Grandes Óperas Francesas [editar]
Durante a década de 1870 e 1880, uma nova geração de compositores franceses continuaram a produzir trabalhos de larga escala, em tradição a Grande Ópera, mas muitas vezes rompeu o limite melodramático. A influência das óperas de Wagner começou a ser sentida. Jules Massenet teve pelo menos duas grandes obras em sua lista: Le roi de Lahore (Paris, 1877), tida como "a última grande ópera a ter um grande sucesso" e Le Cid (Paris, 1885). Outros trabalhos nessa categoria estão Polyeucte (Paris, 1878), de Charles Gounod e Henry VIII de Camille Saint-Saëns (Paris, 1883).
Declínio da Grande Ópera Francesa [editar]
Há três fatores distintos que resultaram no declínio da Grande Ópera:
- Poucas novas óperas nesse estilo foram compostas, fazendo a Grande Ópera menos popular
- O desaparecimento de obras do repertório para abrir caminho para novas modas (como o Verismo)
- O desprezo pelo formato, por parte dos partidários da ópera Wagneriana