Grande Hino a Aton

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Aquenáton, Nefertiti e as filhas do casal recebem os raios de Aton. Museu Egípcio do Cairo

O Grande Hino a Aton é um texto religioso do Antigo Egipto cuja autoria é atribuída ao faraó do Império Novo Amen-hotep IV, mais conhecido pelo nome de Aquenáton, que governou o Egipto entre 1351 e 1334 AEC (segundo o egiptólogo alemão Jürgen von Beckerath).

Foi gravado no túmulo de Ai, um alto funcionário do soberano que chegou a ser rei, sucedendo a Tutancâmon. Este túmulo, situado numa montanha a oriente de Amarna, não foi utilizado por Ai que acabou por ser sepultado em Tebas (na necrópole do Vale dos Reis). Foi disposto em treze colunas verticais de hieróglifos, acompanhado por uma representação de Ai e da sua esposa, Tié. As inscrições encontram-se danificadas devido ao vandalismo exercido sobre estas em 1890.

Em cinco outros túmulos de Amarna existem composições dedicadas a Aton ou a Aton e ao rei que devido às suas semelhanças se acredita serem oriundas duma mesma fonte.

É o principal documento para o estudo das concepções religiosas desenvolvidas por Aquenáton, as quais são por vezes designadas sob o termo de "atonismo", dado o deus Aton ocupar nelas o papel principal. É provável que o hino fosse utilizado em celebrações religiosas.

A composição gira em torno de três figuras: Ré-Horakhti na sua manifestação de Aton, Aquenáton e Nefertiti. Aton é apresentado como o criador dos seres e das coisas, que protege, sendo Aquenáton o único ser humano que tem acesso ao deus.

Tem sido apontadas as semelhanças entre o hino e o Salmo 104 da Bíblia, o que para alguns sugere uma relação entre o monoteísmo de Aquenáton e o monoteísmo abraâmico, que surgiu cerca de 700 AEC. Porém, hoje em dia sugere-se que as semelhanças são oriundas do mesmo substrato cultural do Médio Oriente. Muito mais do que um monoteísmo, as concepções religiosas de Aquenáton seriam um henoteísmo exacerbado.

Para além disso, o hino não é completamente original, dado que alguns elementos presentes já se encontram em composições anteriores, como nos Textos dos Sarcófagos e num hino a Amon que se encontra no Papiro Bulaq 17. No entanto, o hino é considerado como uma bela manifestação literária deste período.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • LICHTHEIM, Miriam - Ancient Egyptian Literature. University of California Press, 1978. ISBN 0-520-03615-8
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