Grande Intercâmbio Americano

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Exemplos do intercâmbio da fauna no Plioceno. Verde: Animais Norte-americanos com ancestrais Sul-americanos. Azul: Animais Sul-americanos com ancestrais Norte-americanos

O Grande Intercâmbio Americano (GABI, do inglês "Great American Biotic Interchange") foi um importante evento paleozoogeográfico no qual a fauna terrestre e de água doce migrou da América do Norte através da América Central para a América do Sul e vice-versa, quando o Istmo do Panamá se formou e uniu os continentes antes separados. A migração atingiu seu ápice por volta de três milhões de anos (Ma) atrás, no Piacenziano, a primeira metade do Plioceno superior.

Resultou na junção das ecozonas Neotropical (grosso modo, a América do Sul) com a Neoártica (grosso modo, a América do Norte), dando origem definitiva às Américas. O intercâmbio é visível a partir da observação tanto da estratigrafia quanto da natureza (neontologia). Seu efeito mais dramático foi sobre a zoogeografia dos mamíferos, mas também possibilitou que aves ápteras, artrópodes, répteis, anfíbios e até mesmo peixes de água doce, migrassem.

Intercâmbios similares ocorreram anteriormente no Cenozóico, quando as massas terrestres antes isoladas da Índia1 e África2 fizeram contato com a Eurásia, cerca de 50 e 30 Ma atrás, respectivamente.

Imagem de satélite do Panamá, em março de 2003

Índice

Visão Tradicional[editar]

A visão tradicional é a de que esse evento massivo de intercâmbio teve início apenas com o fechamento do Istmo do Panamá, o que foi largamente baseado em evidências fósseis de grandes mamíferos. Essa visão também sempre assumiu que o evento de dispersão foi sincrônico entre animais e plantas, considerando a falta de um corredor terrestre como uma barreira absoluta para migração.

Novas visões[editar]

A visão de um evento dispersivo absolutamente sincrônico é cada vez mais deixada de lado, se mostrando como um artefato de amostragem. Num trabalho de meta-análise, Cody (2010).3 obteve dados que indicam que o intercâmbio de fauna e flora foi assincrônico, com a flora se intercambiando muito antes da fauna (com registros de 50 Ma). Mesmo para animais, os dados mostravam que já havia ocorrido intercâmbio há cerca de 20 Ma. Esse trabalho contribui para uma nova visão do início do GABI, indicando que a barreira aquática não era absoluta, influenciando animais e plantas de maneiras diferentes e mostrando esse padrão geral de dispersão anterior das plantas. Mesmo entre animais, as diferenças entre capacidades dispersoras também diferem. Barker (2007)4 mostrou que o intercâmbio do gênero de aves Campylorhynchus ocorreu muito antes do fechamento do Istmo, há cerca de 8 Ma. A falta de dados para aves, um grupo com alta vagilidade, se deve principalmente a baixa capacidade de fossilização.

Um dado geológico que era pouco explorado foi a possibilidade de o istmo do Panamá ter se formado a parir de ilhas de origem vulcânica. Esta origem poderia ajudar a explicar um aumento ainda maior em relação à capacidade de dispersão, uma vez que as distâncias seriam bem menores com a presença destas ilhas. Este fenômeno é conhecido por dispersão via “stepping-stones” (ilhas em sequência formam “caminho” que propicia a ida de um indivíduo e/ou espécie de um local a outro).

Megalonyx, a preguiça gigante. Museu de Zoologia Comparada, Harvard University

Outro padrão pouco pesquisado anteriormente e melhor compreendido nos últimos anos é a presença de duas áreas biogeográficas na América do Sul: uma ao norte e outra ao sul do continente. Estas áreas possuem pouco intercâmbio de biota5 , o que sugere que espécies mais adaptadas à região sul não tiveram tantas oportunidades para atravessarem a América Central, seja antes ou depois da formação do istmo do Panamá. O mesmo se dá com espécies do Norte, que não devem ter conseguido chegar até regiões mais ao sul.

Biogeografia[editar]

O Grande intercâmbio Biótico Americano é um evento de extrema importância para a compreensão dos padrões biogeográficos da biota Americana. Interpretar padrões apenas com a visão tradicional de evento sincrônico pode gerar muitas más interpretações, já que o poder de dispersão e potencial de fossilização dos seres vivos varia muito.

Invasões da América do Sul pela América do Norte[editar]

  • Smilodon (Tigre-Dente-de-Sabre)6
  • Alligatorines 7
  • Camelideos (Lama guanicoe, Vicugna vicugna, †Eulamaops, †Hemiauchenia, †Palaeolama)

Lista de táxons. In: Wikipedia. Disponível em:.<http://en.wikipedia.org/wiki/Great_American_Interchange#cite_note-79>. Acesso em: 10 dez. 2012

Invasões Sul Americanas que não passaram da América Central[editar]

Gliptodonte- Panochthus tuberculatus. Essa espécie viveu na argentina durante o Pleistoceno. Apesar de muitos glyptodontes terem se originado na América do Sul, alguns migraram pelo Istmo do Panamá e se estabeleceram no Sul da América do Norte. Museu de Zoologia Comparada, Harvard University

Lista de táxons. In: Wikipedia. Disponível em:.<http://en.wikipedia.org/wiki/Great_American_Interchange#cite_note-79>. Acesso em: 10 dez. 2012

Invasões da Sul Americanas ao Sul da América do Norte[editar]

  • Glyptodon; parentes dos armadilhos
  • Capivaras
  • Beija-flor(Trochilidae)
  • Megalonichid, Preguiça Gigante(Megalonyx)

Lista de táxons. In: Wikipedia. Disponível em:.<http://en.wikipedia.org/wiki/Great_American_Interchange#cite_note-79>. Acesso em: 10 dez. 2012

Referências

  1. Karanth, K. Praveen. (2006-03-25). "Out-of-India Gondwanan origin of some tropical Asian biota". Current Science 90 (6): 789-792. Indian Academy of Sciences.
  2. Hedges, S. Blair. (02-01-2001). "Afrotheria: Plate tectonics meets genomics". Proceedings of the National Academy of Sciences 98 (1): 1-2. National Academy of Sciences.
  3. Cody et al. The Great American Biotic Interchange revisited. Ecography 33, 2010, p. 326-332.
  4. Barker, F. K. Avifaunal interchange across the Panamanian isthmus: insights from Campylorhynchus wrens. Biological Journal of the Linnean Society, 2007, 90, p. 687–702.
  5. Bermingham, E.; Martin, A. P. Comparative mtDNA phylogeography of neotropical freshwater fishes: testing shared history to infer the evolutionary landscape of lower Central America. Molecular Biology, 1998, 7, p. 499-517.
  6. http://en.wikipedia.org/wiki/Great_American_Interchange#cite_note-79>. Acesso em: 10 dez. 2012
  7. Vanzolini, P. E.; Heyer, W. R. (1985). "The American Herpetofauna and the Interchange". In Stehli, F. G.; Webb, S. D.. The Great American Biotic Interchange. Topics in Geobiology, vol. 4. Plenum Press. pp. 475–487. ISBN 978-0-306-42021-4.

Ligações externas[editar]