Granuloma de células gigantes

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Inúmeras células gigantes em lâmina histológica.

Existem dois tipos de granuloma de células gigantes. O granuloma central e o periférico de células gigantes.

Granuloma periférico de células gigantes[editar | editar código-fonte]

O Granuloma periférico de células gigantes é um crescimento pediculado e de superfície lisa, com coloração levemente mais escura que tecido adjacente e algumas vezes lobulado. A lesão está normalmente limitada à gengiva e pode estender-se às áreas sem dentes. É mais prevalente na mandíbula que na maxila.

Características clínicas[editar | editar código-fonte]

  • Proliferação tecidual em mucosas, principalmente no rebordo alveolar
  • Superfície íntegra ou ulcerada
  • Coloração um pouco mais escura que o tecido adjacente (coloração roxa ou vinho)
  • Pouco sangrante ao toque
  • Pode ser um distúrbio local de cicatrização ou a manifestação de uma doença sistêmica

Tratamento[editar | editar código-fonte]

  • Cirúrgico local (desde que descartada a possibilidade de doença sistêmica)

Granuloma central de células gigantes[editar | editar código-fonte]

O granuloma central de células gigantes (Central giant cell granuloma - CGCG) é considerado uma lesão intra-óssea benigna. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o granuloma central de células gigantes é uma lesão intra-óssea formada por tecido fibroso celular que contém múltiplos focos de hemorragia, agregação de células gigantes multinucleadas e, ocasionalmente, trabeculado de osso imaturo. CGCG é uma lesão incomum, uma vez que corresponde a menos que 7% de todas as lesões benignas dos maxilares. Mais de 60% dos casos ocorrem em pacientes com menos de 30 anos de idade, é mais freqüente em mulheres do que em homens. A relação entre mandíbula e maxila tem sido verificada em uma proporção de 2:1, e a porção anterior da mandíbula, é o local mais comum para o seu desenvolvimento. Esta lesão é normalmente assintomática e pode ser diagnosticada através de exames radiográficos de rotina ou de uma expansão indolor do osso afetado. Em relação ao comportamento clínico e aspectos radiográficos, o granuloma central de células gigantes pode ser classificado como:

  • lesões não agressivas caracterizam-se por crescimento lento, geralmente assintomático, sem perfurar corticais ou induzir reabsorção radicular,apresentando baixa taxa de recorrência.
  • lesões agressivas caracterizam-se por dor, crescimento rápido, expansão e perfuração das corticais, reabsorção radicular e alta incidência à recorrência. Mais encontrada em pacientes jovens.

Seu comportamento biológico é pouco entendido, e a etiologia desta lesão é ainda muito discutida entre os autores. Acredita-se que ela tanto possa envolver causas locais quanto sistêmicas. As causas locais podem ser o trauma e os insultos vasculares, que produziriam hemorragia intramedular, e o tecido conjuntivo de maneira exacerbada tentaria substituir. Dentre as causas sistêmicas, pode-se citar a presença de síndromes como a Neurofibromatose I, a Síndrome de Noonan e os distúrbios hormonais, como o hiperparatireoidismo e a gravidez. As descobertas radiográficas não são específicas para o diagnóstico.

A lesão pode aparecer unilocular ou multilocular com margens bem definidas e graus variados de expansão das corticais. As pequenas lesões uniloculares podem ser confundidas com granulomas periapicais ou cistos, e as multiloculares não podem ser distinguidas de ameloblastomas ou outras lesões multiloculares. Quando na maxila, essa lesão pode invadir o assoalho do seio maxilar ou órbita, como também as fossas nasais. Quando na mandíbula, é capaz de expandir e perfurar as corticais. Deslocamento dentário ou reabsorção radicular podem também ser achados radiográficos. É comum em todas as lesões a presença de células gigantes multinucleadas num estroma colagenoso e com células mesenquimatosas ovóides a fusiformes como pano de fundo. As células gingantes podem variar de tamanho e forma de caso para caso. CGCG parece, histologicamente, idêntica ao cisto ósseo aneurismático, querubismo, displasia óssea fibrosa e tumor marrom do hiperparatireoidismo; é especulado que pode haver hormônio circulante que seja o responsável por essas lesões.

Há estudos que indicam, que o nome granuloma é usado incorretamente, pois os osteoclastos presentes na lesão, indicam processo não inflamatório(presença de macrófagos), e a evolução da lesão pós retirada da agressão, é outro indicativo.

Tratamento cirúrgico[editar | editar código-fonte]

O tratamento de eleição para este tipo de lesão é a excisão cirúrgica, simples curetagem ou a ressecção em bloco, dependendo dos seguintes fatores:

  • comportamento agressivo versus não-agressivo
  • localização
  • tamanho
  • aparência radiográfica

A maioria dos estudos indicam uma taxa de recorrência de 15 a 20%. A ressecção é realizada em tumores mais agressivos e recorrentes, o que pode levar a grandes defeitos na face e perda de dentes, o que é particularmente mutilante em crianças e adultos jovens. Nesses casos, uma extensa reconstrução para restabelecer a anatomia e a função é necessária.

Tratamento não cirúrgico[editar | editar código-fonte]

Há alternativa de tratamento não cirúrgico, citados por vários autores. Essa alternativa tem grande importância em pacientes jovens que ainda estão desenvolvendo dentição, pois, o tratamento cirúrgico muitas vezes levam a deformidade facial, perda de estruturas importantes, como os germes de dentes.

São tratamentos não cirúrgicos do CGCG

  • injeção intralesional de corticosteróides(que tem se mostrado um tratamento com sucesso),
  • administração sistêmica de interferon alpha
  • administração sistêmica de calcitonina
  • uso de radiação

Referências[editar | editar código-fonte]

  • NEVILLE, Brad - Patologia oral e maxilofacial - Ed. Guanabara Koogan
  • Bahar Sezer, Banu Koyuncu, Murat Gomel, Tayfun Günbay. The Turkish Journal of Pediatrics 2005; 47: 75-81. Injeção intralesional de corticosteróides para o granuloma de células gigantes centrais: Relato de caso e revisão de literatura