Gregório Lourenço Bezerra

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Gregório Lourenço Bezerra (Panelas, 13 de março de 1900São Paulo, 21 de outubro de 1983) foi um político brasileiro.

Gregório Lourenço Bezerra nasceu na região agreste do estado de Pernambucano.[1] Com a idade de quatro anos começou a trabalhar na lavoura de cana-de-açúcar para ajudar a família; e, aos nove anos de idade, já havia perdido ambos os pais – o pai aos sete anos de idade e a mãe aos nove anos – e migrou para o Recife. Tinha vindo para ficar com a família dos fazendeiros com a promessa de estudar, que não foi cumprida.

Como a maioria dos migrantes pobres era sem-terra, sem-teto (segundo o próprio Gregório Bezerra, dormiu por muito tempo entre as catatumbas do cemitério de Santo Amaro). Gregório era analfabeto até 25 anos de idade.[1] Foi carregador de bagagens na estação central, jornaleiro e ajudante de obras. Foi como jornaleiro que começou a se interessar pela política, com base na leitura que seus colegas de profissão faziam para ele dos jornais locais. Em 1917 trabalhou como operário da construção civil.

A primeira das suas muitas prisões ocorreu em 1917, quando participava de uma manifestação de apoio à Revolução Bolchevique e das primeiras ondas de greve geral por direitos trabalhistas no Brasil. Preso por cinco anos na antiga Casa de Detenção do Recife, conheceu o cangaceiro Antônio Silvino, de quem se tornou amigo.[1] Após sair da prisão decidiu ingressar na carreira militar. Em 1922 alistou-se no exército; alfabetizou-se e em 1929 entrou para a Escola de Sargentos;

Foi instrutor da Companhia de Metralhadoras Pesadas na Vila Militar e instrutor de Esportes, no Rio de Janeiro. De volta ao Recife, filiou-se, em 1930, ao Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Em 1935, no Recife, liderou o levante militar promovido pela Aliança Nacional Libertadora (ALN), movimento também conhecido como "Intentona Comunista". Condenado a 28 anos de prisão, pela morte do tenente José Sampaio Xavier e por ter ferido o tenente Aguinaldo Oliveira de Almeida na tentativa de roubar o armamento do CPOR/Recife no levante de 1935, foi levado, primeiro para Fernando de Noronha e, depois para o Rio de Janeiro, no Presídio Frei Caneca, onde dividiu cela com o ex-comandante da Coluna Prestes e secretário-geral do Partido Comunista do Brasil, Luís Carlos Prestes.

Com o fim do Estado Novo, foi anistiado e elegeu-se constituinte (depois deputado federal), em 1946, por Pernambuco, na legenda do PCB,[1] sendo o deputado constituinte mais votado do estado. Teve seu mandato cassado em 1948, juntamente com todos os parlamentares comunistas. Viveu na clandestinidade por nove anos, organizando núcleos sindicais no Paraná e em Goiás.

Foi preso imediatamente após o golpe militar brasileiro de 1964, nas terras da Usina Pedrosa, próximo a Cortês, pelo capitão Álvaro do Rego Barros, quando tentava organizar a resistência armada dos camponeses ao golpe em apoio ao governo federal de João Goulart, e estadual de Miguel Arraes de Alencar.

Após a prisão foi transferido para o Recife, onde foi torturado e arrastado pela praça do bairro de Casa Forte pelo tenente-coronel do Exército Brasileiro Darcy Viana Vilock, com uma corda no pescoço, e teve os seus pés imersos em solução de bateria de carro, ficando em carne viva, e este espetáculo foi exibido pelas televisões locais à época do golpe militar de 1964.

Condenado a dezenove anos de reclusão, teve seus direitos políticos cassados por força do Ato Institucional nº 1. Foi libertado, em 1969, juntamente com outros quatorze presos políticos, em troca da devolução do embaixador dos Estados Unidos no Brasil Charles Burke Elbrick, seqüestrado por um grupo de oposição armada.[1]

Viveu no México e na então União Soviética. Com a promulgação da anistia, voltou ao Brasil dez anos depois, em 1979,[1] e logo entrou em divergência com o seu partido (o PCB), desligando-se de seu quadro.

Bezerra apoiou o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e, nessa legenda, candidatou-se, em 1982, à Câmara dos Deputados, ficando como suplente. Passou 22 anos de sua vida preso por motivos exclusivamente políticos[1] .

Antes de morrer, Bezerra declarou: Gostaria de ser lembrado como o homem que foi amigo das crianças, dos pobres e excluídos; amado e respeitado pelo povo, pelas massas exploradas e sofridas; odiado e temido pelos capitalistas, sendo considerado o inimigo número um das ditaduras fascistas.

Em homenagem a Gregório Bezerra, o poeta Ferreira Gullar escreveu a poesia Feito de ferro e flor: "Mas existe nesta terra muito homem de valor que é bravo sem matar gente, mas não teme o matador, que gosta da sua gente e que luta a seu favor, como Gregório Bezerra, feito de ferro e de flor".

Leonardo Bursztyn, ex-guitarrista da banda de Ska brasiliense Móveis Coloniais de Acaju, também o homenageou na música "E agora, Gregório?", no álbum intitulado Idem, em 2005.

A banda de punk rock proletário Subversivos também homenageou o político na música "Século de Ferro e Flor", faixa que dá o nome ao álbum lançado em 2010.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BEZERRA, Gregório Lourenço. Memórias (primeira parte). Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1979.
  • BEZERRA, Gregório Lourenço. Memórias (segunda parte: 1946-1969). Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1980.
  • CHERINO, Antonio Siqueira. Gregório Bezerra: toda a história. Recife, CEPE, 1996.

Referências

  1. a b c d e f g Victor, Fábio. ""Memórias" de Gregório Bezerra traz à tona vida assombrosa de líder comunista". Folha Online. 6 de agosto de 2011. Página acessada em 25 de setembro de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]