Guajeru

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Município de Guajeru
Igreja de cmosa aula 1Guajeru

Igreja de cmosa aula 1Guajeru
Bandeira de Guajeru
Brasão de Guajeru
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 25 de novembro
Fundação 25 de fevereiro de 1985 (29 anos)
Gentílico guajeruense
Lema Um Novo Governo, Um Novo Tempo
Prefeito(a) Gilmar Rocha Cangussu (Gil Rocha) (PT - Partido dos Trabalhadores)
(2013–2016)
Localização
Localização de Guajeru
Localização de Guajeru na Bahia
Guajeru está localizado em: Brasil
Guajeru
Localização de Guajeru no Brasil
14° 32' 49" S 41° 56' 24" O14° 32' 49" S 41° 56' 24" O
Unidade federativa  Bahia
Mesorregião Centro-Sul Baiano IBGE/2008[1]
Microrregião Brumado IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Rio do Antônio, Presidente Jânio Quadros, Condeúba, Jacaraci, Caculé
Distância até a capital 657 km
Características geográficas
Área 643,439 km² [2]
População 10 383 hab. IBGE/2010[3]
Densidade 16,14 hab./km²
Altitude 628 m
Clima Semi-árido
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,569 baixo PNUD/2010 [4]
PIB R$ 24 761,741 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 2 686,82 IBGE/2008[5]
Página oficial

Guajeru é um município brasileiro do estado da Bahia, distante cerca de 657 quilômetros da capital. Sua população estimada em 2006 era de 15.973 habitantes (IBGE).

Tem a sua origem no povoado de Santa Rosa do Panasco, criado como distrito de Santa Rosa do município de Condeúba no fim do século XIX pela Lei municipal nº 4 de 19 de fevereiro de 1893.

O município de Guajeru passou a figurar no cenário político em 1911 quando então o povoado de Santa Rosa do Panasco passou a fazer parte da Divisão Administrativa do Município de Condeúba, como um de seus vários distritos da época. Sua história confunde-se com a deste município, explorado, no início do século XVIII, pelos portugueses em busca de riquezas minerais.

A criação do município de Guajeru foi decretada pela Lei Estadual nº. 4402 de 25 de fevereiro de 1985 assinada pelo governador do estado da Bahia João Durval Carneiro.

Origem do nome[editar | editar código-fonte]

O nome Guajeru é de origem indígena Tupi-guarani, língua falada pelos primitivos habitantes do litoral brasileiro. Segundo o estudioso Antonio Houaiss, provém do vocábulo ïwayu'ru', denominação dada pelos indígenas às plantas de até 10 metros (mato baixo).

O termo Guajeru também é comumente utilizado para designar plantas da família das rosáceas (Chrysobalanus icaco). Pequenas árvores de regiões tropicais da América e da África com flores em racemos e pequenos frutos comestíveis.

O topônimo Guajeru foi adotado em 5 de Fevereiro de 1944, por ocasião da reforma toponímica nacional, em substituição a Santa Rosa do Panasco, o antigo nome do distrito que pertencia ao município de Condeúba.

História[editar | editar código-fonte]

As origens históricas[editar | editar código-fonte]

As origens históricas do município de Guajeru remontam ao período de exploração e povoamento do “Alto Sertão da Serra Geral da Bahia” iniciando em fins do século XVII, quando o rei de Portugal concedeu ao nobre Antônio Guedes de Brito, uma “sesmaria” no Alto Sertão, dando ao mesmo poder para explorar as terras a procura de ouro e de outros metais preciosos e dar início à criação de gado na região. Aliás, todas as terras do sertão baiano foram doadas a duas famílias da mais alta fidalguia portuguesa: Os Garcia d’Ávila (proprietários da Casa da Torre) e os Guedes de Brito.

Ambas encarregaram-se de introduzir a pecuária na região com a criação extensiva do gado vacum, desse modo, a procura por pastagens fez com que o sertão fosse explorado e povoado.

As terras do “Alto sertão”, onde se localiza hoje o Município de Guajeru, bem como todos os municípios vizinhos, pertenciam à propriedade da família Guedes de Brito, e, antes da chegada dos portugueses à região, os habitantes nativos eram índios de diversas tribos: Mongoiós, Pataxós e ymborés (denominados Botocudos pelos portugueses).

O povoamento da região do atual Município de Guajeru está diretamente ligado à exploração das minas de Rio de Contas iniciada em meados do século XVIII. Com a descoberta de ouro na Chapada Diamantina um enorme fluxo populacional deslocou-se da região das Minas Novas (norte de Minas Gerais) e de Goiás para o Alto Sertão baiano, muitas pessoas que vieram a procura de riqueza fixaram morada e permaneceram na região o que deu origem a fazendas e povoados. Além disso, a região do atual Município de Guajeru no século XVIII era caminho de passagem de viajantes e tropeiros que se deslocavam das Minas Novas, norte de Minas Gerais, para a região de Rio de Contas.

O povoado de Santa Rosa (atual município de Guajeru) provavelmente se formou no início do século XIX, documentos atestam que este já existia quando o povoado de Santo Antônio da Barra (hoje Condeúba) foi elevado a categoria de vila em 1860; os primeiros moradores fixaram no local quando a região ainda pertencia à Vila de Caetité. Os arquivos do Cartório de Registro Civil de Guajeru atestam que desde as primeiras décadas do século XIX havia várias famílias morando em fazendas que atualmente fazem parte do município, há registros de nascimento, de óbitos e de propriedades agrícolas pertencentes a elas. As povoações mais antigas foram erguidas em áreas que atualmente compreende a zona rural, dentre essas merece destaque Curraes Velhos, o lugarejo é citado nos documentos mais antigos e segundo consta, na segunda metade do século XIX já era um próspero povoado.

Pela resolução nº 1.411 de 7 de Maio de 1874 do Conselho Provincial foram criados mais dois distritos de paz para a Vila de Santo Antônio da Barra: Um na subdelegacia de S. Gonçalo das Lages e outro na subdelegacia dos Curraes Velhos, com a denominação de Santa Rosa e Curraes Velhos. Após a Proclamação da República, o conselho municipal de Santo Antônio da Barra assinou decreto lei nº 4 de 16 de Fevereiro de 1893 nomeando Santa Rosa como quarto distrito, com esse decreto Curraes Velho perdeu status e passou a ser simples povoado, quanto ao Arraial de Santa Rosa o mesmo foi elevado e tornou-se o único distrito de paz da região, sendo que Curraes Velhos passou a partir daquela data a estar submetido a ele. O atual município de Condeúba nessa época possuía os seguintes distritos: 1º a sede compreendendo o Candeal; 2º São João do Alípio; 3º São Filipe; 4º Santa Rosa.

Os limites do distrito de Santa Rosa foram estabelecidos por lei nº 94 de 18 de Maio de 1923 do Conselho Municipal de Condeúba, confirmada por lei estadual assinada pelo governador José Joaquim Seabra – lei nº 1.711, de 10 de Julho de 1924. São esses os limites: Do morro de São domingos, pelo convênio de limites deste município com o de Jacaraci, até a Lagoa do Morro; dali pelo convênio de limites deste município com o de Caculé até o Morro Alto, dali pelo convênio de limites ainda deste município com o de Bom Jesus dos Meiras até a casa da fazenda Sant’Ana, dali pela estrada real que passa pelo jardim até o lugar denominado “Gerema”, deste ponto pelos altos da Serra da “Gerema” até a passagem do “Riachão”, e dali rumo direto ao ponto de partida.

A povoação que deu origem a atual município se formou a beira da estrada por onde passavam viajantes e aventureiros que partiam do norte de Minas Gerais em direção a Chapada diamantina. As primeiras edificações foram erguidas no lugar que a população atual denomina “Rua velha”. Em 1875, moradores da fazenda Posse com o apoio da família Porto, uma antiga família que residia no povoado, deram início à construção de uma capela no planalto próximo às residências. Com o tempo, várias construções foram feitas ao redor da capela e duas ruas começaram a se formar. A antiga povoação foi abandonada e um novo povoado começou a se formar ao lado da Igreja.

O estudioso Nestor Evangelista de Carvalho na obra “Breve Noticia do Município de Condeúba” afirma que a ideia de se transferir o povoado para o planalto onde está erguida o atual município partiu dos antigos moradores Estanislau Ferreira Porto e Jesuíno Pereira de Souza. Estes fizeram uma petição ao Conselho Municipal que nomeou uma comissão para aprovar a mudança. As primeiras casas foram construídas por Estanislau Porto, Jesuíno Pereira de Souza e Clemente Soares. A mudança do povoado teve início no final do século XIX, consta que na segunda década do século XX próximo a igreja já havia aproximadamente quarenta e duas residências de platibandas e cornijas, um mercado público e um edifício municipal.

Por volta de 1920 o distrito de Santa Rosa já alcançava razoável progresso, a cultura mais desenvolvida era o algodão e existia já no mesmo diversos estabelecimentos comerciais.

O povoado que deu origem ao atual município de Guajeru ganhou importância e tornou-se próspero a partir de 1874 quando foi elevado a quarto distrito de Santo Antônio da Barra com a denominação de Santa Rosa dos Curraes Velhos. O topônimo Panasco não consta em nenhum documento antigo, entretanto, relatos orais garantem que este termo era utilizado para designar o arraial situado a 48 km da sede do município. Ao que parece, Panasco era uma denominação popular não reconhecida pelos órgãos oficiais. Os documentos do final do século XIX que fazem referência ao distrito o chamam de “Arraial de Santa Rosa” ou simplesmente Santa Rosa.

Em meados do século XIX havia na região do atual Município de Guajeru inúmeras fazendas e povoados. Os arquivos do cartório indicam que as povoações mais prósperas nesse período eram: Curraes Velhos, Congonha, Mucambo, Lagoa do Badico, Posse, Periperi, Lagoa do Canto, Santo Antônio (antiga povoação às margens do rio do Antônio) Batalha, Lagoinha, Descoberto e Gado Bravo. Entre as figuras mais ilustres que residiram no distrito de Santa Rosa nas últimas décadas do século XIX e primórdios do século XX vale citar: Manoel José de Novais, Jesuíno Pereira de Souza, Altino Pinheiro Canguçu, Ramiro José Ribeiro, Ladislau de Souza Brito, Miguel Padre e vários membros da família Porto, sendo os mais ilustres: Rodrigo Ferreira Porto (patriarca) e a esposa Luzia Maria de Jesus (matriarca), Estanislau Ferreira Porto (popularmente conhecido como Dilau Porto), Marcionillo Ferreira Porto, Martiniano Ferreira Porto, Domingos Ferreira Porto, Agnério Ferreira Porto e José Ferreira Porto (Juca Porto).

A vida dos primeiros habitantes[editar | editar código-fonte]

Durante muitos anos, várias famílias viveram neste lugar, trabalhavam na agricultura e na criação de animais, principalmente de gado, galinha e cabra. Relacionavam-se com os povoados vizinhos e viviam com costumes sertanejos, herdados dos índios.

Nos povoados vizinhos, que hoje é a zona rural do município, a maneira de viver era a mesma, mas ambos enfrentaram um grande problema: A seca.

Essa rotina pode ter durado muito tempo, e em porções menores e resistentes até hoje, é verdade que o progresso e a maneira de viver do povo tenha mudado muito, mas mesmo assim, temos que admitir que ainda conservamos muitos costumes desses nossos antepassados.

A mudança do povoado[editar | editar código-fonte]

Um dos acontecimentos mais marcantes e decisivos para o distrito de Santa Rosa foi a mudança do povoado que servia de sede, ocorrida entre os anos de 1918 a 1922.

O antigo povoado ficava distante da capela que fora construída entre 1875 e 1876, era desejo dos moradores terem suas residências mais próximas do templo, desse modo, decidiram erguer novas construções próximo a ele; de imediato, duas ruas foram formadas. Os moradores que lideraram a mudança da povoação foram os seguintes: Manoel José de Novais, Jesuíno Pereira de Souza, João Soares Malta, Estanislau Ferreira Porto e Clemente Soares. Inscrições encontradas em paredes internas de algumas casas situadas próximas à igreja indicam que elas foram edificadas em 1920. Nestor de Carvalho, na “Breve Notícia sobre o Município de Condeúba”, ao referir-se à sede do distrito de Santa Rosa em 1924, diz o seguinte: “É um povoado florescente e de novas construções”. Isso indica que nessa época a sede do distrito estava em pleno crescimento, muitas construções estavam sendo edificadas e a cidade se formando com residências e estabelecimentos comerciais.

História da imagem de Santa Rosa[editar | editar código-fonte]

Desde o início da urbanização de Santa Rosa do Panasco (atual município de Guajeru) já existia em prática a doutrina católica. Herdada dos antepassados, mas nessa época não existiam locais definidos para celebrar as missas, pois não havia sido construída a Igreja. Por esse motivo as eventuais missas eram celebradas na então fazenda Posse, nas residências dos senhores Ângelo Custódia de Andrade e Francisco Manoel Novais.

As missas eram escassas pelo fato de na época haver muitas dificuldades, como transporte e comunicação e muitos outros justificados.

Essas causas levavam o vigário a só celebrar missas de seis em seis meses ou de não em ano.

O reverendíssimo Belarmino Silvestre Torres foi o primeiro padre a trabalhar no pequeno povoado.

Na época que era paróquia de Santo Antônio da Barra (atual Condeúba), ele vinha ao povoado celebrar missas, fazer batizados e casamentos.

A construção da Igreja foi feita com a celebração do padre Belarmino e a ajuda de alguns moradores da fazenda Posse, dentre eles: Francisco Manoel Novais, José Pinto, Clemente Pinto, Joaquim Pinto e Antônio Ribeiro.

Supõe-se que a Igreja tenha sido construída por volta de 1880, é certo no entanto, que foi reconstruída duas vezes.

A primeira imagem colocada na igreja foi uma imagem de Santa Rosa, comprada em Salvador a pedido do senhor Reinaldo José das Virgens, morador da fazenda Posse.

A singela imagem foi colocada na igreja no dia 22 de janeiro de 1883. Preserva-se até hoje, dois recibos assinados por ocasião da compra da imagem, um assinado pelo Senhor Antonio Joaquim Pinto e o outro pelo padre Belarmino Silvestre Torres.

Eis a íntegra uma cópia dos mesmos.

"Recebi do Sr. Reinaldo José das Virgens a quantia de Sessenta mil réis para entregar ao Sr. Vigário Belarmino Silvestre Torres, para comprar uma imagem de Santa Rosa que o mesmo Sr. Vigário trouxe da Bahia encomendada pelo mesmo Sr. Reinaldo. Após termos recebido pedimos o compadre Alexandre José de Novais que este mim fizesse. Santa Rosa, 20 de janeiro de 1883 Antônio Joaquim Pinto"

"Recebi do Sr. Antônio Joaquim Pinto a quantia de sessenta mil réis, sendo cinquenta mil réis a importância de uma imagem de Santa Rosa encomendada por mim na capital da Bahia e dez mil réis de frete que paguei pela condução. A dita imagem vai num caixão para esta freguesia por mim achado, pago da quantia, e por eu ser pedido passei este em que me assino. Santo Antônio da barra, 22 de Janeiro de 1883 Vigário Belarmino Silvestre Torres"

Nessa época, moravam poucas pessoas em Santa Rosa do Panasco e estas não se interessavam pelas celebrações religiosas. Vinham então da fazenda Badico algumas senhoras, dentre elas Justa e Justina, para ajudar nas celebrações da igreja. Como nessa época a igreja era muito pequena, os fiéis sentava-se em roda para rezar o terço, o ofício de Nossa Senhora e a ladainha. Cantavam benditos sacros e faziam grandes procissões na época das festas da igreja.

Na igreja e também no povoado não havia energia elétrica ; a iluminação era feita através de candeeiros de azeite e velas.

Durante a quaresma e a semana santa o povo rezava a via sacra em suas casas. Na sexta-feira da paixão, iam todos para a igreja participar da procissão do senhor Morto.

Depois do padre Belarmino trabalharam no povoado os seguintes padres: João Gualberto, Padre Daniel, padre Valdemar, padre Ademar, Padre Homero e outros mais recentes.

Antigamente não havia retiros espirituais pois os padres vinham de longe e não podiam ficar no povoado, já que tinham muitos trabalhos a fazer.

Não havia comunidades na zona rural e nem celebração de cultos. Na época que o padre Valdemar trabalhava no povoado o senhor Antônio Alves Ribeiro comprou a imagem de Nossa Senhora do Rosário e colocou na igreja. Em 1958 o senhor José Pinto foi buscar em Condeúba essa imagem de carro de boi, a pedido do senhor Antônio Alves Ribeiro. Nessa ocasião houve a discussão na igreja, o senhor Antônio Alves Ribeiro, queria que Nossa Senhora do Rosário fosse a padroeira, mas Antônio Novais, parente dos moradores da fazenda posse que colocaram a imagem de Santa Rosa na igreja não aceitou a troca. Depois de muita discussão, concordaram em deixar suas imagens na igreja.

A excomunhão do povoado[editar | editar código-fonte]

Em 1933 seis missionários capuchinhos (missionários da ordem de São Francisco) vieram pregar as missões no povoado de Santa Rosa do Panasco (atual cidade de Guajeru).

Havia no povoado um professor chamado Manoel Pedro dos Santos, conhecido por baiano que professava o ateísmo. Ao saber da vinda dos missionários ele preparou um protesto para recebê-los. Quando os missionários se aproximaram do povoado ele e seus alunos saíram com bandeiras vermelhas, sinal de rejeição e foram encontrar-se com eles.

Os missionários não gostaram do protesto e começaram a criticar aquela altitude; contrariados entraram no povoado, fizeram batizados, celebraram casamentos e administraram o sacramento da crisma a muitos jovens.

Nessa época, José Porto morador do povoado, hospedou em sua casa alguns palhaços que vieram montar um circo no povoado.

Os missionários pediram a José Porto para parar com as apresentações do circo, pois estavam atrapalhando as pregações. Como o senhor José Porto não atendeu ao pedido dos missionários houve uma grande discussão entre ambos.

Certo dia os missionários foram fazer uma grande pregação na igreja, era a celebração da missa de encerramento das missões. No momento da pregação o senhor Jesuíno Cascavel e a senhora Perolina estavam se beijando encostados no cruzeiro que havia na frente na igreja, como os missionários já estavam nervosos, começaram a reclamar, mas eles não obedeceram.

Conta-se que o bispo ao perceber do fato disse que era uma pouca vergonha, e que para ver o demônio não era preciso ir ao inferno, pois o mesmo era capaz de vir até a porta da igreja atentar. Disse também que o povo que aqui morava nessa época não sabia se dar ao respeito, por isso, receberiam o castigo merecido: "Este lugar há de crescer como o rabo de cavalo".

Não convém no entanto encarar esse fato como uma excomunhão, o certo era encarar como uma advertência dois bispos. Pois a excomunhão oficial da igreja não é lançada em casos simples como este, para excomungar a pessoa ou o lugar, é preciso que o mesmo tenha cometido um erro muito grande contra a igreja. Além do mais uma excomunhão é levada a público através de uma bula, e não há nada desse tipo que comprove a veracidade do fato.

Outras histórias[editar | editar código-fonte]

Em 1926 a população do povoado ficou amedrontada com a invasão de revoltosos que vinham de todas as partes do sertão para saquearem casas e comércio.

Há notícias de muitas lutas travadas entre população e revoltosos, muitas pessoas fugiram com medo de serem mortas.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Municípios limítrofes[editar | editar código-fonte]

Municípios vizinhos.
  • Norte: Rio do Antônio Malhada de Pedras;
  • Sul: Condeúba, Jacaraci;
  • Leste: Presidente Jânio Quadros;
  • Oeste: Caculé.
  • 1 Com o Município de Presidente Jânio Quadros: começa no marco existente no lugar Monte Alto, daí em reta até o centro da Lagoa de Jurema;
  • 2 Com o Município de Condeúba: começa no centro da Lagoa de Jurema e daí em reta até o marco da passagem no Riachão, seguindo ainda em reta até o marco existente no Morro São Domingos;
  • 3 Com o Município de Jacaraci: começa no marco existente no Morro São Domingos, daí em reta até o centro da Lagoa do Estevão e daí, por outra reta, até o centro da lagoa do Morro;
  • 4 Com o Município de Caculé: começa no Centro da Lagoa do Morro, daí em reta até o centro da Lagoa das Tapagens, seguindo, a partir daí por outra reta até o lugar Lagedos dos Furados, continuando em reta até o centro da Lagoa da Várzea;
  • 5 Com o Município de Rio do Antônio: começa no centro da Lagoa da Várzea, seguindo em reta, até o centro da Lagoa da Pedra e, daí, até o marco existente no lugar Monte Alto.

Fonte Lei Estadual Nº 4.402 de 25 de Fevereiro de 1985 do Governo do estado da Bahia.

Clima[editar | editar código-fonte]

O município de Guajeru está situado no Alto Sertão baiano e tem como clima predominante o semi-árido. Em geral, as chuvas são escassas na região, os índices pluviométricos oscilam entre 400mm a 600mm. As secas prolongadas são comuns no município, o que dificulta a agricultura. A distribuição das chuvas no território guajeruense não é uniforme, ou seja, chove mais em um lugar que em outro e há lugares em que quase não chove.

Em geral, em toda a área do município o sol brilha o ano inteiro e o calor é intenso durante o dia, refrescando à noite. As temperaturas costumavam ultrapassar 30 °C, principalmente no verão. O período chuvoso estende-se dos meses de Outubro a Abril, apesar de que nas últimas décadas vem se observando uma irregularidade nas chuvas que caem sobre a região, certamente causa das alterações climáticas. A época mais fria abrange os meses de Junho, Julho e Agosto.

Por está localizado na região do Polígono das secas, historicamente o município de Guajeru sempre sofreu bastante com a escassez de água nos períodos de seca prolongada, situação que permanece até os dias atuais em algumas regiões.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A vegetação predominante em Guajeru é a Caatinga que pode compreender:

Em maio à caatinga, crescem gramíneas que formam as pastagens que alimentam o gado. As plantas da vegetação de Caatinga apresentam folhas pequenas e grossas, cheias de pêlos ou espinhos, que evitam a perda excessiva de água e tornam possível a sobrevivência dessas espécies vegetais nos períodos de seca.

O Município de Guajeru localiza-se geograficamente na região Sudoeste do Estado da Bahia. Posicionado na área do Alto Sertão apresenta clima semi-árido e tem como vegetação predominante a Caatinga. Conforme origem etimológica a palavra é formada pelos vocábulos indígenas caa = a mata; tinga = clara. Trata-se de uma vegetação rala formada principalmente por plantas espinhentas.

Entre as plantas típicas da Caatinga guajeruense pode-se citar: Baraúna (Melaxilon brauna); jatobá (Hymenaea coubaril); aroeira (Terebinthaceas, Schinus aroeira); umbuzeiro (Spondia tuberosa); gabiroba ou gabiraba (Eugenia psidium); jurema (acacia jurema); mulungu (Erytrina corallededrum); umbaúba (Cecropia palmata) e maracujá (Passiflora malifornis').

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

O município de Guajeru é banhado pelo rio do Antônio.

Segundo o estudioso Tranquilino L. Torres na obra "Memória Descritiva do Município de Condeúba", mapas antigos do século XVIII indicam que o rio se chamava Santo Antônio, a denominação do Antônio proveio de assim chamar um antigo morador da margem direita do mesmo. Em época de enchentes esse morador oferecia aos viajantes recursos para atravessar, reza a lenda que era comum o grito dos viajantes: Vamos para o rio do Antônio! Devido a isso o rio passou a ter esse nome e o mesmo conserva-se até os dias atuais.

Nesse rio na localidade denominada Poço da Pedra há a barragem que abastece o município de Guajeru.

O rio do Antônio tem um curso de aproximadamente 30 léguas (180 km), nasce no Morro do Chapéu na Serra das Almas, nesse lugar é chamado de rio Palmeiras, recebe como afluentes o rio do Salto e o rio São João, deságua no rio Brumado e este por sua vez no rio das Contas.

Relevo[editar | editar código-fonte]

Situado na área geográfica de abrangência da Chapada Diamantina, o município de Guajeru apresenta um relevo predominantemente formado por Planaltos. Aliás, seu espaço territorial está bem localizado no Planalto da Conquista, área compreendida por vários municípios do sudoeste baiano.

Apresentando altitude aproximada de 628 metros acima do nível do mar, o município de Guajeru possui vários morros e serras, sendo os mais importantes: Morro do Incó, Morro dos Coqueiros e serra da Umbaúba.

No município são encontradas várias áreas de Tabuleiros com altitudes de 20 a 50 metros, de topo plano e laterais íngremes, sendo regiões de Caatinga.

  • O ponto culminante do município de Guajeru é o Morro do Incó.

Transportes[editar | editar código-fonte]

O município de Guajeru não é servido por estradas asfaltadas, por esse motivo é mal servido por linhas de transporte. Não há empresas de transporte rodoviário atuando na região e as viagens intermunicipais são feitas em veículos particulares.

Há viagens permanentes para os municípios vizinhos, principalmente para Brumado e Caculé.

Existem estradas vicinais que ligam a sede do município aos povoados da zona rural e ainda estradas que ligam a sede do município aos municípios vizinhos. São todas estradas sem asfalto, conhecidas na região apenas como “estradas de terra”, as quais apresentam grande dificuldade de tráfico nos períodos chuvosos.

A cidade por ser de pequena extensão não possui transporte coletivo, há no município grande quantidade de Motocicletas usadas nas viagens mais curtas.

Rodovias[editar | editar código-fonte]

As principais estradas vicinais do município são:

  • Estrada que liga Guajeru aos municípios de Malhada de Pedras e Brumado, Única com pavimentação asfáltica, fica na  BA-148 com 22,8 km de distância à Malhada de Pedras.
  • Estrada que liga Guajeru ao município de Caculé, Ibiassucê e Caetité. Início Pela BA - 614 com estrada de chão batido, com 39 km de distância à Caculé.
  • Estrada que liga Guajeru ao município de Condeúba, Cordeiros e Piripá. Início Pela BA-148 com estrada de chão batido, com 45 km de distância à Condeúba.
  • Estrada que liga Guajeru ao município de Presidente Jânio Quadros e Maetinga. Início Pela BA - 614 com estrada de chão batido, com 38 km de distância à Presidente Jânio Quadros.
  • Estrada que liga Guajeru ao município de Rio do Antônio e Ibitira. Início Pela BA - 614 com estrada de chão batido e aproximadamente 30 km de distância à Rio do Antônio.

Turismo[editar | editar código-fonte]

O município de Guajeru geograficamente está situado no Alto Sertão baiano em uma região de vegetação típica da Caatinga. Entre suas paisagens naturais de maior destaque pode-se citar:

  • O rio do Antônio – este rio atravessa a área rural do município, na localidade denominada Poço da pedra há uma barragem e próximo à mesma existem cachoeiras.
  • O morro do Incó – uma das serras mais altas do município, há inúmeras pedreiras que podem ser visitadas. O ponto mais visitado fica no povoado de Serra Linda, desse local pode-se ter uma visão privilegiada de toda a região.
  • A pedra Redonda – enorme formação rochosa localizada na região sul do município, nessa pedra há marcas pré-históricas que se assemelham a rastros deixados por dinossauros.
  • O jenipapoárvore centenária plantada pela família Porto no início da construção da cidade. Essa árvore está localizada na praça principal – a Praça da Feira. Por seu valor histórico é considerada o cartão postal do município.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Santa padroeira Santa Rosa de Viterbo.

Feriados municipais[editar | editar código-fonte]

Manifestações culturais[editar | editar código-fonte]

Folia de Reis[editar | editar código-fonte]

A Folia de Reis ou Reisado é a manifestação cultural mais importante do município de Guajeru. Sendo parte das festas natalinas, o reisado é uma tradição popular que lembra a jornada dos três reis magos, Gaspar, Belchior e Baltazar, quando estes seguiram a estrela que os levou até a manjedoura onde estava o menino Jesus.

A Folia de Reis vem de uma tradição católica e em Guajeru acontece todos os anos na época do Natal e do Ano Novo. Na noite de natal, os foliões ou reiseiros percorrem as casas da cidade e da zona rural cantando reis; levam à frente a Bandeira e ao som de Gaitas, Bumbos, Caixas, Palminhas, Ganzá e Triângulo, entoam cantos cujas letras falam dos acontecimentos referentes ao nascimento de Jesus, sua vida e morte.

De primeiro de Janeiro ao dia seis desse mesmo mês os reiseiros percorrem as residências cantando reis e visitando os presépios. A tradição de fazer presépio é muito antiga em Guajeru e se repete todos os anos na época do Natal.

Ladainhas[editar | editar código-fonte]

São rezas de tradição católica em louvor a virgem Maria, antigamente eram cantadas em latim. A tradição permanece até os dias atuais, em muitas localidades as famílias católicas se reúnem para rezar nas comunidades e nas igrejas.

Presépios[editar | editar código-fonte]

O presépio é a representação da manjedoura onde nasceu o menino Jesus. Na região de Guajeru, o costume de fazer presépio é muito antigo. Todos os anos na época do Natal as famílias fazem nas residências o Presépio ou Lapinha, nele colocam imagens do menino Jesus, dos reis magos e dos pastores. O presépio só é desarmado no dia 6 de Janeiro, dia de Santo Reis.

A queima de Judas[editar | editar código-fonte]

Um dos costumes antigos do povo de Guajeru é a tradição da queima de Judas, feita no Sábado de Aleluia. Um boneco de pano é confeccionado e colocado no lombo de um jumento. O fantoche percorre as ruas da cidade, também é levado às vilas e povoados pelos foliões pedindo esmolas. Numa noite de festa, antes do boneco ser queimado é lido o testamento do Judas com zombarias dirigidas a moradores do município.

As festas juninas[editar | editar código-fonte]

O mês de Junho marca os tradicionais festejos juninos em Guajeru, os moradores têm por costume acender fogueiras na noite do dia 23. As donas de casa preparam os bolos de xiringa e muitos fogos estouram nos arraiás. Os bailes caipiras realizados na zona rural animam as comemorações ao som de sanfonas tocadas por artistas da região.

A festa da padroeira Santa Rosa[editar | editar código-fonte]

A festa em honra a padroeira do município é a mais antiga e mais importante comemoração religiosa de Guajeru. Realizada no mês de Setembro, sendo data de costume o dia 8, é uma tradição do final do século XIX. Teve início no ano de 1883 quando a imagem de Santa Rosa foi comprada em Salvador e colocada solenemente na igreja.

As Novenas do mês de maio[editar | editar código-fonte]

Desde 1958 que em Guajeru todos os anos durante o mês de maio são realizadas as novenas em honra a Nossa Senhora do Rosário. No encerramento acontece grande festa com baile e leilões.

Administração[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Visitado em 25 de agosto de 2013.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 dez. 2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]