Guaporé (Rio Grande do Sul)

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Município de Guaporé
"Capital da Hospitalidade"
Bandeira de Guaporé
Brasão de Guaporé
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 11 de dezembro
Fundação 11 de dezembro de 1903 (111 anos)
Gentílico guaporense
Lema A cidade é você!
CEP 99200-000
Prefeito(a) Paulo Mazutti (PP)
(2013–2016)
Localização
Localização de Guaporé
Localização de Guaporé no Rio Grande do Sul
Guaporé está localizado em: Brasil
Guaporé
Localização de Guaporé no Brasil
28° 50' 45" S 51° 53' 24" O28° 50' 45" S 51° 53' 24" O
Unidade federativa  Rio Grande do Sul
Mesorregião Nordeste Rio-grandense IBGE/2008[1]
Microrregião Guaporé IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes N: Serafina Corrêa e União da Serra; S: Dois Lajeados; L: Nova Bassano, Vista Alegre do Prata e Fagundes Varela; O: Arvorezinha e Anta Gorda
Distância até a capital 200 km
Características geográficas
Área 297,661 km² [2]
População 24 331 hab. IBGE/2014[3]
Densidade 81,74 hab./km²
Altitude 478 m
Clima Subtropical Cfa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,826 muito alto PNUD/2000[4]
PIB R$ 323 682,673 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 14 468,20 IBGE/2008[5]
Página oficial

Guaporé é um município brasileiro localizado na Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, sendo o pólo gaúcho, e o segundo brasileiro, de jóias e lingerie. Foi colonizado por imigrantes italianos, e preserva até hoje suas tradições. Está na lista dos 50 melhores municípios do Brasil, o nome Guaporé provavelmente é originário do guarani, sendo discutível seu significado (provavelmente vale deserto ou talvez rio encachoeirado). Na cidade, é realizada a Mostra Guaporé, a fim de expor seus produtos (jóias e lingerie).

História[editar | editar código-fonte]

O assentamento de imigrantes italianos que eventualmente viria a formar o município de Guaporé começou no início do século 19 na área onde hoje é o município de Muçum. Nesta mesma época, criadores de gado alemães da região de Montenegro instalaram-se no então povoado de Boa Vista, atual município de São Valentim do Sul.[6]

Em 1892, foi criada a colônia de Guaporé, em terras pertencentes aos municípios de Lajeado e Passo Fundo. O diretor da colônia, Eng. José Montauri de Aguiar Leitão, designou ao Eng. Vespasiano Rodrigues Corrêa a incumbência de demarcar as terras e loteá-las. Foram demarcados 5000 lotes, de medida variável entre 25 e 30 hectares. Logo chegaram migrantes provindos das primeiras colônias italianas do estado (principalmente Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Veranópolis), de modo que em 1896 a colônia já contava com cerca de 7.000 habitantes, em sua maioria italianos, incluindo alguns alemães, poloneses, russos e austríacos.

Em 1897, foi estabelecida a Paróquia Santo Antônio, pertencente à Diocese de Porto Alegre, sendo o primeiro pároco o Pe. Antônio Pertile. Em 1900, a colônia possuía 13.727 habitantes. Frente ao desenvolvimento e a prosperidade, em 11 de dezembro de 1903 o decreto número 664 instituiu Município de Guaporé, tendo como primeiro Intendente o engenheiro Vespasiano Corrêa, empossado em 1º de janeiro de 1904.

Pouco depois de sua fundação, em 1910, Guaporé já possuía 30 mil habitantes, com 170 prédios e 1020 moradores no centro, dotado de praça, telégrafo, correio e uma primitiva Igreja Matriz. Seus principais produtos agrícolas eram arroz, feijão, milho, soja, laranja e uva. Contava ainda com 82 casas de negócios e algumas indústrias, destacando-se na produção de aguardente, banha, vinho, ovos e queijo.

Ao longo dos anos, diversos distritos deixaram de pertencer a Guaporé. Com a instalação do município de Marau em 1954 perdeu seu 7° distrito, o de Maria (posteriormente, município de Vila Maria), além de Casca, Evangelista e São Domingos do Sul, que formariam o município de Casca. Em 1959, emancipou-se de Guaporé o distrito de Muçum, em 1960 o distrito de Serafina Corrêa e, mais recentemente em 1987, o município de Dois Lajeados.

Os imigrantes[editar | editar código-fonte]

Ao chegar na região, ao longo do século XIX, além dos baús de madeira e a saudade dos que permaneceram no velho continente, os imigrantes portavam um espírito arrojado para construir uma nova vida.

Em 1907, com a chegada ao município da família Pasquali, inicia-se a atividade que eventualmente seria a mais importante do município, a da fabricação de jóias folhadas. Os membros da família utilizaram o conhecimento que traziam consigo para montar a primeira das eventuais dezenas de pequenas industrias joalheiras.[6]

Passado mais de um século, a memória desses imigrantes continua viva, evidenciada principalmente na dimensão religiosa da comunidade, e ainda na força de vontade e de trabalho deste povo. Constata-se a religiosidade nos diversos capitéis do interior do município, bem como na Igreja Matriz e na estatua do Cristo Redentor, com treze metros de altura, colocado num pedestal de sete metros no cume mais alto da cidade. O local inspira todos os anos, por ocasião das celebrações da Paixão de Cristo, a encenação do acontecimento, que envolve milhares de guaporenses e visitantes que participam da procissão das Estações da Paixão, que culminam no topo da montanha, aos pés do majestoso monumento.

Após mais de cem anos de sua fundação, Guaporé centraliza-se como pólo comercial, industrial, cultural e turístico, que envolve dezenas de municípios da região. Também destacam-se as indústrias de calçados, metal-mecânica, confecções, implementos agrícolas e moveleiras, além de uma agricultura inovadora que impulsiona o município.

Geografia[editar | editar código-fonte]

O município se localiza na Serra Gaúcha, com uma altitude de 478 m no centro do município e picos de mais de 700 m de altitude, situando-se entre o Planalto e a Depressão Central, formado por rochas ígneas de efusão, originárias provavelmente do fim do período triássico ou jurássico. É região do basalto, que assenta sobre o arenito e, sob esse, o granito. O centro da cidade está localizado num vale, sendo que a oeste, no morro mais alto do município, foi construída a estátua do Cristo Redentor, no Morro dos Gallon. Os principais rios são o Rio Guaporé e o Rio Carreiro que delimitam a cidade a oeste e a leste, respectivamente.

Clima[editar | editar código-fonte]

Guaporé possui um clima subtropical úmido, com verões tépidos e invernos moderadamente frios, sendo comuns as geadas, e com ocasional queda de neve. Durante o inverno, há a ocorrência de névoas pela manha e a umidade relativa do ar geralmente é alta.

Estatísticas[editar | editar código-fonte]

Seguem algumas estatísticas disponíveis sobre a economia e qualidade de vida de Guaporé.

Cultura[editar | editar código-fonte]

A população de Guaporé é formada por descendentes de italianos. Apesar da influência exterior, suas tradições e a fala talian (uma variante da língua vêneta, do norte da Itália) são preservadas até hoje. A religiosidade herdada dos antepassados está muito presente no dia-a-dia, e o prova a monumental Igreja Matriz Santo Antônio, construída pelos padres Missionários de São Carlos, além dos vários capitéis espalhados pelo município e colônia. O rigoroso inverno gaúcho era suportado pelos colonos mediante o uso do fogão-à-lenha, reunindo a família em torno do calor, comendo o típico pinhão (semente da araucária) de suas terras, passando o tempo com a reza do rosário e jogo de cartas. Preservam-se ainda os cafés coloniais, que tem como cardápio comes e bebes típicos italianos. A caça e a pesca eram na época um meio de sustento, sendo atualmente de caráter esportivo.

As tradições gaúchas se difundiram em meio às italianas devido aos tropeiros, que transportavam cargas entre as as cidades maiores, como de Porto Alegre a Passo Fundo.

Atrativos turísticos[editar | editar código-fonte]

A cidade atrai muitos turistas todos os anos, seja para turismo de compras, para assistir provas no Autódromo ou apenas conhecer a pequena cidade interiorana. Dentre os principais pontos turísticos destaca-se:

  • Igreja Matriz de Santo Antônio - Construída em estilo neogótico francês, com projeto do italiano Tiziano Bettanin, foi inaugurada em 1950. Tendo sida parcialmente destruída num incêndio em 1998, foi reinaugurada em 1999.
  • Cristo Redentor - A estátua de 13 m de altura, sobre um pedestal de 7 m, está localizada a 741 m de altitude, no ponto mais alto do município. Neste local é realizada anualmente, na Sexta-feira Santa, a Via Sacra do Morro.
  • Autódromo Internacional de Guaporé - A área do autódromo recebe todos os anos inúmeros entusiastas do automobilismo durante as provas realizadas no local.
  • Kartódromo - Pista de Kart próxima ao autódromo.
  • Centro Comercial Guaporé - Local que reúne várias lojas das fábricas de jóias e lingerie locais.
  • Ferrovia do Trigo - A ferrovia que passa pelo local tem belas obras de engenharia em seus viadutos e túneis, é possível chegar até muitos destes e há sempre aqueles dispostos a caminhar pela ferrovia para observar as estruturas.
  • Praça Vespasiano Corrêa - A praça central da cidade, muito arborizada, é rodeada pelas principais vias do município e ladeada pela prefeitura, Igreja Matriz, Clube União e outros estabelecimentos.
  • Gruta N. Sra de Lourdes, do Seminário São Carlos
  • Capitéis de Nossa Senhora da Saúde, Sta. Lúcia e Nossa Sra. do Perpétuo Socorro
  • Queda do Bíscaro
  • Rio Carreiro
  • Trilhas do Viaduto e da Taquara
  • Museu Municipal
  • Moinho Ortolan
Cidade de Guaporé como vista da estátua do Cristo Redentor

Esporte e lazer[editar | editar código-fonte]

A população local e visitantes dispõe de várias opções de lazer e áreas para prática de esportes. Vários campos de futebol podem ser encontrados espalhados pela cidade, além disso, muitos moradores possuem "chácaras" onde gostam de passar os fins de semana. Locais para lazer incluem:

  • Associação do Fomento à Fauna e à Flora de Guaporé - AFAG (Caça e Pesca) - Dispõe de área para pesca, tiro, camping e Motocross.
  • Associação Atlética do Banco do Brasil - AABB - As instalações para sócios incluem um campo de futebol e salão de festas, frequentemente alugado para celebrações particulares.
  • Clube União Guaporense - O antigo prédio na esquina oposta à Praça Central conta com restaurante e um grande salão que recebe diversas festas abertas e privadas durante o ano. Sócios ainda podem desfrutar de piscinas, quadras de tênis, mesas de Snooker e área para jogo de cartas.
  • Aeródromo de Guaporé - A pista do aeródromo local, distante do centro da cidade, é ocasionalmente utilizada por pequenas aeronaves.
  • Centro Social Urbano - Conta com campo de futebol e quadra de futsal.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  3. Estimativa populacional 2014 IBGE Estimativa populacional 2014 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2014). Visitado em 29 de agosto de 2014.
  4. a b Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  5. a b c d Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 dez. 2010.
  6. a b Guaporé - Conheça melhor nossa cidade Prefeitura Municipal de Guaporé. Visitado em 29 de janeiro de 2011.
  7. a b c d Resumo Estatístico dos Municípios Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser. Visitado em 29 de janeiro de 2011.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]