Guayaki

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Os Guayaki, também conhecidos por Ache, pertencem a uma tribo indígena que habita as zonas paraguaias de San Estanislau, San Joaquín, Unión e Caaguazú. [1]

Localização do Paraguai

A denominação Guayaki, externa a sua cultura, encerra atitude depreciativa dirigida a esse povo, cujo significado literal seria ratão da selva. Os próprios se autodenominam Ache, que significa pessoa verdadeira. Essa autodenominação étnica foi mencionada pela primeira vez pela antropóloga Branislava Sunick em 1960, enquanto outros autores os chamam Ache-Guayaki.

Hábitos[editar | editar código-fonte]

Os guaiaquis moravam em florestas, formando grupos isolados de oito a quinze indivíduos, em que não eram erguidas moradas, senão acampamentos temporários para se passar as noites. Não praticavam a agricultura e o produto das coletas era dividido entre todos.[2]

As mulheres ocupavam-se de tarefas como o abastecimento de água, fabricação de farinha a partir de uma palmeira, preparo de fibras e da cera e trabalhos domésticos, dentre os quais se incluía o transporte dos utensílios durantes as mudanças; aos homens cumpria a fabricação das armas, caça e pesca, e também à abertura dos nichos de pernoite.[2]

Esses hábitos de total integração ao meio geográfico despertaram a atenção dos estudiosos por "permanecendo num degrau civilizacional dos mais baixos de toda a humanidade, permitem 'imaginar a vida do homem primitivo antes da descoberta dos primeiros elementos de agricultura ou de domesticação de animais'", como registrou Max Derruau.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Tradicionalmente o ache era um povo nômade, que vivia da caça e da coleta do mel, frutos e raízes bravas, evitando o contato com o branco até o século XX, para evitar a perseguição dos paraguaios, que chegaram a caçá-los como animais, fazendo-os refugiar-se nas selvas tropicais da região oriental do Paraguai.

Esses indígenas chamaram a atenção dos paraguaios devido a cor de sua pele (branca), aos seus olhos claros (castanho e cinza), pela barba nos homens e outros traços fisionômicos que os diferenciam de outros grupos étnicos, habitantes da mesma selva oriental.

Várias são as hipóteses que buscam explicar estas características singulares em uma antecedência exógena à América do Sul, no entanto, a possibilidade de serem descendentes de vikings, japoneses ou outros povos da Ásia não passa de mera especulação. O dilema sobre as suas origens só poderá ser resolvido com investigações minuciosas, especialmente, no campo genético (genoma humano), etnolingüístico e antropológico.

Diversos autores estudaram a filiação dos ache à família lingüística Tupi-Guarani. Atualmente, os estudiosos oferecem duas hipóteses: uma é a teoria de que são uma dissidência de populações Guaranis que desenvolveram uma cultura diferenciada. A outra, é a de que se trata de um grupo "guaranizado", ou seja, um grupo étnico diferente que foi submetido culturalmente em tempos remotos por populações proto-Guarani.


Referências

  1. Los Aché del Paraguay Oriental: condiciones actuales e historia reciente - Kim Hill
  2. a b c Derruau, Max. In: Editorial Presença (Portugal) Martins Fontes (Brasil). Geografia Humana (1º vol.). 2ª. ed. Lisboa (tradução: LOPES, Helena de Araújo; SAMPAIO, Carlos D'Almeida: [s.n.]. Capítulo Livro Terceiro: A noção de modo de vida, os mecanismos e os sistemas econômicos - I parte - Alguns tipos de adaptação ao meio geográfico através dos modos de vida. 502 pp.
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