Guerra Civil Síria

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Guerra atual
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Guerra Civil Síria
Parte de Primavera Árabe
FSA soldiers in truck moving.jpg
Guerrilheiros do Exército Livre da Síria se deslocando em um caminhão no interior do país.
Período 15 de março de 2011 até a atualidade1
Local  Síria
Situação
Causas Ditadura;
Governo corrupto;2
Desemprego
Inspiração em protestos da Primavera Árabe
Conflito sectário;3
Objetivos Renúncia de Bashar al-Assad;
Mudança de regime;4
Expansão dos direitos civis;5
Reconhecimento dos direitos dos curdos;
Fim do estado de emergência6
Participantes do conflito
Syria-flag 1932-58 1961-63.svg Coalizão Nacional Síria7 8


Flag of Jihad.svg Mujahidins9 10


Ala kurdên rojava.svg Partido de União Democrática18


(Para ler mais detalhes sobre apoio estrangeiro a oposição, ver aqui)

Síria República Árabe da Síria



 Irã22 23


Hezbollah25 26 Link Informativo
FPLP–CG27
Milícias xiitas iraquianas28

(Para ler mais detalhes sobre apoio estrangeiro ao regime sírio, ver aqui)

Líderes
Syria-flag 1932-58 1961-63.svg George Sabra
Presidente do Conselho Nacional Sírio e líder interino da coalizão de oposição

Syria-flag 1932-58 1961-63.svg Ghassan Hitto
Primeiro-ministro da Coalizão Nacional Síria29
Syria-flag 1932-58 1961-63.svg Riad al-Asaad
Comandante do Exército Livre Sírio
Syria-flag 1932-58 1961-63.svg Salim Idris
Chefe do estado Maior do Exército Livre Sírio
Syria-flag 1932-58 1961-63.svg Ali Sadreddine Bayanouni
Líder da Irmandade Muçulmana
Flag of Jabhat al-Nusra.jpg Abu Muhammad al-Julani30
Ala kurdên rojava.svg Salih Muslim Muhammad

Síria Bashar al-Assad
Presidente da Síria

Síria Wael Nader Al-Halqi
Primeiro-ministro da Síria
Síria Fahd Jassem al-Freij
Ministro da Defesa (a partir de 18 de Julho de 2012)31 e Chefe do Estado-Maior (Exército Sírio)
Síria Faruk al Shara
vice-presidente (desde 18 de julho de 2012)32
Síria Dawoud Rajiha 
Ministro da Defesa (8 de agosto de 2011 - 18 de Julho de 2012)
Síria Maher al-Assad
Comandante da Guarda Republicana
Síria Assef Shawkat 
Vice-ministro da Defesa
Síria Hisham Bekhityar
Chefe de Inteligência

Forças
70 000 – 100 000 combatentes33
  • Syria-flag 1932-58 1961-63.svg 30 000 desertores (julho de 2012)34
  • 6 000 guerrilheiros da Liwaa Al-Umma (incluindo 600 estrangeiros)35

Flag of Jihad.svg 2 000 – 5 000 mujahideens estrangeiros36
Flag of Jabhat al-Nusra.jpg 6 000 – 10 000 milicianos da Frente Al-Nusra37


Ala kurdên rojava.svg 4 000 – 10 000 guerrilheiros curdos38

Síria Forças Armadas:

110 000 – 200 000 militares39 40 41
Síria Diretório de Segurança Geral: 8 000 soldados
Síria milicanos de Shabiha: 10 000 combatentes


Irã 15 000 soldados42 43
Hezbollah: 1 500 – 5 000 combatentes44 45
Shiism arabic blue.PNG 500 guerrilheiros28

Baixas
Syria-flag 1932-58 1961-63.svg Rebeldes sírios e manifestantes

~16 687 combatentes mortos ou desaparecidos46
+ 2 700 manifestantes mortos em protestos47 48
36 637 guerrilheiros ou manifestantes capturados49

Síria Forças do Governo Sírio:

16 729 soldados e policiais mortos50
1 030+ militares capturados51 52
Hezbollah e
Irã Basij iranianos
590 mortos53 54 55 56
PFLP–GC
10 mortos57

94 000 58 - 120 000 58 sírios mortos no conflito
(segundo o OSDH)

80 000 mortos
(segundo a ONU)59
~ 585 civis estrangeiros mortos


+2,5 milhões de desalojados60
1,5 milhões de refugiados61

Guerra Civil Síria62 (às vezes referida como Revolta Síria ou ainda Revolução Síria63 ) é um conflito interno em andamento na Síria, que começou como uma série de grandes protestos populares em 26 de janeiro de 2011 e progrediu para uma violenta revolta armada em 15 de março de 2011, influenciados por outros protestos simultâneos no mundo árabe.64 As manifestações populares por mudanças no governo foram descritas como "sem precedentes".65 Enquanto a oposição alega estar lutando para destituir o presidente Bashar al-Assad do poder para posteriormente instalar uma nova liderança mais democrática no país, o governo sírio diz estar apenas combatendo "terroristas armados que visam desestabilizar o país".66

Foram iniciados como uma mobilização social e midiática, exigindo maior liberdade de imprensa, direitos humanos e uma nova legislação.67 A Síria tem estado em estado de emergência desde 1962, que efetivamente, suspende as proteções constitucionais para a maioria dos cidadãos. Hafez al-Assad esteve no poder por trinta anos, e seu filho, Bashar al-Assad, tem mantido o poder com mão firme nos últimos dez anos. As manifestações públicas começaram em frente ao parlamento sírio e a embaixadas estrangeiras em Damasco.68

Em resposta aos protestos, o governo sírio enviou suas tropas para as cidades revoltosas com o objetivo de encerrar a rebelião.69 O resultado da repressão e dos enfrentamentos com os protestantes acabou sendo de centenas de mortes, a grande maioria de civis.70 Muitos militares se recusaram a obedecer às ordens de suprimir as revoltas e manifestações, e alguns sofreram represálias do governo por isso.71 No fim de 2011, soldados desertores e civis armados da oposição formaram o chamado Exército Livre Sírio para iniciar uma luta convencional contra o Estado. Em 23 de agosto de 2011, a oposição finalmente se uniu em uma única organização representativa formando o chamado Conselho Nacional Sírio.72 A luta armada então se intensificou, assim como as incursões das tropas do governo em áreas controladas por opositores.73 Em 15 de julho de 2012, com grandes combates irrompendo por todo o país, a Cruz Vermelha internacional decidiu classificar o conflito como guerra civil (o termo preciso foi "conflito armado não-internacional") abrindo caminho à aplicação do Direito Humanitário Internacional ao abrigo das convenções de Genebra e à investigação de crimes de guerra.74 75

Segundo informações de ativistas de direitos humanos dentro e fora da Síria, o número de mortos no conflito passa das 80 000 pessoas,59 sendo mais da metade de civis.76 Outras 130 mil pessoas teriam sido detidas pelas forças de segurança do governo.77 Mais de 1 milhão de sírios já teriam buscado refúgio no exterior para fugir dos combates, com quase metade destes tomando abrigo na vizinha Turquia.61

Segundo a ONU, e outras organizações internacionais, crimes de guerra e contra a humanidade vem sendo perpetrados pelo país por ambos os lados de forma desenfreada.78 Desde o início da guerra, as forças leais ao governo foram os principais alvos das denúncias, sendo condenadas internacionalmente por incontáveis massacres de civis.79 80 Milícias leais ao presidente Assad e integrantes do exército sírio foram acusadas de perpetrarem vários assassinatos e cometerem inúmeros abusos contra a população.81 Contudo, durante o decorrer das hostilidades, as forças opositoras também passaram a ser acusadas, por organizações de direitos humanos, de crimes de guerra.82

Índice

Contexto

No momento da revolta, a Síria se encontrava sob estado de emergência desde 1962, sendo assim suspensas as garantias constitucionais que protegiam a população síria. Então o regime instalou um estado policial, suprimindo qualquer manifestação pública que fosse contra o governo. Durante esses anos, distúrbios civis foram fortemente reprimidos, causando centenas de mortes, como no massacre de Hama.83 O governo sírio justificou o estado de emergência, dizendo que a Síria estava em estado de guerra com Israel.

Desde 1963, após um golpe de estado, a Síria é governada pelo Partido Baath.84 Apesar das mudanças de poder no golpe de estado de 1966 e no golpe de 1970, o Partido Baath continua mantendo-se como a única autoridade na Síria,85 através do unipartidarismo.

Um manifestante anti-Assad grafitando na parede de um prédio a frase "Derrubem al-Assad", em maio de 2011.

No último golpe de estado, Hafez al-Assad tomou o poder como presidente, liderando o país por 30 anos e proibindo a criação de partidos de oposição e a participação de qualquer candidato de oposição em uma eleição.

Em 1982, durante um clima de insurgência islâmica em todo o país, que durou seis anos, Hafez al-Assad aplicou a tática da "terra arrasada", sufocando a revolta islâmica da comunidade sunita, incluindo a Irmandade Muçulmana, entre outros.86 Durante essas operações, milhares de pessoas morreram no massacre de Hama.87

O presidente Bashar al-Assad se encontra no poder desde 17 de julho de 2000, sucedendo seu pai, Hafez al-Assad. Seu partido atualmente domina a política síria, incluindo o parlamento. A Frente Nacional Progressista é a única coalizão do parlamento, composto principalmente pelo Partido Baath (134 acentos) e outros nove membros, representando 35 partidos políticos.

Como vários outros países do oriente médio, a Síria sofria com retrações econômicas e altos índices de desemprego que chegava a 25% da população.88 A situação socio-econômica, como a deterioração do padrão de vida, a redução do apoio do governo aos pobres como consequência da adaptação da economia para um mercado aberto, a erosão dos subsídios para bens e agricultura, sem uma indústria estável e índices de desemprego altos entre jovens incitaram o descontentamento popular.89

A situação dos direitos humanos na Síria também era considerada deplorável, conquistando várias críticas de organizações estrangeiras.90 O país ficou sob estado de exceção de 1963 até 2011, o que dava as forças de segurança a autoridade de prender qualquer um que quisessem sem declarar um motivo.91 Movimentos pró-democracia liderados, na maioria das vezes, pela Irmandade Muçulmana, foram mal recepcionados pelo governo que reprimia qualquer manifestação de oposição.91 Todos os partidos políticos foram banidos da Síria, fazendo do partido do governo o único a concorrer nas eleições.92

Em uma entrevista feita em 31 de janeiro de 2011, al-Assad declarou que era tempo de fazer reformas, frente as revoltas de demanda popular que derrubaram governos no Egito, na Tunísia e no Iêmen, e que falou que uma "nova era" estava chegando ao Oriente Médio.93 94 Segundo grupos de oposição, a lentidão ou não cumprimento das promessas de reformas incitaram a população a se manifestar contra o governo em massa. Os primeiros protestos começaram em janeiro e foram reprimidos duramente pelo governo.95 Ainda no mesmo mês, uma manifestação em Ar-Raqqah terminou com dois mortos. Protestos em Al-Hasakah acabaram sendo dispersados pelas forças de segurança leais ao governo e centenas foram presos. A rede de tv árabe Al Jazeera reportou a violência usada pelas forças de al-Assad na repressão e se disse preocupada com o risco de uma insurreição popular nos moldes da Líbia.96 O presidente Assad então afirmou que seu país estaria imune a todos os tipos de protestos em massa como os que ocorreram no Cairo, Egito.97

Oposição síria

Os primeiros grupos de oposição na Síria foram formados em 2005, em protestos contra o regime de Assad. Em 2011, com a implantação de protestos anti-governamentais na Síria, começaram a consolidação de grupos numerosos de oposição. Na formação do Conselho Nacional da Síria (CNS), foi lançado oficialmente na Turquia, em 23 de agosto de 2011. Em outubro, foi formado uma coalizão dos sete principais grupos políticos, que tem 230 membros, alguns sendo sírios da diáspora na França e na Turquia. Em setembro de 2011, foi nomeado o presidente do CNS o analista político Burhan Ghalioun, que vive na França, que rejeita a proposta de intervenção militar estrangeira, mas também pede a "proteção internacional" para a oposição, ao contrário do que aconteceu na Líbia, onde uma zona de exclusão aérea foi implementada, mas em 2012 o CNS pediu um apoio maior das potências estrangeiras, sugerindo uma pequena zona de exclusão sobre o território sírio, proposta esta negada pelo Conselho de Segurança da ONU.98 99 A Irmandade Mulçumana Síria, alguns dissidentes curdos, vários independentes dissidentes sírios e os chamados "Comitês de Coordenação Locais" foram alguns dos principais grupos envolvidos que também se envolveram na organização e coordenação das manifestações contra o governo. Estes argumentam que representam aproximadamente 60% da oposição síria. O Exército pela Libertação da Síria (ELS), comandado pelo coronel Riyad al-Asad, formado por centenas de soldados desertores do exército nacional, foi fundado em 29 de julho de 2011 e passou a ser o braço armado da oposição.100 101

Outro grupo de oposição notório é o Comitê Nacional de Coordenação para Mudança Democrática, que de início fazia oposição e rivalizava com o CNS e com a Irmandade Muçulmana e depois passou a pregar a unidade da oposição.102 É constituída por um socialista, marxista e partidos curdos. Formado em setembro, liderado por Hassan Abdul-Azim, tem o objetivo declarado de "derrubar o regime dos Assad." O Comitê Nacional se recusou a participar de negociações com o governo, alegando que as autoridades "estão apenas tentando ganhar tempo para a eliminação da insurreição." Um dos líderes do grupo, Haytham Manna, disse que quem pede a intervenção estrangeira na Síria é "traidor".103 Os Conselhos Locais de Coordenação na Síria, fundado em agosto de 2011, argumentam que os rebeldes estão em toda a Síria, e que se recusam a "intervenção estrangeira e ao sectarismo" e dizem não à violência.104 105 106

Fim do estado de emergência e intensificação dos protestos

Os protestos anti-governo se intensificaram em fevereiro de 2011, forçando as autoridades sírias a enviar tropas do Exército e outras forças de segurança para as ruas do país. Água e eletricidade se tornaram escassas nas cidades sitiadas como Daraa, onde as forças do governo supostamente confiscavam os suprimentos da população.107 Uma situação similar foi relatada na cidade de Homs.108 Em maio, o Exército Sírio também iniciou o cerco as cidades de Baniyas, Hama, Talkalakh, Latakia e Al-Midan, além de vários distritos de Damasco e dezenas de outras cidades pelo país que também foram ocupadas por manifestantes da oposição.109 110

Portando cartazes e bandeiras nacionais, o povo protesta contra o governo em Damasco, capital do país, em 08 de Abril de 2011.
Um comício em apoio ao presidente Bashar al-Assad em Latakia em 20 de Junho de 2010.
Em 23 de agosto, em Istambul na Turquia, nasce o Conselho Nacional Sírio principal grupo dissidente da oposição política.111

Os protestos em 18 e 19 de março de 2011 foram os maiores que ocorreram na Síria em décadas, tendo as autoridades sírias respondido com violência contra os manifestantes. O Secretário-Geral das Nações Unidas Ban Ki-moon, chamou o uso da força letal de "inaceitável".112 Já a União Europeia, representada por Catherine Ashton, classificou a situação do país como "intolerável" e solicitou que reformas ocorram na Síria.113

Falando à Assembleia do Povo, em abril, num discurso transmitido pela televisão, o presidente Bashar al-Assad declarou que esperava que o governo levantasse as leis de emergência em vigor há décadas no país, reconhecendo que há um grande buraco entre o governo e o povo, e que o "governo tinha que atender às aspirações populares".112 Em 19 de abril, o governo aprovou um decreto que suspende o estado de emergência pela primeira vez em 48 anos.114 Em resposta ao decreto, a Anistia Internacional declarou que "as promessas do presidente Al-Assad soam falsas e que as medidas adotadas são muito fracas em relação às reformas políticas tão necessárias no país".115

Apesar das medidas, a continuação dos confrontos entre os manifestantes e as forças de segurança do governo em Homs, Damasco, Banias, Kiswah e Qamlishi, levou a um banho de sangue no país em 22 de abril, com mais de 70 mortos.116 Segundo a Anistia Internacional, o número de mortos nas manifestações em março foi de 228 pessoas. A Human Rights Watch também exigiu do governo sírio, que permita que os cidadãos do país tenham direito à liberdade de reunião.117

O governo continuou a pressionar a população e em 26 de abril, tanques do exército foram enviados à Deraa, a cidade onde as manifestações começaram na Síria, e tropas abriram fogo contra manifestantes locais, causando pelo menos 35 mortes. Cerca de 500 ativistas foram presos no mesmo dia em todo o país.118 Em maio, o governo dos Estados Unidos, através de uma ordem executiva do presidente Barack Obama, determinou o congelamento de todos os bens e ativos pessoais de Assad e mais seis integrantes do governo sírio no país, assim como a proibição de cidadãos e empresas norte-americanas de fazerem negócios com essas pessoas.119

Em 12 de novembro de 2011 a Liga Árabe decidiu, por 18 votos a favor, 3 contra (Síria, Líbano e Iémen) e uma abstenção (Iraque), suspender a Síria da organização, até que o governo de Damasco botasse um fim à violência contra os manifestantes anti-governamentais.120

Em outubro de 2011, a Rússia e a China usaram o veto para bloquear uma resolução do Conselho de Segurança contra o governo sírio. Em novembro uma agência de notícias síria disse que navios de guerra russos chegaram em águas territoriais da Síria, indicando ser uma mensagem de Moscou para o Ocidente contra qualquer intervenção,121 122 anteriormente em 2010, de acordo com a agência de notícias russa RIA Novosti, a Rússia pretendia ter uma base naval no porto de Tartus na Síria.123

Al-Assad declarou que há uma "conspiração estrangeira" contra o país. O financiamento dos Estados Unidos a oposição, inclusive ocorrendo durante anos, foi revelada em supostos telegramas pelo Wikileaks. O Washington Post divulgou parcialmente esses telegramas. Ainda segundo a mensagem, existe um envolvimento do Movimento pela Justiça e Desenvolvimento (MJD) de exilados em Londres, que teria ligação com a televisão londrina Barada TV transmitida via satélite para a oposição Síria. Acredita-se que esses financiamentos começaram em 2005.124

No fim de 2011, as forças do governo sírio continuaram a reprimir os manifestantes, prendendo centenas de pessoas e deixando milhares de vítimas. A oposição síria relatou casos de estupros, assassinatos e alegou que milhares de civis estavam sendo expulsos de suas casas pelas forças do regime. O governo, por sua vez, negou as acusações.125 Em janeiro, uma pesquisa feita pela You Gov Siraj na Síria, encomendada pelo The Doha Debates, financiada pela Fundação Catar, chegou a conclusão que 55% do povo sírio queria a permanência de Assad no poder por medo de uma guerra civil ou de uma intervenção militar estrangeira no país. Porém, uma porcentagem similar da população demonstrou-se favorável a permanência do presidente no poder desde que ele convocasse eleições livres para o seu cargo. O governo então prometeu eleições, mas a transparência destas foi questionada pelas potências ocidentais e ativistas fora do país.126

No final de fevereiro de 2012, frente ao aumento considerável de protestos e da pressão internacional, o governo sírio anunciou uma nova Constituição (obtendo o pluripartidarismo e sem necessariamente diminuir a permanência no cargo ou o poder do Chefe de Estado). O governo central afirmou que a nova lei só entraria em efeito após as próximas eleições presidenciais marcadas para 2014. O novo artigo 88 determina que o Presidente pode ser eleito por dois mandatos consecutivos de sete anos cada, sem diminuição de sua autoridade. Se reeleito, Assad poderia se garantir no poder por mais 16 anos, no mínimo.127 Aprovada num referendo, onde segundo dados do regime, 57% dos eleitores compareceram e, segundo o governo, o resultado concluiu que 90% foram a favor.128 129 O regime sírio afirmou que o resultado da votação foi "um respaldo às reformas promovidas por Assad" desde o começo da rebelião popular. A oposição e os países ocidentais classificaram o resultado como sendo falso com objetivos de manter Assad no poder.130 Líderes da oposição síria acusaram a votação de ter sido fraudulenta e alegaram que ela "em absoluto não representava o desejo do povo sírio". "A prova (desta falta de apoio) é o número de manifestações que houve ontem à noite, o número de greves e o número de mortos que foi registrado enquanto Bashar enganava seu povo", afirmou Rafif Jouejati, o então porta-voz da oposição.129 Dias após a votação, o governo de Assad voltou a atacar manifestantes e cidades em controle de opositores, matando pelo menos 144 pessoas.131 Segundo um porta-voz da ONU, a prioridade do governo de Assad deveria ser "por fim à violência e só nessas condições pode ter lugar um processo político que responda às aspirações dos cidadãos". A União Europeia também reforçou o pedido de rapidez na transição politica do país e lançou novas sanções contra a nação em resposta a escalada de violência perpetrada pelo governo.127

De acordo com grupos contrários ao regime e com o observatório de direitos humanos da ONU, nenhuma das reformas prometidas por Al-Assad foram implementadas, enquanto o governo prosseguia com a repressão politica.132

Guerra

Repressão e primeiros enfrentamentos

Protestos da oposição na cidade de Baniyas, 28 de abril de 2011.
Manifestantes da oposição em Homs.

Em resposta a maior intensidade dos protestos, o governo sírio mandou várias unidades do Exército e das Forças Armadas do país para por fim as manifestações e várias cidades foram cercadas e bombardeadas causando muitas mortes.69 70 133 Homs, uma das maiores cidades do país e a maior sob controle da oposição, foi atacada e bombardeada por aviões e artilharia.134 A comunidade internacional e ativistas dos direitos humanos denunciaram a matança indiscriminada de civis e pediram o fim da violência.135 A Liga Árabe fez então uma proposta de paz que foi veementemente negado pelo governo central que alegou que estava lutando contra terroristas e não sufocando protestos.136

De acordo com várias testemunhas, soldados do governo que se recusavam a disparar contra civis eram sumariamente executados pelos próprios oficiais.137 O governo sírio negou as deserções dos seus militares e culpou "grupos armados" pelos problemas.71

No fim de 2011, civis e soldados que desertaram o exército nacional se unificaram para iniciar uma campanha de insurgência organizada contra o Estado. Foi criado então o "Exército Livre da Síria" e os combates então se intensificaram.138 Em fevereiro de 2012 o governo de Bashar al-Assad iniciou uma grande ofensiva contra as cidades controladas por opositores, em especial Homs, que foi bombardeada durante quase três semanas.139

Segundo grupos de ativistas de direitos humanos, no começo de 2012, mais de 11 mil pessoas já haviam morrido na Síria por causa da violência do governo contra os manifestantes e de outras ações armadas,140 com isso mais de 7 mil refugiados teriam fugido para o Libano,141 o governo deste país informou depois de uma reunião com o governo americano que pediu para que protegesse os refugiados da Síria, o então Ministro de Exteriores Adnan Mansour. "Nós não queremos um novo campo de Ashraf, no Líbano", disse Mansour, em uma alusão ao campo de dissidentes iranianos Mujahidin "el-Halk", localizado no Iraque.142

Em 23 de fevereiro, dois jornalistas estrangeiros (um francês e uma americana) foram mortos depois de o prédio onde estavam em Homs ter sido bombardeado por forças do governo.141 A comunidade internacional rapidamente condenou o ocorrido. "Isto é um aviso triste sobre os riscos que os jornalistas correm para informar o mundo do que se passa e dos acontecimentos horríveis na Síria", afirmou o primeiro-ministro britânico David Cameron.143 Pelo menos 24 civis morreram no mesmo episódio de violência.141 O governo sírio negou a responsabilidade pelas mortes e afirmou que os jornalistas em questão entraram ilegalmente no país. O ministério de relações exteriores do país ainda afirmou que pelo menos 200 delegações da imprensa tiveram entrada permitida no país mas não revelou de onde eram ou para quem trabalhavam.144 Em 1 de março, o exército sírio anunciou a conquista do bairro rebelde de Baba Amr, em Homs, após dois dias de combates. Os rebeldes declaram que a retirada das suas posições na área foi um "recuo tático" e se declararam preocupados com um possível massacre na tomada de seu reduto em Homs. No mesmo dia o Conselho Nacional sírio anunciou a criação de um "Gabinete Militar" para unificar a estratégia de luta contra o governo.145 Na tarde do dia 6 de março, o Crescente Vermelho sírio finalmente conseguiu chegar ao bairro de Baba Amr, cujo acesso era impedido pelo governo, fornecendo ajuda humanitária e constatando que a maioria dos moradores se transferiram para outras regiões já visitadas pela sua equipe na cidade de Homs, afirmou o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. As autoridades sírias então se reuniram com a enviada da ONU, Valérie Amos, e afirmaram ter encontrado corpos de vários estrangeiros na região, inclusive um corpo de um europeu que teria ajudado os rebeldes, encontrado com documentos de um jornalista espanhol que alegou ter perdido durante o conflito. A agência estatal de notícias síria Sana informou que o Ministério de Relações Estrangeiro do país salientou que as lideranças do governo estavam apenas tentando satisfazer as necessidades dos civis, apesar das "injustas sanções" impostas por alguns países árabes e ocidentais.146 147 Após anunciar estar no controle de Homs, informação esta negada pelos rebeldes e pela Comunidade Internacional, o governo de Damasco lançou novas ofensivas contra outras áreas tomadas por manifestantes opositores.148 149

Segundo a ONU, a intensidade dos protestos, a escalada da violência e o aumento da repressão do governo estavam levando o país para uma guerra civil.150

Em 1 de fevereiro, Riad al-Asaad, comandante do Exército Livre Sírio, alegou que "metade do território do país não estava mais sob controle do regime" e que o acesso as áreas sob a mão do governo não eram mais acessíveis. Ele também afirmou que o moral das tropas de Assad estava baixo. "É por isso que eles estão bombardeando indiscriminadamente, matando homens, mulheres e crianças", disse ele.151

A onda de protestos rapidamente se espalharam pelo mundo, em especial em frente as embaixadas da Síria pelo mundo. Após a oposição síria ter alertado que mais de 200 pessoas teriam sido mortas em um massacre em Homs em 2 de fevereiro de 2012, sírios exilados e cidadãos comuns de outras nacionalidades protestaram no Cairo, cidade do Kuwait e em Londres.152

Tentativas de cessar-fogo e novos embates

Um prédio em Homs pegando fogo como resultado dos combates entre forças pró e contrárias ao regime.

Em 10 de fevereiro de 2012 foi reportado um ataque contra o prédio da inteligência militar síria em Alepo, sendo que 28 pessoas morreram no atentado e outras 235 ficaram feridas. O Exército Sírio Livre, através do coronel Arif Hamood, assumiu responsabilidade do ataque ao canal France 24, dizendo que eles usaram tiros de morteiro e de lança-granadas-foguete ao invés de carros bomba como havia sido reportado no início.153 Contudo, outro lider da oposição armada, Riad al-Asaad, negou participação destes no ataque e falou em conspiração feita pelo governo de Assad que teria atacado ele mesmo o prédio para culpar a oposição de assassinato.154 Um jornalista holandês do canal NOS as explicações da oposição para o ataque como improváveis, já que estes já haviam alertado a todos que a inteligência do exército sírio seria alvo de ataques, já que eles seriam alguns dos principais responsáveis pela repressão política no país.155

Em 12 de abril, ambos os lados, o Governo Sírio e os rebeldes armados da Oposição, entraram em um período de cessar-fogo mediado pela ONU.156 Apesar dos planos iniciais de por fim as hostilidades em 10 de abril, o Exército Sírio continuou sua ofensiva em cidades controladas por opositores, em uma tentativa de ganhar mais terreno, e acabaram por acatar o armistício apenas no dia 12.157 Em 15 de abril, ainda havia relatos de bombardeios e combates em Homs, e também foram reportadas várias mortes por toda a Síria, supostamente em repressões das forças do governo contra membros da oposição, apesar das promessas de fim das hostilidades feitas pelo presidente Bashar al-Assad. No dia 16, um grupo de observadores internacionais chegau à Síria para inspecionar como estava a situação do país.158

Em 1 de maio, Hervé Ladsous, Subsecretário-Geral para Operações de Paz das Nações Unidas, disse que ambos os lados estavam violando o acordo de cessar-fogo de 12 de abril. O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou que governo e oposição deveriam cooperar com a proposta de paz.159 160

No dia 19 de maio, em Deir ez-Zor, explodiu uma bomba em um atentado suicida. Matou 9 civis e feriu 100 gravemente. O atentado foi atribuído à Irmandade Muçulmana.161

Em detrimento do acordo de cessar-fogo, os combates no país se intensificaram em maio e no dia 25 desse mês mais de 100 pessoas foram executadas no "Massacre de Houla", perpetrado durante uma ofensiva militar do governo sírio.162 Segundo a ONU, a maior parte das vítimas eram civis que teriam sido sumariamente executado pelas forças de Bashar al-Assad.163 Estes eventos acabaram por colocar a já tensa paz em risco.164 Rupert Colville, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, disse que acredita "que menos de 20 dos 108 assassinatos podem ter sido provocados por disparos de artilharia e tanques. A maioria das vítimas foram executadas de forma sumária em dois incidentes diferentes que foram executados, segundo os moradores, por milicianos favoráveis ao regime".165 O governo, por sua vez, negou responsabilidade e culpou "grupos terroristas" pelo incidente.166 Em 29 de maio, Kofi Annan viajou até à Síria para apelar a ambos os lados e evitar o rompimento total do cessar-fogo.167

Em 30 de maio, o exército rebelde sírio anunciou que eles estavam dando ao presidente Assad 48 horas para se submeter ao plano de paz internacional e por fim a violência. "O prazo acaba na sexta, às 12h00 (hora local), e ai estamos livres de qualquer comprometimento anterior e voltaremos a proteger e defender os civis, suas aldeias e suas cidades", disse um porta-voz das forças militares da oposição.168

Escalada da violência e declarada guerra civil

Logo após o massacre em Houla e o subsequente ultimato rebelde ao governo sírio, o cessar-fogo praticamente entrou em colapso no fim de maio de 2012, com forças do Exército Livre da Síria (ESL) lançando vários ataques contra tropas do governo. Em 1 de junho, o presidente Bashar al-Assad alertou que o país iria "esmagar" a revolta rapidamente, depois de o exército rebelde anunciar que estavam retomando as "operações defensivas".169 Assad então voltou à televisão e declarou que a Síria estava em completo "estado de guerra".170

Em 2 de junho, 57 soldados foram mortos na Síria, o maior número de perdas sofridas pelo governo em um só dia até esse momento.169 Entre 5 e 13 de junho, o Exército Sírio combateu e derrotou as milícias anti-governo na cidade de Latakia, onde foram usados tanques e helicópteros para liquidar as forças opositoras.171

Em 6 de junho de 2012, 78 civis foram mortos no chamado "massacre de Al-Qubair". De acordo com ativistas de direitos humanos, as forças do governo começaram a bombardear o vilarejo com artilharia pesada antes que as milícias pró-Assad, a Shabiha, avançasse.172 Observadores da ONU tentaram entrar no vilarejo para tentar investigar o que havia ocorrido de fato mas foram impedidos pelo governo e depois foram embora ao perceber que haviam combates pela área com vários sons de diversos tiroteios acontecendo.173 174 Enquanto isso, os conflitos avançaram até duas grandes cidades (Damasco e Alepo) que o governo alegava estar tranquila em suas mãos e que sua população era formado por partidários que apenas queriam a manutenção da estabilidade. Em ambas as cidades, intensos protestos de caratér mais pacífico estavam acontecendo. Lojistas da capital entraram então em greve e em Alepo os bairros comerciais também pararam de funcionar mas em escala menor. Isso foi interpretado por especialistas como a indicação de que a histórica aliança nas grandes cidades entre os empresários e o governo tinha finalmente ruído.175

Soldados do Exército Livre da Síria reunidos durante a batalha de Alepo.
Um soldado da oposição lutando nas ruas de Aleppo.

Em 22 de junho, um caça turco F-4 foi derrubado por forças do governo sírio.176 A Síria admitiu ter derrubado o avião, alegando que a aeronave turca voava sobre águas sírias a apenas 1 quilometro da costa quando foi atacado por artilharia antiaérea perto do vilarejo de Om al-Tuyour.177 Em 24 de junho, destroços do jato foram encontrados em águas sírias, mas a tripulação permanecia desaparecida.178 O ministro das relações exteriores da Turquia então declarou que o avião de seu país fora derrubado em águas internacionais logo após ter entrado momentaneamente em espaço sírio, durante um voo para testar o novo sistema de radar turco.179 O presidente Bashar al-Assad mostrou pesar pela situação e alegou estar "arrependido" pela derrubada do avião.180 O governo de Ancara emitiu uma nota oficial dizendo que o ataque não sairia impune e culpou as autoridades em Damasco pela incidente.181 Logo depois, a União Europeia aprovou uma nova e mais dura rodada de sanções econômicas contra a Síria.181

No começo de julho de 2012, Manaf Tlass, um general de brigada da Guarda Republicana, desertou o governo, fazendo dele o mais graduado oficial de alta patente do Exército Sírio a renunciar devido a violência. Diplomatas ocidentais disseram que este foi o golpe mais duro contra Assad e seu círculo interno de ajudantes.182 Nawaf al-Fares, o embaixador sírio no Iraque, que já havia anunciado simpatia pelos movimentos opositores ainda em maio de 2011, renunciou ao cargo e declarou fidelidade a oposição ainda em julho de 2012.181

Em meados de julho, os combates se espalharam pelo país de forma mais violenta. Frente a esses relatos, o Comitê da Cruz Vermelha internacional declarou o conflito uma "guerra civil".74 A luta em Damasco, capital do país, se intensificou devido a uma grande ofensiva rebelde que pretendia dominar a cidade.183

Em 18 de julho, o ministro da defesa sírio, Dawoud Rajha, e o cunhado do presidente, o General Assef Shawkat, foram mortos em um atentado a bomba na capital.184 185 186 O chefe da inteligência do governo, Hisham Bekhityar, também foi ferido na mesma explosão. Tanto o Exército Livre da Síria e o grupo Liwa al-Islam assumiram responsabilidade pelos ataques.187 Já o ministro do interior, Mohammad Ibrahim al-Shaar, também foi ferido no atentado mas seu estado médico não foi confirmado.188 189 Esses ataques foram os primeiros que conseguiram assassinar altos membros do governo de Assad em 17 meses de revolta.185 Em 19 de julho, a cidade de Alepo foi palco de intensos combates entre forças do governo e da oposição, com ambos os lados lutando ferozmente para garantir o controle desta que é o maior centro comercial do país.190

Com a recente escalada na violência, em 19 de julho, o Conselho de Segurança da ONU, pressionado por Estados Unidos e União Europeia, votou uma resolução contra o Regime de Bashar Al-Assad. Contudo, como era esperado, Rússia e China vetaram a resolução e qualquer subsequente sanção contra o governo sírio, evidenciando ainda mais a divisão da comunidade internacional sobre o conflito.191 Russos e chineses, que são os principais aliados da Síria, justificaram o veto alegando que querem ver uma resolução mais igual e que force ambos os lados a parar com a violência.192 No mesmo dia, oficiais do governo iraquiano anunciaram que o Exército Livre da Síria haviam tomado o controle de todos os quatro postos de fronteira entre a Sìria e o Iraque, aumentando a preocupação do governo local com seus cidadãos na região fugindo do conflito no país vizinho.193 Nesse mesmo dia, por quase 40 minutos, todas as fronteiras da Síria foram fechadas.194 No dia 21, foi relatado que cerca de 150 combatentes islâmicos supostamente procedentes de vários países árabes, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Tunísia, armados com fuzis de assalto AK-47, lança-foguetes e bombas artesanais, ocuparam um posto de fronteira localizado entre a Síria e Turquia, constatou um fotógrafo da Agence France-Presse (AFP) na região. O governo culpou extremista da Al-Qaeda pelo incidente e relatou a presença de combatentes estrangeiros no país, o que foi negado pela oposição.195 Dois dias depois, a Tv Estatal síria mostrou imagens de cadáveres sendo supostamente de egípcios e jordanianos, e anteriormente tinha sido de supostos líbios e tunisianos.196

Mapa da revolta na Síria por cidades até maio de 2013.197

Em 25 de julho, várias fontes denunciaram o uso de armamento pesado e até aeronaves de combate pelas forças de Assad contra áreas controladas por opositores armados em Alepo e Damasco, resultando em muitas mortes.198 No começo de agosto, tropas sírias teriam expulsado os combatentes do Exército Livre do distrito de Salaheddin, em Aleppo, e aumentaram a intensidade das ofensivas na parte noroeste da cidade de Idlib. A televisão estatal então reportou que soldados do governo haviam frustrado ataques de rebeldes armados contra o aeroporto e uma prisão localizada no centro de Aleppo.199 Em 29 de julho, a agência estatal SANA reportou que o governo estava no controle do distrito de Hajar al-Aswad, na capital do país. No mesmo dia, Assad declarou vitória e afirmou que suas tropas controlavam inteiramente a capital, apesar de na periferia, combates esporádicos ainda podiam ser ouvidos.200 201 202 Em Aleppo, os combates continuavam com as forças do exército sírio lançando vários contra-ataques encima dos rebeldes armados da oposição.203

Em 7 de agosto, vários residentes e trabalhadores de Yandar, uma área próxima a cidade de Homs, foram massacrados. O jornal SANA, aliada ao governo de Damasco, acusou o Exército Livre sírio pelo massacre, o que foi negado pela oposição. O número de mortos ainda é incerto. No dia seguinte, em Aleppo, rebeldes atacaram um importante centro da polícia na cidade mas foram repelidos por militares leais a al-Assad.204

Em 25 de agosto, na cidade de Darayya, cerca de 400 pessoas foram mortas em um suposto ataque das forças do governo sírio.205 206 A milícia Shabiha, leal ao presidente Bashar al-Assad, foi a principal acusada de ter cometido os assassinatos. Alguns civis, contudo, acusaram as forças do Exército Livre da Síria de algumas das mortes.205 207 Desde a intensificação do conflito para uma guerra civil e do aumento das ofensivas militares da oposição, as forças rebeldes foram acusadas de perpetrarem abusos contra civis simpatizantes do governo e soldados que se renderam.207 208 209 210 Em Damasco, valas comuns contendo pelo menos 270 corpos foram encontrados na periferia da cidade. Mais uma vez, as milícias Shabihas foram acusadas de serem os autores do massacre. Em meados de setembro, um parente do presidente Assad, que era um oficial da Força Aérea Síria, anunciou que havia mudado de lado para a oposição.211 Esta foi a primeira deserção de um parente de al-Assad durante o conflito.211

Em 18 de setembro, forças rebeldes reportaram que estavam no controle do norte da região de Ar-Raqqah, na fronteira entre a Síria e a Turquia. Junto com outros postos de controle em poder da oposição com aquele país e também na fronteira com o Iraque, os rebeldes conquistaram uma importante vitória estratégica e logística, permitindo com mais facilidade a entrada de suprimentos ao país.212

Em 3 de outubro de 2012, tiros de artilharia pesada vindos da Síria atingiram a cidade de Akçakale na Turquia e cinco cidadãos daquele país foram mortos.213 Em resposta, a Turquia bombardeou alvos militares em território sírio, marcando a primeira intervenção estrangeira direta no conflito.214 O governo turco recorreu a OTAN, que por sua vez condenou a morte de civis no suposto ataque Sírio ao país vizinho.215 Eles também pediram que o governo sírio cesse todas as operações militares agressivas contra seus vizinhos e contra a população.215 Esta foi a ação militar mais violenta na fronteira durante toda a guerra civil e a primeira a provocar uma resposta letal estrangeira.216 O regime sírio, por sua vez, respondeu que está investigando o incidente e expressou condolências as vítimas.217 Nesse mesmo dia, foi registrado vários ataques suicidas em Alepo, onde uma batalha decisiva se desenrola, provocando dezenas de mortes e deixando mais de uma centena de civis feridos.218 O grupo Jebhat al-Nusra, ligado a Al Qaeda, assumiu a autoria dos ataques.218

Ofensivas rebeldes

Prédios destruidos devido aos combates em Saadallah al-Jabiri, na cidade de Alepo.

Em 10 de outubro, forças rebeldes assumiram o controle de Maarat al-Numan, um local estratégico em Idlib, que contém estradas importantes que fazem ligação entre as cidades de Damasco e Alepo.219 No fim do mês, fortes bombardeios de aviões do governo sírio forçaram o recuo das forças rebeldes.220 Apesar do retrocesso, pesados combates continuam pelo distrito com o número de mortos crescendo em ambos os lados.221 222 Neste meio tempo, as forças armadas da Síria iniciaram sua maior ofensiva militar para tomar por completo a cidade de Homs, um dos principais redutos da oposição.223 A ofensiva acabou terminando em outro impasse estratégico com nenhum dos lados conseguindo dar o golpe decisivo no outro.224

No dia 25 de outubro, o governo sírio, a pedido da ONU, propôs um fim nas operações militares entre os dias 26 e 29, devido ao festival muçulmano do Eid al-Adha. Alguns grupos rebeldes, contudo, anunciaram que não respeitariam a proposta. Durante as festividades, combates irromperam por toda a Síria, e as Nações Unidas denunciaram que ambos os lados estavam violando o cessar-fogo proposto.225 226 No dia 26 de outubro, cerca de 70 pessoas morreram em um atentado a bomba na capital Damasco.226 A TV estatal do governo acusou "grupos terroristas" ligados aos rebeldes pelo atentado, informação negada pelo Exército Livre da Síria, que está a frente da luta armada para derrubar Bashar al-Assad.226 Ativistas da oposição afirmaram que o carro-bomba explodiu perto de um playground infantil construído para o feriado do Eid al-Adha, no distrito de Daf al-Shok, no sul da capital.226 Em 31 de outubro, o general Abdullah Mahmud al-Khalidi, um oficial da força aérea síria descrito como um dos mais hábeis aviadores do país, foi assassinado em Damasco, no distrito de Rukn al-Din, por um grupo de opositores armados.227

Em 3 de novembro, numa continuação da contraofensiva rebelde em Idlib, uma base aérea e um aeroporto militar foram atacados por opositores ao regime sírio. Prédios do governo também foram atacados em Damasco, causando a morte de 21 soldados que faziam a segurança do local. Em Duma, próxima a capital, uma delegacia e um hospital também foram tomados por opositores.228 A notícia destas vitórias também vieram acompanhadas de relatos de abuso de direitos humanos cometidos por parte da oposição.229 230 Um video divulgado na imprensa mundial mostra uma suposta execução de soldados leais ao governo cometido por combatentes rebeldes.228 Ao grito de "cães shabihas de Assad", em referência aos milicianos partidários do regime do presidente Bashar al-Assad conhecidos por cometerem diversas atrocidades contra civis, os guerrilheiros executaram vários membros das forças de segurança do governo em uma base militar não identificada.228 A ONU então exigiu que a denúncia fosse investigada e apelou para que ambos os lados respeitassem as leis internacionais humanitárias.228 Nesse meio tempo, a liderança da oposição, reunida em Amã, capital da Jordânia, voltou a descartar qualquer proposta de paz que mantivesse o presidente Assad no poder e exigiu a renúncia do ditador como único meio de acabar com a violência.231 O governo, por sua vez, em uma nota emitida por meio de um jornal estatal, anunciou que não negociará diretamente com o Conselho Nacional Sírio, definindo-os como "um grupo de mercenários".231

Em meio ao término das novas rodadas de negociações pela paz no país, os rebeldes conquistaram várias vitórias no norte da Síria. Eles assumiram o controle de Saraqeb, na província de Idlib, dando-lhes o controle de uma importante rodovia que leva a cidade de Alepo, que ainda é assolada por violentos combates.232 Em 3 de novembro, rebeldes lançaram ataques a base aérea de Taftanaz, de onde partiam aeronaves militares do governo para bombardear posições sob domínio das forças opositoras ao regime.233 No dia 6, sete generais sírios chegaram a Turquia para anunciar que estavam se juntando a oposição, segundo a mídia daquele país.234

Em 18 de novembro, as forças da oposição tomaram o controle de uma das maiores bases militares no norte da Síria, a Base 46, nos arredores de Alepo, após semanas de intensas lutas contra as forças do governo. O general desertor, Mohammed Ahmed al-Faj, que comandou as tropas rebeldes, saudou a tomada da base como "uma das nossas maiores vitórias desde o começo da “revolução” para derrubar o presidente Bashar al-Assad". A oposição alegou ter matado, pelo menos, 300 militares do governo e ter capturado outros 60 homens. Também foram apreendidos muitas armas e veículos de combate.235

Em dezembro, apesar do aumento da intensidade dos ataques do governo no sul do país, os rebeldes avançaram em diversas frentes, como na capital Damasco.236 237 Em 16 de dezembro, a cidade de Hama foi atacada por militares da oposição, que alegaram ter tomado boa parte da cidade e expulsado as forças do governo da região.238 No dia 19, um líder rebelde disse que "dois-terços da zona rural de Hama está sobre controle da oposição".239 No dia 25 de dezembro, tropas rebeldes tomaram, após semanas de luta, o município de Harem, na província de Idlib, na fronteira turca. Nesse mesmo dia, o major-general Abdulaziz al-Sallal, chefe da polícia militar síria, desertou o governo. Al-Sallal foi o oficial de mais alta patente a desertar o regime desde a deserção do também major-general Adnan Sillue, que era chefe do departamento de armas químicas sírio.240

No começo de janeiro de 2013, milícias islâmicas, incluindo a Jabhat al-Nusra, tomaram a base aérea de Taftanaz, no norte de Idlib, após semanas de luta. A base militar, uma das maiores no norte do país, era usado pelas forças do governo como base para lançar ataques de helicópteros e entraga de suprimentos as linhas de frente na região.241 Ainda em janeiro, rebeldes islâmicos e militantes curdos trocaram tiros na cidade de Ras al-Ain, intensificando as tensões étnicas na região.242

Guerra de atrito (fevereiro - presente)

Destruição em Alepo.

No inicio de fevereiro, combates violentos continuaram a imperar no norte do país e na capital.243 Forças rebeldes, formadas por islamitas, tomaram a cidade de Al-Thawrah, na província de Raqqa, perto de uma das maiores usinas hidrelétricas do país.244 245 No dia seguinte, forças da oposição tomaram a base aérea de Jarrah, que fica a 60 km de Alepo.246 Em 14 de fevereiro, foi a vez da cidade de Shadadeh cair em mãos das milícias da Jabhat al-Nusra, perto da fronteira com o Iraque.247 O governo central sírio respondeu com pesadas ofensivas na região centro-norte da Síria.248 Ao menos 30 rebeldes e mais de 100 soldados do governo teriam morrido nos ataques.248 Em 14 de fevereiro, rebeldes anti-Assad afirmaram ter matado, em solo sírio, um alto comandante da Guarda Revolucionária iraniana.249 O governo de Teerã é um dos principais aliados do ditador sírio.249

Em 20 de fevereiro, um carro-bomba foi detonado no meio do bairro de Mazraa, em Damasco, capital do país, perto do escritório central do Partido Ba'ath, que governa a Síria. Segundo informações, pelo menos 53 pessoas teriam morrido e outras 235 foram feridas, fazendo deste o maior atentado da guerra.250 Nenhum grupo clamou a autoria do ataque, porém a TV estatal síria culpou o grupo Jabhat al-Nusra, ligado a oposição, pela explosão. Já a Coalizão Nacional Síria culpou as forças de segurança de Assad pelo ocorrido. Tanto o governo, quando a oposição e vários países ocidentais, como os Estados Unidos, condenaram o ataque.251

Em 3 de março de 2013, mais de 200 pessoas (incluindo pelo menos 120 soldados e policiais das forças de segurança do governo) foram mortos em combates no complexo de Khan al-Assal, fazendo deste um dos dias mais sangrentos da guerra.252 Outros 34 soldados do regime teriam sido mortos em combate no mesmo dia, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.252 O governo respondeu assumindo o controle de várias estradas importantes que fazem a conexão ao aeroporto internacional de Alepo.253 A cidade de Raqqa, no nordeste do país, até então pacifica, também passou a ser palco de intensos tiroteios entre forças contrárias e leais ao governo Assad.253 Em 6 de março, a cidade oficialmente caiu, fazendo de Raqqa a primeira capital de uma província na Síria a ser inteiramente tomada pela oposição.254 Segundo informações de locais, a população da cidade saiu as ruas e, em êxtase, derrubaram um enorme pôster do presidente Assad e ainda derrubaram uma enorme estátua erguida em honra de seu pai, Hafez Assad, no centro da cidade. Dois oficiais de alta patente do governo também teriam sido capturados.255

No dia 15 de março, quando a revolta armada na Síria fez dois anos, milhares de pessoas foram as ruas do país gritando slogans de apoio a oposição e pedindo a renúncia do presidente Bashar al-Assad.256 Um dia antes, tinha sido registrado uma manifestação pró-governo no bairro de Midan, em Alepo, que fora tomado militarmente pelo regime sírio no final de 2012.257 258 Enquanto isso, combates se intensificaram em todo o país, em especial nas cidades de Homs e Alepo.256 Ainda no dia 15, o ministério sírio das relações exteriores divulgou uma nota afirmando que poderia lançar ataques contra o vizinho Líbano, mirando opositores que tomaram refúgio por lá. Segundo o ministério, "grupos armados" usam o território libanês para se infiltrar na Síria a fim de combater ao lado dos rebeldes.259 Em 18 de março, três dias depois, a aviação síria bombardeou a fronteira libanesa.260 Os ataques miraram posições rebeldes no vale de Wadi al-Khayl, na fronteira entre os dois países, e não houve mortes reportadas.260 O governo sírio não assumiu a autoria do ataque.261

Entre janeiro e março de 2013, uma série de atentados à bomba, muitos atribuídos a organização Jabhat al-Nusra, aconteceram por todo o território sírio. Em 21 de março, em mais um desses ataques, cerca de 41 pessoas foram mortas numa explosão em uma mesquita sunita na capital Damasco. Entre os mortos, encontrava-se o xeique Mohammed al-Buti, que era conhecido por seus discursos pró-Assad. O atentado, classificado como terrorista, recebeu condenações de dentro e fora do país.262 Em abril, os combates se intensificaram nos grandes centros urbanos do país, como na capital Damasco, onde 70 pessoas morraram em violentos tiroteios no dia 20.263 Os rebeldes então tomaram de assalto a cidade de Da'el e também avançaram em Daraa. O governo respondeu com contra-ofensivas em Wadi al-Deif, na província de Idlib, e também em Alepo e Homs. No sul, as forças armadas do regime avançaram no vilarejo de Abel e também reconquistaram a cidade de Saqraja, flanqueando o município de Qusair, uma importante cidade na fronteira libanesa, que ainda está em mãos de combatentes da oposição.264 Em 21 de abril, a cidade de Yodeda al Fadl, situada na periferia de Damasco, foi tomada por militares sírios numa orperação que supostamente terminou com mais de 500 pessoas mortas (a maioria vítimas de bombardeios aéreos).265 E em meados de abril, o governo tomou a cidade de Otaiba, cortando uma importante rota de suprimentos dos rebeldes.266

No dia 8 de maio, o exército sírio tomou a estratégica cidade de Khirbet Ghazaleh na fronteira jordaniana. Segundo informações, mais de mil militantes da oposição armada foram forçados a recuar da região devido a falta de munição, o que também os levou a se retirar de outras áreas nas proximidades. A tomada desta cidade permitiu ao governo reabrir uma rota de suprimentos para o município de Daraa.267 No dia 19 de maio, tropas do exército sírio, com o apoio de guerrilheiros do Hezbollah, iniciaram uma grande ofensiva contra o município de Qusayr, que é uma importante base estratégica dos rebeldes, e relataram ter tomado vários vilarejos que cercam a cidade.268 Segundo fontes da rede de tv árabe Al Jazira, forças do governo já estariam controlando boa parte da cidade.269

Incidentes internacionais

Incidentes com a Turquia

Incidentes com o Líbano

Posto de vigilância do exército sírio em Douma, janeiro de 2012.

A guerra civil síria se alastrou para o Líbano, levando a incidentes de violência sectária no norte do Líbano entre partidários e opositores do governo sírio, e confrontos armados entre sunitas e alauítas em Trípoli.270

Em 17 de setembro de 2012, caças-bombardeiros sírios dispararam três mísseis ao longo da fronteira em território libanês próximo de Arsal. Foi sugerido que os jatos estavam perseguindo rebeldes nos arredores. O ataque levou o presidente libanês, Michel Sleiman a iniciar uma investigação, embora não responsabilizasse publicamente a Síria pelo incidente.271

Em 19 de outubro, um carro-bomba explodiu no centro de Beirute, matando um oficial de segurança máxima do Líbano, Wissam al-Hassan. Pelo menos outros sete foram mortos e, talvez, 80 ficaram feridos na explosão.272 Após esse atentado, confrontos se intensificaram nas cidades de Trípoli e Beirute.273


Incidentes com a Jordânia

Em 21 de outubro de 2012, na fronteira entre a Síria e a Jordânia, ocorreu um incidente entre os soldados do Exército da Jordânia e o grupo islâmico Takfir wal-Hijra, com resultados de um soldado jordaniano morto e 10 islamitas presos.274 275

Incidentes com Israel

Em 10 de novembro de 2012, os rebeldes sírios tomaram quase todos os vilarejos perto da fronteira com as Colinas de Golã, onde houve combates na área que fizeram com que Israel lançasse ataques de retaliação contra a Síria em duas ocasiões, depois que projéteis de morteiros aparentemente perdidos caíram em território sob o controle de Israel.276

No dia 30 de janeiro de 2013, caças israelenses atacaram um comboio de veículos na fronteira sírio-libanesa, alegando que estes veículos carregavam armas sendo contrabandeadas pela milícia Hezbollah. Israel afirmou que estes carregamentos continham, entre outros equipamentos, mísseis SA-17, de fabricação russa, e outros tipos de lançadores de foguetes, que poderiam ser supostamente usados contra Israel no futuro.277 Em 4 de março, uma instalação militar síria (que continha equipamentos, armas e munição) teria sido atacada pela aviação israelense.278 No dia seguinte, um centro de pesquisas e um depósito de armas (que supostamente continha mísseis iranianos de longo alcance) na capital Damasco foram atacados por caças F-15 de Israel.279 280 O ataque recebeu duras críticas e condenações de líderes de países muçulmanos. Dentro da Síria, tanto o regime de Assad como a oposição também condenaram a ação israelense.281

Reações internacionais

Em 23 de janeiro de 2012, a Síria anunciou que rejeitava proposta da Liga Árabe para que al-Assad se afaste do cargo e que seja criado um governo de unidade nacional dentro de dois meses.282 No dia seguinte, um ministro sírio chama o relatório referente ao documento emitido, no qual a Liga Árabe pediu a renúncia do presidente Bashar al-Assad, de "conspiração".283 No relatório, feito entre 24 de dezembro de 2011 a 18 de janeiro de 2012 foi reportado que "não há nenhum tipo de repressão letal organizada pelo governo sírio contra manifestantes pacíficos". Em vez disso, o relatório denuncia as muitas gangues armadas como responsáveis pela morte de centenas de civis e de mais de mil soldados do exército sírio, em atentados organizados e letais (explosões de ônibus de transporte de civis, ataques a bomba contra trens carregados de óleo diesel, ataques a bomba contra ônibus de transporte de policiais e ataques a bomba contra pontes e oleodutos).284 Esta conclusão foi amplamente criticada dentro e fora do mundo árabe. O Conselho Nacional sírio considerou o relatório sobre o trabalho dos observadores como "um passo atrás nos esforços da Liga e não reflete a realidade vista pelos observadores no terreno".285 Segundo o governo sírio, os ataques no país são cometidos por terroristas.286 287 288 289 Porém, observadores internacionais e analistas voltaram a denunciar a matança indiscriminada de civis por parte das forças do governo.290

Civis feridos na frente de um hospital de Alepo, outubro de 2012.

A Liga Árabe,291 a União Europeia,292 as Nações Unidas293 e vários governos ocidentais condenaram a violência no país e a repressão do regime sírio, apoiando o direito de liberdade de expressão do povo.294 295 Vários governos ocidentais, em especial os Estados Unidos e membros da União Europeia, impuseram pesadas sanções econômicas unilaterais contra a Síria em um esforço para enfraquecer o governo de Damasco.296 297 298 299 O efeito deste embargo financeiro das potências é inconclusivo, com países como Irã doando bilhões de dólares ao governo sírio.300 301 China e Rússia também demonstraram apoio financeiro ao governo de Bashar al-Assad e se posicionam oficialmente contra qualquer tipo de imposição de sanções internacionais ao país.302 A Rússia, que tem uma base naval militar na Síria, condenou o uso de violência pela oposição e falou que há "terroristas" entre os manifestantes.303

Um dos principais apoios a Síria veio da Rússia. Segundo Mikhail Bogdanov, vice-ministro das Relações Exteriores, "o país, em contraste com os nossos parceiros ocidentais e árabes não vamos impor quaisquer sanções unilaterais, o que pode afetar adversamente a situação social e humanitária na Síria". "Nós não vamos estar envolvidos, no entanto, vamos continuar a desenvolver os laços econômicos com a Síria, incluindo no domínio do fornecimento de petróleo e outras necessidades essenciais", completou Bogdanov. Logo em seguida foi denunciado que o Catar e os britânicos teriam forças especiais na Síria, segundo o jornal DEBKA. Os governos destes países negaram a informação.304 305 306 O porta voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Alexander Lukashevich, contestou as informações que são obtidas pelo Observatório sírio de Direitos Humanos" e classificou as informações como "não confiáveis" e "tendenciosas".307

Em 29 de fevereiro de 2012, a agência estatal de notícias síria (SANA), informou que um repórter do Telegraph entrevistou um suposto funcionário do Exército Livre Sírio alegando ter recebido armas a partir de fontes norte-americanas e francesas mostrado em um vídeo.308 Nenhuma fonte independente confirmou a informação e os rebeldes não comentaram.309 A presença de jornalistas estrangeiros na Síria é proibida pelo governo, assim como a de observadores externos.310

Também em apoio ao governo sírio, a China acusou os países ocidentais de instigarem uma guerra civil na Síria. Pouco depois, dois navios de guerra iranianos aportaram na base naval de Tartus para uma missão de "formação" da marinha síria, mas eles posteriormente retornaram ao seu país de origem sem completar sua missão, de acordo com a cadeia de televisão iraniana Irinn, país aliado ao regime de Assad.311 312

Envolvimento estrangeiro

Apoio a oposição

Lideranças da chamada Coalizão Nacional Síria da Oposição e das Forças Revolucionárias se reunindo em Doha, no Qatar, em novembro de 2012.

O conflito sírio é interpretado como parte de uma "guerra por procuração" entre Estados sunitas, como a Arábia Saudita, Turquia e Catar, apoiando a oposição de maioria sunita, e outros países como Irã e o movimento político do Hezbollah no Líbano, que apoiam o governo alauita sírio.313 314

O governo da Turquia é o que fornece maior apoio direto aos dissidentes sírios, sendo que boa parte dos mais de 500 mil refugiados gerados pelo conflito encontraram refúgio no território turco.315 Muitos opositores sírios usaram a cidade de Istambul como centro para comandar a luta pela mudança de regime no seu país,316 e a Turquia também refugiou o líder do Exército Livre da Síria, o coronel Riad al-Asaad.317 318 O governo turco, durante o conflito, aumentou sistematicamente a hostilidade contra o governo de Assad. Em maio de 2012, combatentes da oposição começaram a ser treinados pela Agência de Inteligência Turca.319 Os turcos, e vários países árabes e ocidentais, vem auxiliando os rebeldes com armamento pesado desde o início da guerra.320

Alguns países cortaram relações com o governo de Bashar al-Assad logo no começo das hostilidades, como os Estados do Golfo, a Líbia, Tunísia, Reino Unido, Espanha, Turquia, Estados Unidos e Bélgica.321 322 323 Canadá parou de emitir passaportes para a Síria mas manteve sua embaixada em Damasco.324 Em 1 de novembro de 2011, a OTAN disse que não tinha intenções de intervir militarmente na Síria, logo após uma longa campanha de 7 meses na Líbia.325 Em julho de 2012, os Estados Unidos concederam créditos e fundos para um grupo chamado "Syrian Support Group", dando-lhes liberdade para financiar a oposição armada síria.326 Outro apoio crucial veio da Arábia Saudita e do Catar que anunciaram estar abertamente armando e financiando a oposição.327 328 329

De acordo com um homem ligado a Bashar al-Assad em uma entrevista uma agência de noticias Anna da Abecásia, antigos membro do Exército de Libertação do Kosovo estão lutando na Síria ao lado dos opositores. Ele disse que o Exército Sírio de Assad matou 400 rebeldes no país, incluindo kosovos.330 Grupos terroristas como a al-Qaeda também contribuem para a luta em nome da oposição armada. Oficiais americanos acreditam que membros da Al-Qaeda no Iraque tem conduzido ataques a bomba contra alvos do governo sírio,331 e que o líder da organização, Ayman al-Zawahiri, condenou o governo de Assad.332 Militantes islâmicos jihadista, vindos de diversos países, também foram a Síria para lutar pela oposição.333

Em agosto de 2012, a missão da ONU na Síria constatou que os rebeldes combatiam o governo com tanques e armas pesadas em Alepo, considerada a batalha decisiva.334 335 Turquia e os Estados Unidos supostamente estudaram estabelecer zonas de exclusão aérea na Síria, com o objetivo de ajudar os grupos rebeldes sírios em áreas que estes alegavam está em seu controle.336

Em 11 de novembro de 2012, em meio a escalada de violência, em Doha, o chamado Conselho Nacional e outros grupos de oposição se juntaram para formar a "Coalizão Nacional Síria da Oposição e das Forças Revolucionárias", unificando assim a maioria dos grupos anti-Assad.337 338 Nos dias que se passaram, muitos Estados árabes do golfo e várias potências ocidentais reconheceram a nova coalizão como legítimos representantes do povo sírio.79 Entre os delegados que compõem o novo conselho, estão mulheres e representantes de minorias étnicas e religiosas, como os alauitas. Já o conselho militar é formado por lideranças do Exército Livre da Síria.339 Em 25 de março de 2013, a Coalizão Nacional Síria ganhou oficialmente um assento no plenário da Liga Árabe, organização que apoia os rebeldes sírios desde o início do conflito. A medida seria uma forma de legitimar, perante a comunidade internacional, a posição da Coalizão de Oposição.340

No começo de 2013, uma nova onda de armas teria sido enviada as forças rebeldes através da parte sul da fronteira jordaniana. Estes armamentos incluiriam fuzis de assalto, armas antitanque M-79, rifles e canhões, como o modelo M-60. Anteriormente, o fluxo do tráfico de armas para a Síria era feito pela fronteira norte da Turquia. Contudo, muita dessas armas acabavam parando em mãos de rebeldes islamitas. O objetivo da nova estratégia seria "fortalecer as forças rebeldes moderadas" e trazer a luta para o interior do país, próxima a capital.341

Em 6 de março de 2013, a Liga Árabe deu aos seus países membros o "sinal verde" para armar rebeldes sírios.342 Reino Unido e França também anunciaram que poderiam tomar atitude similar, fornecendo armamento pesado para a oposição, apesar do embargo de armas da União Europeia contra a Síria.343 Ainda em março, uma fonte do departamento de segurança da Jordânia revelou que os serviços de inteligência dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França estariam treinando combatentes rebeldes em território jordaniano.344 345

Apoio ao governo Assad

Em janeiro de 2012, a Human Rights Watch criticou a Rússia, principal apoiadora de Bashar al-Assad, por "repetir os mesmos erros dos países ocidentais" ao apoiar "disfarçadamente" o lado que simpatiza.346 A Anistia Internacional, notando que o governo sírio utiliza armas pesadas e até aeronaves de combate para atacar opositores, criticou os russos por ter "um desleixo arbitrário pela humanidade."347 Novamente, a Human Rights Watch alertou que a companhia russa de armas, a Rosoboronexport, "enviar armas a Síria enquanto crimes de guerra são cometidos pode ser interpretado como cumplicismo destes crimes", e convocou empresas internacionais a cortar relações com empresas russas envolvidas com o conflito.348 349 Pouco tempo depois, contudo, os Estados Unidos compraram alguns helicópteros Mi-17 da Rosoboronexport pelo valor de milhões de dólares.350 Um dos principais interesses da Rússia no conflito é a manutenção da base naval no porto de Tartus, que Moscou considera essencial para a manutenção da influência do país no mediterrâneo.351 352 Em apoio ao regime sírio, o governo russo teria enviado enormes quantidades de armas pesadas e até helicópteros de combate para suprir as forças do ditador Bashar al-Assad.353

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, abertamente anunciou apoio ao governo sírio.354 O jornal britânico The Guardian reportou que o governo iraniano apoiou Assad com equipamentos e informações.355 O The Economist disse que o Irã, em fevereiro de 2012, enviou a Síria US$9 bilhões de dólares para ajudar o país a suportar o impacto da sanções econômicas do ocidente.301 O país também enviou combustível a Síria e mandou dois navios de guerra para a região para demonstrar apoio militar ao regime de al-Assad.356

O presidente americano, Barack Obama, e o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, acusaram o Irã de secretamente apoiar Assad militarmente em sua busca para esmagar os protestos e também houve relatos de combatentes iranianos lutando na Síria.357 358 O controle da cidade de Zabadani provou-se vital para Assad e para o Irã, ao menos em junho de 2011, já que a cidade servia como centro de apoio de logística do Exército dos Guardiães da Revolução Islâmica ao Hezballah.359 De acordo com oficiais da ONU, o governo iraniano vendeu quantidades significativas de armas a Síria antes do conflito, em violação as restrições de exportações de armas da República Islâmica a outras nações. Também durante a guerra, armamentos pesados foram contrabandeados pelos iranianos para dentro do território sírio afim de ajudar as forças do governo de Bashar al-Assad.360 361

De acordo com informações vindas do Irã, o grupo Hezbollah, dito como terrorista pelos governos ocidentais, apoia militarmente a luta do governo Assad contra opositores em Damasco e em Zabadani.25

Em 31 de agosto de 2012, o autoproclamado "Movimento dos Países Não Alinhados" declarou que recusava a ideia de uma intervenção armada estrangeira no país e alguns países, como Equador e Irã, voltaram a declarar o seu apoio à posição do governo de al-Assad.362 Eles também pediram o fim da violência e a retomada das negociações de paz.362 O ex-líder cubano, Fidel Castro, enviou mensagens ao presidente Assad declarando seu apoio.363

Propostas de paz

Várias iniciativas de paz e planos para resolver a crise na Síria foram apresentadas, sem muito sucesso. Entre algumas das principais tentativas de negociação, foi a proposta da Liga Árabe lançada em dezembro de 2011 que foi considerada um fracasso. A Rússia também tentou propor uma saída mas não conseguiu nada.

No começo de 2012, a iniciativa "Amigos da Síria" foi estabelecida, que resultou numa conferência multinacional na Tunísia. Também houve várias reuniões na Turquia em abril. Nesta iniciativa a Rússia, China e o Irã não participaram por considerá-la unilateral e a favor da oposição, chamada de "inimigos da Síria" pelo regime de Assad.364 365 Em fevereiro, Kofi Annan, ex-Secretário Geral da ONU, propôs um novo plano de paz.366 Este plano foi chamado de o mais promissor para resolver o conflito, cujo a prioridade da iniciativa era um cessar-fogo imediato e bilateral em abril de 2012. O regime sírio anunciou que aceitava a proposta e que faria seu exército recuar, porém os militares do governo reiniciaram a ofensiva e não demonstraram sinais de que retrocederiam em seu avanço. A oposição síria, a ONU, ativistas de direitos humanos e governos ocidentais denunciaram que Bashar al-Assad, o presidente sírio, desrespeitou o plano de paz que ele próprio havia aceitado semanas antes e desobedeceu o cessar-fogo declarado por ele mesmo, no prazo estabelecido pela ONU, ao retomar os ataques à áreas controladas pela oposição, em abril de 2012.367 368 Por sua vez o governo sírio exigiu "garantias por escrito" da oposição para retirar as tropas e após o prazo estabelecido acusou a oposição de violar o acordo com "ataques terroristas", apesar do emissário Kofi Annan concluir que o fim das hostilidades aparentava estar sendo respeitado.369 370 Segundo Ban Ki-moon, atual Secretário Geral da ONU, uma "frágil paz" cobriu a Síria.371 No dia 12 de abril, dois dias após o prazo final para imposição do cessar-fogo, um civil e um soldado morreram na cidade de Hama, durante uma nova ofensiva do governo.371

Em 15 de agosto de 2012, Kofi Annan foi dispensado do cargo de mediador da ONU para a questão síria.372 Dois dias depois, o posto foi dado ao diplomata argelino Lakhdar Brahimi.373

Médicos sírios tratando de rebeldes e civis feridos em Alepo.

Em 29 de novembro, o Comitê Nacional de Coordenação para Mudança Democrática, único grupo de oposição "tolerada" pelo regime de Assad, que "repudia a interferência estrangeira nos assuntos internos sírios" e alega querer instaurar uma democracia na Síria, informou, em uma reunião com a Rússia, que estava disposta a negociar com as autoridades sírias uma mudança no sistema político do país e propôs utilizar "agentes externos", mas apenas para conseguir frear a violência no país.374 Ainda em novembro, o mediador internacional para a Síria, Lakhdar Brahimi, se encontrou com membros do regime e da oposição para tentar fechar um acordo de paz entre as partes e acertar a instauração de um governo de transição, sem exigir a renúncia imediata do presidente Bashar al-Assad, que é a principal exigência da organização autointitulada Coalizão Nacional Síria, grupo este formado pela união das principais frentes opositoras a Assad.375 Em 16 de dezembro, o governo iraniano apresenta um plano de paz de 6 pontos para a questão síria exigindo o fim imediato a todas as ações armadas, um processo da ONU de monitoração da transição, que o governo de Damasco e a oposição cooperem com a ONU e seu comitê especial para parar operações armadas especialmente nas áreas residenciais para restaurar a paz e estabilidade, uma distribuição imediata, séria e justa de ajudas humanitárias para os cidadãos sírias, o fim das sanções econômicas contra o povo da Síria, a fim de preparar o terreno para o retorno de todos os refugiados sírios para sua terra natal, a retomada dos diálogos nacionais abrangentes por diferentes partidos opositores políticos e sociais e Damasco rapidamente formar uma comissão de reconciliação nacional; a fim de formar um governo de unanimidade de transição, uma eleição livre e justa para a formação de um novo Parlamento e do Senado e da composição de uma constituição e a libertação imediata de todos os presos políticos de todos os partidos do governo e os grupos de oposição, e criação de um tribunal de justiça competente para investigar os casos de pessoas que cometeram crimes no país que o governo sírio assumiu que aceitaria acata-lo.376 377 378 Cinco dias depois, a oposição síria anunciou que rejeitaria o plano de paz, sob a alegação de que "o regime de Assad estava caindo e que ele e suas nações aliadas tentavam lançar propostas furadas para evitar o inevitavel".379 A oposição voltou a falar que rejeitaria qualquer proposta de paz imposta a eles que não tirasse Assad imediatamente do poder.379

Frente a uma série de derrotas militares, em 6 de janeiro de 2013, Assad fez sua primeira aparição em público depois de três meses e conclamou seus apoiadores a resistir.380 No discurso, feito diante de uma plateia da simpatizantes, o presidente sírio propôs um novo plano de paz, com uma "conferência de reconciliação" mas alertou que não convocaria para as negociações aqueles que, segundo ele, "traíram a Síria" e voltou a chamar a oposição de "terroristas"380 e disse que a maioria dos combatentes não são sírios, mas sim extremistas ligados a Al-Qaeda, comparando a situação atual da Síria ao do Afeganistão durante a guerra afegã-soviética na década de 1980.381 Apesar de abrir espaço para o diálogo, o presidente não citou no discurso qualquer possibilidade de renunciar.380 Enquanto Irã e Rússia aprovaram o discurso de Bashar al-Assad, líderes da oposição e das potências ocidentas o chamaram de "fraco e fora da realidade". O líder da Coalisão nacional síria disse que "o ditador está cercado e ficando sem opções".382

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Ligações externas

Ver também

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