Guerra Sertoriana

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Guerra Sertoriana
Parte das Guerras civis romanas
Conquista Hispania.svg
Províncias romanas na Hispânia.
Data 80 – 72 a.C.
Local Hispânia
Desfecho Vitória Optimate
Mudanças
territoriais
Recuperação da Hispânia
Combatentes
Vexilloid of the Roman Empire.svg Optimates Vexilloid of the Roman Empire.svg Populares
Principais líderes
Vexilloid of the Roman Empire.svg Metelo Pio
Vexilloid of the Roman Empire.svg Pompeu
Vexilloid of the Roman Empire.svg Quinto Sertório
Vexilloid of the Roman Empire.svg Marco Perperna
Forças
70,000 homens 35,000 homens
Vítimas
20,000 16,000

A Guerra Sertoriana foi um dos conflitos das guerras civis romanas no qual uma coalizão de iberos e romanos lutaram contra os representantes do governo estabelecido por Lúcio Cornélio Sula. Leva o nome de "Sertoriana" devido ao nome do principal líder de oposição a Sula, Quinto Sertório. A guerra durou de 80 a 72 a.C.[1] A guerra é notável pelo uso de Sertório de táticas guerrilha.[2] A guerra terminou depois de Sertório ser assassinado por Marco Perperna e prontamente derrotado por Pompeu.[2]

Origem da guerra[editar | editar código-fonte]

Mapa etnográfico da península ibérica cerca de 200 a.C.

Lusitanos discontentes decidiram enviar emissários para Sertório, que na época estava no Norte da África. Os lusitanos escolheram Sertório por causa da política leve que tinha posto em prática como governador em 82 a.C.[3] Os lusitanos possuiam uma longa história de resistência contra Roma.[4] Alguns historiadores concluíram que os lusitanos procuravam a independência, e tomando a liderança do movimento, Sertório se opôs a Roma.[5] Philip Spann considera isso improvável, por Sertório aceitar uma proposta tão traiçoeira que destruiria qualquer esperança de retorno para Roma. O mais provável foi o crescimento da oferta pelos lusitanos que não seriam capazes de derrotar Roma, e que sua maior esperança era o auxílio para a criação, em Roma, de um regime simpático aos lusitanos.[6] Spann sugere que uma das principais razões para Sertório ter aceitado foi que "estava cada vez mais claro de que não haveria anistia para ele e seus seguidores, nem de reconciliação com o regime instituído por Sula.[7]

Sertório retorna a Ibéria[editar | editar código-fonte]

Em 80 a.C., Sertório após derrotar uma força naval sob o comando de Caio Aurélio Cota e desembarcou na península ibérica.[8] Plutarco relata que Sertório chegou primeiro à Lusitânia, organizou as tribos e só depois voltou para o vale Betis para derrotar uma força romana. Spann sugere que a sequência mais provável foi a Batalha do Rio Betis que ocorreu durante a marcha inicial de Sertório na Lusitânia.[9]

Nomeação de Metelo[editar | editar código-fonte]

Preocupado com a crescente ameaça das autoridades de Roma, nomeou Quinto Cecílio Metelo Pio como governador da Hispânia Ulterior.[10] Metelo, estacionado em Metelino (atual Medellín), fez várias investidas para o interior,[10] mas foi frustrado por Sertório que costumava usar táticas de guerrilha de forma tão eficaz que após dois anos, Metelo ficou exausto.[11] Enquanto isso, o subordinado de Sertório, Hirtuleio, foi capaz de derrotar Marco Domício Calvino.[10] Em 77 a.C., foi acompanhado por Perperna que trouxe o resto do exército de Marco Emílio Lépido da Sardenha.[10] No entanto, Parperna tinha apenas relutantemente concordado em se colocar sob o comando de Sertório; quando seus homens haviam ouvido que Pompeu tinha exigido que Perperna se unisse a Sertório.[12]

Metelo e Pompeu contra Sertório[editar | editar código-fonte]

O primeiro objetivo de Pompeu quando chegou na península ibérica, foi limpar a costa. Inicialmente obteve sucesso quando enfrentou os subordinados de Sertório, mas foi forçado a recuar quando enfrentou Sertório.[13] Enquanto isso, Metelo trouxe Hirtuleio para a batalha na Itálica e o derrotou.[13] No ano seguinte, em 75 a.C., houve três batalhas, cujo dois locais são contestados. Metelo derrotou e matou Hirtuleio em uma batalha que Scullard precisou um local perto de Segóvia no centro da atual Espanha.[13] Philip Spann considera que Segóvia foi o sítio mais provável da ocorrência da batalha, onde foi travada próxima da cidade.[14] Sertório ouvindo a derrota de Hirtuleio parece ter decidido tentar derrotar Pompeu antes de que ele e Metelo pudessem unir forças. Na Batalha de Sucro, Sertório encontrou o exército de Pompeu e embora ele tenha derrotado uma fileira de Pompeu forçando-o a fugir, sua outra fileira havia sido derrotada, para que o resultasse em um empate.[15] A terceira importante batalha, onde Sertório enfrentou as forças combinadas de Pompeu e Metelo, foi normalmente considerada perto de Sagunto.[16] Philip Spann considera que isso seja uma má interpretação das fontes, argumentando que o sítio deve ter sido mesclado com as outras cidades chamadas Segontia.[17] É provável que a batalha tivesse forçado que Sertório lançasse sua melhor fileira contra a seção romana tendo pouca fé nas suas táticas na batalha.[18] Nesta batalha, a maior da guerra, Sertório foi derrotado.[19]

Divisão do acampamento de Sertório[editar | editar código-fonte]

Em 73 a.C., houve uma crescente divisão entre os soldados romanos e ibéricos da coalizão de Sertório.[20] Plutarco relata que os romanos trataram duramente os ibéricos, culpando suas ações nas ordens de Sertório.[21] Trata-se da hipótese do movimento de Perperna para assassinar Sertório em 72 a.C.[22] Entretanto, existem argumentos de que ele possa ter morrido em 73 a.C.[20] Após o assassinato, Perperna, com seu exército, foi atraído para uma emboscada e capturado por Pompeu.[23]

Resultado[editar | editar código-fonte]

Na opinião de Scullard, o tratamento de Pompeu para com a Hispânia foi humano.[22] A cidadania foi dada para muitos dos apoiadores e muitos dos adversários foram mortos no sul da Gália.[22]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. The Encyclopaedia of Military History, Dupuy and Dupuy p. 93
  2. a b The Encyclopaedia of Military History, Dupuy and Dupuy p93
  3. Quintus Sertorius and the Legacy of Sulla, Philip Spann p. 54
  4. Quintus Sertorius and the Legacy of Sulla, Philip Spann pp. 58-9
  5. H. Berve, "Sertorius", Hermes 64 (1929) p. 221
  6. Quintus Sertorius and the Legacy of Sulla, Philip Spann p59-60
  7. Quintus Sertorius, P Spann p55
  8. Quintus Sertorius and the Legacy of Sulla, P Spann pp. 56-7
  9. Quintus Sertorius and the Legacy of Sulla, Philip Spann pp. 57-8
  10. a b c d From the Gracchi to Nero, H. H. Scullard, p. 90
  11. Quintus Sertorius and the Legacy of Sulla, Philip Spann pp. 69-71
  12. Quintus Sertorius and the Legacy of Sulla, Philip Spann p. 86
  13. a b c From the Gracchi to Nero, H. H. Scullard, p. 91
  14. Quintus Sertorius and the Legacy of Sulla, P. Spann p. 110
  15. Quintus Sertorius and the Legacy of Sulla, Philip Spann pp. 111-2
  16. e.g. From the Gracchi to Nero, H. H. Scullard, p. 91
  17. Quintus Sertorius and the Legacy of Sulla, Philip Spann pp. 114-5
  18. Quintus Sertorius and the Legacy of Sulla, Philip Spann p. 114
  19. Quintus Sertorius and the Legacy of Sulla, Philip Spann pp. 113-5
  20. a b Quintus Sertorius and the Legacy of Sulla, Philip Spann p. 128
  21. Plutarch, Lives, Sertorius, 25, University of Chicago
  22. a b c From the Gracchi to Nero, H. H. Scullard, p. 92
  23. Quintus Sertorius and the Legacy of Sulla, Philip Spann p. 135