Guerra da independência do Brasil

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Guerra da Independência do Brasil
Brazilian independence compilation.JPG
Sentido horário, de cima para a esquerda: As Cortes Portuguesas; Tropas Portuguesas no Brasil; Pedro I a bordo da fragata União; Pedro I declara a independência do Brasil; Pedro I sendo coroado Imperador do Brasil.
Data 18 de fevereiro de 18228 de março de 1824
Paz firmada em 29 de agosto de 1825
Local Brasil e Uruguai
Desfecho Vitória do Brasil e unidade territorial do Império definida
Intervenientes
Flag of Empire of Brazil (1847-1889).svg Império do Brasil
Flag of the United Kingdom.svg Mercenários britânicos [1]
Flag of the Kingdom of France (1814-1830).svg Mercenários franceses[2]
Flag United Kingdom Portugal Brazil Algarves.svg Reino de Portugal
Principais líderes
Flag of Empire of Brazil (1847-1889).svg Dom Pedro I
Flag of Empire of Brazil (1847-1889).svg Barão de Laguna
Flag of Empire of Brazil (1847-1889).svg José Joaquim de Lima e Silva
Flag of the Kingdom of France (1814-1830).svg Pedro Labatut
Flag of the United Kingdom.svg Thomas Cochrane
Flag of the United Kingdom.svg John Pascoe Grenfell
Flag United Kingdom Portugal Brazil Algarves.svg Cortes Portuguesas
Flag United Kingdom Portugal Brazil Algarves.svg Inácio Luís Madeira de Melo
Flag United Kingdom Portugal Brazil Algarves.svg João José da Cunha Fidié
Flag United Kingdom Portugal Brazil Algarves.svg Álvaro da Costa
Flag United Kingdom Portugal Brazil Algarves.svg José Maria de Moura
Forças
Em Pernambuco: 2.000
No Maranhão: 8.000
Na Bahia: 14.000
No Pará: +1.000
Na Cisplatina: 3.000
Total:
+27.000

Navios em 1822:
1 navio de linha
4 fragatas
2 corvetas
5 brigues
6 escunas
20 pequenos navios
Total:
38 navios

Navios em 1824:
96 navios
Em Pernambuco: +350
No Maranhão: 1.600
Na Bahia: 10.500
No Pará: 1.556
Na Cisplatina: 4.000
Total:
+18.006

Navios:[3]
1 navio de linha
2 fragatas
1 "Charrua"
10 corvetas
3 brigues
1 escunas
1 "Sumaca" ("Smak")
1 barca
35 outros pequenos navios
Total:
55 navios
História do Brasil
Coat of arms of Brazil.svg
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A chamada Guerra da Independência estendeu-se de 1822 a 1824, no contexto do processo de Independência do Brasil, entre 1808 e 1825, quando esta foi formalmente reconhecida por Portugal e pelo Reino Unido. A Guerra da Independência acabou por ser uma guerra civil Luso-Brasileira, já que Portugueses e Brasileiros combateram em ambos os lados.

O que inicialmente começou como uma rebelião anti-lusitana em Salvador em 18 de fevereiro de 1822, se transformou após a proclamação da independência, às margens do riacho Ipiranga a 7 de setembro de 1822, em lutas mais encarniçadas nas regiões onde, por razões estratégicas, se registrava maior concentração de tropas do Exército Português, a saber, nas então Províncias Cisplatina, da Bahia, do Piauí, do Maranhão e do Grão-Pará.

Recorde-se que a maior parte da oficialidade era de origem portuguesa. Desse modo, o governo brasileiro, através do Ministro José Bonifácio de Andrada e Silva, adotou as providências para eliminar a resistência portuguesa. Para esse fim providenciou a compra de armas e navios, o recrutamento de tropas nacionais e o contrato de estrangeiros (mercenários), bem como medidas repressivas como o confisco de bens e a expulsão daqueles que não aceitassem a emancipação política do Brasil. No plano econômico, proibiu-se o comércio, e, no diplomático, autorizou-se a guerra de corso, contra Portugal.

Índice

[editar] Antecedentes

Embarque da Família Real portuguesa no cais de Belém, em 29 de Novembro de 1807.

Em 27 de novembro de 1807, a família real portuguesa, escoltada pela esquadra inglesa, escapou da invasão napoleônia ao seu país e rumaram ao Brasil. A colônia, então, transformou-se na sede temporária do governo português. Acompanhando a família real, vieram 15.000 criados da corte e a maior parte da pequena marinha portuguesa (8 navios de linha, 4 fragatas, 5 corvetas e 3 escunas).

O Brasil imediatamente experimentou uma significante mudança social, econômica e política. O país, quase que da noite para o dia, passou de uma colônia ultramar para a sede do império luso. Os portos brasileiros foram imediatamente abertos para o comércio com as nações aliadas á Portugal; a Grã-Bretanha foi a primeira beneficiada.

O Brasil logo se viu envolvido em campanhas militares. A Guiana francesa foi brevemente ocupada (1809-1817), e a Banda Oriental (Uruguai) foi anexada ao império como a Província da Cisplatina em 1821.

Dom João VI.

Após vários anos de proscrastinação, João VI, rei de Portugal e do Brasil (que foi elevado ao mesmo status de Portugal em 1815), relutantemente voltou à Europa em 26 de abril de 1822, junto com uma comitiva de 3.000 pessoas, deixando seu filho Pedro, o príncipe regente, no comando. Especula-se que a última advertência de Dom João ao filho foi:

Pedro, o Brasil, eu temo, vai em breve se separar de Portugal; se isso acontecer, ponha a coroa na tua cabeça, antes que um aventureiro o faça

A partida de Dom João VI acabou com grande parte da ligação entre o Brasil e o Império português. Muitos brasileiros tinham animosidades com os portugueses. O mercantilismo criou um abismo entre as duas sociedades. Os que retornaram à Portugal com Dom João VI carregaram tudo que puderam, inclusive dinheiro do Banco do Brasil.

Com o retorno do rei à Europa, as Côrtes (legislatura) estavam determinadas á reduzir o Brasil à condição de colônia e voltar à subjugar o país com numerosas restrições. A presença de Pedro no Brasil era um obstáculo aos planos das Côrtes. Em setembro de 1821, não obteve sucesso a tentativa de chamar de volta o príncipe regente, o qual, a princípio, não consegui se decidir entre ficar ou partir para a Europa. Dom Pedro mandou voltar para Lisboa a esquadra portuguesa enviada para buscá-lo, o que infureceu as Côrtes.

Dom Pedro (à direita) ordena ao oficial português Jorge Avilez (à esquerda) que retorne à Portugal após sua rebelião fracassada.

Ainda em setembro de 1821, as Côrtes tentaram reimplantar o antigo sistema administrativo que dividia o Brasil em capitanias, respondendo diretamente à Portugal, tornando a posição de D. Pedro no Brasil irrelevante. Tal mudança burocrática era lenta e inadequada para resolver os problemas do país.

Em 9 de janeiro de 1822, Dom Pedro proclamou o Fico ("Diga ao Povo que fico"). Como consequência, em 11 de janeiro, 2.000 homens da guarnição portuguesa no Rio de Janeiro, conhecidos como "Divisão Auxiliadora", ocupou o Morro do Castelo. A divisão havia acabado de voltar da luta no Uruguai. O comandante, Tenente-General Jorge Avilez, queria forçar Dom Pedro a retornar para Portugal. Avilez logo percebeu que suas ações eram desaprovadas pela maioria dos residentes da cidade, e finalmente zarpou para Portugal em 15 de fevereiro. Logo após a partida da Avilez, reforços sob o comando do General Maximiano de Souza também foram pressionados à retornar para a Europa.

D. Pedro proclamando a independência do Brasil ás margens do riacho Ipiranga, por Pedro Américo.

Enquanto esses eventos se desenrolavam, o jovem príncipe era aconselhado por sua esposa, Leopoldina, uma arquiduquesa austríaca, e por José Bonifácio de Andrada e Silva, um estudioso brasileiro, a como conseguir a independência. Muitos brasileiros, principalmente os mais abastados, testemunhavam as longas guerras pela independência na América espanhola, e queriam evitar destino semelhante. Após uma declaração formal de independência em 7 de setembro de 1822, o príncipe se tornou Pedro I, Imperador Constitucional e Perpétuo Defensor do Brasil.

[editar] Forças oponentes

A população do Brasil na virada do século era de 3,6 milhões. 3/5 dela eram homens livres, a maior parte proveniente da mistura entre sangue africano, indígena e europeu. Os brancos nascidos em Portugal eram chamados de Reinóis, enquanto que os brancos nascidos no Brasil eram conhecidos por Mazombos. A minoria branca, principalmente os nascidos em Portugal, detinham o poder político, assim como grande parte do poder econômico. Os 2/5 restantes da população eram compostos por escravos negros.

É difícil precisar quantos Reinóis viviam no Brasil em 1822, já que todos os caucasianos eram súditos de Portugal. A maioria da população vivia próximo ao mar, concentrando-se nas províncias de Pernambuco, Bahia e Minas Gerais. Essas três regiões dominavam a vida econômica e política da colónia, sendo o seu controle estratégico. Pernambuco era uma próspera região produtora de açúcar, lavoura de grande valor à época. Ao sul, a Bahia produzia açúcar, algodão, melaço e tabaco. Essa era a região mais densamente povoada e rica do país. Mais ao sul ainda, localizava-se o Rio de Janeiro, que controlava o ouro e os diamantes das Minas Gerais.

Ambos os partidos (português e brasileiro) viam os navios de guerra portugueses espalhados pelo país (a maioria em mau estado de conservação) como o instrumento militar através do qual a vitória poderia ser atingida. No começo de 1822, a marinha portuguesa controlava um navio de linha, duas fragatas, quatro corvetas, dois brigues, e quatro belonaves de outras categorias em águas brasileiras. Havia cerca de 10.000 soldados portugueses e unidades da cavalaria real confiáveis ao longo da costa do Atlântico. Cerca de 3.000 soldados estavam envolvidos no cerco a Montevidéu, um número similar de soldados ocupavam Salvador, e o resto das tropas estava espalhada pela região.

Os navios de guerra disponíveis de imediato para a nova marinha brasileira eram mais numerosos, mas em péssimo estado de conservação. Apesar dos cascos de vários navios que trouxeram a Família Real e a Corte ao Brasil estarem abandonados no Rio de Janeiro, os seus cascos estavam carcomidos, sendo de pouco valor. O agente brasileiro em Londres, Marquês de Barbacena (Marechal Felisberto Caldeira Brant) recebeu ordens para adquirir navios de guerra totalmente equipados e tripulados à crédito. Nenhum fornecedor, entretanto, estava disposto a assumir os riscos. Finalmente, foi realizada oferta pública de ações, tendo o novo imperador subscrito pessoalmente 350 delas, inspirando outros a fazerem o mesmo. Assim, o novo governo logrou êxito em arrecadar recursos para adquirir uma frota.

Revista das Tropas Destinadas a Montevidéu na Praia Grande, em 7 de junho de 1816 (aquarela de Jean-Baptiste Debret).

Arranjar tripulações foi outro difícil problema. Um número significante de antigos oficiais e marinheiros portugueses voluntariaram-se para servir à nova nação e juraram-lhe fidelidade. A sua lealdade, entretanto, estava sob suspeitas. Por este motivo, oficiais e marujos britânicos foram recrutados para suprir a deficiência e acabar com a dependência em relação aos portugueses. Havia tão pouca oferta de marujos que, eventualmente, prisioneiros recebiam indulto para servir à frota.

O exército portugês no Brasil era composto por tropas de linha e milicianos. Todos os soldados eram nomeados pela Corte de Lisboa. Em 1817, uma revolta republicana eclodiu em Pernambuco. Como conseqüência, 2.000 soldados da "Divisão Auxiliar" foram enviados ao Brasil. Com a chegada das tropas lusas, oficiais nativos do Brasil não eram contemplados com grandes responsabilidades.

[editar] Campanhas de Independência

[editar] Estratégias iniciais

A influência de Portugal sobre o Brasil era mantida pelas guarnições em portos estratégicos. A estratégia portuguesa para retomar o controle do Brasil era recuar as tropas em Montevidéu e usá-las para reforçar as guarnições na Bahia. Essas tropas reconquistariam a Bahia, enquanto a marinha portuguesa bloqueava o Rio de Janeiro. A estratégia de Dom Pedro era isolar as guarnições portuguesas e forçá-las, uma por uma, a retornar para Portugal.

[editar] Separação

Durante 1822, os habitantes do Brasil tomaram partido nos eventos políticos que se desenrolaram no Rio de Janeiro e em Lisboa. Houve cisão no Exército luso-brasileiro que ocupava a Cisplatina (Uruguai). Regimentos portugueses recuaram para Montevidéu e foram cercados pelos ex-companheiros, os brasileiros, liderados pelo Barão de Laguna. No remoto e pouco populado norte do Pará e Maranhão, juntas pró-portuguesas declararam lealdade à pátria-mãe. Pernambuco era favorável à independência, mas, na Bahia, não havia consenso entre a população.

[editar] A campanha da Cisplatina

Nessa província, que hoje é o Uruguai, o Comandante de Armas, D. Álvaro da Costa não aderiu ao Império, entrando em conflito com o general Frederico Lecor, responsável pela ocupação da área que foi anexada ao Brasil durante o governo de D. João VI. A região encontrou-se dividida entre imperiais e lusitanos, tendo Lecor pisado em Montevidéu, liderando as tropas brasileiras, em 2 de março de 1824 e os últimos abandonado a região do Prata somente em 8 de março do mesmo ano, sendo a Cisplatina o último reduto da resistência lusitana na América. Nesse momento, os uruguaios, liderados por Juan Antonio Lavalleja e Fructuoso Rivera, iniciavam a luta pela sua própria independência, levando à Guerra da Cisplatina.

[editar] A campanha da Bahia

Na Província da Bahia, a área tradicionalmente produtora de açúcar e de tabaco do Recôncavo, dominada pelos grandes latifundiários escravistas, desde cedo se manifestara pela causa brasileira, sob a liderança da vila de Cachoeira. A capital da Província, Salvador, então ocupada pelas tropas do Exército Português sob o comando do Governador das Armas, Inácio Luís Madeira de Melo, mantinha os laços com a Metrópole.

Com a divulgação da notícia da proclamação da Independência, as vilas do Recôncavo baiano, sob a liderança da vila de Cachoeira, em cuja Câmara Municipal se instalou um governo interino, mobilizaram-se para expulsar as tropas portuguesas entrincheiradas em Salvador, reforçadas desde os acontecimentos que haviam culminado no Dia do Fico (9 de Janeiro de 1822). Esse processo de reforço de tropas foi marcado por diversos incidentes em Salvador, entre os quais o assassinato, por soldados portugueses, da abadessa do Convento da Lapa, Sóror Joana Angélica de Jesus (19 de Fevereiro).

Para apoiar e reforçar a ação brasileira na região, o governo brasileiro despachou, da Corte, alguns navios sob o comando de Rodrigo de Lamare, conduzindo tropas e suprimentos, inclusive um oficial experimentado nas campanhas napoleônicas, Pedro Labatut. Este efetivo desembarcou em Maceió, em Alagoas, de onde seguiu, por terra, para a Bahia. Durante a marcha, o contingente foi reforçado por efetivos vindos de Pernambuco, do Rio de Janeiro e do amplo voluntariado que se abrira no Recôncavo.

O Exército brasileiro adentrando Salvador após a rendição das forças portuguesas, 1823.

Entre esses voluntários destacaram-se nomes como os de Maria Quitéria, no Batalhão dos Periquitos, criado pelo avô do poeta Castro Alves - José Antônio da Silva Castro -, assim denominado pelo predomínio da cor verde em sua farda.

De Portugal, foram enviados 2.500 homens para reforçar as tropas de Madeira de Melo. A este efetivo juntaram-se elementos da Divisão Auxiliadora, que se retirava do Rio de Janeiro.

As vitórias brasileiras nas batalhas de Cabrito e de Pirajá (8 de Novembro de 1822), bem como o fracasso na tentativa portuguesa de ocupação da ilha de Itaparica (7 de Janeiro de 1823), tornaram cada vez mais difícil o sustento da posição por parte do Exército Português. Diante do bloqueio naval de Salvador, imposto pela esquadra imperial sob o comando de Lord Thomas Cochrane, complementado pelo bloqueio terrestre, que conjugados, impediam o suprimento do efetivo luso, Madeira de Melo foi forçado a capitular, abandonando a cidade (2 de Julho), então ocupada pelas tropas brasileiras. Na ocasião Cochrane aprisionou várias embarcações de bandeira portuguesa ("Prontidão", "Leal Portuguesa", "Pizarro", "Carolina" e "Conde de Peniche"), perseguindo as demais até às proximidades de Lisboa.

[editar] A campanha do Piauí

Na então Província do Piauí, tradicional produtora de gado, a burguesia comercial e mesmo os proprietários de terras, estavam ligados à Metrópole, inclusive por laços de sangue. Aqui, a adesão à Independência do Brasil foi proclamada na vila de Parnaíba. O interior e a capital, Oeiras, permaneceram sob o controle de tropas do Exército português sob o comando do Governador das Armas do Piauí, major João José da Cunha Fidié. Mesmo diante do recebimento de reforços vindos da então Província do Ceará, as tropas brasileiras foram inicialmente derrotadas na Batalha do Jenipapo (13 de março de 1823), ocorrida no atual município de Campo Maior, às margens do rio Jenipapo. Outras localidades, entretanto, manifestaram a sua adesão à Independência, alcançando a vitória quando Fidié se deslocou para apoiar a resistência portuguesa na vila de Caxias, no Maranhão.

[editar] A campanha do Maranhão

Também na Província do Maranhão, as elites agrícolas e pecuaristas eram muito ligadas à Metrópole. À época, o Maranhão era uma das mais ricas províncias do Brasil. O intenso tráfego marítimo com a Metrópole, justificado pela maior proximidade com a Europa, tornava mais fácil o acesso e as trocas comerciais com Lisboa do que com o sul do país. Os filhos dos comerciantes ricos estudavam em Portugal. A região era conservadora e avessa aos comandos vindos do Rio de Janeiro. Foi da Junta Governativa da Capital, São Luís, que partiu a iniciativa da repressão ao movimento da Independência no Piauí. A Junta controlava ainda a região produtora do vale do rio Itapecuru, onde o principal centro era a vila de Caxias. Esta foi a localidade escolhida pelo major Fidié para se fortificar após a derrota definitiva na Batalha do Jenipapo, no Piauí, imposta pelas tropas brasileiras, compostas por contingentes oriundos do Piauí e do Ceará. Fidié teve que capitular, sendo preso em Caxias e depois mandado para Portugal, onde foi recebido como herói.

São Luís, a capital provincial e tradicional reduto português, foi finalmente bloqueada por mar e ameaçada de bombardeio pela esquadra de Thomas Cochrane, sendo obrigada a aderir à Independência em 28 de julho de 1823.

[editar] A campanha do Pará

Na então Província do Grão-Pará, a burguesia comercial e os proprietários de terra também se encontravam profundamente ligados à Metrópole. Aqui, John Pascoe Grenfell, subordinado a Cochrane, impôs a aceitação da Independência também recorrendo ao bloqueio naval, sob ameaça de bombardear a capital, Belém (15 de agosto). Tendo sido eleita uma Junta Governativa (17 de Agosto), explodiu uma violenta reação popular, que obrigou Grenfell a desembarcar tropas e efetuar prisões em massa, visando restabelecer a ordem pública. A 19 de Agosto, sem que houvesse cárceres suficientes em terra, a pedido da Junta, Grenfell autorizou encerrar nos porões do brigue "São José Diligente" (depois "Palhaço"), duzentos e cinquenta e sete detidos, onde todos, menos um (duzentos e cinquenta e seis, menos quatro, em outras fontes) morreram asfixiados.

Embora posteriormente Grenfell tenha se defendido argumentando não ter ordenado o massacre, também nada fez para responsabilizar ou punir os responsáveis.

Os combates da Guerra da Independência serviram como batismo de fogo para o jovem Luís Alves de Lima e Silva, futuro duque de Caxias.

Notas

  1. O Reino Unido não entrou oficialmente na guerra mas teve presença significativa de mercenários britânicos lutando contra Portugal
  2. A Restauração Francesa não entrou oficialmente na guerra mas teve presença significativa de mercenários franceses lutando contra Portugal
  3. RODRIGUES, José Honório. Independência: Revolução e Contra-Revolução - As Forças Armadas. Rio de Janeiro: F. Alves, 1975, p.218

[editar] Bibliografia


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