Guerra da Independência dos Estados Unidos

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Guerra de Independência dos EUA
Rev collage.png
Data 1775–1783
Local Costa leste da América do Norte, Oceano Atlântico, Mar Mediterrâneo, Caribe
Resultado Tratado de Paris (1783)
Independência dos EUA
Combatentes
Us flag large Betsy Ross.png Treze Colônias
França França
Bandera de España 1760-1785.svg Espanha
Flag of Quebec.svg Voluntários de Quebec
Flag of Prussia 1892-1918.svg Voluntários da Prússia
Bandera Oneida.PNG Tribo Oneida
Chorągiew królewska króla Zygmunta III Wazy.svg Voluntários da República das Duas Nações
Tribo Tuscarora
Union flag 1606 (Kings Colors).svg Grã-Bretanha
Union flag 1606 (Kings Colors).svg Leais à Grã-Bretanha
Flag of Hesse (state).svg Mercenários de Hesse
Flag of the Iroquois Confederacy.svg Iroqueses
Wappen Deutsches Reich - Herzogtum Braunschweig (Kleines).png Ducado de Brunsvique-Luneburgo
Comandantes
US flag 13 stars – Betsy Ross.svg George Washington
US flag 13 stars – Betsy Ross.svg Richard Montgomery
França Marquês de La Fayette
Bandera de España 1760-1785.svg Bernardo de Gálvez
Herb Rzeczypospolitej Obojga Narodow.svg Tadeusz Kościuszko
Flag of Prussia 1892-1918.svg Friedrich Wilhelm von Steuben
Union flag 1606 (Kings Colors).svg Jorge III
Union flag 1606 (Kings Colors).svg Charles Cornwallis
Flag of the Iroquois Confederacy.svg Joseph Brant
Forças
Treze Colônias: 84 000

França: 15 000

Espanha: 8 000
Reino Unido: 56 000

Leais ao Reino Unido: 50 000

Mercenários de Hesse: 30 000

Iroqueses: 5000
Baixas
25 000 Mortos
25 000 feridos
24 000 Mortos
20 000 feridos

A Guerra da Independência dos Estados Unidos, Guerra Revolucionária Americana (1775–1783), Guerra Americana da Independência,[1] ou simplesmente Guerra Revolucionária nos Estados Unidos, teve início como uma guerra entre o Reino da Grã-Bretanha e as Treze Colónias, mas, de forma gradual, cresceu para uma guerra mundial entre os britânicos de um lado, e os recém-formados Estados Unidos, França, Países Baixos, Espanha, e o Reino de Mysore do outro. O resultado principal do conflito foi a vitória americana e o reconhecimento europeu da independência dos Estados Unidos, com diferentes resultados para as outras potências.

A guerra foi uma consequência da Revolução Americana. O Parlamento Britânico insistia em que tinha o direito de taxar os colonos para financiar a defesa militar das colónias, a qual se tinha tornado cada vez mais dispendiosa devido às guerras entre os franceses e os índios. As colónias opunham-se àquela taxação argumentando que já gastavam o suficiente na governação local para manter a sua posição no Império Britânico, com Benjamin Franklin a marcar presença no Parlamento Britânico defendo que "As colónias já tinham junto, vestido e pago, durante o último ano, perto de 25 000 homens, e gasto muitos milhões."[2] Os colonos alegavam que, como eles eram cidadãos britânicos, impor leis no Parlamento aos colonos e, em particular, taxação sem representação, era ilegal. Os colonos americanos formaram um Congresso Continental unificado e um governo-sombra em cada colónia, embora, de início, com o desejo de permanecer no Império e leais à Coroa.

O boicote americano à taxação britânica do chá deu origem a um protesto em 1773, quando navios carregados com chá foram destruídos. Londres respondeu pondo um fim ao auto-governo de Massachusetts, e colocando-o sob controlo do exército britânico, e nomeando o general Thomas Gage para governador. Em Abril de 1775, Gage soube que estavam a ser reunidas armas em Concord, e enviou tropas britânicas para as descobrir e destruir.[3] A milícia local fez frente às tropas (ver Batalhas de Lexington e Concord).

Depois de vários pedidos à monarquia britânica para uma intervenção do Parlamento, qualquer tipo de compromisso terminou quando o Congresso declarou traidores por decreto real, e eles responderam com uma declaração de independência de uma nova nação soberana, os Estados Unidos da América, a 4 de Julho de 1776. Os lealistas americanos rejeitaram a Declaração, ficando do lado do rei; acabaram por ser excluídos do poder em todo o lado. As tentativas dos americanos para alargar a rebelião ao Quebec e à Flórida Oriental não foram conseguidas.

A França, Espanha e a República dos Países Baixos, providenciaram, secretamente, munições, armas e mantimentos aos revolucionários desde o início de 1776. Em Junho desse ano, os americanos detinham o controlo total de todos os estrados, mas a Marinha Real Britânica capturou Nova Iorque fazendo desta cidade a sua base principal. A guerra estava num impasse. A Marinha Real consegui ocupar outras cidades costeiras, por breves períodos, mas os rebeldes controlavam o interior, onde vivia 90% da população. A estratégia britânica tinha por base a mobilização de milícias leais à Coroa que, no entanto, nunca foi totalmente realizada. Uma invasão desde o Canadá, em 1777, terminou com a captura do exército britânico nas Batalhas de Saratoga.

A vitória americana convenceu a França a entrar na guerra, declaradamente, no início de 1778, equilibrando as forças nos dois lados. A Espanha e os Países Baixos – aliados de França – também entraram em guerra aberta com os britânicos, nos quatro anos seguintes, ameaçando invadir a Grã-Bretanha e testando a força militar britânica co campanhas n Europa, Ásia e Caraíbas. O envolvimento espanhol resultou na expulsão dos exércitos britânicos da Flórida, e no controlo do flanco sul americano. A vitória naval britânica na Batalha de Saintes frustrou um plano francês e espanhol de expulsar os britânicos das Caraíbas, e os preparativos para uma segunda tentativa foram bloqueadas pela declaração de paz. O longo cerco franco-espanhol dos britânicos em Gibraltar, também resultou em derrota.

O envolvimento francês foi decisivo [4] contudo o custo foi alto, em termos financeiros, arruinando a economia francesa e dando origem a uma enorme dívida.[5] Uma vitória naval fora da Baía de Chesapeake deu origem a um cerco, composto por forças combinadas de franceses e exércitos Continentais, que forçaram um exército britânico a render-se em Yorktown, Virginia, em 1781. A luta continuou durante 1782, enquanto tinham início as negociações de paz.

Em 1783, o Tratado de Paris pôs um fim à guerra e reconheceu a soberania do Estados Unidos no território compreendido entre o Canadá, a norte, Flórida, a sul, e o rio Mississippi a oeste.[6] [7] Em negociações de paz mais alargadas, internacionalmente, foram trocados mais territórios.

Histórico[editar | editar código-fonte]

O lançamento de taxas sobre a importação de vários produtos, entre os quais açúcar e chá, fez estalar a revolta em 16 de Dezembro de 1773. Nesse dia um grupo de colonos, disfarçados de indígenas, assaltaram três navios britânicos no porto de Boston atirando o carregamento de chá ao mar. Este episódio ficou conhecido como Boston Tea Party e marcou o início da revolta. As ações militares entre ingleses e os colonos americanos começam em março de 1775. No decorrer do conflito (Batalhas de Lexington e Concord e Batalha de Bunker Hill), os representantes das colônias reuniram-se no segundo Congresso da Filadélfia (1775) e Thomas Jefferson, democrata de ideias avançadas, redigiu a Declaração da Independência dos Estados Unidos, promulgada em 4 de Julho de 1776, dando um passo irreversível. Procede à constituição de um exército, cujo comando é confiado ao fazendeiro George Washington. Os ingleses, lutando a 5500 km de casa, enfrentaram problemas de carência de provisões, comando desunido, comunicação lenta, população hostil e falta de experiência em combater táticas de guerrilha. A Aliança Francesa (1778) mudou a natureza da guerra, apesar de ter dado uma ajuda apenas modesta; a Inglaterra, a partir de então, passou a se concentrar nas disputas por territórios na Europa e nas Índias Ocidentais e Orientais. Os colonos tinham força de vontade, mas interesses divergentes e falta de organização. Das colônias do sul, só a Virgínia agia com decisão. Os britânicos do Canadá permaneceram fiéis ao Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. Os voluntários do exército, alistados por um ano, volta e meia abandonavam a luta para cuidar de seus afazeres. Os oficiais, geralmente estrangeiros, não estavam envolvidos no conflito. O curso da guerra pode ser dividido em duas fases a partir de 1778. A primeira fase, ao norte, assistiu à captura de Nova York pelos ingleses (1776), além da campanha no vale do rio Hudson para isolar a Nova Inglaterra, que culminou na derrota em Saratoga (1777), e a captura da Filadélfia (1777) depois da vitória de Brandywine. A segunda fase desviou as atenções britânicas para o sul, onde grande número de legalistas podiam ser recrutados. Filadélfia foi abandonada (1778) e Washington acampou em West Point a fim de ameaçar os quartéis-generais britânicos em Nova York. Após a captura de Charleston (1780) por Clinton, Charles Cornwallis perseguiu em vão o exército do sul, sob a liderança de Green, antes de seu próprio exército, exaurido, render-se em Yorktown, Virgínia (outubro de 1781), terminando efetivamente com as hostilidades. A paz e a independência do novo país (constituído pelas treze colônias da costa atlântica) foi reconhecida pelo Tratado de Paris (também referido como Tratado de Versalhes) de 1783. Apesar das frequentes vitórias, os ingleses não destruíram os exércitos de Washington ou de Green e não conseguiram quebrar a resistência norte-americana. Mais tarde, em 1812 e 1815, ocorreu uma nova guerra entre os Estados Unidos e a Inglaterra. Essa guerra consolidou a independência norte-americana.

Atritos[editar | editar código-fonte]

"Washington atravessando o Rio Delaware" - retrato (1851) por Emanuel Leutze do General George Washington durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos.

A Guerra dos Sete Anos,terminada pela vitória da Inglaterra sobre a França (Tratado de Paris, 1763), deixou a nação vencedora na posse de ricos territórios no continente americano, já colonizados, sendo reconhecido o seu direito de expandir o seu domínio em direção ao interior do continente. Esta possibilidade agradou aos colonos, que prontamente se prepararam para explorar e aproveitar novas terras, mas, para sua grande surpresa, o governo de Londres, por recear desencadear guerras com as nações índias, determinou que nenhuma nova exploração ou colonização de territórios pudesse ser feita sem a assinatura de tratados com os índios. Foi esta a primeira fonte de conflito entre os colonos e a Coroa inglesa.

Mas, pouco depois, surgiram novos atritos. A Guerra dos Sete Anos, apesar de vencida pela Inglaterra, obrigou a Coroa a impor medidas restritivas às Treze Colônias. Procurando restaurar o equilíbrio financeiro, a metrópole apertava as malhas das leis coloniais com vários atos. Em 1750 foi proibida a fundição de ferro nas colônias. Em 1754 proibiram-se a fabricação de tecido e o contrabando. Em 1765 foi aprovado um decreto regulamentando a obrigação de abrigar e sustentar tropas inglesas em solo americano (prática que pesava muito sobre as finanças coloniais). Foram ainda criadas a Lei do Selo que acrescentou um imposto de selo sobre jornais, documentos legais e oficiais, etc. e os Atos de Townshend, que procuravam limitar e mesmo impedir que os americanos continuassem suas relações comerciais com outras regiões que não a Inglaterra.

Em 1773, o Parlamento inglês concedeu o monopólio do comércio do chá à Companhia das Índias Orientais, da qual muitas personalidades inglesas possuíam ações. Os comerciantes rebeldes estado-unidenses que se sentiram prejudicados disfarçaram-se de índios peles-vermelhas, assaltaram os navios da companhia que estavam no porto de Boston e lançaram o carregamento de chá no mar (Festa do Chá de Boston). A Inglaterra reagiu de imediato com um conjunto de leis que os americanos chamaram de "Leis Intoleráveis" (1774): fechamento do porto de Boston; indenização à companhia prejudicada e o julgamento dos envolvidos, na Inglaterra.

As reações dos colonos foram, de início, exaltadas, mas pacíficas: exigiram o direito de eleger representantes para o Parlamento de Londres (para poderem discutir e votar as leis que lhes diziam respeito), passando depois a atos de boicote às mercadorias inglesas. Esta guerra económica desencadearia motins e forçou o governo inglês a alguns recuos, que contudo não satisfizeram os colonos. O conflito agravou-se com a presença de tropas enviadas para conter os protestos. Como resposta, em 1774 os representantes das colônias estado-unidenses, exceto Geórgia, enviaram seus delegados a Filadélfia, num primeiro Congresso Continental que, a partir daí, embora com divergências no seu seio, foi a voz política dos colonos. Em 1774, houve o 1º Congresso Continental de Filadélfia, onde se resolveu acabar com o comércio com a Inglaterra enquanto não se restabelecessem os direitos anteriores a 1763. O mesmo Congresso também redigiu e divulgou uma Declaração de Direitos. Houve logo depois, um segundo Congresso em que foi reunido em Filadélfia onde se decidiu a criação de um exército que seria comandado por George Washington, fazendeiro e chefe da milícia Virgínia. Nesse Congresso, apesar de se manterem leais ao rei, os colonos pediram a suspensão das "Leis Intoleráveis" e firmaram uma Declaração dos Direitos dos Colonos, no qual pediram a supressão das limitações ao comércio e à indústria, bem como dos impostos abusivos. O rei reagiu, pedindo aos colonos que se submetessem; estes, porém, não se curvaram diante da coroa inglesa. O extremar das posições levou à criação de milícias, à constituição de depósitos de munições e a um aumento contínuo de tensão que iria irromper em guerra.

Consequências[editar | editar código-fonte]

Pela primeira vez na história da expansão europeia, uma colônia tornava-se independente dos países por meio de um ato revolucionário. E fazia-o não só proclamando ao mundo, no documento histórico aprovado no dia 4 de Julho, o direito à independência e à livre escolha de cada povo e de cada pessoa ("o direito à vida, à liberdade e à procura da felicidade" é definido como inalienável e de origem divina), mas ainda construindo uma federação de estados dotados de uma grande autonomia e aprovando uma constituição política (a primeira da História mundial) onde se consignavam os direitos individuais dos cidadãos, se definiam os limites dos poderes dos diversos estados e do governo federal, e se estabelecia um sistema de equilíbrio entre os poderes legislativo, judiciário e executivo de modo a impedir a supremacia de qualquer deles, além de outras disposições inovadoras. O sucesso norte-americano foi descrito como tendo influenciado a Revolução Francesa (1789) e as subsequentes revoluções na Europa e América do Sul.

Os pensamentos iluministas influenciaram no novo governo americano.

Referências

  1. Os escritores britânicos dão preferência a "Guerra Americana da Independência", "Rebelião Americana " ou "Guerra da Independência Americana ". Ver Instituto Omohundro da História e Cultura Americana Institute of Early American History and Culture, Bibliografia em Michigan State University para as designações utilizadas.
  2. Bryan, William Jennings (1906). The world's famous orations. Funk and Wagnalls Company,. Página visitada em 11 de Julho de 2012.
  3. Orders from General Thomas Gage to Lieutenant Colonel Smith, 10th Regiment 'Foot Boston, April 18, 1775. Winthrop.dk. Página visitada em 8 de Maio de 2013.
  4. Greene and Pole, A Companion to the American Revolution p 357
  5. Jonathan R. Dull, A Diplomatic History of the American Revolution (1987) p. 161
  6. Dull, A Diplomatic History of the American Revolution ch 18
  7. Lawrence S. Kaplan, "The Treaty of Paris, 1783: A Historiographical Challenge," International History Review, Sept 1983, Vol. 5 Issue 3, pp 431–442

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

Livros sobre acontecimentos específicos como campanhas, batalhas, unidades militares e biografias.

  • Conway, Stephen. The War of American Independence 1775-1783. Publisher: E. Arnold, 1995. ISBN 0-340-62520-1. 280 pages.
  • Bancroft, George. History of the United States of America, from the discovery of the American continent. (1854–78), vol. 7–10.
  • Bobrick, Benson. Angel in the Whirlwind: The Triumph of the American Revolution. Penguin, 1998 (paperback reprint).
  • Fremont-Barnes, Gregory, and Ryerson, Richard A., eds. The Encyclopedia of the American Revolutionary War: A Political, Social, and Military History (ABC-CLIO, 2006) 5 volume paper and online editions; 1000 entries by 150 experts, covering all topics
  • Billias, George Athan. George Washington's Generals and Opponents: Their Exploits and Leadership (1994) scholarly studies of key generals on each side
  • Hibbert, Christopher. Redcoats and Rebels: The American Revolution through British Eyes. New York: Norton, 1990. ISBN 0-393-02895-X.
  • Kwasny, Mark V. Washington's Partisan War, 1775–1783. Kent, Ohio: 1996. ISBN 0-87338-546-2. Militia warfare.
  • Middlekauff, Robert. The Glorious Cause: The American Revolution, 1763–1789. Oxford University Press, 1984; revised 2005. ISBN 0-19-516247-1. online edition
  • Symonds, Craig L. A Battlefield Atlas of the American Revolution (1989), newly drawn maps
  • Ward, Christopher. The War of the Revolution. 2 volumes. New York: Macmillan, 1952. History of land battles in North America.
  • Wood, W. J. Battles of the Revolutionary War, 1775–1781. ISBN 0-306-81329-7 (2003 paperback reprint). Analysis of tactics of a dozen battles, with emphasis on American military leadership.
  • Men-at-Arms series: short (48pp), descrições muito bem ilustradas:
    • Zlatich, Marko; Copeland, Peter. General Washington's Army (1): 1775–78 (1994)
    • Zlatich, Marko. General Washington's Army (2): 1779–83 (1994)
    • Chartrand, Rene. The French Army in the American War of Independence (1994)
    • May, Robin. The British Army in North America 1775–1783 (1993)
  • The Partisan in War, a treatise on light infantry tactics written by Colonel Andreas Emmerich in 1789.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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