Guerra de Independência da Romênia

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Guerra de Independência da Romênia (1877–1878)
Parte da Guerra russo-turca de 1877-1878
Nicolae Grigorescu - Atacul de la Smardan.jpg
O Ataque de Smârdan (óleo sobre tela, Nicolae Grigorescu)
Data 1877–1878
Local Bálcãs
Desfecho vitória russo-romena
Tratado de San Stefano, Congresso de Berlim
Mudanças
territoriais
Dobruja do Norte passa do Império Otomano à Romênia
Sul da Bessarábia passa da Romênia ao Império Russo
Combatentes
Roménia Principados Romenos
Império Russo Império Russo
Bulgária Voluntários búlgaros
Império Otomano Império Otomano
Principais líderes
Carol I of Romania.jpg
Marele Duce Nicolae al Rusiei.jpg
Flag of Romania.svg Carol I Rússia Grande Duque Nikolai
Mukhtar Pasha.jpg
GhaziOsmanPasha.jpg
Império Otomano Império Otomano Ahmed Muhtar Paşa Império Otomano Império Otomano Ghazi Osman Paşa
Forças
Roménia 66.000 soldados[1]
190 canhões
Império Russo 280.000 soldados (frente europeia)
500 canhões[2]
Flag of Stiliana Paraskevova.svg 7,000 Voluntários búlgaros[1]
Império Otomano Império Otomano 186.000 soldados[1]
210 canhões
Vítimas
Roménia 4.302 mortos e desaparecidos
3.316 feridos
19.904 enfermos[3]
Império Russo 27,512 mortos em combate, desaparecidos em ação e mortos por lesões
49.828 feridos
46.000+ mortes de não-combatentes, a maioria de doenças
(durante toda a Guerra Russo-Turca)[4]
151,750+ mortos, feridos ou capturados
(durante toda a Guerra Russo-Turca)[4]
Independenţa României (1912 film)

A Guerra da Independência da Romênia é o nome usado na historiografia romena para se referir à guerra russo-turca de 1877-1878, depois que a Romênia, lutando do lado russo, obteve a independência do Império Otomano. Em 16 de abril [Calend. antigo 4 de abril] de 1877, a Romênia e o Império Russo assinaram um tratado em Bucareste, em que as tropas russas foram autorizadas a transitar pelo território romeno, com a condição que a Rússia respeitasse a integridade da Romênia. A mobilização começou, e cerca de 120.000 soldados foram concentrados no sul do país para se defender contra um eventual ataque das forças otomanas no sul do Danúbio. Em 24 de abril [Calend. antigo 12 de abril] de 1877, a Rússia declarou guerra ao Império Otomano, e suas tropas entraram na Romênia através da recém-construída Ponte Eiffel.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Em 21 de maio [Calend. antigo 9 de maio] de 1877, no parlamento romeno, Mihail Kogălniceanu declarou a independência da Romênia como sendo a vontade do povo romeno. Um dia depois, o ato foi assinado pelo príncipe Carol I. No dia seguinte, o governo romeno cancelou o pagamento de tributo a Turquia (914.000 lei) e o montante foi entregue, em vez disso, ao ministro da Guerra.

Inicialmente, antes de 1877, a Rússia não pretendia cooperar com a Romênia, uma vez que não desejava que a Romênia participasse nos tratados de paz após a guerra, mas os russos encontraram um forte exército turco de 50 mil soldados liderados por Osman Nuri Paşa no Cerco de Plevna (Pleven), onde as tropas russas lideradas por generais russos sofreram perdas muito pesadas e foram derrotados em várias batalhas. [5]

Guerra[editar | editar código-fonte]

Devido às grandes baixas, Nikolai Konstantinovich, Grão-Duque da Rússia, pediu a Carol I para que o exército romeno interviesse e unisse forças com o exército russo. [5] [6]

O príncipe Carol I aceitou a proposta do duque para se tornar o marechal das tropas russas, além do comando de seu próprio exército romeno, sendo assim capaz de levar as forças armadas conjuntas à conquista de Plevna e a rendição formal, depois de intensos combates, do general turco Osman Paşa. O exército romeno venceu as batalhas de Grivitsa e Rahova, e em 28 de novembro de 1877, a fortaleza de Plevna capitulou, e Osman Paşa entregou a cidade, a guarnição e sua espada ao coronel romeno Mihail Cerchez. Após a ocupação de Plevna, o exército romeno retornou ao Danúbio e venceu as batalhas de Vidin e Smârdan.

Em 19 de janeiro de 1878, o Império Otomano solicitou um armistício, que foi aceito pela Rússia e Romênia. A Romênia venceu a guerra, mas a um custo de mais de 10.000 vítimas. Sua independência da Sublime Porta foi finalmente reconhecida pelas Potências Centrais em 13 de julho de 1878.

Consequências[editar | editar código-fonte]

O tratado de paz entre a Rússia e o Império Otomano foi assinado em San Stefano, em 3 de março de 1878. A Rússia não cumpriu as suas promessas do tratado de 4 de abril de 1877 (assinado pelo cônsul russo Stuart Dimitri e aprovado pelo Czar Alexandre II e pelo primeiro-ministro romeno Mihail Kogălniceanu) de respeitar a integridade territorial da Romênia.

No entanto, o tratado não foi reconhecido pelas Potências Centrais e na Conferência de Paz em Berlim de 1878 decidiu-se que a Rússia daria à Romênia a independência, os territórios de Dobrogea, o Delta do Danúbio e o acesso ao Mar Negro, incluindo o antigo porto de Tomis (Constanța), bem como a pequena Ilha das Serpente (Insula şerpilor), mas a Rússia, no entanto, ocupará como uma chamada "compensação" os antigos condados romenos do sul da Bessarábia (Cahul, Bolhrad e Izmail), que pelo Tratado de Paris de 1856 (após a Guerra da Crimeia) foram incluídos na Moldávia. O príncipe Carol foi muito infeliz por esta imposição de ocupação russa aos territórios romenos que violaram gravemente o tratado russo-romeno de 4 de abril de 1877, ele foi finalmente convencido por Otto von Bismarck (em cartas trocadas naquela época) para aceitar este compromisso com Rússia tendo em vista o grande potencial econômico do acesso direto da Romênia para o Mar Negro e seus antigos portos em detrimento da Bulgária. [7]

Referências

  1. a b c Istoria Militară a Poporului Român (The Military History of the Romanian People), Centrul de Studii și Cercetări de Istorie și Teorie Militară, Editura Militară, București, 1987 (em romeno)
  2. Мерников А. Г., Спектор А. А. Всемирная история войн. — Минск: 2005. — С. 376.
  3. Scafes, Cornel, et al., Armata română în războiul de independență 1877–1878. București, Editura Sigma, 2002, p. 149
  4. a b Kaminskii, L. S., și Novoselskii, S. A., Poteri v proșlîh voinah (Victimele războaielor trecute). Medgiz, Moscova, 1947, pp. 36, 37
  5. a b "Reminiscences of the KING OF ROMANIA", Edited from the original with an Introduction by Sidney Whitman, Authorized edition, Harper& Brothers: New York and London, 1899
  6. The telegram of Nikolai to Carol I (translated in Romanian): "Turcii îngrãmãdind cele mai mari trupe la Plevna ne nimicesc. Rog sã faci fuziune, demonstratiune si dacã'i posibil sã treci Dunãrea cu armatã dupã cum doresti. Între Jiu si Corabia demonstratiunea aceasta este absolut necesarã pentru înlesnirea miscãrilor mele" ("The Turks, massing together the largest army at Pleven, are laying us waste. I ask you to make mergers, demonstrations and if it is possible cross the Danube with the army as you wish. Between Jiu and Corabia this demonstration is absolutely necessary to facilitate my movements.)
  7. "Reminiscences of the KING OF ROMANIA", Edited from the original with an Introduction by Sidney Whitman, Authorized edition, Harper& Brothers: New York and London, 1899, pp.15-20.
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]