Guerra de Inverno

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Guerra de Inverno
Parte da(o) Segunda Guerra Mundial
Finn ski troops.jpg
Soldados finlandeses no norte da Finlândia a 12 de Janeiro de 1940.
Data 30 de novembro de 1939 a 13 de março de 1940
Local Finlândia oriental
Desfecho Tratado de paz de Moscou.
Combatentes
Finlândia Finlândia Flag of the Soviet Union (1923-1955).svg União Soviética
Principais líderes
Finlândia Carl Mannerheim Flag of the Soviet Union (1923-1955).svg Kliment Vorochilov
Flag of the Soviet Union (1923-1955).svg Semyon Timoshenko
Forças
250 000 soldados
30 tanques
130 aeronaves[1] [2]
1 000 000 soldados
6.541 tanques[3]
3.800 aeronaves[4] [5]
Vítimas
26 662 mortos
39.886 feridos
1000 capturados[6]
126 875 mortos ou desaparecidos
264 908 feridos
5.600 capturados[7]
2268+ tanques[8]

A Guerra de Inverno, também conhecida como a Guerra Soviético-Finlandesa ou Guerra Russo-Finlandesa (em finlandês: talvisota, em sueco: vinterkriget) começou quando a União Soviética atacou a Finlândia a 30 de novembro de 1939, três meses após o início da Segunda Guerra Mundial. Como consequência, a União Soviética foi banida da Liga das Nações a 14 de dezembro de 1939. Stalin tinha esperado conquistar todo o país até ao final de 1939, mas a resistência finlandesa frustrou as forças soviéticas, que eram em maior número (3 soviéticos para 1 finlandês). A Finlândia aguentou o conflito até 12 de março de 1940, quando um tratado de paz foi assinado, cedendo 10% do território finlandês, e 20% da sua capacidade industrial, à União Soviética. O motivo dos soviéticos não terem vencido tão facilmente deve-se em parte aos expurgos de 1937 no comando do Exército Vermelho e a falta de espírito de luta dos atacantes (eles lutavam sem muito ânimo, diferente dos alemães que combatiam com confiança, ou dos finlandeses, que lutavam com determinação em defender seu país do socialismo ou até mesmo se eles tivessem lutado da forma que lutaram em Moscou, Leningrado e Stalingrado em 1941-1943, determinado na mãe Rússia e não no socialismo, o ataque seria um sucesso).

O resultado da guerra foi misto. Embora as forças soviéticas finalmente tivessem conseguido atravessar a defesa finlandesa, nenhum lado, quer a União Soviética ou a Finlândia, emergiu do conflito vitorioso. As perdas soviéticas na frente de combate foram tremendas, e a posição internacional do país sofreu.

E ainda pior, as habilidades de combate do Exército Vermelho foram postas em questão, um facto que contribuiu com um grande impacto para a decisão de Hitler de lançar a Operação Barbarossa. Finalmente, as forças soviéticas não alcançaram o seu objectivo primário de conquistar a Finlândia, mas ganharam apenas uma secessão de território ao longo do Lago Ladoga. Os finlandeses asseguraram a sua soberania e ganharam uma posição internacional considerável.

O tratado de paz de 12 de março de 1940 impediu as preparações franco-britânicas de envio de apoio para a Finlândia através da Escandinávia do Norte (a campanha Aliada na Noruega) que impediria também o acesso alemão às minas de ferro no norte da Suécia. A invasão pela Alemanha Nazista da Dinamarca e da Noruega a 9 de abril de 1940 (Operação Weserübung) desviou então a atenção do mundo para a luta pela controlo da Noruega.

A Guerra de Inverno foi um desastre militar para a União Soviética. Contudo, Stalin aprendeu com este fiasco e compreendeu que o controlo sobre o Exército Vermelho já não era possível. Após a Guerra de Inverno, o Kremlin iniciou o processo de reinstaurar oficiais qualificados e de modernizar as suas forças, uma decisão que viria a permitir que os soviéticos resistissem à invasão alemã.

Precedentes[editar | editar código-fonte]

A Finlândia tinha uma longa história de ser parte do reino sueco quando fora conquistada em 1808, tornando-se num estado estabilizante para proteger a então capital russa. Após a revolução que trouxe um governo soviético ao poder na Rússia, a Finlândia se auto-declarou independente a 6 de dezembro de 1917. Fortes relações entre a Finlândia e a Alemanha foram fundadas quando o movimento de independência da Finlândia era apoiado pela Alemanha Imperial durante a Primeira Guerra Mundial. Numa subsequente Guerra Civil tropas Jäger finlandesas treinadas pelos alemães e tropas regulares alemãs tiveram um papel crucial. Apenas a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial dificultou o estabelecimento de uma monarquia dependente da Alemanha, sob o poder de Frederico Carlos de Hesse como Rei da Finlândia. Após a guerra, as relações entre a Alemanha e a Finlândia foram mantidas, embora a simpatia finlandesa com os Nacionais Socialistas não fosse a melhor.

Com as relações entre a União Soviética e a Finlândia tensas e congeladas - tanto os dois períodos de russificação forçada no virar do século, como o legado da rebelião socialista na Finlândia, contribuíram para uma forte desconfiança mútua. Josef Stalin temia que a Alemanha Nazi atacasse mais cedo ou mais tarde, e, que com a fronteira Soviético-Finlandesa apenas a 32 quilómetros de distância de Leninegrado, o território finlandês providenciaria uma excelente base para o ataque alemão - algo que Estaline tentava evitar. Em 1932, a União Soviética assinou um pacto de não-agressão com a Finlândia. O acordo foi reafirmado em 1934 para os 10 anos seguintes.

Em abril de 1938 ou possivelmente mais cedo, a União Soviética encetou negociações diplomáticas com a Finlândia, tentando melhorar as defesas mútuas contra a Alemanha. A principal preocupação da União Soviética era que a Alemanha utilizaria a Finlândia como uma ponte para o ataque a Leninegrado, e começou a fazer exigências ao governo finlandês de grandes áreas. Mais de um ano passou sem progresso significante e a situação política na Europa piorou.

A Alemanha Nazi e a União Soviética assinaram um pacto mútuo de não-agressão, o pacto Ribbentrop-Molotov, a 23 de agosto de 1939. O pacto também incluía uma cláusula secreta incluindo a divisão dos países da Europa de Leste e bálticos entre os dois países. Foi concordado que a Finlândia estaria na "esfera de influência" soviética. O ataque alemão à Polónia a 1 de setembro foi seguido 16 dias depois pela Invasão Soviética da Polónia no leste. Em apenas algumas semanas tinham dividido o país entre si.

No outono de 1939, após o ataque alemão na Polónia, a União Soviética finalmente exigiu que a Finlândia concordasse em mover a fronteira mais 25 km para além de Leninegrado, que nesta altura estava apenas a 32 quilómetros da Finlândia. E também exigiu que a Finlândia emprestasse a Peninsula de Hanko à União Soviética por 30 anos para a criação de uma base naval lá. Em troca, a União Soviética oferecia uma grande parte da Carélia (duas vezes tão grande, mas menos desenvolvida).

Mas o governo finlandês recusou-se a seguir as exigências soviéticas. A 26 de novembro os soviéticos simularam um bombardeamento finlandês contra Mainila, um incidente no qual artilharia soviética bombardeou áreas perto da vila russa de Mainila, procedendo ao anúncio que um ataque de artilharia finlandesa tinha matado tropas soviéticas. A União Soviética exigiu que os finlandeses pedissem desculpas pelo incidente e movessem as suas forças 20 a 25 quilómetros da fronteira. Os finlandeses negaram qualquer responsabilidade pelo ataque e recusaram-se a seguir as indicações soviéticas. A União Soviética utilizou isto como uma desculpa para quebrar o pacto de não-agressão. A 30 de novembro as forças soviéticas atacaram com 23 divisões, totalizando 450.000 homens, que rapidamente alcançaram a Linha de Mannerheim.

Um regime fantoche foi criado na vila fronteiriça finlandesa ocupada de Terijoki (hoje Zelenogorsk) a 1 de dezembro de 1939, sob a protecção da República Democrática Finlandesa e liderada por Otto Ville Kuusinen, ambas por causas diplomáticas (imediatamente tornou-se o único governo da Finlândia reconhecido pela União Soviética) e por militares (esperavam que levasse os socialistas e comunistas existentes no Exército Finlandês a abandonarem a luta) mas não foi particularmente bem-sucedido. Esta república existiu até 12 de março de 1940, quando foi eventualmente incorporada na República Socialista Karelo-Finlandesa Russa.

A Guerra[editar | editar código-fonte]

Soldado finlandês com um cocktail molotov durante a Guerra de Inverno.
Direcções do ataque do Exército Vermelho contra as maiores formações em ambos os lados.

Inicialmente a Finlândia mobilizou um exército de 180.000 homens, mas as tropas finlandesas mostraram adversários temíveis, empregando tácticas de guerrilha, tropas de esqui de rápida movimentação com camuflagem branca, e que utilizavam os seus conhecimentos locais. Uma certa bomba improvisada adaptada da Guerra Civil Espanhola foi utilizada com grande sucesso, e ganhou fama como o Coquetel Molotov. As condições de inverno em 1939-1940 eram duras; as temperaturas de -40º não eram raras, e os finlandeses conseguiram utilizar como sua vantagem. Frequentemente, os finlandeses optavam por não atacar os soldados inimigos convencionalmente, mas por sua vez atacar as cozinhas de comida (que eram cruciais para a sobrevivência soviética) e matar tropas soviéticas que se aqueciam à volta de fogueiras.

Em adição, para surpresa de ambos os líderes soviéticos e dos finlandeses, a maioria dos socialistas finlandeses não apoiavam a invasão soviética mas lutavam lado a lado com os seus compatriotas contra o inimigo comum. Muitos finlandeses comunistas mudaram-se para a União Soviética nos anos 30 para construir o socialismo mas apenas para acabarem como vítimas do Grande Expurgo de Stalin, que conduziu à grande desilusão e até ódio contra o regime soviético por entre os socialistas na Finlândia. Outro fator foi o avançado da sociedade finlandesa e das leis após a guerra civil que ajudou a diminuir a falha entre as diferentes classes da sociedade. Esta cura parcial das feridas do pós-guerra civil na Finlândia (1918), e do conflito da língua finlandesa, são ainda referidos como o espírito da Guerra de Inverno, embora deva ser verificado que muitos comunistas não eram autorizados a lutar no exército finlandês por causa dos seus ideais políticos.

Os atacantes não estavam há espera de grande luta por parte dos finlandeses e começaram até a invasão com bandas a marchar antecipando uma vitória rápida. Registos históricos contam que os soldados russos avançavam no início em direcção às linhas finlandesas de braços dados, cantando hinos soviéticos. Devido aos purgatórios de Stalin, os comandantes do Exército Vermelho tinham tido 80% das suas perdas durante o tempo de paz. Estes eram frequentemente substituídos por pessoas menos competentes mas mais "leais" aos seus superiores, desde que Stalin tinha supervisionado os seus comandantes com comissários ou oficiais políticos. Tácticas que eram obsoletas já no tempo da Primeira Guerra Mundial eram empregues. Essas tácticas estavam estritas a serem seguidas pelo livro. Muitas tropas soviéticas foram simplesmente perdidas devido ao seu comandante se recusar a retirar ou estar impedido de o fazer, pelos seus superiores.

O exército soviético estava mal preparado para guerra durante o inverno, particularmente em florestas, e utilizava veículos motorizados extremamente vulneráveis. Estes veículos eram mantido a trabalhar 24 horas por dia de modo ao seu combustível não congelar, mas continuaram a haver registos de motores a quebrar e de falta de combustível. Uma das perdas mais marcantes na história militar é o tão chamado Incidente de Raatteentie, durante a Batalha de Suomussalmi. A 44.ª Divisão de Infantaria Soviética (de 25 mil soldados) foi completamente destruída após marchar numa rua estreita de uma floresta até a uma armadilha da unidade finlandesa Osasto Kontula (de 300 homens). Esta pequena unidade parou o avanço da Divisão Soviética, enquanto o Coronel finlandês Siilasvuo e a sua 9.ª Divisão (de 6 mil tropas) cortou a rota de retirada soviética, dividindo a força inimiga em unidades menores, destruindo unidade por unidade. Em adição, as tropas finlandesas ganharam 43 carros de combate, 71 canhões de artilharia e de defesa antiaérea, 29 canhões anticarro, VBTPs, tratores, 260 camiões, 1170 cavalos, armas de infantaria, munição, material de comunicações, medicamentos e botas de inverno.

Soldados finlandeses.

A Finlândia tinha uma força de 130 mil homens de 500 canhões no istmo da Carélia, o principal teatro da guerra, e os soviéticos atacaram com apenas 200 mil homens e 900 canhões. Os soviéticos enviaram mil carros de combate para a frente, mas foram mal utilizados e sofreram grandes perdas.

A falta de equipamento finlandês também era um problema. No início da guerra, apenas os soldados que tinham recebido treino básico tinham uniformes e armas. O resto dos soldados tinha de fazer a sua própria roupa e uma insígnia semelhante era depois adicionada. Estes uniformes recebiam a alcunha de Modelo Cajander, segundo o nome do Primeiro-ministro Aimo Cajander. Os finlandeses aliviavam a sua falta de equipamento fazendo uma utilização excessiva de equipamento, armas e munições capturadas do inimigo. Por sorte, o exército não tinha alterado o calibre das suas armas após a independência e conseguia assim utilizar a munição soviética. Ironicamente, o envio de soldados mal treinados conduziu as tropas soviéticas directamente para as mãos dos finlandeses, permitindo a ampla oportunidade mais tarde de capturar o equipamento.

Simo Häyhä (19052002)
soldado finlandês e o maior franco-atirador da história.

Dois outros factos devem ser mencionados. Devido à decisão e da sua opinião de Stalin que os soldados russos da área fronteiriça com a Finlândia não podiam ser confiados para lutar contra os finlandeses, devido a uma história comum, o vasto número de soldados do Exército Vermelho eram recrutados das regiões do sul da União Soviética.

Estes soldados do Exército Vermelho das regiões do sul não tinham absolutamente qualquer experiência com as condições do inverno do árctico e virtualmente qualquer habilidade para sobrevivência na floresta, quanto mais experiência de combate. As tropas finlandesas tinham a sua própria roupa de inverno, e tinham vivido maior parte da sua vida na floresta, pois uma maioria dos finlandeses eram vendedores rurais até aos anos 50. O tempo durante a Guerra de Inverno foi um dos três piores invernos registados na Finlândia.

A guerra aérea durante a Guerra de Inverno viu a formação inovadora finlandesa, dedo quatro, de combate aéreo (quatro aviões, divididos em duas unidades de dois aviões, uma unidade a voar a baixa e a outra a alta altitude, cada avião combatia independentemente dos outros mas apoiava o seu colega-de-asa em combate) esta não era apenas superior à táctica russa de três caças em formação delta, mas como também foi mais tarde adoptada pelas maiores potências combatentes na guerra durante a Segunda Guerra Mundial, sendo inclusive actualmente ainda utilizada. Esta formação dedo quatro contribuiu para a falha dos bombardeiros russos de infligirem danos sequenciais contra posições finlandesas, cidades e reservas.

Apoio estrangeiro[editar | editar código-fonte]

Soldados finlandeses em combate.

O mundo opinou um grande apoio à causa finlandesa. A Guerra Mundial não tinha realmente ainda começado e era vista pelo público como uma Guerra Falsa; nesta altura a Guerra de Inverno era a única luta real ao lado da invasão alemã e soviética da Polónia, e por isso tinha um maior foco do interesse mundial. A agressão soviética era geralmente vista como totalmente injustificada. Várias organizações estrangeiras enviaram material de ajuda, tais como medicamentos. Vários imigrantes finlandeses nos Estados Unidos e no Canadá voltaram a casa, e vários voluntários (um deles que seria mais tarde o actor Christopher Lee) viajaram para a Finlândia e entraram nas forças armadas finlandesas: 1.010 dinamarqueses, 895 noruegueses, 346 finlandeses expatriados, e 210 voluntários de outras nacionalidades conseguiram chegar à Finlândia antes que a guerra terminasse.

A Suécia, que se tinha declarado como não-beligerante em vez de como país neutro (como na guerra entre a Alemanha Nazi e as Potências Ocidentais) contribuiu com materiais militares, dinheiro, créditos, e ajuda humanitária e com alguns 8.700 suecos voluntários preparados para combater pela Finlândia. Talvez a mais significante tenha sido a Força Aérea Voluntária Sueca, em acção desde 7 de Janeiro, com 12 caças, 5 bombardeiros, e outros 8 aviões, sendo um terço da força aérea sueca naquela altura. Pilotos e mecânicos voluntários tinham sido chamados. O aviador de renome Conde Carl Gustav von Rosen, parente de Hermann Göring, voluntariou-se independentemente.

O Corpo Voluntário Sueco, com 8.402 homens na Finlândia, começou a render cinco batalhões finlandeses em Märkäjärvi em Fevereiro. Juntamente com os três batalhões finlandeses que ficaram, os corpos prepararam-se para um ataque de duas divisões soviéticas em Março. 33 homens morreram na acção, entre eles o comandante da primeira unidade rendida, o Tenente-Coronel Magnus Dyrssen.

O próprio Benito Mussolini decidiu ajudar a Finlândia, enviou cerca de 100 mil rifles e 35 caças Fiat G.50, que só não chegaram a tempo porque os alemães proibiram transito de material militar para a Finlândia sobre seu território e sobre o território polonês ocupado. A França também enviou milhares de rifles, munição, algumas dezenas de Morane-Saulnier M.S.406. Os britânicos por sua vez venderam a prazo algumas dúzias de caças Gloster Gladiator.

Planos Franco-Britânicos para um teatro Escandinavo[editar | editar código-fonte]

Dentro de um mês, a liderança soviética começou a considerar abandonar a operação, mas o governo finlandês tinha sido já aproximado com uma proposta preliminar (através do governo Sueco) a 29 de Janeiro. Até esta altura, a Finlândia lutava apenas pela sua existência. Quando rumores chegaram aos governos de Paris e de Londres, os incentivos para apoio militar mudaram dramaticamente. Agora a Finlândia combatia apenas para manter o mais possível do seu território perto de Leninegrado. Mas claro que o público não podia saber nada sobre isto — fosse na Finlândia, ou mundialmente. Para opinião pública, a luta da Finlândia continuava a ser uma luta pela vida e pela morte.

Em Fevereiro de 1940 os Aliados ofereceram ajuda: O plano Aliado, aprovado a 5 de Fevereiro pelo Alto Comando Aliado, consistia em 100.000 soldados britânicos e 35.000 franceses que desembarcariam no porto norueguês de Narvik e que apoiariam a Finlândia através da Suécia enquanto asseguravam as rotas de suporte ao longo do caminho. O plano tinha sido concordado para ser lançado a 20 de Março sob a condição que os finlandeses pedissem ajuda. A 2 de Março, direitos de transito foram oficialmente requisitados aos governos da Noruega e da Suécia. Era esperado que isto trouxesse eventualmente estes dois países nórdicos neutros, Noruega e Suécia, para o lado dos Aliados - reforçando as suas posições contra a Alemanha, embora Hitler tivesse, em Dezembro declarado ao governo sueco que tropas Ocidentais em terra sueca provocariam imediatamente uma invasão alemã, que praticamente significava que a Alemanha Nazista tomaria a parte sul da Escandinávia enquanto a França e a Inglaterra combateriam no longínquo norte.

O governo sueco, liderado pelo primeiro-ministro Per Albin Hansson, recusou permitir o transito de tropas estrangeiras através de território sueco. Embora a Suécia não se tivesse declarado neutra em relação à Guerra de Inverno, ela era neutra na guerra entre a França e a Inglaterra num lado e a Alemanha no outro.

O gabinete sueco também decidiu recusar os pedidos repetidos dos finlandesas para tropas suecas regulares serem enviadas para a Finlândia, e no fim os suecos também tornaram claro que o seu apoio em armas e munições não poderia ser mantido por muito mais tempo.

Diplomaticamente, a Finlândia estava dependente entre as promessas Aliadas para uma guerra prolongada e dos medos Escandinavos de uma guerra contínua se espalhar aos países vizinhos (ou os refugiados que resultariam de uma potencial derrota finlandesa). Também de Wilhelmstraße chegaram conselhos distintos para paz e concessões - as concessões poderiam sempre ser mais tarde emendadas.

Enquanto Berlim e Estocolmo aplicavam pressão Helsínquia a para aceitar uma tratado de paz sob más condições, Paris e Londres tinham o objectivo oposto. De tempo em tempo, diferentes planos e números eram apresentados aos finlandeses. Para começar com, a França e a Inglaterra prometeram enviar 20 mil homens que chegariam em finais de Fevereiro, embora sob a condição que a caminho da Finlândia seria dada a oportunidade de ocupar a Escandinávia do Norte.

No final de Fevereiro, o Comandante Supremo da Finlândia, Mannerheim, estava pessimista quanto à situação militar, sendo por isso que o governo decidiu a 29 de Fevereiro começar negociações de paz. Nesse mesmo dia, os soviéticos começaram um ataque contra Viipuri.

Quando a França e a Inglaterra verificaram que a Finlândia estava seriamente a considerar um tratado de paz, deram uma nova oferta de ajuda: 50 mil homens seriam enviados, se a Finlândia pedisse por ajuda antes de 12 de Março. Mas na verdade, apenas 30 mil homens destes 50 mil seriam destinados para a Finlândia. A intenção era utilizar o resto para assegurar docas, estradas e minas de ferro ao longo do caminho.

Embora as poucas forças que chegariam à Finlândia, informação sobre os planos chegou à União Soviética e contribuiu fortemente na decisão dos soviéticos de assinar um armistício para terminar a guerra. É discutido que sem a ameaça da intervenção dos aliados, nada teriam eventualmente parado os soviéticos de conquistar toda a Finlândia com a sua reserva de homens que parecia infinita.

Armistício[editar | editar código-fonte]

Pelo final do inverno tinha-se tornado claro que os russos já estavam suficientemente fartos da situação, e os representantes alemães sugeriram que a Finlândia deveria negociar com a União Soviética. As baixas russas tinham sido enormes e a situação era fonte de um embaraço político para o regime soviético. Com a Primavera a chegar, as forças russas viam-se a ficar paralisadas nas florestas, e um esboço de termos de paz foi apresentado à Finlândia a 12 de fevereiro. Não apenas os alemães estavam à espera do fim da guerra, mas também os suecos, que temiam o colapso da Finlândia. Enquanto o gabinete finlandês hesitava em face às condições duras soviéticas, o rei sueco Gustaf V fez um anúncio público, no qual confirmava que tinha recusado o pedido finlandês de apoio de tropas regulares suecas.

Pelo final de Fevereiro, os finlandeses tinham consumido os seus fornecimentos de munições. Também, a União Soviética tinha finalmente sido bem-sucedida em quebrar através da Linha Mannerheim, anteriormente impenetrável.

Finalmente a 29 de fevereiro de 1940, o governo finlandês tinha concordado em começar as negociações. A 5 de março, o exército soviético tinha avançado de 10 a 15 quilómetros de lá da Linha Mannerheim e tinha entrado nos subúrbios de Viipuri.

Paz de Moscou[editar | editar código-fonte]

Guerra de Inverno: Concessões finlandesas.

No Tratado de Paz de Moscovo de 12 de março a Finlândia foi forçada a ceder a parte finlandesa de Carélia. O território incluía a cidade de Viipuri (a segunda maior cidade do país), muito do território industrializado da Finlândia, e partes significantes ainda protegidas pelo exército Finlandês: quase 10% do pré-guerra finlandês. Alguns 442 000 carelianos, 12% da população da Finlândia, perderam as suas casas. Militares e civis foram rapidamente evacuados devido aos termos do tratado, como apenas alguns civis escolheram ficar sob a governação soviética.

A Finlândia teve também de ceder uma parte da área de Salla, península de Kalastajansaarento no mar de Barents e quatro ilhas no golfo da Finlândia. A península de Hanko foi também emprestada à União Soviética como uma base militar por 30 anos.

Os termos de paz foram duros para a Finlândia, ainda mais porque os soviéticos receberam a cidade de Viipuri, além das suas exigências pré-guerra. Nem a simpatia por parte da Liga das Nações, Aliados Ocidentais, e dos suecos em particular, parece ter sido de grande ajuda aos finlandeses.

Apenas um ano mais tarde as hostilidades continuaram na Guerra da Continuação.

Principais batalhas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. Pentti Virrankoski, Suomen Historia 2, 2001, ISBN 951-746-342-1, SKS
  2. Erkki Käkelä, Laguksen miehet, marskin nyrkki: Suomalainen panssariyhtymä 1941-1944, 1992, ISBN 952-90-3858-5, Panssarikilta
  3. Kantakoski, Punaiset panssarit - Puna-armeijan panssarijoukot 1918-1945, p. 260
  4. Tomas Ries, Cold Will - The Defense of Finland, 1988, ISBN 0-08-033592-6, Potomac Books
  5. Ohto Manninen, Talvisodan salatut taustat, 1994, ISBN 952-90-5251-0, Kirjaneuvos
  6. Finnish Defence College, Talvisodan historia 4, p.406, 1991, ISBN 951-0-17566-8, WSOY, Os mortos incluem 3.671 mortalmente feridos que morreram sem deixarem o hospital, alguns anos após a guerra.
  7. G.F. Krivosheev, Soviet Casualties and Combat Losses in the Twentieth Century, 1997, ISBN 1-85367-280-7, Greenhill Books
  8. Kantakoski, p. 286

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Ries, Tomas (1988). Cold Will: Defence of Finland. Brassey's. ISBN 0-080335-926.
  • Trotter, William R (1991). A Frozen Hell: The Russo-Finnish Winter War of 1939-1940 (also published as The Winter War). Aurum. ISBN 1-85410-932.
  • Van Dyke, Carl (1997). The Soviet Invasion of Finland, 1939-40. Frank Cass Publishers. ISBN 0-714643-149.