Guerra dos Ducados do Elba

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A Guerra dos Ducados do Elba, também conhecida como Guerra dos Ducados, Segunda Guerra do Schleswig, Guerra Dano-Prussiana ou Guerra Dinamarquesa, foi travada em 1864 entre a Dinamarca, de um lado, e, de outro, o Reino da Prússia e o Império Austríaco, estes agindo em nome da Liga Alemã. Tal como a Primeira Guerra do Schleswig, foi travada pelo controle dos ducados do Schleswig e do Holstein, cujo status foi finalmente definido por uma partilha após a Primeira Guerra Mundial, quando o Schleswig Setentrional votou pela reunião com a Dinamarca.

A Questão dos Ducados[editar | editar código-fonte]

O Schleswig era um ducado soberano (i.e., formalmente independente), de maioria dinamarquesa, vinculado à coroa da Dinamarca por uma União Pessoal e por laços feudais. Já o Holstein era um ducado soberano, de maioria alemã, que integrara o Sacro Império Romano-Germânico (e, de 1815 a 1864, a Liga Alemã), mas ligado à Dinamarca por uma União Pessoal desde o século XV. Em outras palavras, o rei da Dinamarca era o duque do Schleswig e do Holstein, territórios governados na prática pelos dinamarqueses. O chamado Tratado de Ribe (1460) dispunha que os dois ducados não poderiam ser separados.

A extinção da linhagem real masculina da Dinamarca, com a morte do Rei Frederico VII, criou para os dinamarqueses o problema de como manter o seu controle sobre o Schleswig-Holstein, cobiçado por advogados da unificação Alemã (as regras sucessórias dos ducados - que adotavam a lei sálica - diferiam das dinamarquesas em caso de inexistência de herdeiro varão).

Em seguida à agitação causada pelas Revoluções de 1848 (e com a questão sucessória dos ducados em mente), Frederico promulgou uma constituição democrática comum à Dinamarca e ao Schleswig, provocando um movimento separatista nos ducados, apoiado pela Prússia, que levou à eclosão da Primeira Guerra do Schleswig (1848-1851).

As grandes potências européias, interessadas em conter a Prússia, pressionaram-na a acatar em 1852 os termos da convenção de Londres de 1850, pela qual Reino Unido, França, Rússia e Noruega-Suécia reafirmavam a integridade da Dinamarca, que recebia de volta o Schleswig-Holstein e, pelo protocolo adicional de 1852 com a Áustria e a Prússia, comprometia-se a não criar com o Schleswig laços mais estreitos do que os deste com o Holstein.

Com a subida dos liberais ao poder em Copenhague, o Rei Cristiano IX foi persuadido a assinar em 18 de novembro de 1863 uma nova constituição conjunta com o Schleswig, o que contrariava o disposto no protocolo de 1852 e veio a ser o pretexto para que a Prússia e a Áustria interviessem militarmente contra a Dinamarca.

O conflito[editar | editar código-fonte]

Desta vez, as potências européias estavam distraídas com outros problemas e não acorreram em apoio à Dinamarca, que se viu frente à poderosa máquina militar da Prússia.

Após a Batalha de Dybbøl, os dinamarqueses, incapazes de defender a fronteira dos ducados, recuaram para o território da Dinamarca. As tropas da aliança austro-prussiana continuaram a avançar e, com a capitulação dinamarquesa, Prússia e Áustria assumiram a administração do Schleswig e do Holstein, respectivamente. A paz foi celebrada com o Tratado de Viena, de 1864, pelo qual a Dinamarca cedia os dois ducados à Prússia e à Áustria. Estas duas potências, por sua vez, concluíram entre si a Convenção de Gastein, que dispunha sobre a administração dos ducados.

Consequências[editar | editar código-fonte]

As ambições territoriais prussianas deram fruto em 1866, quando desentendimentos acerca da administração dos ducados provocaram a Guerra Austro-Prussiana de 1866, pela qual a Prússia anexou definitivamente o Schleswig-Holstein. A Guerra dos Ducados pode, portanto, ser vista dentro do contexto da expansão prussiana e dos planos de Bismarck no sentido de unificar a Alemanha sob o controle da Prússia.

A Questão dos Ducados do Elba era considerada tão complexa - devido à mistura de residentes dinamarqueses e alemães, à confusa rede de obrigações feudais e aos interesses nacionais das diversas potências européias envolvidas - que Lorde Palmerston, primeiro-ministro britânico à época, comentou que apenas três pessoas entendiam a questão do Schleswig-Holstein: "uma morrera, outra enlouquecera e a terceira era ele próprio, que esquecera". Ao que parece, porém, Bismarck era a quarta pessoa.