Guerras Ridda

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As guerras Ridda (em árabe: حروب الردة), também conhecidas como "guerras de apostasia", foram uma série de campanhas militares contra a rebelião de algumas tribos árabes contra o califa Abu Bakr em 632 e 633, depois da morte do profeta Maomé[1] , sendo assim uma das guerras dos primeiros califados. Estas revoltas, na historiografia islâmica interpretadas posteriormente como de índole religiosa, foram na realidade de cariz sobretudo político.[2] [3] Tiveram, no entanto, uma componente religiosa: Medina tornou-se o centro de um sistema social e político, no qual a religião era parte integrante: em consequência, era inevitável que qualquer reação contra o sistema teria um lado religioso.[4]

Os Profetas Aspirantes da Arábia[editar | editar código-fonte]

Enquanto a fama de Maomé se estendia por toda a península Arábica, muitos pretendiam o poder e a riqueza que se foi acumulando. Alguns tomaram a posição algo cínica de que se Maomé fosse um profeta, então por que motivo eles não o seriam também? Um certo número de outros profetas aspirantes começou a surgir por todas as partes da Arábia. A história registou os nomes de pelo menos quatro destes outros autoproclamados profetas: Aswad Ansi no Iémen, Musailimah em Yamamah, Tulayha em Bukaza, e mesmo uma mulher profetisa conhecida como Sajjah. O Profeta Musailimah encantou multidões no leste da Arábia com uma série de truques de magia e tinha um grande número de seguidores antes da Hégira (no ano 622). Em 630, Musailimah escreveu uma carta a Maomé, que começava assim: "De Musailimah, o Mensageiro de Alá, a Maomé, o Mensageiro de Alá", carta essa em que Musailimah sugeriu que os dois profetas deviam partilhar o território da Arábia entre si. Porém, Maomé não estava interessado na proposta, e enviou uma carta de recusa a Musailimah que se iniciava assim: "De Maomé, o mensageiro de Alá, a Musailimah, o arco-mentiroso".[5]

As Guerras Ridda[editar | editar código-fonte]

Em 632, Maomé morreu. Depois disso, muitas das tribos árabes começaram a renunciar à sua conversão ao Islão e negaram-se a pagar impostos ao estado islâmico. Os profetas aspirantes neste momento também levantaram revolta contra os muçulmanos. O sogro de Maomé, Abu Bakr, dirigiu os fiéis muçulmanos numa guerra para arrasar estas revoltas, conhecidas como as Guerras Ridda. O mais sangrento destes conflitos deu-se no leste da Arábia contra Musailimah, que finalmente foi derrotado e morto na batalha de Yamamah em dezembro de 632.[6]

Referências

  1. Laura V. Vaglieri in The Cambridge History of Islam, p.58
  2. Laura V. Vaglieri in The Cambridge History of Islam, p.58
  3. Frank Griffel: Apostasie Und Toleranz Im Islam, p. 61.
  4. The Encyclopaedia of Islam. New Edition. Vol. 1, p. 110.
  5. Al-Tabari - The History of Al-Tabari tradução de Michael Fishbein. Suny Series in Near Eastern Studies, State University of New York Press. pág.107
  6. http://explorethemed.com/mohammedEs.asp?c=1

Ligações externas[editar | editar código-fonte]