Guerras indo-paquistanesas

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Desde a partição da Índia em 1947, os dois países sul-asiáticos envolveram-se em quatro guerras, incluindo uma guerra não declarada, bem como muitos atritos de fronteira e tensões militares. Além disso, a Índia acusou o Paquistão de envolvimento em guerras por procuração, prestando assistência militar e financeira a violentos atores não-estatais.

Todos os conflitos armados entre os dois países tiveram como causa direta ou indireta a região disputada da Caxemira, com exceção da guerra de 1971, a qual teve como casus belli o Paquistão Oriental, que se tornou independente ao término das hostilidades com o nome de Bangladesh.

Causas[editar | editar código-fonte]

A partição da Índia surgiu na sequência da Segunda Guerra Mundial, quando a Grã-Bretanha e a Índia Britânica estavam lidando com as tensões econômicas causadas pela guerra e sua desmobilização.[1] Era intenção daqueles que desejavam um estado muçulmano por vir da Índia britânica que houvesse uma partição clara independentes e igual entre "Paquistão" e o "Hindustão" uma vez que a independência viesse.[2]

A partição em si, de acordo com líderes políticos, como Muhammad Ali Jinnah, líder da Liga Muçulmana, e Jawaharlal Nehru, líder do Congresso Nacional Indiano, deveria ter resultado em relações pacíficas. No entanto, a divisão da Índia britânica entre Índia e Paquistão em 1947, não divide as nações corretamente ao longo de linhas religiosas. Quase 50 por cento da população muçulmana da Índia britânica permaneceu na Índia.[3] a violência inter-comunitária entre hindus, sikhs e muçulmanos resultou em entre 500.000 a 1 milhão de vítimas.[1] :6

Os territórios principescos, como Caxemira e Hyderabad, também foram envolvidos na partição. Os governantes desses territórios tiveram que escolher a se juntar a Índia ou ao Paquistão. O governante da Caxemira, que tinha uma população de maioria muçulmana, era governada por um marajá hindu que decidiu, na ocasião da partilha, declarar a independência. Uma invasão de unidades não-regulares paquistanesas, apoiadas por algumas tropas regulares, fez com que o marajá aceitasse unir-se à Ìndia para repelir os invasores através da assinatura do instrumento de adesão.[4] Tanto a Índia como o Paquistão passaram a reivindicar a Caxemira que, assim, tornou-se o principal ponto do conflito.[1] :8[4]

Ordem cronológica dos conflitos[editar | editar código-fonte]

  • Guerra Indo-Paquistanesa de 1947 (ou Primeira Guerra da Caxemira): O conflito durou mais de um ano cada uma das partes lucrou de maneira significativa no território da outra. Quando do cessar-fogo determinado pela ONU, a Índia havia assegurado pouco menos de três-quintos da Caxemira, inclusive o fértil Vale da Caxemira.
  • Guerra Indo-Paquistanesa de 1965 (ou Segunda Guerra da Caxemira): Começou com uma infiltração instigada pelo Paquistão, que provocou uma rebelião em Jammu e Caxemira contra o governo indiano. Em retaliação, a Índia desfechou um ataque contra o território paquistanês. A guerra terminou num impasse.
  • Guerra Indo-Paquistanesa de 1971 (ou Guerra de Independência de Bangladesh): Esta guerra não envolveu a Caxemira e sim o Paquistão Oriental (o futuro Bangladesh). Após meses de conflito interno ali, a Índia decidiu apoiar os bengaleses e, em quinze dias, o exército indiano havia derrotado as tropas paquistanesas, com a ajuda dos rebeldes, e levado o Paquistão à rendição.
  • Guerra Indo-Paquistanesa de 1999 (ou Guerra de Kargil ou Conflito de Kargil): As hostilidades são consideradas um conflito menor, embora tenha causado perturbação fortes em ambos os lados, numa época de maior cobertura de mídia. A guerra terminou com a Índia de posse de Kargil (um distrito do estado indiano de Jammu e Caxemira).

Outros conflitos[editar | editar código-fonte]

Além das guerras acima mencionadas, houve confrontos entre os dois países ao longo do tempo. Alguns beiraram a guerra total, enquanto outros foram limitados em abrangência. Era esperado que ambos os países lutassem um contra o outro em 1955, após uma postura guerreira em ambos os lados, mas em escala de guerra não rompeu.[5]

Referências

  1. a b c Khan, Yasmin. The great Partition: the making of India and Pakistan. [S.l.]: Yale University Press, 18 September 2007. p. 13. ISBN 978-0-300-12078-3 Página visitada em 30 October 2011.
  2. Ambedkar, B.R.. Pakistan, or Partition of India. 2 ed. [S.l.]: AMS Press Inc, 1946. p. 5. ISBN 978-0404548018
  3. Dixit, Jyotindra Nath. India-Pakistan in War & Peace. [S.l.]: Routledge, 2002. p. 13. ISBN 9780415304726 Página visitada em 30 October 2011.
  4. a b Unspecified author (6 November 2008). Q&A: Kashmir dispute. BBC News - South Asia. BBC. Página visitada em 30 October 2011.
  5. Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas Lyon2008
  6. Wirsing, Robert. India, Pakistan, and the Kashmir dispute: on regional conflict and its resolution. [S.l.]: Palgrave Macmillan, 15 February 1998. p. 77. ISBN 978-0-312-17562-7 Página visitada em 31 October 2011.
  7. Weisman, Steven R. (06 March 1987). On India's border, a huge mock war. World. The New York Times. Página visitada em 30 October 2011.
  8. Unspecified author (12 January 2002). Musharraf declares war on extremism. South Asia. BBC. Página visitada em 30 October 2011.