Guilherme Piso

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Willem Piso e Georg Markgraf - "Historia Naturalis Brasiliae" 1648

Guilherme Piso (Leida, 1611Amsterdã, 28 de novembro de 1678) foi um médico e naturalista holandês. Participou como médico de uma expedição nos anos 1637 - 1644 para o Brasil, com patrocínio do conde Maurício de Nassau.

Seu nome em língua neerlandesa é Willem Piso ou Willem Pies. Em latim, como assinava suas obras, era Guilielmi Piso.

Escreveu com Georg Marggraf e publicada originalmente por Ioannes de Laet a Historia Naturalis Brasiliae. Segundo informa o livro "Brasiliana da Biblioteca Nacional", pg. 53, "A partir de 1638, colecionou plantas e animais no Brasil, além de estudar doenças tropicais e terapias indígenas."

As numerosas pinturas de Albert Eckhout atuavam como ilustrações para os desenhos de história natural. Piso, Marggraf, Frans Post, Jacob Wilhelm Griebe, realizaram um extraordinário inventário da natureza e produziram, segundo Dante Martins Teixeira comenta em "Brasil Holandês", Rio de Janeiro, 1995, a mais importante obra científica sobre o Brasil até o século XIX.

Do "Escorço biográfico"[editar | editar código-fonte]

Afonso d'Escragnolle Taunay, na reedição da "Medicina Brasileira", registrou um "Escorço Biográfico" sobre Piso. Ali registra que se ignora a data de sua chegada ao Brasil. Citando Juliano Moreira, informa:

"Foi Piso o arquiatra do príncipe não desde o começo de sua expedição, como erroneamente o afirmam quase todos os biógrafos. Nas atas das reuniões da Comissão dos XIX da Companhia das Índias Ocidentais durante o ano de 1636, não figura o nome de W. Pies, pela simples razão de que não foi ele quem acompanhara o conde na travessia do Atlântico. Veio, sim, Willem Van Milaenen, médico desconhecido, que logo morreu ao chegar ao Brasil. Em carta datada de 25 de agosto de 1637, o conselho administrativo em Pernambuco pedia que lhe fosse enviado, o mais breve possível, outro médico hábil e experimentado.
Em conseqüência disso, foi nomeado para vir ao Brasil o Dr. W. Pies. Sabemos hoje ao certo a data da saída de Holanda de Jorge Marcgrave, mas não há certeza sobre a de Pies.
Talvez tivessem vindo juntos, assim como o astrônomo H. Cralitz.
Willem Pies, cujo nome foi depois latinizado em Piso, nasceu em Leyden em 1611. Graças ao arquivista do Museu comunal daquela cidade, o Sr. Ramnelman Elzevier, sabemos hoje que o pai de Guilherme Pies era um músico alemão, Hermann Pies[1] , nascido em Cleves. Este aos 27 anos se inscreveu, aos 6 de maio de 1607, como estudante de medicina em Leyden.
Parece certo que não concluiu os estudos pois há evidentes provas de que passou a vida como músico, e de 1625 a 1645 serviu como organista da Igreja de São Pancrácio (Hooglandsche Kerk)."

Dentre as descobertas dos dois médicos, segundo os seus biógrafos brasileiros, deve-se a percepção de que o veneno das cobras é injetado pelos dentes e, ainda, foi Piso quem realizou as primeiras necrópsias do Brasil.

Era eminentemente erudito, falando além do latim também o espanhol, o francês e o português.

Retornou à Holanda junto a Nassau, de quem continuou amigo, mesmo após este, em desgraça pelo fracasso da empreitada brasileira, transferir-se para Prússia. Estabeleceu-se em Amsterdã, onde casou-se e passou a clinicar, sendo um dos médicos mais conceituados daquela cidade, citado inclusive na obra do cirurgião Job Jansaon van Maekron. Ali ocupou o cargo de inspetor do Colégio Médico, em 1655, do qual foi deão em duas ocasiões (1657 e 60).

Sobre seu falecimento, registra Taunay:

"Em novembro de 1678, um ano antes de Maurício de Nassau, faleceu Piso em Amsterdã, sendo sepultado a 28 desse mês na Westerkerk da mesma cidade. Contava, pois, 67 anos de idade."

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Taunay, Afonso de E., Escorço Biográfico in "História Natural do Brasil Ilustrada", Guilherme Piso, Companhia Editora Nacional, 1948.

Notas

  1. Nota: era Pies filho de Hermann Pies e Cornelia van Liesvelt

Ligações externas[editar | editar código-fonte]