Gyula Andrássy

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Gyula Andrássy
Primeiro-ministro do Reino da Hungria
Período de governo 17 de fevereiro de 1867
até 14 de novembro de 1871
Antecessor(a) Bertalan Szemere
Sucessor(a) Menyhért Lónyay
Ministro do Exterior da Áustria-Hungria
Período de governo 14 de novembro de 1871
até 8 de outubro de 1879
Antecessor(a) Conde Friedrich Ferdinand von Beust
Sucessor(a) Barão Heinrich Karl von Haymerle
Vida
Nascimento 3 de março de 1823
Oláhpatak, Reino da Hungria
Morte 18 de fevereiro de 1890 (66 anos)
Volosko, Croácia
Nacionalidade Hungria húngaro
Dados pessoais
Cônjuge Katinka Kendeffy
Assinatura Assinatura de Gyula Andrássy

Conde Gyula Andrássy de Csíkszentkirály e Krasznahorka (Oláhpatak, Reino da Hungria, 3 de março de 1823 – Volosko, Croácia, 18 de fevereiro de 1890) foi um estadista húngaro, que serviu como primeiro-ministro da Hungria (1867–1871) e, posteriormente, como Ministro do Exterior da Áustria-Hungria (1871–1879). É algumas vezes chamado de Conde Júlio Andrássy em português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho do conde Károly Andrássy e Etelka Szapáry, Gyula nasceu em Oláhpatak (atualmente no distrito de Rožňava, Eslováquia), Reino da Hungria. Filho de um pai liberal, que pertencia à oposição política, num tempo em que fazer oposição ao governo era muito perigoso, Andrássy já desde muito cedo se dedicou às lutas políticas da época, adotando no início o lado patriótico.


O conde István Széchenyi foi o primeiro de forma adequada a apreciar a sua capacidade, quando em 1845 o jovem começou sua carreira pública como presidente da sociedade para a regulação das águas do trecho superior do rio Tisza.

Em 1846, chamou a atenção por seus artigos pungentes contra o governo no periódico de Lajos Kossuth, o Pesti Hírlap, e foi reeleito como um dos candidatos radicais à dieta de 1848, onde sua natureza generosa e impulsiva fez dele um dos mais completos patriotas.

Quando os croatas sob o comando de Josip Jelačić tentaram retomar Međimurje, que fazia parte da Hungria, Andrássy colocou-se na liderança dos nobres de seu condado, e atuou com distinção nas batalhas de Pákozd e Schwechat, como o auxiliar de Artúr Görgey (1848).

Quase no final da guerra Andrássy foi enviado para Constantinopla pelo governo revolucionário para obter pelo menos a neutralidade do Império Otomano durante a luta.

Após a catástrofe de Világos ele migrou primeiro para Londres e depois para Paris. Em 21 de setembro de 1851, foi simbolicamente enforcado pelo governo austríaco por sua participação na revolta húngara.

Empregou seus dez anos de exílio no estudo da Política, que era na época o centro da diplomacia europeia, e é memorável o que o seu olho clínico detectou da fraqueza inerente do segundo império francês.

Andrássy voltou do exílio em 1858, mas sua posição era muito difícil. Nunca pediu por um anistia, insistentemente rejeitou todas as aberturas do governo austríaco e dos conservadores húngaros (que teriam aceitado alguma autonomia parcial), e agarrou-se com entusiasmo aos ideais do partido político de Ferenc Deák.

Em 21 de dezembro de 1865 Andrássy foi escolhido vice-presidente da dieta, e em março de 1866 se tornou presidente do subcomitê nomeado pela comissão parlamentar para a elaboração da Composição (comumente conhecida como o Compromisso austro-húngaro de 1867) entre a Áustria e a Hungria, cuja ideia central, a das "Delegações", originou-se dele.

Foi dito na época que ele era o único membro da comissão que poderia convencer o tribunal de justiça das reivindicações nacionais.

Após a Batalha de Königgrätz Andrássy foi formalmente consultado pelo imperador Francisco José pela primeira vez. Ele aconselhou o restabelecimento da constituição e a nomeação de um ministério responsável.

Em 17 de fevereiro de 1867, o rei o nomeou primeiro-ministro constitucional húngaro. Foi nesta ocasião que Ferenc Deák chamou-lhe de "o estadista providencial dado à Hungria pela graça de Deus".

Como primeiro-ministro, Andrássy por sua firmeza, amabilidade e destreza como debatedor, logo conquistou para si uma posição de comando. No entanto, sua posição continuava a ser difícil, na medida em que a autoridade de Deák era uma gota de água face aos demais líderes partidários, apesar de eminente.

Andrássy escolheu para si os departamentos de guerra e assuntos estrangeiros. Foi ele quem reorganizou o sistema Honvéd (exército estatal), e costumava muitas vezes dizer que a regulação das zonas de fronteira militares foi o trabalho mais difícil de sua vida.

No início da Guerra franco-prussiana de 1870, Andrássy resolutamente defendeu a neutralidade da monarquia austríaca, e em seu discurso de 28 de julho de 1870 calorosamente protestou contra a suposição de que era do interesse da Áustria buscar recuperar a posição que ela ocupava na Alemanha antes de 1863. Com a queda de Beust (6 de novembro de 1871), Andrássy ocupou o seu lugar. Seu mandato de chanceler foi um período de grandes decisões.

Até então o império dos Habsburgos nunca tinha sido capaz de dissociar-se das suas tradições sacro-romanas. Mas sua perda de influência na Itália e Alemanha, e a consequente formação do Estado Dual, tinha finalmente indicado o próprio, e, de fato, o único campo para a sua diplomacia no futuro - o Oriente Próximo, onde o processo de cristalização dos povos do Bálcãs em nacionalidades ainda estava incompleto. A questão era saber se essas nacionalidades deveriam ser autorizadas a se tornarem independentes ou era apenas para trocar a tirania do sultão pela tirania do tsar ou o imperador habsburgo.

A Áustria até então tinha se contentado, em manter afastados os russos ou em dividir o espólio com eles. Ela estava agora, além disso, em consequência de seus infortúnios, privada da maior parte de sua influência nos conselhos da Europa.

Andrássy em conversação com o Imperador alemão Guilherme I, 1872

Foi Andrássy que recuperou para a Áustria o seu lugar adequado nos concelhos europeus. Primeiro, ele aproximou-se do imperador alemão; em seguida, as relações mais amistosas foram estabelecidas com as cortes de Itália e Rússia por meio de conferências em Berlim, Viena, São Petersburgo e Veneza.

A "Nota Andrássy"[editar | editar código-fonte]

A influência recuperada da Áustria era evidente nas negociações que se seguiram à eclosão dos graves distúrbios na Bósnia em 1875. As três cortes de Viena, Berlim e São Petersburgo, haviam chegado a um entendimento quanto à sua atitude na questão do Oriente, e suas opiniões foram incorporadas no despacho, conhecido como a "Nota Andrássy", enviada em 30 de dezembro de 1875 por Andrássy para o conde Beust, o embaixador austríaco para a Corte de St James.

Nela, ele destacou que os esforços das potências em localizar a revolta pareciam estar em perigo de fracassar, que os rebeldes ainda estavam resistindo, e que as promessas otomanas de reforma, contidas em vários firmans, não eram mais do que declarações vagas de princípios que nunca tinham tido, e provavelmente não estavam destinadas a ter, qualquer aplicação local. A fim de evitar o risco de uma conflagração geral, portanto, ele pediu que a hora havia chegado para uma ação concentrada das potências com a finalidade de pressionar a Sublime Porta a cumprir suas promessas.

Um esboço das reformas mais essenciais continha: o reconhecimento ao invés da tolerância da religião cristã; a abolição do sistema de cultivo dos impostos; e, na Bósnia e Herzegovina, onde as questões religiosas eram agravadas por uma questão agrária, a conversão dos camponeses cristãos em proprietários livres, para resgatá-los da sua dupla sujeição aos proprietários de terras muçulmanos otomanos.

Na Bósnia e Herzegovina deveriam ser criados conselhos provinciais eleitos, nomeados juízes vitalícios e garantidas liberdades individuais. Finalmente, uma comissão mista de muçulmanos e cristãos seria formada com poderes para vigiar a realização dessas reformas.

O fato de que o sultão seria responsabilizado pela Europa para a realização de suas promessas serviria para acalmar as suspeitas naturais dos insurgentes. Para este plano, tanto a Grã-Bretanha, quanto a França deram seu assentimento geral, e a Nota Andrássy foi adotada como base das negociações.

Quando a guerra se tornou inevitável entre a Rússia e a Sublime Porta, Andrássy combinou com a corte russa que, no caso da Rússia sair vencedora do conflito, o status quo não deveria ser alterado em detrimento da monarquia austríaca. Quando, porém, o Tratado de Santo Estêvão ameaçou a hegemonia russa no Oriente Próximo, Andrássy concordou com os tribunais alemães e britânicos, que o ajuste final das questões deveria ser submetidos a um congresso europeu.

Andrássy (no centro de uniforme azul) no Congresso de Berlim de 1878

No Congresso de Berlim em 1878 Andrássy era o principal plenipotenciário austríaco, e dirigiu seus esforços para diminuir os ganhos da Rússia e favorecer a Monarquia Dual. Antes de o Congresso ter início em 13 de junho, as negociações entre Andrássy e o secretário britânico dos Assuntos Estrangeiros Marquês de Salisbury já tinham se "encerrado em 6 de junho com o acordo da Grã-Bretanha de todas as propostas austríacas em relação à Bósnia-Herzegovina, enquanto que a Áustria iria apoiar as demandas britânicas."[1]

Além da ocupação e administração da Bósnia-Herzegovina, Andrássy também obteve o direito de instalação de guarnições no Sanjak de Novi Pazar, que permaneceu sob a administração otomana. O Sanjak preservava a separação da Sérvia e Montenegro, e as guarnições austro-húngaras nele posicionadas abririam o caminho para um ataque surpresa a Salônica que "deixaria a metade ocidental dos Bálcãs sob a permanente influência austríaca".[2] "As altas autoridades militares [austro-húngaras] desejavam [uma ...] imediata expedição tendo por objetivo a Salônica."[3]

Essa ocupação foi mais impopular na Hungria, devido a motivos financeiros e por causa da forte ligação sentimental dos magiares com os turcos.

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Em 28 de setembro de 1878, o Ministro das Finanças, Koloman von Zell, ameaçou demitir-se do cargo caso o exército, comandado pelo arquiduque Alberto, fosse autorizado a avançar até Salônica. Na sessão do Parlamento húngaro de 5 de novembro de 1878 a oposição propôs que o ministro das Relações Exteriores deveria ser acusado por violar a Constituição devido à sua política durante a Crise do Oriente Próximo e pela ocupação da Bósnia-Herzegovina. A moção perdeu por 179 a 95. A oposição apresentou as mais graves acusações contra Andrássy.[4]

Em 10 de outubro de 1878, o diplomata francês Melchior de Vogüé descreveu a situação como se segue:

Particularmente na Hungria, a insatisfação causada por esta "aventura" atingiu proporções mais graves, instigado por esse forte instinto conservador que anima a raça magiar e é o segredo de seus destinos. Esse instinto vigoroso e exclusivo explica o fenômeno histórico de um grupo isolado, pequeno em número conseguir dominar um país habitado por uma maioria de povos de diferentes raças e aspirações conflitantes, e desempenhando um papel nos assuntos europeus de todas as proporções de sua importância numérica ou cultura intelectual. Esse instinto está atualmente desperto e dá aviso de que ele percebe a ocupação da Bósnia-Herzegovina como uma ameaça que, através da introdução de novos elementos eslavos no organismo político húngaro e proporcionando um campo mais vasto e de recrutamento ainda mais da oposição croata, iria perturbar o equilíbrio instável no qual a dominação magiar oscila.[5]

Andrássy se sentiu obrigado a se curvar diante da tempestade, e colocou a sua demissão nas mãos do imperador (8 de outubro de 1879). Um dia antes de deixar o cargo, ele assinou a aliança ofensivo-defensiva com a Alemanha, que colocou as relações exteriores da Áustria-Hungria, mais uma vez sobre uma base estável.

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Após deixar o cargo, Andrássy continuou a tomar parte ativa nos assuntos públicos, nas delegações e na Câmara Alta. Em 1885 apoiou calorosamente o projeto para a reforma da Câmara dos Magnatas, mas por outro lado zelosamente defendeu a inviolabilidade da Composição de 1867, e em 5 de Março de 1889 em seu lugar na Câmara Alta discursou contra qualquer interferência específica no exército comum. Nos últimos anos de sua vida, recuperou sua popularidade, e sua morte em 18 de fevereiro de 1890, aos 66 anos de idade, foi lamentada como uma calamidade nacional. Há uma placa dedicada a ele na cidade de Volosko, onde morreu (entre Rijeka e Opatija, na atual Croácia). Está localizada logo acima do restaurante Amfora.

Andrássy foi o primeiro estadista magiar que, durante séculos, ocupou uma posição europeia. Foi dito que reuniu em si o magnata magiar e o cavalheiro moderno. Seu lema era: "É difícil prometer, mas é fácil executar." Se Deák foi o arquiteto, Andrássy certamente foi o mestre-construtor do moderno Estado húngaro.

Família[editar | editar código-fonte]

Com sua esposa, a condessa Katinka Kendeffy, com quem se casou em Paris em 1856, o Conde Andrássy teve dois filhos e uma filha, Ilona (nascida em 1858). Os dois filhos ganharam distinção na política húngara.

O mais velho, Tivadar Andrássy (Teodoro André) (nascido em 10 de julho de 1857), foi eleito vice-presidente da Câmara Baixa do parlamento húngaro, em 1890. Os mais jovens, Gyula (nascido em 30 de junho de 1860), também teve uma carreira de sucesso político.

Segundo uma lenda muito comum, o Conde Andrássy teve um romance duradouro com a Rainha Isabel (Sissy), esposa do Imperador e Rei Francisco José da Áustria-Hungria, e teve seu único filho, arquiduque Rodolfo, embora não haja nenhuma evidência para esta história, com exceção da forte simpatia e dedicação de ambos Sissy e Rodolfo para com a Hungria, a sua cultura e costumes nacionais (ambos eram fluentes em húngaro e apreciavam a poesia húngara).

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Luigi Albertini. The Origins of the War of 1914, Volume I. [S.l.]: Oxford University Press, 1952. p. 20.
  2. Luigi Albertini. The Origins of the War of 1914, Volume I. [S.l.]: Oxford University Press, 1952. p. 19.
  3. Luigi Albertini. The Origins of the War of 1914, Volume I. [S.l.]: Oxford University Press, 1952. p. 33.
  4. Luigi Albertini. The Origins of the War of 1914, Volume I. [S.l.]: Oxford University Press, 1952. p. 33.
  5. Luigi Albertini. The Origins of the War of 1914, Volume I. [S.l.]: Oxford University Press, 1952. 33–34 pp.

Wikisource  "Andrassy, Julius (Gyula), Count". Encyclopædia Britannica (11th). (1911). Ed. Chisholm, Hugh. Cambridge University Press. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Media relacionada com Category:Gyula Andrássy no Wikimedia Commons
  • Discursos de Andrássy (em húngaro) editado por Béla Léderer (Budapeste, 1891)
  • Memórias (em húngaro) por Benjamin Kállay (Budapeste, 1891)
  • Panegírico (em húngaro) na Akad. Értesitő, Evf. 14 (Budapeste, 1891)
  • Lembranças do Conde Andrássy (em húngaro), por Manó Kónyi (Budapeste, 1891)


Cargos políticos
Precedido por:
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Primeiro-ministro da Hungria
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1867–1871


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1871–1879
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Ludwig von Holzgethan
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