HMS Bellerophon (1786)

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HMS Bellerophon
HMS Bellerophon and Napoleon-cropped.jpg
Detalhe de Scene in Plymouth Sound in August 1815 (1816), de John James Chalon.
Carreira   Bandeira da marinha que serviu
Data de encomenda 11 de janeiro de 1782
Construção Inglaterra Edward Greaves and Co., Frindsbury
Lançamento maio de 1782
Comissionamento 6 de Outubro de 1786
Período de serviço 1787 - 1836
Vitórias Glorioso primeiro de Junho, Batalha do Nilo, Batalha de Trafalgar,
Estado Desmantelado
Outro(s) nome(s) Captivity (1824)
Características gerais
Tipo de navio Navio de linha
Deslocamento 1612 ton.
Comprimento 51,2 m
Boca 14,3 m
Calado 6 m
Propulsão Velas

O HMS Bellerophon foi um navio de linha de terceira categoria, com 74 canhões,[1] da Marinha Real Britânica. Lançada ao mar em 1786, serviu durante as Guerras revolucionárias francesas e as Guerras Napoleónicas, na sua maioria em bloqueios e serviço de escolta a comboios. Conhecido como "Billy Ruffian" pelos marinheiros, combateu em três batalhas - Glorioso primeiro de Junho, Batalha do Nilo e Batalha de Trafalgar -, e foi o navio a bordo do qual Napoleão Bonaparte se rendeu, pondo fim a uma guerra quase contínua de 22 anos com a França.[1] [2]

Construído em Frindsbury,[1] o Bellerophon serviu de navio de reserva, durante a Crise de Nootka e na Guerra Russo-Turca. Entrou em acção, integrado na Frota do Canal, no início das Guerras revolucionárias francesas, e no Glorioso Primeiro de Junho em 1793. O Bellerophon escapou por pouco à captura pelos franceses em 1795, quando o seu esquadrão foi quase derrotado por uma forte frota francesa, mas as ousadas acções do seu comandante de esquadrão, o vice-almirante William Cornwallis, levaram à retirada dos franceses. Em 1797, o navio teve uma pequena participação na intercepção da invasão francesa da Irlanda, e, depois, juntou-se à Frota do Mediterrâneo comandada por John Jervis. Destacado para reforçar a frota do contra-almirante Horatio Nelson em 1798, o Bellerophon fez parte da força que derrotou a frota francesa na Batalha do Nilo. Regressou, então, a Inglaterra e partiu para as Índias Ocidentais, onde passou o período da paz de Amiens em cruzeiros e em escoltas a comboios entre as Caraíbas e a América do Norte.

O Bellerophon regressou a águas europeias com a retomada das guerras com a França, juntando-se a uma frota sob o comando do vice-almirante Cuthbert Collingwood que estava num bloqueio a Cádis. A frota reforçada, comandada então por Horatio Nelson, atacou a força conjunta franco-espanhola. Na Batalha de Trafalgar, a 21 de Outubro, o Bellerophon teve um difícil confronto contras os navios franceses e espanhóis, sofrendo pesadas baixas incluindo a morte do seu capitão, John Cooke.[2] Depois de ser reparado, o Bellerophon partiu para participar no bloqueio das frotas inimigas do Canal da Mancha e do Mar do Norte. Em 1809, zarpou para o Báltico para efectuar ataques aos navios russos e,[2] em 1810, partiu, de novo, para a costa francesa, para participar em acções de bloqueio aos seus portos. Entre 1813 e 1814, prestou serviço de escolta a comboios na América do Norte, e em 1815 recebeu uma comissão para bloquear o porto atlântico francês de Rochefort. Em Julho de 1815, derrotado em Waterloo, e procurando fugir para a América através do bloqueio pelo Bellerophon, Napoleão subiu a bordo "do navio que o perseguiu durante vinte anos" para, finalmente, se render aos britânicos.[3] Foi o último serviço marítimo do Bellerophon. Quando saiu do serviço activo, foi convertido em navio-prisão em 1815,[1] e o seu nome alterado para Captivity em 1824,[1] para ceder a sua designação a outro navio. Seguiu para Plymouth em 1826, onde se manteve ao serviço até 1834, quando os últimos presos saíram. O Almirantado deu ordem para ser vendido em 1836,[1] e posteriormente desmantelado.

A longa e distinguida carreira do Bellerophon foi perpetuada na literatura e na música popular de Inglaterra, comemorando as conquistas do "Billy Ruffian".

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Adkin, Mark. The Trafalgar Companion: A Guide to History's Most Famous Sea Battle and the Life of Admiral Lord Nelson. London: Aurum Press, 2007. ISBN 1-84513-018-9.
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  • Adkins, Roy; Adkins, Lesley. Jack Tar: The Extraordinary Lives of Ordinary Seamen in Nelson's Navy. London: Abacus, 2008. ISBN 978-0-349-12034-8.
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  • Cordingly, David. Billy Ruffian: The Bellerophon and the Downfall of Napoleon: The Biography of A Ship of the Line, 1782–1836. London: Bloomsbury Publishing, 2004. ISBN 0-7475-6544-9.
  • Giles, Frank. Napoleon Bonaparte: England's Prisoner. London: Constable, 2002. ISBN 978-1-84119-599-5.
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