HMS Dreadnought (1906)

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HMS Dreadnought (1906)
HMS Dreadnougth em 1906
Carreira   Bandeira da marinha que serviu
Data de encomenda 1905
Construção HM Dockyard, Portsmouth
Lançamento 10 de Fevereiro 1906
Período de serviço 2 de Dezembro 1906
Estado Desmantelado em 1923
Características gerais
Deslocamento 18 420 t
Comprimento 160 m
Boca 25 m
Calado 8,00 m
Propulsão 25 000 hp (18 caldeiras com turbinas a vapor)
Velocidade 21 nós
Autonomia 12 260 (a velocidade de 10 nós)
Tripulação 660-790 tripulantes

O HMS Dreadnought (lê-se Drédnót) foi um encouraçado da Marinha Real Britânica, lançado ao mar em 1906. Esse lançamento constituiu-se num marco na história naval mundial, impondo um novo padrão não só aos couraçados como também para a Guerra Naval, no início do século XX.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Assim que assumiu o cargo de Primeiro Lorde do Mar Britânico (equivalente a Ministro da Marinha) em 22 de dezembro de 1904, Sir John Arbuthnot Fisher criou uma comissão de projectos altamente qualificada para iniciar, em sigilo, os trabalhos para o projecto de um novo e revolucionário couraçado, em resposta à Classe South Carolina da Marinha Norte-Americana que estava em construção, e já em substituição da nova Classe Lord Nelson, com o intuito de devolver à Inglaterra a supremacia sobre os mares: assim nascia o HMS Dreadnought.

O projecto[editar | editar código-fonte]

O HMS Dreadnought foi concebido para fazer frente à rápida expansão marítima da Alemanha e para tanto foram introduzidas diversas e revolucionárias inovações no seu projecto, sendo que uma das principais foi a adoção de turbinas a vapor em lugar dos velhos motores alternativos. O uso das turbinas a vapor em navios de guerra não era novidade para os britânicos, pois já havia dois contratorpedeiros, o HMS Viper e o HMS Cobra, e o cruzador leve HMS Amethyst que as adotavam. Os projectistas acreditavam que a velocidade poderia chegar a 21 nós com a adoção das turbinas a vapor, 3 nós a mais do que os melhores couraçados da época.

Em 3 de janeiro de 1905, a comissão de projectos reuniu-se pela primeira vez com Sir Fisher, que logo deixou bem claro o que queria em termos de projecto e como queria, não dispensando canhões de 305mm e uma maior velocidade, praticamente impondo o seu ponto de vista. Porém Sir Fisher não era exatamente um engenheiro naval e queria o seu navio revolucionário sem sequer se preocupar com os problemas de engenharia que poderiam ocorrer. Sem muitas alternativas, a comissão de projectos começou a trabalhar, mas sempre esbarrando em custos proibitivos, finalmente chegando a um consenso e as turbinas a vapor foram introduzidas no projecto no último momento e, em 22 de fevereiro, com apenas sete semanas, foi entregue a Sir Fisher um relatório contendo o mais revolucionário projecto desde o HMS Warrior. Apesar de ter sido desenhado às pressas o HMS Dreadnought possuía bem poucos erros de projecto.

A construção[editar | editar código-fonte]

O HMS Dreadnougth 2 dias após o batimento da quilha.

A encomenda do HMS Dreadnought foi a feita ao estaleiro naval de Portsmouth, e em sua construção foram adotadas várias inovações tais como o uso de chapas de aço em tamanho padrão em quase todo o casco, além de outras. Como resultado obteve-se uma considerável diminuição do peso interno.

Com o intuito de terminar o navio o mais rápido possível, uma grande quantidade de material que seria usada nos HMS Lord Nelson e HMS Agamenon foi desviada para a construção HMS Dreadnought, inclusive quatro torres de canhões de 305 mm que estavam em construção. O resultado de todo esse trabalho foi um recorde: o encouraçado, que teve sua quilha batida em 2 de outubro de 1905, uma segunda-feira, em 25 de novembro já tinha o convés sendo montado e, pouco mais de um mês após, em 28 de dezembro já tinha o casco praticamente pronto.

Em 9 de fevereiro de 1906, o HMS Dreadnought foi lançado ao mar estando completamente operacional em 1º de outubro de 1906, após um ano do inicio da construção, realmente um recorde. Desde esse momento, impôs-se como padrão em tecnologia naval, tornando todos os couraçados existentes nas marinhas de todos os países obsoletos.

O navio[editar | editar código-fonte]

Desenho do HMS Dreadnougth.

Quando incorporado, o HMS Dreadnougth tinha 160,63 metros de comprimento, 24,99 de boca e 7,92 de calado, deslocava 21 845 toneladas quando completamente carregado e com uma potência de 22 500 cavalo-vapor desenvolvia uma velocidade de 21 nós, mas chegou a fazer 22,4 nós em seus testes de mar, tendo um raio de ação de 6 620 milhas a 10 nós, e como armamento principal possuía 10 canhões de 305 mm distribuídos em 5 torres duplas[2] , alem de 27 canhões de 120 mm e 5 lançadores de torpedos. Sua tripulação era composta por 773 homens entre oficiais e marinheiros.

O HMS Dreadnought operou durante a Primeira Guerra Mundial, mas já não era a última palavra em encouraçados, pois a tecnologia naval se desenvolveu com tamanha velocidade nas primeiras duas décadas do século XX que rapidamente surgiram navios muito maiores e mais poderosos do que ele. Em consequência, o HMS Dreadnought foi desativado em julho de 1918, logo após o final do conflito, e acabou por ser vendido como sucata em 9 de maio de 1921, devido às limitações impostas pelo Tratado de Washington que dispunha a quantidade que cada marinha poderia ter de encouraçados, sendo finalmente desmontado em 1922.

Referências

  1. Gardiner, Robert, ed (1992). The Eclipse of the Big Gun: The Warship, 1906–45. Conway’s History of the Ship. London: Conway Maritime Press. ISBN 0-85177-607-8
  2. Britain 12"/45 (30.5 cm) Mark X (em inglês) NavWeaps, Naval Weapons, Naval Technology and Naval Reunions. Visitado em 25 de maio de 2012.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Archibald, E. H. H.. The Fighting Ship in the Royal Navy, AD 897–1984. Poole, Dorset: Blandford Press, 1984. ISBN 0-7137-1348-8.
  • Brooks, John. Dreadnought Gunnery and the Battle of Jutland: The Question of Fire Control. Abingdon, Oxfordshire: Routledge, 2005. vol. 32. ISBN 0-415-40788-5.
  • Brown, David K.. Warrior to Dreadnought: Warship Development 1860–1905. reprint of the 1997 ed. London: Caxton Editions, 2003. ISBN 1-84067-529-2.
  • Burt, R. A.. British Battleships of World War One. Annapolis, MD: Naval Institute Press, 1986. ISBN 0-87021-863-8.
  • Forczyk, Robert. Russian Battleship vs Japanese Battleship: Yellow Sea 1904–05. Long Island City, NY: Osprey, 2009. ISBN 978-1-84603-330-8.
  • In: Gardiner, Robert. The Eclipse of the Big Gun: The Warship, 1906–45. London: Conway Maritime Press, 1992. ISBN 0-85177-607-8.
  • Conway's All the World's Fighting Ships: 1906–1922. Annapolis, MD: Naval Institute Press, 1984. ISBN 0-85177-245-5.
  • In: Massie, Robert. Dreadnought, Britain, Germany, and the Coming of the Great War. New York and Canada: Random House, 1991. ISBN 0-394-52833-6.
  • Parkes, Oscar. British Battleships. reprint of the 1957 ed. Annapolis, MD: Naval Institute Press, 1990. ISBN 1-55750-075-4.
  • Roberts, John. The Battleship Dreadnought. Annapolis, MD: Naval Institute Press, 1992. ISBN 1-55750-057-6.
  • In: Sturton, Ian. Conway's Battleships: The Definitive Visual Reference to the World's All-Big-Gun Ships. 2nd revised and expanded ed. Annapolis, MD: Naval Institute Press, 2008. ISBN 978-1-59114-132-7.
  • Sumida, Jon Tetsuro. In Defense of Naval Supremacy: Financial Limitation, Technological Innovation and British Naval Policy, 1889–1914. London: Routledge, 1993. OCLC 28909592 ISBN 0-415-08674-4.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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