Hadramaute

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Região próxima a Sayun, no vale do Hadramaute.

O Hadramaute ou Hadramute[1] (em árabe حضرموت, AFI[Ḥaḍramawt]) é uma região história do sul da península Arábica, ao longo do golfo de Áden, no mar da Arábia, estendendo-se para leste do Iêmen à região de Dhofar, no Omã. A província de Hadramaute, na República do Iêmen, recebe o nome por estar situada nesta região.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A origem do nome Hadramaute não é conhecida ao certo. Existem diversas teorias; uma delas seria de que a região teria levado o nome de um dos apelidos de Amar bin Qahtan (em árabe: عامر بن قحطان), que significava "a morte chegou", do árabe /ḥaḍara/ ("has come") e /maut/ ("morte"), apelido que se devia ao motivo de que quando ele entrava numa batalha, muitas pessoas morriam.

Outra teoria relaciona o nome a Hazar-Mavé, presente no Livro do Gênesis (10:26) e no Livro de Crônicas (I, 1:20), na Bíblia (significando "corte da morte", de acordo com diversos dicionários bíblicos). Lá, Hazar-Mavé é o nome dum dos filhos de Joctã, um dos filhos de Sem na tabela que indica os filhos de Noé, em Gênesis 10 - representando os fundadores das nações vizinhas, como Sabá, também filho de Joctã. Como a Arábia do Sul foi uma das terras natais da subfamília linguística semítica meridional, uma origem semita para o nome é altamente improvável. Se o nome realmente refletiu alguma convenção bíblica ou pré-bíblica do Oriente Médio, esta possível origem teria de ser realmente antiga, anterior tanto ao islamismo quanto à civilização greco-romana.

Uma terceira teoria é a de que o nome teria derivado do grego υδρευματα (hydreumata), referindo-se às 'estações de água' fechadas (e frequentemente fortificadas) nos wadis. Um hydreuma, no singular, é um poço ou estação de água fortificada ao longo de uma rota de caravanas. Juris Zarins, que redescobriu no Omã a cidade que se supõe que seja Ubar, antiga capital comercial da Rota do Incenso, descreveu este sítio num entrevista para a série de televisão Nova:

O sítio que descobrimos em Shisur era um tipo de fortaleza/centro administrativo, erguido para proteger o fornecimento de água das tribos beduínas. Ao redor do sítio, até cerca de seis milhas de distância, estavam pequenas aldeias, que serviam como acampamentos de menor tamanho para as caravanas. Um interessante paralelo pode ser feito com os poços de água fortificados do Deserto Oriental no Egito, nos tempos romanos; lá, eles eram chamados de hydreumata.


Geografia[editar | editar código-fonte]

Reino do Hadramaute (em violeta) no século III d.C.

Rigorosamente, o termo Hadramaute se refere às regiões históricas dos sultanatos Qu'aiti e Kathiri, protetorados britânicos dentro do Protetorado de Áden, supervisionados pelo British Resident, de Áden, até sua abolição com a independência do Iêmen do Sul em 1967. A atual província do Hadramaute, na República do Iêmen, incorporou o antigo território dos dois sultanatos, consistindo de uma planície costeira estreita e árida, limitada pela escarpa íngreme de um amplo platô (média de 1 370 metros de altitude), com uma rede ampla de wadis (rios sazonais) profundos. A fronteira norte do Hadramaute desce até o deserto do Rub' al Khali, na Arábia Saudita.

Num sentido mais amplo, o Hadramaute também inclui o território de Mahra, a leste, até a fronteira contemporânea com o Omã. Isto engloba as atuais províncias de Hadramaute e Mahra em sua totalidade, assim como partes da província de Shabwah.

Os hadramitas vivem em cidades densamente povoadas, centradas ao redor das tradicionais estações de água ao longo dos wadis. Cultivam o trigo, milhete, tamareiras e coqueiros, além de café. No platô, beduínos criam cabras e ovelhas. A sociedade ainda é primariamente tribal, com a antiga aristocracia Seyyid, que alega descendência de Maomé, tradicional e estritamente em sua observância islâmica, altamente respeitada tanto em assuntos religiosos quanto seculares. A emigração do Hadramaute, desde o início do século XIX, estabeleceu grandes comunidades hadramitas no Sul e no Sudeste da Ásia, como por exemplo em Hyderabad, Bhatkal, Malabar, Java, Sumatra, Málaca e Singapura. O primeiro-ministro timorense, por exemplo, Mari Alkatiri, tem descendência hadramita. Os hadramitas também se estabeleceram na costa do Leste da África, e dois antigos políticos quenianos, Shariff Nasser e Najib Balala, tinham descendência hadramita.

História recente[editar | editar código-fonte]

Antiga escultura de um grifo, do palácio real em Shabwa, antiga capital do Hadramaute.

Os sultões Qu'aiti governaram a maior parte do Hadramaute, sob um protetorado britânico, o Protetorado de Áden, de 1882 a 1967, quando o Hadramaute foi anexado pelo Iêmen do Sul.

A dinastia Qu'aiti foi fundada por 'Umar bin Awadh al-Qu’aiti, da tribo Yafa’i, da Arábia do Sul, cuja riqueza e influência como jemadar hereditário do Nizam das forças armadas do Hyderabad permitiu-lhe estabelecer a dinastia na segunda metade do século XIX, ganhando o reconhecimento britânico de seu domínio na região. O governo britânico e o sultão Ali bin Salah assinaram um tratado em 1937, apontando o governo da Grã-Bretanha como "conselheiro" do Hadramaute. Os britânicos o exilaram em Áden em 1945, porém o protetorado durou até 1967.

Neste ano, a antiga colônia britânica de Áden e o antigo Protetorado de Áden, incluindo o Hadramaute, tornaram-se um estado comunista independente, a República Popular do Iêmen do Sul, posteriormente chamada de República Democrática Popular do Iêmen. O Iêmen do Sul, juntamente com o Hadramaute, se uniu ao Iêmen do Norte, em 1990, formando a República do Iêmen.

A capital e maior cidade da província iemenita do Hadramaute é o porto de Al Mukalla. A população do país tem se aglomerado nas cidades hadramitas: Al Mukalla passou de uma população de 122 400 habitantes em 1994 para 174 700 habitantes em 2003, enquanto o porto de Ash-Shahir passou de 48 600 para 69 400 habitantes no mesmo período.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]