Hamaditas
| Banu Hammad Hammaditas |
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| Mapa do emirado hamadita ca. 1100 | ||||
| Continente | África | |||
| País | Argélia | |||
| Capital | Al Qal'a (até 1090), Bugia (depois de 1090) |
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| Língua oficial | berbere, árabe | |||
| Religião | Islão sunita maliquita | |||
| Governo | monarquia | |||
| Emir | ||||
| • 1014–1028 | Hammad ibn Bologhine | |||
| Período histórico | Idade Média | |||
| • 1014 | Fundação da dinastia por secessão dos Ziridas | |||
| • 1018 | Reconhecimento pelos Ziridas | |||
| • 1052 | Primeiras incursões dos almóadas | |||
| • 1066 | Destruição do reino dos Ifrenidas | |||
| • 1102 | Vitória sobre os Almorávidas | |||
| • 1152 | Anexação pelo almóadas | |||
Os Hamaditas, Hammaditas, Hamadidas ou Banu Hammad (em árabe: بنو حماد; transl.: Banū Ḥammād; em tifinagh: ⴰⵢⵜ ⵃⴻⵎⵎⴰⴷ; transl.: Āït Ḥammād) foram uma dinastia berbere pertencentes à confederação tribal dos Sanhaja que reinou no Magrebe central (parte do que é hoje a Argélia) de 1014 a 1152. A dinastia foi fundada por Hammad ibn Bologhine por secessão da dinastia zirida devido a disputas familiares. Desapareceu a seguir à conquista do Magrebe central pelos almóadas.
Índice |
História[editar]
Hammad ibn Bologhine, filho do fundador da dinastia zirida, Bologhine ibn Ziri, declarou-se independente dos Ziridas, reconhecendo a legitimidade dos califas Abássidas de Bagdade. Em 1016, depois de pouco menos de dois anos de conflito, é concluído um acordo com os Ziridas, mas estes só em 1018 é que reconhecem a autoridade dos Hamaditas.
A capital hamadita começa por ser Al Qal'a, tendo mudado para Bugia (Béjaïa) quando foi ameaçada pelo Banu Hilal.1 Os Hamaditas tornaram Bugia uma das cidades mais prósperas do Magrebe e do Mediterrâneo e os seus palácios inspirariam a Alhambra de Granada.[carece de fontes] As incursões dos Banu Hilal, enviados pelo Califado Fatímida a partir de 1052, enfraqueceram muito a dinastia, que acabaria definitivamente com a chegada dos almóadas.
Os Hamaditas conquistaram aos Berberes Ifrenidas de Tlemcen várias cidades importantes, como Setif, Constantina e M'Sila, antes de serem atacados pelos Banu Hilal. Numa primeira fase, os Ifrenidas foram aliados políticos dos Hamaditas, mas depois aliaram-se aos Banu Hilal. O reino de Tlemcen, que tinha permanecido nas mãos dos Ifrenidas, foi conquistado por esta coligação,2 com a derrota de Abu Soda, o último emir ifrenida, em 1058.3
O terceiro sultão almorávida Yusuf ben Tasufin (r. 1071–1106) atacou os Ifrenidas, os Maghraouas e todos os Zenetas. Conquistou Salé, na costa ocidental de Marrocos, aos Ifrenidas e matou Laghouat, casando-se depois com uma das suas ex-mulheres, uma zeneta de nome Zaineb. Yusuf ben Tasufin prossegue depois com as suas conquistas a norte, tomando Fez em 1075, Tlemcen em 1080,4 que entretanto estava de novo nas mãos dos Ifrenidas, e depois Icosium (Argel).5 Os Almorávidas só pararam o seu avanço nas fronteiras dos Ziridas e dos Hamaditas,6 tendo acabado por ser derrotados pelo sultão hamadita al-Mansur (r. 1088–1105), sendo obrigados a retirar para o Maghreb el Aqsa (atual Marrocos).4
Segundo outras fontes, os Almorávidas foram vencidos pelos Hamaditas em 1102, tendo abandonado Tlemcen e Achir.7 Segundo outra versão, Nacer ibn Alennas (r. 1062–1088) matou o seu primo Bologhine, tornando-se o sultão hamadita, e reconquista Achir, N'Gaous, Miliana, Constantina, Argel e Hamza em 1063.8
Apesar dos avanços dos Banu Hilal, os reino hamadita conheceu grande prosperidade durante o reinado de al-Mansur. Este monarca reforçou as suas tropas Sanhaja e Zenetas com mercenários árabes para lutar contra os Almorávidas, a quem tomou Tlemcen em 1102 ou 1103. Reconquistou também Anaba e Constantina aos Ziridas e subjugou revoltas berberes. Depois dele, o poderio hamadita não pára de declinar. O seu filho El Aziz (r. 1105–1121 ou 1125) ainda logra conquistar Djerba e repelir os Árabes da região de Hodna, mas o seu filho Yahya (r. 1121–1152), de quem se dizia que só se interessava por caça e por mulheres, não conseguiu impedir um ataque dos Genoveses contra Bugia em 1136 e foi ainda menos capaz de travar a invasão dos almóadas que acabou com o seu reino.9
Monarcas hamaditas[editar]
| Nome | Reinado | Observações |
|---|---|---|
| Hammad ibn Bologhine | 1014–1052 | Filho do fundador da dinastia zirida, Bologhine ibn Ziri, declarou-se independente dos Ziridas |
| al-Qaid ibn Hammad | 1028–1054 | Filho de Hammad, cognominado Cherif al-Dawla ("nobreza da dinastia") |
| Muhsin ibn Qaid | 1054–1055 | Filho de al-Qaid; morto por |
| Bologhine ibn Muhammad | 1055–1062 | Primo de Muhsin, ascende ao trono matando o seu primo |
| an-Nasir ibn Alannas ibn Hammad | 1062–1088 | Primo de Bologhine ibn Muhammad, ascende ao trono matando o seu primo |
| al-Mansur ben al-Nasir | 1088–1105 | Fillho de An-Nasir |
| Badis ben Mansur | 1105–1105 | Filho de al-Mansur, morre poucos meses depois de ascender ao trono |
| Abd al-Aziz ibn Mansur | 1105–1121 | Filho de al-Mansur e irmão de Badis |
| Yahya ibn Abd al-Aziz | 1121–1152 | Filho de Abd al-Aziz, abdicou em 1152 e morreu em 1163 |
Notas e referências[editar]
- Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em francês, cujo título é «Hammadides», especificamente desta versão.
- ↑ De Maria & Turchetti 2004, p. 111
- ↑ Kaddache 1982, pp. 66
- ↑ Ibn Khaldun, p. 271
- ↑ a b Derdour 1983, pp. 210
- ↑ Rozet & Carette 1856, p. 200
- ↑ Ibn Khaldun 1852
- ↑ Godard 1860, pp. 313
- ↑ Mercier 1888
- ↑ Julien 1966, pp. 104
Bibliografia[editar]
- Bosworth, Clifford Edmund (2004) (em inglês), The New Islamic Dynasties: A Chronological and Genealogical Manual, Edinburgh University Press, pp. 389, ISBN 9780748621378, http://books.google.pt/books?id=mKpz_2CkoWEC, visitado em 7 de janeiro de 2013
- Derdour, H'sen (1983) (em francês), Annaba, vingt-cinq siècles de vie quotidienne et de luttes, 1, SNED, pp. 388, http://books.google.pt/books?id=cOlAAAAAYAAJ, visitado em 7 de janeiro de 2013
- Godard, Léon Nicolas (1860) (em francês), Description et histoire du Maroc comprenant la géographie et la statistique de ce pays d'après les renseignements les plus récents et le tableau du règne des souverains qui l'ont gouverné depuis les temps les plus anciens jusqu'à la paix de Tétouan en 1860 : comprenant la géographie, Paris: C. Tanera, pp. 312, http://books.google.fr/books?id=qAS21hs8HM4C&jtp=313, visitado em 7 de janeiro de 2013
- Govin, L. (2000), "Hammadides" (em francês), Encyclopédie berbère (Edisud) 22: 155, ISBN 9782744901270, http://encyclopedieberbere.revues.org/1645, visitado em 7 de janeiro de 2013
- Kaddache, Mahfoud (1982) (em francês), L'Algérie médiévale, Société nationale d'édition et de diffusion, pp. 187, http://books.google.pt/books?id=_SghAAAAMAAJ, visitado em 7 de janeiro de 2013
- Ibn Khaldun (1852), Slane, William MacGuckin de (trad.), ed. (em francês), Histoire des Berbères et des dynasties musulmanes de l'Afrique septentrionale par Ibn-Khaldoun, 1, Argel: Imprimerie du Gouvernement, http://books.google.pt/books?id=H3RBAAAAIAAJ, visitado em 7 de janeiro de 2013
- Ibn Khaldun (1856), Slane, William MacGuckin de (trad.), ed. (em francês), Histoire des Berbères et des dynasties musulmanes de l'Afrique septentrionale par Ibn-Khaldoun, 3, Argel: Imprimerie du Gouvernement, http://books.google.pt/books?id=T9IOAAAAQAAJ&pg=PA271, visitado em 7 de janeiro de 2013
- Julien, Charles-André (1966) (em francês), Histoire de l'Afrique du Nord: des origines à 1830, Paris: Éd. Payot, pp. 866, ISBN 9782228887892, http://books.google.pt/books?id=RQwOAQAAMAAJ, visitado em 7 de janeiro de 2013
- De Maria, Lorenza; Turchetti, Rita (2004) (em italiano), Rotte e porti del Mediterraneo dopo la caduta dell'Impero romano d'Occidente: continuità e innovazioni tecnologiche e funzionali : IV seminario, Génova: Rubbettino Editore, pp. 427, ISBN 9788849811179, http://books.google.pt/books?id=aN2Czy5X5v0C&pg=PA111, visitado em 7 de janeiro de 2013
- Mercier, Ernest (1888) (em francês), Histoire de l'Afrique septentrionale (Berbérie) depuis les temps les plus reculés jusqu'à la conquête français (1930), 1, Ernest Leroux, http://books.google.fr/books?id=FTpbAAAAQAAJ, visitado em 7 de janeiro de 2013
- Rozet, Claude Antoine M.; Carette, Ernest (1856) (em francês), Algérie, Paris: Firmin Didot Frères, pp. 735, http://books.google.fr/books?id=aTsQAAAAYAAJ&pg=PA200&dq=almoravides++alger, visitado em 7 de janeiro de 2013
- Sourdel, Janine; Sourdel, Dominique (2004) (em francês), Dictionnaire historique de l'Islam, Quadrige, Paris: Presses Universitaires de France, p. 333, ISBN 9782130545361