Hamburgo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Freie und Hansestadt Hamburg
Cidade Livre e Hanseática de Hamburgo
Bandeira civil
Flag of Hamburg.svg
Bandeira estatal
Coat of arms of Hamburg.svg
Brasão
Grosses Staatswappen Hamburg.png
Dados estatísticos
Área 755 km²
População 1 734 830 hab. (31/12/2004)
Densidade populacional 2 297,8 hab./km²
Sítio oficial www.hamburg.de
ISO 3166-2 DE-HH
Dados políticos
Ministro-presidente Olaf Scholz (prefeito) (SPD)
(desde 7 de março de 2011)
Partido no poder SPD
Mapa - Localização de Hamburgo
Deutschland Lage von Hamburg.svg
Localização do Estado de Hamburgo na Alemanha

A Cidade Livre e Hanseática de Hamburgo (em alemão: Freie und Hansestadt Hamburg, ou apenas Hamburg; em baixo-alemão Hamborg, AFI: [ˈhaˑmbɔːχ]) é uma cidade-estado (Stadtstaat) localizada no norte da Alemanha, nas margens do Rio Elba. Em 31 de dezembro de 2004, possuía 1 734 830 habitantes sobre 755,33 km², o que a faz a segunda maior do país e a oitava da União Europeia. A "Região Metropolitana de Hamburgo" tinha em 1997 4 014 800 habitantes. O porto é um dos maiores do mundo e, segundo estimativas, ultrapassará Rotterdam como o principal da Europa. A cidade é também um centro industrial de grande importância. Situa-se entre os estados (Bundesländer) de Schleswig-Holstein e Baixa Saxônia.

Além de cidade-estado (Stadtstaat), cidade com estatuto de estado, Hamburgo é também uma cidade independente (Kreisfreie Stadt) ou distrito urbano (Stadtkreis), ou seja, possui estatuto de distrito (Kreis).

História[editar | editar código-fonte]

Mapa de Hamburgo em 1800.

O primeiro mandato da atual cidade está em Cláudio Ptolomeu relatórios Treva.

Hamburgo foi assim denominada devido à primeira construção permanente no local, um castelo construído por ordem do Imperador Carlos Magno no ano 808. O castelo foi construído em um leito rochoso no pântano entre os rios Alster e Elba como defesa contra incursões eslavas. O castelo foi denominado Hammaburg, onde "burg" significa "castelo". A palavra "Hamma" é de origem incerta, no alto-alemão antigo hamma significa tanto “ângulo” quanto “pastagem". O ângulo podia se referir a um pedaço de terra ou a uma curva do rio. Entretanto, a língua ali falada possivelmente era o alto-alemão antigo, pois o baixo-saxão foi ali falado posteriormente. Outras teorias sustentam que o castelo recebeu o nome da vizinha floresta de Hamma, ou da vila de Hamm, posteriormente incorporada à cidade. Hamm como nome de localidade é comum em alemão, porém o seu significado preciso é igualmente incerto.

Em 834 Hamburgo foi designada sede de um bispado, cujo primeiro bispo, Ansgar, tornou-se conhecido como o Apóstolo do Norte. Em 845 uma frota de 600 navios vikings subiu o rio Elba e destruiu Hamburgo, na época um povoado de cerca de 500 habitantes. Dois anos depois, Hamburgo foi unida ao Arcebispado de Bremen como Bispado de Hamburgo-Bremen.

Em 983, a cidade foi destruída pelo Rei Mstivoj de Obodrites. Em 1030, a cidade foi incendiada pelo Rei Miecislau II da Polônia. Depois de outros ataques em 1066 e 1072 o Bispado mudou-se definitivamente para Bremen. Hamburgo sofreu vários incêndios de grande porte, principalmente os de 1284 e 1842.

Uma carta de 1189 do Rei Frederico I, o "Barba Ruiva" deu a Hamburgo o status de Cidade Livre Imperial e acesso livre de impostos do baixo Elba até o Mar do Norte. Esta carta, assim como a proximidade da cidade em relação às principais rotas de comércio dos mares do Norte e do Báltico, rapidamente tornaram-na um importante porto do norte da Europa. Sua aliança com Lübeck em 1241 marca o surgimento da liga de cidades comerciais conhecida como Liga Hanseática.

Em 1529 a cidade adotou o Luteranismo, e Hamburgo logo recebeu refugiados protestantes dos Países Baixos e da França. Hamburgo estava na época sob soberania dinamarquesa, ainda que pertencendo ao Sacro Império Germânico como Cidade Livre Imperial.

Anexada durante curto período por Napoleão I (181014), Hamburgo sofreu consideravelmente durante sua última campanha na Alemanha, porém conseguiu unir forças para lutar contra ele, a Milícia dos Cidadãos de Hamburgo e a Legião Hanseática. A cidade foi sitiada por mais de um ano por forças aliadas (principalmente russas, suecas e alemãs). As forças russas, sob o comando do general Bennigsen finalmente libertaram a cidade em 1814. Durante a primeira metade do século XIX surgiu, principalmente na poesia [romantismo|romântica]] uma deusa padroeira com o nome latino de Hamburgo, Hammonia, Harmonia tornou-se o símbolo do espírito da cidade nesta época.

Área central de Hamburgo Jungfernstieg junto ao rio Alster, em 1900.
Vídeo do bombardeio de Hamburgo pelos Aliados.

Em 1842, cerca de 1/4 da cidade foi destruída por um grande incêndio, que se iniciou na noite de 4 de maio e só foi extinto a 8 de maio daquele ano. O incêndio destruiu três igrejas, a prefeitura, e inúmeros outros prédios. Morreram 51 pessoas, e cerca de 20 000 ficaram desabrigadas. A reconstrução da cidade demorou mais de 40 anos.

Hamburgo experimentou seu mais rápido crescimento durante a segunda metade do século XIX quando a população mais do que quadruplicou, chegando aos 800 mil habitantes, à medida que o comércio marítimo transformou-a no terceiro maior porto da Europa.

Tendo Albert Ballin como seu diretor, a empresa Hamburg-America se tornou a maior empresa de navios transatlânticos do mundo na virada do século, e Hamburgo também se tornou sede de empresas que faziam linhas para a América do Sul, África, Índia e Extremo Oriente. Hamburgo tornou-se uma metrópole cosmopolita baseada no comércio mundial. Era também o porto para a maioria dos alemães e europeus do leste que emigravam para o Novo Mundo, e se tornou lar de comunidades comerciais de todo o mundo (como uma pequena Chinatown em Altona, Hamburg).

Em 1903, surgiu ali o primeiro clube no mundo dedicado ao naturismo, o Freilichtpark,[1] aberto por Paul Zimmermann. Estava situado junto a um lago no sul da cidade formado pelo rio Alster, junto a uma praia fluvial.

Em 1938 os limites da cidade foram ampliados com o Groß-Hamburg-Gesetz ou Ato da Grande Hamburgo, que incorporou Wandsbek, Harburg, Wilhelmsburg e Altona ao seu perímetro.

Durante a Segunda Guerra Mundial Hamburgo sofreu uma série de bombardeios devastadores, que mataram 42 000 civis. Por causa disto, e devido às novas diretrizes do zoneamento urbano da década de 1960, o centro da cidade perdeu muito de sua antiga arquitetura. De 1938 a 1945 um campo de concentração nazista foi estabelecido no distrito de Neuengamme. Alguns de seus prédios foram preservados, e o local hoje serve de memorial.

Após a Segunda Guerra Mundial a Alemanha perdeu as suas colônias e Hamburgo perdeu muitas de suas rotas comerciais. A Cortina de Ferro — apenas 50 km a leste da cidade — separou-a de muitas de suas rotas de acesso por terra, e assim reduziu seu comércio total. A 16 de fevereiro de 1962 uma severa tempestade no Mar do Norte causou uma rápida elevação do leito do Elba, inundando 1/5 da cidade e matando mais de 300 pessoas.

Após a reunificação alemã em 1990 e o acesso de alguns países do Báltico e do Leste Europeu à União Europeia em 2004, o porto de Hamburgo e a cidade passaram a ambicionar o retorno ao seu antigo prestígio, como o maior porto de águas profundas da região para navios transportadores de contentores, e o principal centro de comércio da região.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Hamburgo localiza-se no ponto mais ao sul da Península da Jutlândia, diretamente entre a Europa continental ao sul, a Escandinávia ao norte, o Mar do Norte a oeste e o Mar Báltico a leste. Hamburgo fica no ponto onde o rio Elba encontra os rios Alster e Bille. A área central da cidade situa-se em volta do ‘’Binnenalster’’ ("Alster interior") e o ‘’Außenalster’’ ("Alster exterior") sendo ambos lagos formados pelo rio Alster. A ilha de Neuwerk e duas outras ilhas no Mar do Norte também fazem parte de Hamburgo, e formam o Parque Nacional Marítimo Hamburgo Wadden.

No distrito de Neugraben-Fischbek está o ponto mais alto de Hamburgo, o Hasselbrack, de 116,2 metros.[2]

Paisagem urbana[editar | editar código-fonte]

Quarteirão Neustadt.
O Speicherstadt à noite.

Hamburgo tem importantes exemplos de arquitetura em prédios de variados estilos. Há apenas uns poucos arranha-céus. Igrejas como a de São Nicolau, o mais alto edifício do século XIX, são importantes marcos. No horizonte de Hamburgo vislumbram-se as cúpulas das principais igrejas (Hauptkirchen) (São Miguel, São Pedro, São Tiago e Santa Catarina) cobertas por grandes telhados de cobre.

Os muitos canais de Hamburgo são cruzados por mais de 2500 pontes, mais do que Amsterdão e Veneza somadas. Hamburgo tem mais pontes em seu perímetro urbano que qualquer outra cidade no mundo. As pontes Köhlbrandbrücke, Freihafen Elbbrücken e Lombardsbrücke são importantes vias de tráfego. O norte e o sul da cidade também são conectados por túneis, destacando-se o túnel sobre o Elba construído em 1911 (hoje um ponto turístico) e o túnel sobre o Elba de 1975, que é parte da via expressa Bundesautobahn 7.[3]

A prefeitura é um edifício neo-renascentista ricamente decorado e concluído em 1896. Com sua torre de 112 metros de altura, é o mais alto edifício-sede de prefeitura da Europa. Em sua fachada há imagens dos imperadores do Sacro Império Romano-Germânico, pois Hamburgo, como Cidade Livre Imperial, esteve sob sua soberania.[4] O edifício Chilehaus, de 1922 tem a forma de um navio transatlântico, e foi desenhado pelo arquiteto Fritz Höger.

A contribuição dos hamburgueses na formação do Brasil[editar | editar código-fonte]

Christian Mathias Schroeder foi um senador hamburguês que muito investiu financeiramente (visando lucros) por volta dos meados do século XIX no desenvolvimento da colônia Dona Francisca, que hoje é conhecida como a cidade de Joinville, localizada no estado de Santa Catarina, no sul do Brasil.

O município de Schroeder, uma cidade vizinha de Joinville, obteve seu nome a partir do nome do acionista hanseático acima citado. Portanto, Christian Mathias Schroeder faz parte da própria história de Santa Catarina e do Brasil.

Vale notar que muitos alemães de oriundos da cidade de Hamburgo e, inclusive de outras regiões vizinhas do norte da Alemanha, imigraram para o Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, etc.). Algumas das características singulares deste povo que contribuíram ao Brasil foram a sua religiosidade (principalmente o luteranismo), o seu idioma pomerano, também chamado de Plattdüütsch (ou de Plattdeutsch no alemão oficial) e a sua incansável industrialidade, seja no meio agrícola ou citadino.

A cidade de Novo Hamburgo inicialmente se chamou Hamburger Berg (Morro dos Hamburgueses), a qual mais tarde viria a se denominar Hamburgo Velho. Quando os engenheiros britânicos construíram a primeira estrada de ferro do estado do Rio Grande do Sul em 1876, a qual partia da capital estadual, Porto Alegre, passando a uns três quilômetros de Hamburger Berg, um novo núcleo populacional hamburguês se formou no local, Neue Hamburg (em alemão), ou seja, Novo Hamburgo......

Referências

  1. Richard Ungewitter (German author) - Britannica Online Encyclopedia
  2. Geologisches Landesamt Hamburg (Departamento de geologia de Hamburgo)
  3. Hamburger Abendblatt: Elbe ohne e - Buchstaben fallen weg 10 de agosto de 2002 http://www.abendblatt.de Acessado 11 de agosto de 2008
  4. Eike Manfred Buba: Auf dem Rathausmarkt 1998 Hamburgo website Acessado a 13 de agosto de 2008 (em alemão)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Jorun Poettering, Handel, Nation und Religion. Kaufleute zwischen Hamburg und Portugal im 17. Jahrhundert, Göttingen, Vandenhoeck & Ruprecht, 2013, 978-3-525-31022-9.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Hamburgo