Hatha Yoga Pradipika

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Hatha Yoga Pradipika (em sânscrito, हठयोगप्रदीपिका) é uma obra escrita por Svātmārāma. Não se sabe, ao certo, a data em que a Hatha Yoga Pradipika foi escrita. Alguns autores consideram que seria do século XIV, outros a situam nos séculos XV ou XVI [1] [2] . É também conhecida pelo nome Hatha Pradipika. É uma das mais conhecidas e influentes obras sobre o Haṭha Yoga indiano tradicional, cujos fundadores foram Matsyendra e Gorakṣa. A palavra sânscrita dipika significa luz, lamparina ou lâmpada,[3] por isso o título desta obra indica que ela ilumina ou lança uma luz sobre o Haṭha Yoga.

Não se trata de um manual didático sobre o Yoga que é ensinado normalmente nas academias ocidentais, e sim um tratado a respeito das práticas mais profundas desenvolvidas no antigo Haṭha Yoga indiano, cujo objetivo era a transformação psicofísica completa do praticante e sua libertação espiritual. Há outros textos tradicionais do Haṭha Yoga indiano que foram conservados e que também são considerados muito importantes, como o Gorakṣa Śataka, a Gheraṇḍa Saṁhitā e a Śiva-Saṁhitā, para citar alguns dos mais conhecidos.

Nele existe a integração das práticas físicas com as metas espirituais (éticas) do yoga e integrá-lo às práticas do raja yoga. Sua popularidade é tanta que ainda hoje surgem obras técnicas tentado desvendar seus mistérios ou comentá-lo.

Dentre os autores hindus que ornaram suas obras em sânscrito com comentários da obra estão:

O mais conhecido entre eles é o Jyotsna de Brahmánanda.

Conteúdo[editar | editar código-fonte]

A Hatha Yoga Pradipika compreende quatro partes com 389 sutras ou aforismos (provérbios) (por ser um texto muito antigo existem versões com mais ou menos sutras, sendo este número uma média).

Alguns manuscritos apresentam um capítulo adicional com vinte e quatro sutras, mas até agora o mesmo é considerado de data posterior aos demais sutras pelos termos utilizados e sua forma de grafia do sânscrito.

O conteúdo dessas quatro partes ou capítulos é o seguinte:[4]

O primeiro apresenta informações gerais sobre o Haṭha Yoga, que é considerado como uma preparação para o Rāja Yoga; descreve os mestres que transmitiram a tradição do Haṭha Yoga, começando com Ādi Nātha, o mestre primordial, que é identificado à divindade Śiva; apresenta instruções sobre as condições necessárias para a prática intensiva do Haṭha Yoga, incluindo restrições alimentares; e descreve um conjunto de posturas, ou asanas.

O segundo capítulo desta obra apresenta dois tipos diferentes de purificação do yogin, através de uma prática de respiração chamada nāḍīśodhana, isto é, purificação das nāḍīs e de seis processos chamados coletivamente ṣaṭkarmaṇi; depois trata sobre o controle da respiração e sua retenção, ou prāṇāyāma, expondo também as técnicas de contração da garganta, do abdômen e da base do tronco, chamadas de bandhas. A palavra sânscrita bandha significa amarra, união, prisão, laço, corrente. Também pode significar prender, contrair, unir, combinar, juntar, amarrar, aprisionar [5] .

A terceira parte da obra se refere à kuṇḍalinī, o poder fundamental que fica normalmente adormecido no cakra inferior e que deve ser despertado para produzir a transformação do yogin; trata sobre os poderes especiais, ou siddhis, que podem ser obtidos pelo praticante; e descreve práticas chamadas mudrās. Essas práticas, altamente complexas, envolvem posturas especiais, técnicas de respiração, visualizações e contrações (bandhas). Nesses casos, pode-se traduzir mudrā por fechamento, fecho ou tampa. Elas têm por objetivo preservar o bindu, ou ativar kuṇḍalinī e produzir seu movimento ascendente [6] . As mudrās ensinadas nos textos de Haṭha-Yoga têm a finalidade de atuar sobre kuṇḍalinī, ou controlar e preservar o bindu, que é o poder gerador, às vezes identificado com o sêmen [7] . Não se deve confundir essa técnica com os gestos especiais feitos com as mãos, também chamados mudrās.

Por fim, o quarto capítulo apresenta o Laya Yoga; explica o estado de união ou samādhi e descreve métodos para atingi-lo; trata sobre o som sutil ou nāda e sobre práticas nas quais se ouve esse som que não é produzido por nenhum objeto material; e indica o objetivo final do Yoga, que é a libertação ou mokṣa, pela qual o praticante escapa do ciclo de nascimentos e mortes.

Traduções[editar | editar código-fonte]

A Hatha Yoga Pradipika tornou-se conhecida no ocidente no final do século XIX. Foi traduzida para o inglês por Śrīnivāsa Iyangār (ou Jayangār) em 1893 e para o alemão, no mesmo ano, por Herman Walter. Uma das traduções para o inglês mais conhecida (de domínio público) é a que foi publicada em 1915 por Pañcam Sinh [8] . Desde então, tem sido traduzida para vários idiomas, seja diretamente a partir do original em sânscrito, seja a partir das traduções em inglês, que foram vertidas para o espanhol e para o português e que podem ser encontradas na Internet. Há uma tradução para o português, acompanhada pelo texto em sânscrito, com extensos comentários [9] .

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Veja também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Mallinson (2011), p. 772
  2. Larson & Bhattacharya (2008), p. 11
  3. Monier-Williams (1979), p. 481
  4. Martins (2014), pp. 8-15
  5. Monier-Williams (1979), p. 720
  6. Mallinson (2011), p. 771
  7. Mallinson (2011), p. 778
  8. Briggs (1938), p. 253
  9. Martins (2014)

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • BRIGGS, George Weston (1938). Gorakhnāth and the Kānphaṭa yogis. Calcutta: Y. M. C. A. Publishing House.
  • LARSON, Gerald James; BHATTACHARYA, Ram Shankar (eds.) (2008). Yoga: India's philosophy of meditation (Encyclopaedia of Indian Philosophies, vol. XII). Delhi: Motilal Banarsidass.
  • MALLINSON, James (2011). Haṭha Yoga. Vol. 3, pp. 770-781, in: JACOBSEN, Knut A.; BASU, Helene; MALINAR, Angelika; NARAYANAN, Vasudha (eds.). Brill’s encyclopedia of Hinduism. 5 vols. Boston: Brill.
  • MARTINS, Roberto de Andrade (2014). Uma luz sobre o Haṭha-Yoga. Tradução comentada da Hatha-Yoga-Pradipika. São Paulo: Shri Yoga Devi.
  • MONIER-WILLIAMS, Monier (1979). Sanskrit-English dictionary. Oxford: Clarendon Press.


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