Heinrich Cornelius Agrippa von Nettesheim

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Heinrich Cornelius Agrippa von Nettesheim

Heinrich Cornelius Agrippa von Nettesheim (Colônia, 14 de Setembro de 1486Grenoble, 18 de Fevereiro de 1535) foi um intelectual polemista e influente escritor do esoterismo da Renascença. Interessou-se pela magia, ocultismo, alquimia, astrologia e demais curiosidades esotéricas. Pelo que deixou escrito, é considerado o primeiro intelectual feminista. Esteve ao serviço de Maximiliano I devotando o seu tempo ao estudo das ciências ocultas. Foi citado por Mary Shelley em Frankenstein, e no conto O Mortal Imortal surge como uma das personagens.

Cornelius Agrippa foi o autor do livro mais abrangente e mais conhecido sobre magia e todas as artes ocultas: De occulta philosophia libri tres / Três Livros de Filosofia Oculta. Mais para o fim da sua vida voltou-se contra as curiosidades e práticas esotéricas, mas também contra as mais respeitáveis e estabelecidas formas de conhecimento científico: De incertitudine et scientiarum vanitate et Artium, atque Excellentia Verbi Dei, declamatio invectiva. Uma declamação invectiva sobre a incerteza e vanglória das ciências, 1526. Proclamou-se a favor do cepticismo e da simples devoção fideísta. Em 1529 escreve: De Nobilitate e Praecellentia Foeminei Sexus, onde argumenta que o sexo feminino é superior e não meramente igual ao masculino. [1]

Em seu próprio século, foi muitas vezes denunciado como perigoso e herético. De occulta philosophia foi muito lida por estudantes dos mais recônditos e menos respeitáveis ramos da filosofia natural e ciências ocultas. Alguns deles buscaram alternativas para a filosofia aristotélica natural ensinada nas universidades. Outros procuraram caminhos menos convencionais, como o sucesso em operações alquímicas ou a capacidade de usar segredos mágicos para controlar tanto o mundo natural como o mundo dos espíritos. É intrigante como este autor assumiu posições tão antagónicas. Inicialmente muito crédulo em relação à magia, alquimia e astrologia, e posteriormente um grande céptico, incluindo em relação ao seu próprio trabalho mágico.

Cornelius Agrippa fornece uma demonstração clara da grande agitação intelectual que se tinha apoderado dos humanistas da Renascença, ao recuperarem as obras dos antigos. Isto incluía não apenas os autores clássicos considerados "respeitáveis" pelos modernos, mas também um vasto corpo de antigos (ou pseudo-antigos) textos que alegadamente ofereciam a sabedoria das origens, de uma alegada civilização humana chamada prisca theologia. Eram textos herméticos do antigo Egito, Oráculos Caldeus, escritos de Zaratustra, ensinamentos atribuídos a Pitágoras e supostamente repassado dele para Platão e seus seguidores. Agrippa foi um dos principais especialistas de seu século sobre este tipo espiritual e teosófico da sabedoria antiga.

Obras de Cornelius Agrippa[editar | editar código-fonte]

  1. Opera, 2 volumes, Lyons, por Fratres Beringos. A impressão desta edição é obviamente falso (a firma de Bering tinha deixado muito antes de publicar qualquer data provável da publicação. Havia várias reimpressões, com conteúdos que variavam, mas todos com a inscrição falsa.
  2. De incertitudine et scientiarum vanitate declamatio invectiva. Colónia, 1531. Primeira edição: Antuérpia, l530.
  3. De occulta philosophia libri três.
  4. De occulta philosophia libri tres, ed. por Vittoria Perrone Compagni. Leiden: EJ Brill, 1992. Esta edição crítica incorpora o texto inicial apresentado ao Trithemius em 1510, bem como o texto maduro impresso em 1531 e 1533. Inclui Introdução valiosa Perrone Compagni e extensas anotações e índices.
  5. De nobilitate et praecellentia foeminei sexus, a crítica édition d'après le texte d'Anvers 1529, editado por R. Antonioli e Bene C.; traduzido por O. Sauvage. Genebra: Librairie Droz, 1990. Declamação sobre a Nobreza e preeminência do sexo feminino , traduzido e editado com uma introdução ("Agrippa ea Tradição Feminista", 3-37) por Albert Rabil, Jr. Chicago: University of Chicago Press, 1996.
  6. Dialogus de homine, ed. por Paola Zambelli. Rivista di storia della critica Filosofia 13 (1958): 47-71.

Referências

  1. Thomas Mautner. Dicionário de filosofia, Edições 70, 2010

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Charles Nauert, 2011. Stanford Encyclopedia of Philosophy [1] [2]