Helena Almeida

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Helena Almeida
Nome completo Maria Helena de Castro Neves de Almeida
Nascimento 1934 (80 anos)
Nacionalidade Portugal portuguesa
Ocupação Artista plástica

Helena Almeida (Lisboa, 1934 — ), é uma artista plástica portuguesa [1] .

Biografia / Obra[editar | editar código-fonte]

Pintura habitada, 1975, acrílico sobre foto a preto e branco, 46 x 52 cm

Filha do escultor Leopoldo de Almeida (1898 - 1975) Helena Almeida nasce em Lisboa em 1934. Em 1955 termina o curso de pintura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa; já então casada com o arquiteto Artur Rosa [2] e mãe de dois filhos, irá dedicar os anos imediatos às tarefas familiares. Em 1964 obtém uma bolsa de estudos e desloca-se a Paris.

Expõe individualmente pela primeira vez em 1967 (Galeria Buchholz, Lisboa), apresentando trabalhos que revelam já alguns traços da obra futura; nessas suas pinturas tridimensionais, inverte as componentes físicas da pintura ("o que estava virado para a frente era o gradeamento e a estrutura de madeira"), adicionando-lhes "uma série de elementos tridimensionais – estore, portada". Estamos assim, desde o início, "perante um exercício crítico" através do qual "desmonta a estrutura lógica e a perceção da pintura" [3] .

Informado pelos princípios da arte concetual, esse "exercício crítico" irá extravasar para além do território restrito da pintura e do desenho, realizando-se numa prática multidisciplinar articulada primeiramente com o suporte fotográfico ("a fotografia é a placa central do seu discurso" [4] ), mas que se cruza identicamente com a performance e a escultura.

A partir de 1969 Helena Almeida define um novo aspeto nuclear da sua obra, o desejo de autorrepresentação, "o desejo de que a pintura e o desenho se tornem corpo, de que se anule a distância entre corpo e obra". No início da década de 1970 interroga o desenho, que se torna em "balão de ensaio do que estava para vir". A utilização de fio de crina permite-lhe "tornar o traço tridimensional e fazer com que o desenho salte do papel, se autonomize da superfície". O questionamento estende-se depois à pintura, materializada agora através de manchas azuis ou vermelhas que se independentizam, preenchendo a boca, espalhando-se (ou sendo espalhadas) pelas mãos… Nas suas Pinturas habitadas de 1975-77 a pintura "agarra-se com as mãos, entra pela boca ou derrama-se numa lágrima. Em 1976 a artista afirmava: «creio estar perto da verdade se disser que pinto a pintura e desenho o desenho»" [5] .

Voar (fragmento), 2001, 4 fotografias, 124 x 180 cm

A partir de 1975 fotografia, pintura e desenho conjugam-se numa prática artística que se constrói "nos limiares de todas essas disciplinas, criando a sua própria linguagem e com o corpo da artista como primeiro suporte de intervenção plástica" [6] . No entanto em nenhum caso poderá falar-se de autorretrato – estas obras "nada nos dizem sobre o corpo concreto ou a natureza psicológica da artista" [7] –, nem de teatralização ou encenação de outros personagens.

Se a pintura e o desenho são essenciais para o entendimento do trabalho de Helena Almeida nas décadas de 1970 e 1980, "a escultura e a performance são as linguagens a que devemos recorrer" para pensar muitas das obras posteriores onde se foca na "relação entre o corpo e o espaço, nomeadamente o espaço do seu ateliê" [8] . É o que acontece em Dentro de mim, 2001, em que cola um espelho estreito, vertical, ao seu corpo, afirmando "o desejo de que o corpo se prolongue, que saia e ultrapasse os seus limites físicos", ou na série Voar, do mesmo ano, onde arrisca uma vez mais "a relação entre o seu corpo e o espaço, de modo simultaneamente irónico e lúdico. O desejo de ultrapassar os limites físicos está novamente presente, mas agora é este próprio desejo que é submetido a um exercício de autocrítica ou autoironia" [9] .

"Ando em círculo; os ciclos voltam. O trabalho nunca está completo, tem de se voltar a fazer. O que me interessa é sempre o mesmo: o espaço, a casa, o teto, o canto, o chão; depois, o espaço físico da tela, mas o que eu quero é tratar de emoções. São maneiras de contar uma história" [10] .

Exposições / Prémios[editar | editar código-fonte]

Exposições individuais[editar | editar código-fonte]

Helena Almeida representou Portugal na Bienal de São Paulo, Brasil (1979), na Bienal de Veneza (1982 e 2005) e na Bienal de Sidney (2004).

Do seu vasto currículo de exposições individuais em Portugal e no estrangeiro, podem destacar-se: Musée Charleroi, Bélgica (1991); Fundação de Serralves, Porto (1995); Centro Galego de Arte Contemporânea, Santiago de Compostela (2000); MEIAC, Museu Estremenho e Ibero-americano de Arte Contemporânea, Badajoz (2000); Drawing Art Centre, Nova Iorque (2004); Centro Cultural de Belém, Lisboa (2004).

E ainda: Galeria Buchholz, Lisboa (1967, 68, 69); Galeria Quadrante, Lisboa (1970); Galeria Judite Dacruz, Lisboa (1971); Galeria Módulo, Porto (1972, 76); Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa (1972, 76); Galerie e+o Friedrich, Bern (1978, 80); Galerie Bama, Paris (1978, 81); Galeria EMI Valentim de Carvalho, Lisboa (1985, 90); Galerie Kara, Génova (1986); Cooperativa Diferença, Lisboa (1988); Richard Demarco Gallery, Edimburgo (1989); Casa D’América, Madrid (1997); Galeria Presença, Porto (1998, 2002); Galeria Estrany de la Mota, Barcelona (2000); Thomas Erben Gallery, Nova Iorque (2001); Galeria Filomena Soares, Lisboa (2001); Galeria Helga Avelar, Madrid (2001); etc.

Prémios[editar | editar código-fonte]

Obteve vários prémios, de onde podem destacar-se: 1º Prémio de Desenho, Coimbra, 1969; Prémio da 11ª Bienal de Tóquio; Prémio da Bienal de Vila Nova de Cerveira, 1984; Prémio da Fundação Calouste Gulbenkian, 1984; Prémio BESphoto, 2004; Prémio AICA, 2004.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa – Helena Almeida
  2. Artur Rosa está indissociavelmente ligado à obra de Helena Almeida, na medida em que é ele que faz todos os registos fotográficos. Carlos, Isabel – Helena Almeida: Dias quase tranquilos. Lisboa: Editorial Caminho, 2005, p. 9.
  3. Carlos, Isabel – Helena Almeida: Dias quase tranquilos. Lisboa: Editorial Caminho, 2005, p. 6, 7. ISBN 972-21-1698-3
  4. Pinharanda, João – Comunidade e diferença: seis artistas portugueses contemporâneos. In: A.A.V.V. (org. João Pinharanda) – De dentro: 6 Contemporary Artists. Lisboa: Instituto Camões, 2006.
  5. Carlos, Isabel – Helena Almeida: Dias quase tranquilos. Lisboa: Editorial Caminho, 2005, p. 13.
  6. Carlos, Isabel – Helena Almeida: Dias quase tranquilos. Lisboa: Editorial Caminho, 2005, p. 15.
  7. Carlos, Isabel – Helena Almeida. In: A.A.V.V. (org. João Pinharanda) – De dentro: 6 Contemporary Artists. Lisboa: Instituto Camões, 2006.
  8. Carlos, Isabel – Helena Almeida. In: A.A.V.V. (org. João Pinharanda) – De dentro: 6 Contemporary Artists. Lisboa: Instituto Camões, 2006.
  9. Carlos, Isabel – Helena Almeida: Dias quase tranquilos. Lisboa: Editorial Caminho, 2005, p. 26.
  10. Helena Almeida, citada em: Carlos, Isabel – Helena Almeida: Dias quase tranquilos. Lisboa: Editorial Caminho, 2005, p. 13.