Helena Ignez

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Helena Ignez
Helena Ignez, em cena do filme O Padre e a Moça (1976).
Nascimento 23 de maio de 1942 (69 anos)
Salvador, BA
Outros prêmios
Festival de Brasília
1966: Melhor atriz, por O Padre e a Moça
1969: Melhor atriz, por A Mulher de Todos.
IMDb: (inglês) (português)

Helena Ignez (Salvador, 23 de maio de 1942[1]) é uma atriz brasileira.

Helena nem imaginava ser atriz, quando, já em seu segundo ano do curso de Direito, assistiu a uma peça teatral e encantou-se com a atuação de um grupo de jovens atores. Vislumbrou, então, a possibilidade de dar novos rumos à sua vida. Para desespero de sua família, abandonou a faculdade e matriculou-se no curso de Arte Dramática da Universidade Federal da Bahia.

Surgiu no teatro baiano em um momento extremamente vanguardista, de rompimento total com a parte mais provinciana do teatro brasileiro. Trabalhou com diversos mestres das artes cênicas, até mesmo com diretores da Broadway. Tudo isso representava uma grande inovação para a época e, logo em sua primeira aparição no cinema, ela foi dirigida por Glauber Rocha - que dispensa observações a respeito do quesito "vanguarda".

Falar do Cinema Marginal sem falar de Helena Ignez seria o mesmo que ignorar a importância de Rogério Sganzerla ou Júlio Bressane no movimento. Helena Ignez é um ícone do Cinema Marginal tão importante quanto os demais pioneiros do movimento. Helena Ignez criou um novo estilo de atuar: debochado, extravagante, a violência feminina. Antes de A mulher de todos, possivelmente, não havia um outro filme que apresentasse com uma força tão grande a presença da mulher.

Índice

[editar] De "mulher do padre" a "mulher de todos"

Helena conheceu Glauber na UFBA, onde ele cursava Direito. Viram-se pela primeira vez quando ele debochava da atuação de um ator que interpretava Castro Alves. Conheceram-se pessoalmente quando Helena foi buscar um par de brincos de jade que ganhara de um banqueiro, como prêmio por vencer o concurso de Glamour Girl. Nesse primeiro contato, acabou encontrando o jovem que queria fazer cinema. O tal banqueiro prometeu patrocinar o filme e entrou com a quantia de dez mil dólares. Foi a estréia tanto de Glauber quanto de Helena no cinema, com o curta-metragem O pátio, de 1959.

Helena e Glauber se casaram e tiverem uma filha, a atriz Paloma Rocha, mas se separaram poucos anos depois.

Depois de participar de filmes de sucesso como A grande feira (1961), Assalto ao trem pagador (1962) e O padre e a moça (1966), foi a São Paulo interpretar "Janete Jane", em O bandido da luz vermelha, de Rogério Sganzerla. A partir de então, Helena Ignez passa a ser uma personalidade essencial para o Cinema Marginal - tanto na frente quanto por trás das câmeras - tendo contribuído financeiramente com as produções da Belair, produtora fundada em parceria com Rogério Sganzerla e Júlio Bressane, que concebeu importantes filmes do udigrudi.

Helena e Rogério se casaram e tiveram dois filhos, a compositora Sinai Sganzerla e a atriz Djin Sganzerla. Talvez, essa união seja uma das mais importantes para o cinema nacional. Como afirma o crítico de cinema Ruy Gardnier, "tudo o que o corpo-de-atriz Helena Ignez esperava para se tornar deparou-se com tudo que o gesto-de-diretor de Sganzerla gostaria de exprimir, e nasceu daí uma parceria artística e existencial decisiva". A partir de então, praticamente todos os filmes dirigidos por Sganzerla contaram com a participação de sua esposa.

De 1968 a 1970, chegou a fazer de dez a doze filmes. Em 1972, ocorreu uma guinada na sua vida e ela foi filmar na Europa, Estados Unidos e África, onde fez um super-8 sem título. Nesse período, Helena viajou muito e chegou a morar em um templo, mas não se afastou do teatro. Dava aula, dirigia e se apresentava tanto fora quanto dentro do Brasil.

Da atuação de gestos simples, contidos de O padre e a moça à anarquia corporal de A mulher de todos, considerado pelo crítico Jean-Claude Bernadet o melhor filme brasileiro, Helena Ignez sempre estudou e coreografou suas atuações. "Ângela Carne e Osso" – seu personagem mais parecido com Helena segundo ela mesma – chuta, dança, pragueja contra seus homens à medida que os ama, nunca se limitando apenas a uma presença sedutora. Helena Ignez inaugurou um novo estilo de interpretação feminina, seguida por atrizes como Adriana Prieto e Anecy Rocha.

Com a morte do marido Rogério Sganzerla, há sete anos, vítima de um tumor cerebral,assumiu o texto, a produção de "Luz nas Trevas – a Volta do Bandido da Luz Vermelha" (2010), retomando a continuação que Sganzerla havia escrito para "O Bandido da Luz Vermelha", clássico de 1968. Dividiu a direção com o diretor Ícaro Martins, e colocou no mundo o filho do bandido de 1968, com Djin Sganzerla (filha de Helena e Rogério), André Guerreiro Lopes e o cantor Ney Matogrosso no elenco.

[editar] Carreira

[editar] No cinema

  • 2008 - Amarar
  • 2003 - O signo do caos
  • 1999 - São Jerônimo
  • 1997 - Você Decide (série televisiva - episódio: "Terra")
  • 1992 - Perfume de gardênia
  • 1992 - Tereza Batista (minissérie televisiva)
  • 1992 - Oswaldianas (episódio: "Perigo Negro")
  • 1991 - Meu marido (minissérie televisiva)
  • 1986 - Nem tudo é verdade
  • 1975 - Carnaval de lama
  • 1973 - Um intruso no paraíso
  • 1971 - Os monstros de babaloo
  • 1970 - A família do barulho
  • 1970 - Cuidado, madame
  • 1970 - Sem essa, Aranha
  • 1970 - Barão Olavo, o horrível
  • 1970 - Copacabana mon amour
  • 1969 - A mulher de todos
  • 1969 - Um homem e sua jaula
  • 1968 - O bandido da luz vermelha
  • 1968 - A última testemunha (Série televisiva)
  • 1968 - Os marginais (episódio: "Guilherme")
  • 1968 - O engano
  • 1967 - Cara a cara
  • 1965 - O Padre e a Moça
  • 1964 - O grito da terra
  • 1962 - O assalto ao trem pagador
  • 1961 - A grande feira
  • 1959 - O pátio

[editar] No teatro

[editar] Referências bibliográficas

  • PUPPO, E.; HADDAD, V. Cinema Marginal e Suas Fronteiras: Filmes Produzidos nas Décadas de 60 e 70. Centro Cultural Banco do Brasil, 2004. 160p.
  • RAMOS, F. P.; MIRANDA L. F. Enciclopédia do Cinema Brasileiro. 2. ed. São Paulo: SENAC, 2000. 664 p.
  • STERNHEIM, A. Abrindo a Boca. Revista SET. Dez 2005.
  • GARDNIER, R. Helena Ignez. In: Femina, 2., 2005, Rio de Janeiro.
  • MOTTIN, M. La Femme du bandit: Hommage à Helena Ignez. In: Festival International de films de Fribourg, 20., 2006, Fribourg. p. 87-101

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas

  1. http://www.imdb.com/name/nm0407235/
Precedida por:
Fernanda Montenegro
por A Falecida
Troféu Candango de Melhor Atriz
por O Padre e a Moça

1966
Sucedida por:
Rossana Ghessa
por Bebel, Garota Propaganda
Precedida por:
Rossana Ghessa
por Bebel, Garota Propaganda
Troféu Candango de Melhor Atriz
por A Mulher de Todos

1969
Sucedida por:
Dina Sfat
por Os Deuses e os Mortos
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